quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011


   Frequentemente o produtor de hortaliças tem seu planejamento prejudicado em relação a área a ser cultivada devido à falhas ocorridas na fase de produção de mudas. Problemas nesta fase serão evidenciados na planta adulta, quando dificilmente poderão ser corrigidos. O sucesso de uma cultura depende em mais de 50% da qualidade das mudas. Além disso, o investimento em insumos (adubos e tratamentos fitossanitários), que representam alto custo, não terão o retorno desejado quando são utilizadas mudas de baixa qualidade. A produção de mudas vigorosas e sadias depende da qualidade do substrato, do vigor da semente, do bom controle fitossanitário e da proteção da sementeira. A aquisição de mudas orgânicas de produtores especializados que produzem em bandejas de isopor sob abrigos de plástico e/ou sombrite é uma boa opção para obter-se mudas de qualidade e na quantidade necessária.
Escolha da semente: devem ser adquiridas em embalagens herméticas, dentro do prazo de validade, com alto padrão de sanidade, germinação e vigor, e de empresas com reconhecida idoneidade. É importante o produtor exigir a nota fiscal para que possa, se necessário, reclamar da baixa qualidade da semente comprada. Hoje já são encontradas sementes de hortaliças orgânicas nas casas agropecuárias e associações de produtores orgânicos.
Produção de mudas em copinhos (plástico e papel) e bandejas de isopor: as principais vantagens na produção de mudas em recipientes são: maior uniformidade, precocidade e sanidade das mudas, além de maior economia de sementes. Devido ao fato de não haver rompimento das raízes, evita-se ou diminui-se a incidência de certas doenças e aumenta-se o índice de pegamento no campo, por ocasião do transplante das mudas.
Recipientes utilizados: as bandejas de isopor são as mais utilizadas. Para a alface pode ser utilizado as bandejas com 288 e 200 células, enquanto que para o tomate, pimentão, beterraba e brássicas, as de 128 células são as mais adequadas. Para hortaliças da família das cucurbitáceas (melancia, moranga e pepino) recomenda-se preferencialmente os copinhos de papel ou de plástico, podendo ser utilizadas também bandejas de 128 células.Confecção dos copinhos: corta-se uma folha de jornal, sem ser colorida, em cinco tiras, no sentido horizontal da página, com cerca de 11,5 cm de largura cada uma e enrola-se em torno de um cano de PVC (50mm) com 7 cm de comprimento. A extremidade do cilindro de papel é dobrada para dentro, de modo a formar o fundo do copinho e depois bate-se o fundo do cano para comprimir as dobras do fundo do molde. Posteriormente, enche-se o cano com o substrato e retira-se o mesmo para confecção de outros copinhos. Substratos: na produção de mudas é fundamental o uso de substrato de boa qualidade que permita servir de suporte as plantas e dar um ambiente favorável para o desenvolvimento das raízes quanto a nutrição e porosidade e, principalmente isento de contaminação por fungos e bactérias.Muitos substratos que estão a venda nas casas agropecuárias especializadas não preenchem estes requisitos, por isso é importante que o produtor teste, antes de adquirir grandes quantidades. Abaixo exemplos de formulação de substrato que o agricultor pode testar em sua propriedade: a)substrato A: composto orgânico peneirado; b) substrato B: 2 latas de subsolo ou terra de mato + 1 lata de cama de aviário curtida + 1 lata de casca de arroz carbonizada; c)substrato C: 2 latas de húmus + 2 latas de casca de arroz carbonizada ou 1 lata de areia lavada de rio; d) substrato D: 2 latas de composto orgânico + 1 lata de húmus de minhoca + 1 lata de terra de mato ou subsolo.Obs.: a terra não deve ser coletada em locais cultivados para evitar pragas, doenças e plantas espontâneas. Suporte e proteção das mudas : o suporte para as bandejas e os copinhos devem estar a uma altura de 80 cm para facilitar o trabalho do operador, durante semeadura, desbaste e eliminação de plantas espontâneas. As bandejas devem estar suspensas por arames fixados em palanques para permitir a poda seca das raízes. A estrutura do suporte deve ser bem rígida para suportar o peso das bandejas e mantê-las em nível. A finalidade da proteção é reduzir ao máximo as variações climáticas ou a força de impacto de certos fatores climáticos como vento, temperatura, luz, chuva, geada e etc. Os túneis altos cobertos com plástico que funcionam como um guarda-chuva, são os mais utilizados (Figura 1). No verão são auxiliados por sombrite que deixam passar 30 a 50 % da luz para reduzir o calor. No inverno são fechados. Nas laterais usa-se telas para evitar a entrada de pulgões e tripes, transmissores de viroses. Para a produção de pequenas quantidades de mudas reduz-se o tamanho do abrigo de mudas. O manejo é o mesmo, independente do tamanho.
 Figura 1. Produção de mudas em bandejas de isopor protegidas por um abrigo de plástico

Irrigação nas sementeiras (bandejas) : como as células das bandejas têm uma superfície pequena, a distribuição de água deve ser uniforme para que cada célula receba a mesma quantidade de água. Isso pode ser feito manualmente com regador de crivo fino ou através de microaspersores especiais como os nebulizadores. A irrigação ideal é a que permite umedecer o substrato sem gotejar abaixo das células para não perder nutrientes e água. A frequência das irrigações depende da temperatura e umidade do ar, podendo variar de uma vez por dia no inverno até cinco vezes no verão. Entre uma irrigação e outra, a superfície do substrato precisa secar. Durante a noite a parte aérea das mudas tem que permanecer seca. A água para irrigação deve ser potável e de baixa salinidade, podendo ser obtida do subsolo (poços) e nascentes. A água proveniente de rede pública de abastecimento deve ser evitada devido ao excesso de cloro. Os equipamentos usados para a irrigação são os mais variados que existe no mercado, desde um regador com crivo fino, mangueira de jardim com difusor, microaspersores do tipo "fogger" (nebulizadores), sprinkler, bailarina e etc...
Manejo fitossanitário - as principais medidas visando o manejo fitossanitário são: a) evitar a colocação de abrigos em áreas que já apresentaram doenças e pragas, alta infestação de plantas espontâneas e perto de plantios definitivos da espécie; b) evitar água que passa por diversas propriedades ou que esteja próximo às culturas; c) não utilizar sementes contaminadas ou de origem desconhecida; d) evitar o excesso de água no ambiente; e) não permitir que as plantas se estressem com freqüência controlando a temperatura do ar e a irrigação, pois as plantas mal tratadas são mais susceptíveis ao ataque de pragas e doenças; f) evitar ferimentos nas plantas e g) não armazenar lixos ou restos de culturas próximo aos abrigos.
Adubação: quando o substrato e o manejo da irrigação são adequados, não haverá necessidade de adubação de cobertura. Se ocorrer deficiências, corrigir com, cinza e farinha de osso ou biofertilizantes ou ainda chorumes.
Transplante: um dia antes do transplante, diminuir a irrigação. No momento anterior ao transplante fazer uma boa irrigação nas bandejas para facilitar a retirada de muda com o torrão inteiro e permitir que a muda recupere a turgidez após o transplante. Enterrar apenas o torrão com raízes, não permitindo o contato de terra com a gema de crescimento da muda. Fazer uma irrigação no local do plantio definitivo antes ou logo que terminar a operação.
Ferreira On 2/16/2011 02:52:00 AM 1 comment

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