terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Fonte: Livro da Embrapa Hortaliças – Brasília, DF. Interessados em adquirir o livro “PRODUÇÃO ORGÂNICA DE HORTALIÇAS – Coleção 500 Perguntas – 500 Respostas” devem entrar em contato através do email: vendas@sct.embrapa.br; Para ver o livro completo, acessar: http://mais500p500r.sct.embrapa.br/view/pdfs/90000021-ebook-pdf.pdf

     Com o objetivo de divulgar e aumentar o conhecimento sobre agricultura orgânica,  estamos transcrevendo  do livro, algumas perguntas e respostas que consideramos mais relevantes.

Capítulo 6: Adubação Verde
Autores:  Dejair Lopes de Almeida, José Guilherme Marinho Guerra e José Antonio Azevedo Espindola

O que é adubação verde?
     Adubação verde é uma técnica de manejo agrícola que consiste no cultivo de espécies de plantas com elevado potencial de produção de massa vegetal, semeadas em rotação, sucessão ou em consórcio com culturas de interesse econômico. Essas espécies têm ciclo anual ou perene, isto é, cobrem o terreno por determinado período de tempo ou durante o ano todo. Depois de roçadas ou tombadas, podem ser incorporadas ao solo ou mantidas em cobertura sobre a superfície do solo.

Adubos verdes, plantas recicladoras e plantas condicionadoras de solo são sinônimos?
     O termo “adubos verdes” é bem antigo e seu uso se deve ao fato de que essas plantas atuam como fornecedoras de nutrientes. Mais recentemente, diferentes termos têm sido empregados para caracterizar o efeito de algumas espécies utilizadas como adubo verde e que também funcionam como condicionadoras de solo ou recicladoras de nutrientes. De forma geral, a maioria das espécies utilizadas na adubação verde atua na ciclagem de nutrientes por causa de seu sistema radicular profundo (por isso, o termo plantas recicladoras). Ao adicionarem material orgânico, atuam como condicionadoras do solo, promovendo melhorias em seus atributos químicos, físicos e biológicos e reduzindo os riscos de erosão (por isso, o termo plantas condicionadoras). 

Quais os benefícios da adubação verde para o solo? 
     As plantas usadas como adubo verde conferem benefícios às características físicas, químicas e biológicas do solo, promovendo a melhoria da fertilidade entendida de forma mais ampla. Os efeitos estão inicialmente associados à capacidade de cobertura do terreno e à adição de matéria orgânica, sendo os seguintes os principais benefícios:
• Proteção contra a erosão.
• Melhoria da estrutura, com aumento na infiltração e retenção de água no solo.
• Ciclagem de nutrientes.
• Contribuição para o equilíbrio biológico do solo, podendo favorecer a população de organismos benéficos e reduzir problemas ligados a patógenos do solo, entre outros.

Quando se utiliza adubação verde, ainda é preciso utilizar outros adubos orgânicos?
     Sim. Na maioria das vezes, a adubação verde deve ser complementada pela adubação orgânica, feita com estercos ou compostos ou com fontes de adubos minerais permitidos na agricultura orgânica, pois os adubos verdes não substituem integralmente outros tipos de adubos. A adubação verde com espécies leguminosas garante o fornecimento de um nutriente essencial, o nitrogênio oriundo do ar, ao passo que os demais elementos já se encontram no solo e são aproveitados pelo adubo verde, retornando para o solo após a operação de roçada e decomposição. A adubação verde com espécies não-leguminosas, entretanto, não garante a adição de nenhum nutriente, mas apenas o processo de aproveitamento dos nutrientes presentes no solo. É importante ter em mente que as culturas exportam nutrientes por meio dos produtos das colheitas, sendo essencial repor essa exportação por meio da adubação. Sem isso, ocorrerá um processo gradual de empobrecimento do solo.

Que características a planta precisa ter para ser utilizada como adubo verde? 
     Antes de mais nada, as espécies a serem escolhidas devem adaptar-se às condições de clima e solo do local, e ter as seguintes características:
• Rusticidade.
• Crescimento inicial rápido, de modo a cobrir o solo e dificultar o desenvolvimento de ervas espontâneas.
• Sistema radicular bem desenvolvido.
• Elevada produção de massa vegetal.
• Baixa suscetibilidade ao ataque de pragas e doenças.
     No caso do uso de leguminosas, é importante selecionar uma espécie que apresente boa capacidade de fornecimento de nitrogênio. Cabe ressaltar que a importância de cada uma dessas características depende do sistema de cultivo a ser adotado (rotação de culturas, consórcio, etc.) e da cultura de interesse econômico.

A adubação verde também minimiza o surgimento de pragas e doenças?
     Sim, pois favorece a quebra do ciclo de proliferação de pragas e doenças, principalmente quando utilizada em rotação de culturas. Por exemplo, no controle de nematóides formadores de galhas, as espécies de adubos verdes mais utilizadas em condições de clima quente são as crotalárias, as mucunas e o guandu. Nas condições de clima subtropical, são indicadas as gramíneas aveia, centeio, azevém e cevada, e as leguminosas alfafa e serradela. É importante lembrar que algumas espécies de adubo verde, como o feijãomungo, podem provocar efeito inverso, ou seja, aumentar a população de algumas espécies de nematóides no solo, devendo ser evitadas em áreas infestadas com esse patógeno.

Plantas usadas na adubação verde também podem atrair insetos polinizadores?
     Algumas espécies usadas como adubo verde têm grande produção de néctar e pólen, que podem ser aproveitados por abelhas e outros insetos polinizadores e beneficiar a produção vegetal. Dentre as espécies mais indicadas para as condições de clima quente destacam-se o girassol, o guandu e as crotalárias, ao passo que para as condições de clima subtropical recomendam-se nabo forrageiro, cornichão, alfafa, tremoço, ervilhaca e trevos.

O que diferencia as espécies da família das leguminosas das demais plantas utilizadas como adubo verde ?
     Além de apresentarem os mesmos benefícios trazidos por espécies de outras famílias botânicas utilizadas como adubo verde, as leguminosas têm massa vegetal rica em nitrogênio em decorrência de sua capacidade de fixar biologicamente esse nutriente. Após a roçagem e incorporação das leguminosas, o nitrogênio é liberado para o solo, tornando-se disponível para as culturas.

O que é fixação biológica de nitrogênio?
     A fixação biológica de nitrogênio consiste no processo pelo qual algumas bactérias do solo, conhecidas genericamente como rizóbios, se associam simbioticamente às raízes de leguminosas. As bactérias possuem a capacidade de assimilar o nitrogênio do ar, transferindo-o para a planta, ao passo que esta fornece para as bactérias substâncias químicas formadas durante o processo de fotossíntese, que servem de alimento para esses microrganismos.

Qual a importância da adubação verde com leguminosas na produção orgânica de hortaliças?
     A legislação relativa à produção orgânica de alimentos no Brasil proíbe o uso de fertilizantes nitrogenados sintéticos, como uréia e sulfato de amônio. Assim, o fornecimento de nitrogênio para as espécies cultivadas nesses sistemas de produção fica restrito ao uso de fontes orgânicas. Nessas condições, a prática da adubação verde com leguminosas é uma alternativa interessante de fornecimento de matéria orgânica e de nitrogênio para o solo, contribuindo para a sustentação dos sistemas orgânicos de produção. Isso se deve ao fato de a adubação verde com leguminosas constituir-se em recurso renovável produzido na própria unidade de produção, o que torna o agricultor mais independente em relação ao uso de insumos.

As bactérias com capacidade de assimilar nitrogênio do ar em associação com leguminosas já existem no solo ou é preciso adicioná-las às sementes de leguminosas?
     Normalmente, essas bactérias já se encontram no solo. Entretanto, é importante fazer a inoculação desses organismos nas sementes de leguminosas quando são plantadas pela primeira vez num determinado local. Os inoculantes fornecidos pelos laboratórios geralmente são específicos para cada espécie. O inoculante deve ser guardado em geladeira ou em local fresco até o momento do uso, pois o calor excessivo pode provocar a morte das bactérias antes da inoculação.

Onde é possível adquirir inoculantes para leguminosas?
     A Associação Nacional de Produtores e Importadores de Inoculantes (www.anpii.org.br) dispõe de uma relação de endereços de laboratórios que produzem esses insumos. Algumas Unidades de pesquisa da Embrapa também produzem, em menor escala, inoculantes para leguminosas. Dentre esses, podem ser mencionadas a Embrapa Agrobiologia (www.cnpab.embrapa.br) e a Embrapa Soja (www.cnpso.embrapa.br).

É possível usar soja e feijão-de-corda como adubo verde ?
     As sementes de algumas leguminosas, como a soja e o feijãode-corda, são mais facilmente encontradas do que outras espécies tradicionalmente recomendadas para adubação verde. Por causa de seu alto potencial de fixação biológica de nitrogênio e do crescimento vigoroso dessas espécies, associados à boa produção de massa vegetal em um período de tempo relativamente curto, a soja e o feijão-de-corda são boas alternativas para adubação verde, notadamente em sistemas orgânicos de cultivo. Cabe destacar que, por causa de sua alta sensibilidade ao fotoperíodo, a soja deve ser cultivada durante a estação de verão.

Como a adubação verde pode ser utilizada no cultivo de hortaliças?
     A prática da adubação verde pode ser feita em diferentes modalidades, de acordo com sua finalidade no sistema. Dentre essas, é possível destacar os manejos na forma de rotação ou de consórcio com as hortaliças. No cultivo em rotação, o adubo verde pode ser incorporado ao solo após a roçada para posterior plantio da hortaliça, ou mantido em cobertura sobre a superfície do terreno, fazendo-se o plantio direto da hortaliça na palhada. A manutenção da palhada na superfície retarda a germinação das sementes de plantas espontâneas, ao passo que a sua incorporação ao solo tende a fornecer os nutrientes mais rapidamente para a cultura em sucessão. No consórcio, o adubo verde pode ser semeado nas “ruas” ou nas próprias linhas de cultivo da hortaliça, ou formando aléias ou faixas intercalares com as hortaliças, quando as espécies de adubo verde apresentam porte arbustivo ou arbóreo.

Para que tipos de hortaliças a adubação verde é mais importante?
     Independentemente da espécie de hortaliça, a adubação verde é uma técnica que quase sempre proporciona algum tipo de benefício no manejo orgânico, seja diretamente para a cultura econômica ou, indiretamente, por meio da melhoria das condições do solo. O manejo rotacional da adubação verde é favorável para qualquer tipo de hortaliça, ao passo que no consorciado são favorecidas, principalmente, as hortaliças de frutos e as brássicas, como repolho e couve-flor.

Que hortaliças e adubos verdes podem ser consorciados?
     Em princípio, a maioria das hortaliças pode ser cultivada com adubos verdes. Para tanto, existem diferentes estratégias de consórcio que podem ser adotadas, sendo algumas já conhecidas, ao passo que outras estão sendo testadas experimentalmente. Mas todas precisam ser ajustadas na própria unidade de produção. Alguns exemplos podem ser mencionados:
• Hortaliças de frutos como tomate, quiabo, jiló, berinjela e pimentão consorciadas com espécies de hábito ereto como crotalárias, feijão-de-porco e guandu.
 • Brássicas, como repolho, couve, brócolis e couve-flor, consorciados com espécies de hábito ereto e porte baixo, como Crotalaria spectabilis, ou de porte prostrado menos agressivas como mucuna anã, ou rastejante perene como amendoim forrageiro.
• Hortaliças rizomatosas, como inhame, consorciadas com espécies de hábito ereto como crotalárias.
     Outra estratégia de adubação verde consiste no plantio do adubo verde quando o ciclo da cultura principal está se completando. Um exemplo consiste de hortaliças folhosas, como alface ou repolho, consorciadas com Crotalaria juncea semeada no terço final do ciclo dessas culturas.

No consórcio, como decidir o melhor intervalo de tempo entre o plantio da hortaliça e do adubo verde?
     A decisão depende da espécie de hortaliça em questão e da espécie de adubo verde que será utilizada. Esse aspecto é fundamental para o sucesso da técnica, quando empregada na forma de consórcio. Dependendo da combinação entre as espécies consorciadas, o adubo verde pode ser plantado antes, concomitantemente ou depois da cultura principal. A definição da época de plantio do adubo verde em relação à hortaliça depende do hábito de crescimento do adubo verde e da velocidade de crescimento de ambas as espécies.
     Por exemplo, se a hortaliça a ser consorciada apresenta porte baixo, como a couve, é desejável consorciá-la com adubos verdes de porte baixo e crescimento lento, como a mucuna anã e a Crotalaria spectabilis. Para hortaliças de porte mais alto, como o quiabo, o consórcio pode ser feito tanto com adubos verdes de porte alto e de crescimento rápido, como com os de porte baixo e crescimento lento.
     Um exemplo de leguminosa de porte alto e crescimento rápido é a Crotalaria juncea, quando cultivada no período de primavera– verão, cuja semeadura deve ser feita após a primeira capina do quiabeiro, realizando-se seu corte por ocasião do início da colheita.

No consórcio, como decidir pelo melhor espaçamento do plantio da hortaliça e do adubo verde?
     A escolha do melhor espaçamento entre as espécies consorciadas deve atenuar a competição originada pela presença do adubo verde em consórcio com a hortaliça e otimizar o benefício da adubação verde. De maneira geral, o adubo verde é semeado nas “ruas” da cultura principal, utilizando-se uma, duas ou três linhas de acordo com o espaçamento da hortaliça.
     No caso de hortaliças que proporcionam diversas colheitas, a semeadura do adubo verde pode ser realizada em “ruas” intercalares ou em todas as “ruas”, desde que o adubo verde seja roçado em uma delas quando se inicia o processo de colheita.

No consórcio, pode existir competição entre o adubo verde e a hortaliça por água, luz e nutrientes?
     Sim. Por essa razão, devem-se tomar alguns cuidados de modo a minimizar os efeitos da competição. Em relação à água, a competição não é tão marcante porque a maioria das hortaliças é cultivada em regime de irrigação.
     Caso contrário, há de se levar em consideração as condições locais, pois a falta de água em determinado período de cultivo pode restringir o bom desempenho da hortaliça, inviabilizando o manejo consorciado do adubo verde. Caso o adubo verde já tenha sido implantado e ocorra falta de água para a cultura, é aconselhável roçá-lo imediatamente, mesmo que não tenha atingido o ponto ideal de corte.
     Em relação à competição por nutrientes, especialmente o nitrogênio, quando são utilizadas espécies que não são leguminosas, a competição pode ser marcante, prejudicando o desempenho da hortaliça, podendo-se amenizar esse problema com o uso de leguminosas, pois esse grupo de plantas não depende da disponibilidade de nitrogênio do solo para alcançar bom desenvolvimento.
     No que diz respeito à competição por luz, essa pode ser minimizada por meio de estratégias de manejo mais adequadas para cada cultura, destacando-se a escolha da espécie de adubo verde com porte e hábito de crescimento compatíveis com a cultura principal, a época de plantio e o espaçamento adotados, a fim de favorecer a sincronização no crescimento do adubo verde e da hortaliça e a época de realização da roçada ou da poda, que nem sempre coincide com o momento de maior acúmulo de nutrientes no adubo verde.

O que é adubação verde em aléias ou faixas intercalares?
     Nesse sistema de manejo da adubação verde as espécies econômicas são cultivadas em aléias ou faixas entre espécies de adubo verde herbáceos, arbustivos ou arbóreos. Os adubos verdes são plantados formando faixas com uma, duas ou mais linhas, dependendo das caraterísticas da espécie, sendo variável o espaçamento entre as faixas.
     Os adubos verdes herbáceos e arbustivos podem ser roçados, ou manejados com ou sem poda, ao passo que as espécies arbóreas podem ser podadas ou não. O material vegetal proveniente da poda deve ser distribuído na área ocupada pela cultura principal.

Qual o melhor momento para podar ou roçar os adubos verdes?
     Os adubos verdes cultivados em rotação com hortaliças podem ser roçados no momento de seu máximo desenvolvimento, quando normalmente ocorre alta acumulação de nutrientes na massa vegetal. Assim, quando o objetivo da adubação verde é fornecer nutrientes para a cultura seguinte, a roçada pode ser feita na ocasião do florescimento, no caso de leguminosas, por causa das elevadas quantidades de nitrogênio que as plantas acumulam nessa fase. No caso de a espécie de adubo verde ser uma gramínea, a roçada deve ser feita na fase de grão leitoso. Quando a adubação verde é utilizada em consórcio com hortaliças, é importante que a roçada ou a poda sejam feitas no momento em que o adubo verde tenha criado condições desfavoráveis ao bom desenvolvimento da cultura econômica, em decorrência da competição por água e luz. 

Que adubos verdes podem ser utilizados para formar aléias ou faixas intercalares?
     As espécies empregadas como adubos verdes nesse sistema de cultivo devem apresentar as seguintes características:
• Fácil estabelecimento no campo.
• Crescimento rápido.
 • Tolerância ao corte.
• Alta capacidade de rebrota.
 • Alta produção de biomassa.
 • Potencial de fixação biológica do N atmosférico.
     Em condições de clima tropical, são utilizadas com maior freqüência nesse sistema de manejo as seguintes espécies:
• Capim-elefante.
• Girassol mexicano.
 • Crotalárias.
• Guandu.
• Tefrósia.
 • Leucena.
• Gliricídia.
 • Caliandra.
 • Flemíngea.
 As hortaliças, em princípio, não oferecem dificuldades quanto às espécies de adubo verde, desde que os renques obedeçam a um espaçamento e sejam manejados de forma que o adubo verde não concorra por água, nutrientes e luz com a cultura econômica.

É fácil encontrar sementes de adubos verdes no comércio?
     Sementes de alguns adubos verdes, principalmente de algumas leguminosas, não são encontradas com facilidade no comércio. Normalmente, a oferta é sazonal e, muitas vezes, a espécie que se deseja utilizar não está disponível ou tem preço elevado. Por sua vez, a grande maioria das espécies pode ser cultivada para a obtenção de sementes na própria unidade de produção, o que é desejável porque torna o agricultor independente em relação ao uso da adubação verde.

O que é “coquetel” de adubos verdes?
     O “coquetel” consiste no cultivo consorciado de diferentes espécies de adubos verdes que, de maneira geral, apresentam portes e hábitos de crescimento distintos e são cultivados em rotação com as culturas econômicas. A combinação de mais de uma espécie de adubo verde pode trazer benefícios para o cultivo orgânico de hortaliças, como:
• Exploração de camadas diferenciadas do solo pelas raízes, acarretando melhoria da estrutura do solo.
 • Acúmulo também diferenciado de nutrientes, ampliando qualitativa e quantitativamente sua oferta.
 • Velocidade distinta de decomposição dos resíduos com impacto na proteção do solo, controle de ervas espontâneas e liberação de nutrientes.
• Aumento da diversidade biológica, que acarreta impacto sobre a população de insetos benéficos pela oferta variada de abrigo, de néctar e de pólen.

Que espécies podem ser utilizadas no coquetel?
     Várias combinações podem ser feitas de acordo com a disponibilidade de sementes e as condições climáticas locais. As espécies mais difundidas nos coquetéis para as regiões de clima tropical são:
 • Milho.
 • Milheto.
• Sorgo.
• Painço.
• Feijão-de-porco.
• Feijão-bravo-do-ceará.
• Feijão-de-corda.
• Mucunas.
 • Lab-lab.
 • Calopogônio.
• Crotalárias.
• Guandu.
• Tefrósia.
 • Leucena.
 • Girassol.
• Mamona.





Ferreira On 1/10/2017 06:16:00 PM Comentarios LEIA MAIS

sábado, 10 de dezembro de 2016

Autores:  Flávia A. de Alcântara e Nuno R. Madeira.

De que modo a compostagem ajuda a manter ou repor a matéria orgânica?
     A compostagem é uma maneira mais eficiente de se utilizar os estercos e o material volumoso (capins, resíduos vegetais). É um processo de decomposição “forçada” da matéria orgânica em ambiente aeróbico (na presença de ar). O material é empilhado, geralmente na proporção de três pilhas de volumoso para uma pilha de esterco, e é revirado de 15 em 15 dias, quando é também umedecido. Como resultado, obtém-se, após um período aproximado de 90 dias, um produto parcialmente mineralizado, ou seja, mais eficiente como fonte de nutrientes para as culturas e, além disso, higienizado. O composto também apresenta outra vantagem em relação ao esterco não compostado: por ter um volumoso em sua formação, geralmente palhada e capim, permanece mais tempo no solo, funcionando também como um condicionador físico e melhorando sua estrutura.

De que modo a adubação verde ajuda a manter ou repor a matéria orgânica?
     A adubação verde é uma prática excelente em quantidade e qualidade de matéria orgânica. Em quantidade, porque os adubos verdes produzem muita massa vegetal e, em qualidade, porque essa massa é muito rica em nutrientes. Além disso, como se decompõe mais lentamente no solo, em comparação com os estercos e composto, a matéria orgânica proveniente dos adubos verdes é um ótimo condicionador físico de solo.
     Os adubos verdes podem ser utilizados em esquemas de rotação, sucessão ou consórcio com as hortaliças. Muitos produtores não utilizam essa prática porque não querem ou não podem deixar a área “parada” por um tempo (enquanto os adubos verdes crescem e chegam ao ponto ideal de corte). O consórcio, porém, é uma boa alternativa para esses casos. Algumas hortaliças podem ser consorciadas sem problema com os adubos verdes, mas é preciso saber qual a melhor época de plantio do adubo verde em relação à da cultura, para não haver competição.

Como é feito o manejo dos adubos verdes?
     O manejo dos adubos verdes depende do objetivo de sua utilização. Sua massa vegetal pode ser tanto incorporada ao solo quanto mantida na superfície. No primeiro caso, os processos de decomposição e mineralização acontecem mais rápido e, conseqüentemente, os efeitos positivos na melhoria da fertilidade e no condicionamento do solo aparecem mais cedo. Essa é a melhor alternativa de manejo dos adubos verdes quando se objetiva o fornecimento de nutrientes para a cultura sucessora. No segundo caso, a massa vegetal fica disposta sobre o solo após seu corte e, por isso, se decompõe mais devagar. Essa é uma boa alternativa quando o objetivo principal é proteger o solo contra a erosão e contra o surgimento de plantas espontâneas problemáticas. Nesse caso, os adubos verdes são utilizados como cobertura vegetal. Se essa cobertura vegetal for realizada visando à produção de palhada para o sistema de plantio direto ou para o cultivo mínimo, dará origem ao que se chama de cobertura morta.

Qual a situação ideal para manter ou repor a matéria orgânica num sistema orgânico de produção de hortaliças?
     Uma situação ideal seria aquela em que o produtor orgânico pudesse aliar um esterco curtido e de boa qualidade, ou um composto bem produzido, com a prática da adubação verde ou da cobertura vegetal. Assim, consegue-se manter os teores de matéria orgânica e propiciar a manutenção, e mesmo a melhoria, da qualidade do solo ao longo do tempo. Além disso, deve-se adotar o preparo conservacionista do terreno, evitando-se o revolvimento excessivo.

Como é feito o preparo do solo no cultivo orgânico de hortaliças?
     O preparo do solo no cultivo orgânico de hortaliças procura ser conservacionista, priorizando a movimentação mínima do terreno. Recomenda-se fazer as operações de aração e gradagem apenas no primeiro ano e utilizar, nos anos seguintes, mecanização reduzida, mantendo o solo coberto, e fazer o novo plantio sem fazer novo preparo.

Pode-se utilizar o sistema de plantio direto no cultivo orgânico de hortaliças?
     Sim. Esse é um sistema de plantio conservacionista que pode ser utilizado no cultivo orgânico de hortaliças. Entretanto, o que ocorre é que muitas pessoas acreditam que o plantio direto está necessariamente vinculado ao uso de herbicidas, o que não é verdade. Da mesma forma que se faz capinas manuais ou com enxadas em sistemas orgânicos com revolvimento de solo, também se faz o mesmo em sistemas orgânicos com plantio direto. É importante que a área apresente baixa ocorrência de plantas espontâneas problemáticas, como tiririca, losna ou trapoeraba. Outro ponto importante é o entendimento de que é essencial trabalhar para a construção da fertilidade, utilizando rotação de culturas adequada, pensando em longo prazo e não somente na safra corrente.

Qual a definição de sistema de plantio direto e qual a diferença entre plantio direto e cultivo mínimo?
     No meio técnico, ainda não há consenso em relação a conceitos e definições. Entretanto, a maioria dos profissionais concorda com a seguinte terminologia:

a)Plantio direto: é um sistema de plantio que visa maximizar a produção em longo prazo, considerando os custos indiretos advindos da atividade agrícola, baseado em três princípios básicos:       
• Revolvimento mínimo do solo, restrito à cova ou sulco de plantio.
• Rotação de culturas.
• Cobertura do solo.

b) Cultivo mínimo: é um sistema intermediário de plantio, entre o convencional e o direto, que visa maximizar a produção em longo prazo, considerando os custos indiretos advindos da atividade agrícola, mas que não atende a um dos três princípios básicos do plantio direto. Como exemplo de cultivo mínimo pode-se citar o cultivo de cebola em área cultivada com milho, passando-se a grade niveladora fechada sobre a palhada para homogeneizar a área e facilitar o plantio ou transplantio da cebola, mantendo a palhada em cobertura e revolvendo o solo em área total apenas superficialmente. É importante mencionar que o plantio diretamente no local definitivo após o preparo de solo em vez da tradicional formação de mudas, como ocorre no plantio de cebola e beterraba, é chamado por vezes de plantio direto, no setor de hortaliças. Entretanto, tratase, na verdade, de um método de cultivo – o de semeadura direta – distinto do sistema de plantio direto.

Que hortaliças podem ser cultivadas no sistema de plantio direto e no cultivo mínimo?
     Há diversas espécies que se adaptam facilmente ao sistema de plantio direto, como couve, repolho, couve-flor, brócolis, berinjela, jiló, abobrinha, abóboras, tomate, pimentão, entre outras. Basicamente, podem ser cultivadas nesse sistema todas as espécies plantadas em espaçamento relativamente aberto, o suficiente para permitir fáceis capinas depois do transplantio. Culturas como cebola, beterraba, alho, alface, entre outras, apresentam dificuldades em relação à manutenção da população de plantas espontâneas em níveis abaixo do competitivo com a cultura. Entretanto, para pequenas áreas e quando se dispõe de mão-de-obra, é possível seu plantio, especialmente em cultivo mínimo, desde que se tenha mais cuidado na fase de formação de palhada.
     Algumas culturas apresentam verdadeira limitação ao cultivo em sistemas de plantio direto, como cenoura, mandioquinha-salsa, batata-doce e batata. A cenoura necessita de solo extremamente solto em virtude da frágil dominância apical de suas raízes, o que leva à formação de raízes tortuosas ou bifurcadas em caso de qualquer impedimento físico, por mínimo que seja. A mandioquinha-salsa e a batata-doce necessitam de leiras para a formação de raízes e para evitar o acúmulo de água no pé das plantas, no caso da mandioquinha-salsa. A batata necessita de amontoa para a formação dos tubérculos, e o aspargo, para a formação dos brotos. Entretanto, há casos de cultivo mínimo de batata em que o plantio é feito em sulcos sobre a palhada, quebrando-se o sistema por ocasião da amontoa, de 25 a 30 dias após o plantio.

O que é cobertura morta?
     É a palhada disposta sobre o solo para a realização do plantio direto ou do cultivo mínimo. A obtenção da cobertura morta pode ser feita de duas maneiras: pela importação de palhada de outra área, como se faz tradicionalmente na cultura do alho comum, e pelo cultivo de plantas de cobertura, fornecedoras de palhada, e seu manejo (corte) no próprio local. Produzindo a palhada no próprio local, o agricultor está respeitando o princípio da sustentabilidade, preconizado pelos sistemas orgânicos de produção, reduzindo a importação de insumos.
     A busca de palhada em outro local garante a cobertura do solo, mas não o efeito de estruturação do solo promovido pela “aração biológica”, que consiste na decomposição do sistema radicular das culturas precedentes, tornando o solo leve, poroso, além de aumentar seu teor de matéria orgânica. Que materiais podem ser utilizados como cobertura morta? Há inúmeras espécies que podem ser utilizadas para produção de cobertura morta, tanto em cultivo “solteiro” como no consorciado. Espécies de adubos verdes, sejam leguminosas, gramíneas ou plantas de outras famílias, podem ser utilizadas como plantas de cobertura. Plantas de interesse econômico, como milho, especialmente milho verde, soja hortaliça, ervilha, etc., também podem ser utilizadas na produção de palhada. Para todas essas plantas de cobertura existe a possibilidade de produção de sementes na própria propriedade, sendo inclusive difícil encontrar fornecedores de sementes de algumas delas.

De que depende a escolha da planta de cobertura?
     A escolha da planta de cobertura depende de diversos fatores, como:
 • Clima.
 • Esquema de rotação de culturas, devendo-se considerar o tempo disponível para a formação de palhada.
• Capacidade das plantas de hospedarem pragas e patógenos.
• Características físicas do solo, como camadas compactadas.
• Características químicas do solo, como necessidade de reciclagem de nutrientes e velocidade na disponibilização de nutrientes pela cobertura morta.
• Utilidade comercial das plantas de cobertura.
     Como regra geral, se o desejado é a obtenção de cobertura morta duradoura, deve-se optar pelo plantio de gramíneas, de plantas com alta relação carbono/nitrogênio (C/N), como milho, milheto, sorgo, aveias, entre outras.
     Se, por sua vez, deseja-se obter cobertura morta de degradação mais rápida para liberação de nutrientes para a cultura sucessora, utilizam-se plantas de cobertura com relação C/N mais baixa, do grupo das brássicas, como nabo forrageiro, e das nabiças, das amarantáceas, como o amaranto, ou das leguminosas, como as mucunas, as crotalárias, o lab-lab, as sojas, o guandu, o feijão-de-porco, entre outras.

A vegetação espontânea pode ser utilizada como cobertura?
     Sim. O uso de vegetação espontânea pode ser viável. Normalmente, há predominância de gramíneas, especialmente no verão. Entretanto, é preciso observar se estão ocorrendo plantas espontâneas problemáticas, que podem competir por água e nutrientes durante o ciclo da cultura principal, inviabilizando-a.

Podem ser utilizados consórcios de plantas de cobertura?
     Sim. O uso de consórcios com plantas de diferentes famílias é muito interessante e recomendado. Um exemplo é o consórcio de milho (gramínea) e mucuna (leguminosa), tirando-se proveito do milho como fornecedor de palhada duradoura e da mucuna, como fornecedora de nutrientes, especialmente nitrogênio. Outro consórcio muito utilizado em regiões de clima ameno, e que merece destaque, é o de aveia-preta, nabo forrageiro e ervilhaca, em que a aveia-preta atua como fornecedora de palhada, a ervilhaca, como fornecedora de nutrientes, especialmente nitrogênio, e o nabo forrageiro, como descompactador. 131 132 93 É preciso lembrar que, em sistemas orgânicos de produção, deve-se optar por plantas com baixa capacidade de rebrota ou, preferencialmente, sem essa capacidade, levando em conta tanto a espécie quanto a época de corte.


Como manejar as plantas de cobertura no sistema orgânico?
     A formação de palhada deve ser feita com roçadeira ou rolofaca. No cultivo mínimo, pode-se usar grade niveladora que, aliás, só deve ser usada em casos de grande massa vegetal, e fechada, a fim de não aprofundar no solo e não incorporar a cobertura morta, que deve ficar na superfície. O corte deve ser feito antes da formação de sementes viáveis.
     O plantio em linha de espécies de cobertura para formação de palhada com alguma capacidade de rebrota pode facilitar as capinas posteriormente, fazendo-se o semeio ou o transplantio de mudas da cultura principal nas entrelinhas das plantas de cobertura.

Quais as vantagens do sistema de plantio direto?
     Alguns dos principais benefícios da adoção do plantio direto são:
• Minimização da erosão, pelo amortecimento do impacto das gotas da chuva, e minimização dos efeitos das pesadas enxurradas, tanto pela palhada quanto pela integridade da estrutura do solo, não submetido a revolvimento, mas apenas à “aração biológica”, do que resulta significativo aumento da infiltração de água e da capacidade de retenção de água no solo.
• Aumento da eficiência de uso de água e energia, pela maior infiltração da água no solo, menor escorrimento superficial e menor e vaporação, resultando em redução de até 20 % na necessidade de irrigação.
• Redução da mecanização, superior a 50 % em relação a sistemas convencionais de produção. • Elevação dos teores de matéria orgânica do solo, pela reduzida movimentação e pelo aporte de resíduos.
• Redução da infestação por plantas espontâneas, tanto por ação física, que atua como barreira, quanto por ação química, a exemplo do efeito alelopático de algumas espécies como sorgo, mucunas e outras.
• Aumento da diversidade da biota do solo, em virtude da elevação dos teores de matéria orgânica. • Redução da dispersão de doenças de solo, em conseqüência da diminuição dos respingos de água da chuva e do escorrimento superficial.
• Regulação térmica do solo, observando-se amenização da temperatura nas horas mais quentes do dia com redução de até 9 o C na palhada de superfície do solo, próximo ao coleto da planta, em relação ao solo desprotegido, e retenção do calor residual nas horas mais frias do dia.

Quais as desvantagens do sistema de plantio direto?
Os principais problemas que podem ocorrer no sistema de plantio direto são:
• Em regiões muito úmidas, o plantio direto pode favorecer o desenvolvimento de alguns fungos fitopatogênicos que sobrevivem na palhada, aumentando o inóculo inicial de doenças, mas a dispersão das doenças é mais lenta.
• Aumento da população de “corós”, de besouros consumidores de matéria orgânica que, em elevadas populações, podem atacar as raízes das plantas para alimentar-se – fenômeno já relatado em áreas de plantio direto de grãos.
• Aumento da população de cupins, consumidores de celulose, que podem atacar as raízes em caso de desequilíbrio na população e se a disponibilidade de palhada 135 95 for insuficiente em alguns períodos do ano.
• Compactação do solo, caso não ocorra o pleno estabelecimento das plantas de cobertura, em geral, em decorrência da escolha inadequada da rotação de culturas ou de seu manejo inadequado, a exemplo do excesso de pisoteio ou de trânsito de máquinas na área.
• Indisponibilização da área pelo cultivo de plantas de cobertura que muitas vezes não tem valor comercial direto. Quanto a este último item cabe citar a importância de se entender que o solo deve ser tratado e não somente explorado. Hoje, deve-se pensar em “adubar o solo” e não em adubar a planta, e a obtenção de produções satisfatórias é conseqüência do equilíbrio do solo.

Quais as conseqüências do manejo inadequado do solo?
     O manejo inadequado do solo, no sistema orgânico de produção ou no convencional, pode levar a graves conseqüências. Problemas freqüentes estão relacionados com a fertilidade do solo. Se a fertilidade do solo não for acompanhada com análises periódicas, corre-se o risco de errar na fertilização tanto para menos como para mais.
     Quando se erra para menos, ocorre deficiência, ou a falta de um, ou mais, dos nutrientes da planta. Mesmo a falta de apenas um nutriente prejudica o desenvolvimento da cultura e a produção é comprometida.
     Quando se erra para mais, ocorre toxidez, além de maior gasto com adubo. O uso de fertilizantes em doses maiores que as necessárias para a cultura pode levar ao excesso de um ou mais nutrientes, o que também acarreta desequilíbrio nutricional e redução da produção.
     A deficiência é relativamente mais fácil de resolver. Dependendo do nutriente e do estágio da cultura, é possível aplicar um fertilizante e reverter o quadro de deficiência. Para o excesso, 136 96 porém, não há solução em curto prazo.
     O revolvimento excessivo provoca a destruição dos agregados do solo, acelerando a decomposição e a perda da matéria orgânica. Além disso, pode levar ao endurecimento da camada superior do solo, que fica então compactada e difícil de trabalhar. A desagregação do solo, provocada pelo revolvimento excessivo, também pode ocorrer quando o solo está desprotegido, isto é, sujeito à ação do vento e da água das chuvas, que são os principais causadores da erosão.
     Uma prática inadequada ainda utilizada por alguns produtores de hortaliças é a formação de canteiros “morro abaixo”, ou seja, no sentido da declividade do terreno. Essa prática é uma porta aberta para a erosão, pois facilita grandemente a formação de sulcos no terreno causados pelo escorrimento da enxurrada.

O que é compactação?
     A compactação não é um fenômeno natural. Isso significa que é um processo exclusivamente causado pelo manejo incorreto do solo. Ocorre quando o solo é comprimido, ou seja, quando sofre compressão por máquinas ou pelo pisoteio animal ou humano. A compressão causa o adensamento do solo, o que dificulta o desenvolvimento das raízes das plantas e reduz o número de poros do solo, por onde circulam água e ar, levando à redução do movimento de água no perfil.

O que é erosão?
     Erosão é o processo de transporte do solo para outro local pela ação de agentes erosivos como a água e o vento. Pode ocorrer naturalmente, sem a ação do homem. No entanto, em áreas agrícolas é causada principalmente pela  falta de proteção do terreno, pois o solo desprotegido fica vulnerável à ação da água da chuva e do vento.
     No Brasil, o principal agente erosivo é a chuva. Quando as gotas batem sobre o solo desprotegido, a força do impacto provoca o desagregamento das partículas do solo que são arrastadas pela água da chuva. Com a perda do solo, perdem-se também nutrientes e matéria orgânica. Com o passar do tempo, o processo vai se tornando mais intenso e perigoso, a erosão vai formando sulcos no terreno e pode evoluir para grandes voçorocas. Além disso, a terra vai parar nos cursos d’água, provocando o assoreamento de rios e lagos, tornando a água suja e de má qualidade.
     Para se ter uma idéia, em solos com declividade mediana cultivados convencionalmente e sem práticas conservacionistas, é comum a perda de 20 t/ha de solo a cada ano. Esse material é proveniente justamente da camada arável, ou seja, da fração mais fértil do solo e mais rica em matéria orgânica.

Como o manejo “orgânico” contribui para a qualidade do solo?
      O manejo do solo no sistema orgânico de cultivo contribui para sua qualidade na medida em que prioriza seu uso sustentável. Na agricultura orgânica, o solo é valorizado como um recurso-chave e assim é desde seu surgimento, nos anos 1920. O revolvimento mínimo e a adição/reposição da matéria orgânica, priorizados pelo sistema orgânico, muito contribuem para a manutenção e melhoria das características químicas, físicas e biológicas do solo, e, conseqüentemente, para sua qualidade. Além disso, como o manejo “orgânico” preconiza o preparo conservacionista, as possibilidades de compactação e erosão são muito reduzidas.

O manejo do solo no sistema orgânico garante seu uso sustentável?
     Não se pode fazer essa afirmação porque o manejo do solo tanto no sistema orgânico como no convencional precisa ser bem feito. O que se pode dizer é que o manejo do solo no sistema orgânico tem maiores chances de ser bem-sucedido e garantir o uso sustentável desse recurso porque a preocupação com a qualidade do solo é maior. Entretanto, é preciso considerar que o manejo do solo envolve todas as práticas relacionadas com o solo, desde o preparo do solo até a adubação, sendo necessário que o produtor, orgânico ou convencional, cuide de todos os aspectos da operação ‘manejo’.


Ferreira On 12/10/2016 04:10:00 PM Comentarios LEIA MAIS

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

PERGUNTAS E RESPOSTAS SOBRE PRODUÇÃO ORGÂNICA DE HORTALIÇAS - Capítulo 6 :Adubação Verde

Fonte: Livro da Embrapa Hortaliças – Brasília, DF. Interessados em adquirir o livro “PRODUÇÃO ORGÂNICA DE HORTALIÇAS – Coleção 500 Perguntas – 500 Respostas” devem entrar em contato através do email: vendas@sct.embrapa.br; Para ver o livro completo, acessar: http://mais500p500r.sct.embrapa.br/view/pdfs/90000021-ebook-pdf.pdf

     Com o objetivo de divulgar e aumentar o conhecimento sobre agricultura orgânica,  estamos transcrevendo  do livro, algumas perguntas e respostas que consideramos mais relevantes.

Capítulo 6: Adubação Verde
Autores:  Dejair Lopes de Almeida, José Guilherme Marinho Guerra e José Antonio Azevedo Espindola

O que é adubação verde?
     Adubação verde é uma técnica de manejo agrícola que consiste no cultivo de espécies de plantas com elevado potencial de produção de massa vegetal, semeadas em rotação, sucessão ou em consórcio com culturas de interesse econômico. Essas espécies têm ciclo anual ou perene, isto é, cobrem o terreno por determinado período de tempo ou durante o ano todo. Depois de roçadas ou tombadas, podem ser incorporadas ao solo ou mantidas em cobertura sobre a superfície do solo.

Adubos verdes, plantas recicladoras e plantas condicionadoras de solo são sinônimos?
     O termo “adubos verdes” é bem antigo e seu uso se deve ao fato de que essas plantas atuam como fornecedoras de nutrientes. Mais recentemente, diferentes termos têm sido empregados para caracterizar o efeito de algumas espécies utilizadas como adubo verde e que também funcionam como condicionadoras de solo ou recicladoras de nutrientes. De forma geral, a maioria das espécies utilizadas na adubação verde atua na ciclagem de nutrientes por causa de seu sistema radicular profundo (por isso, o termo plantas recicladoras). Ao adicionarem material orgânico, atuam como condicionadoras do solo, promovendo melhorias em seus atributos químicos, físicos e biológicos e reduzindo os riscos de erosão (por isso, o termo plantas condicionadoras). 

Quais os benefícios da adubação verde para o solo? 
     As plantas usadas como adubo verde conferem benefícios às características físicas, químicas e biológicas do solo, promovendo a melhoria da fertilidade entendida de forma mais ampla. Os efeitos estão inicialmente associados à capacidade de cobertura do terreno e à adição de matéria orgânica, sendo os seguintes os principais benefícios:
• Proteção contra a erosão.
• Melhoria da estrutura, com aumento na infiltração e retenção de água no solo.
• Ciclagem de nutrientes.
• Contribuição para o equilíbrio biológico do solo, podendo favorecer a população de organismos benéficos e reduzir problemas ligados a patógenos do solo, entre outros.

Quando se utiliza adubação verde, ainda é preciso utilizar outros adubos orgânicos?
     Sim. Na maioria das vezes, a adubação verde deve ser complementada pela adubação orgânica, feita com estercos ou compostos ou com fontes de adubos minerais permitidos na agricultura orgânica, pois os adubos verdes não substituem integralmente outros tipos de adubos. A adubação verde com espécies leguminosas garante o fornecimento de um nutriente essencial, o nitrogênio oriundo do ar, ao passo que os demais elementos já se encontram no solo e são aproveitados pelo adubo verde, retornando para o solo após a operação de roçada e decomposição. A adubação verde com espécies não-leguminosas, entretanto, não garante a adição de nenhum nutriente, mas apenas o processo de aproveitamento dos nutrientes presentes no solo. É importante ter em mente que as culturas exportam nutrientes por meio dos produtos das colheitas, sendo essencial repor essa exportação por meio da adubação. Sem isso, ocorrerá um processo gradual de empobrecimento do solo.

Que características a planta precisa ter para ser utilizada como adubo verde? 
     Antes de mais nada, as espécies a serem escolhidas devem adaptar-se às condições de clima e solo do local, e ter as seguintes características:
• Rusticidade.
• Crescimento inicial rápido, de modo a cobrir o solo e dificultar o desenvolvimento de ervas espontâneas.
• Sistema radicular bem desenvolvido.
• Elevada produção de massa vegetal.
• Baixa suscetibilidade ao ataque de pragas e doenças.
     No caso do uso de leguminosas, é importante selecionar uma espécie que apresente boa capacidade de fornecimento de nitrogênio. Cabe ressaltar que a importância de cada uma dessas características depende do sistema de cultivo a ser adotado (rotação de culturas, consórcio, etc.) e da cultura de interesse econômico.

A adubação verde também minimiza o surgimento de pragas e doenças?
     Sim, pois favorece a quebra do ciclo de proliferação de pragas e doenças, principalmente quando utilizada em rotação de culturas. Por exemplo, no controle de nematóides formadores de galhas, as espécies de adubos verdes mais utilizadas em condições de clima quente são as crotalárias, as mucunas e o guandu. Nas condições de clima subtropical, são indicadas as gramíneas aveia, centeio, azevém e cevada, e as leguminosas alfafa e serradela. É importante lembrar que algumas espécies de adubo verde, como o feijãomungo, podem provocar efeito inverso, ou seja, aumentar a população de algumas espécies de nematóides no solo, devendo ser evitadas em áreas infestadas com esse patógeno.

Plantas usadas na adubação verde também podem atrair insetos polinizadores?
     Algumas espécies usadas como adubo verde têm grande produção de néctar e pólen, que podem ser aproveitados por abelhas e outros insetos polinizadores e beneficiar a produção vegetal. Dentre as espécies mais indicadas para as condições de clima quente destacam-se o girassol, o guandu e as crotalárias, ao passo que para as condições de clima subtropical recomendam-se nabo forrageiro, cornichão, alfafa, tremoço, ervilhaca e trevos.

O que diferencia as espécies da família das leguminosas das demais plantas utilizadas como adubo verde ?
     Além de apresentarem os mesmos benefícios trazidos por espécies de outras famílias botânicas utilizadas como adubo verde, as leguminosas têm massa vegetal rica em nitrogênio em decorrência de sua capacidade de fixar biologicamente esse nutriente. Após a roçagem e incorporação das leguminosas, o nitrogênio é liberado para o solo, tornando-se disponível para as culturas.

O que é fixação biológica de nitrogênio?
     A fixação biológica de nitrogênio consiste no processo pelo qual algumas bactérias do solo, conhecidas genericamente como rizóbios, se associam simbioticamente às raízes de leguminosas. As bactérias possuem a capacidade de assimilar o nitrogênio do ar, transferindo-o para a planta, ao passo que esta fornece para as bactérias substâncias químicas formadas durante o processo de fotossíntese, que servem de alimento para esses microrganismos.

Qual a importância da adubação verde com leguminosas na produção orgânica de hortaliças?
     A legislação relativa à produção orgânica de alimentos no Brasil proíbe o uso de fertilizantes nitrogenados sintéticos, como uréia e sulfato de amônio. Assim, o fornecimento de nitrogênio para as espécies cultivadas nesses sistemas de produção fica restrito ao uso de fontes orgânicas. Nessas condições, a prática da adubação verde com leguminosas é uma alternativa interessante de fornecimento de matéria orgânica e de nitrogênio para o solo, contribuindo para a sustentação dos sistemas orgânicos de produção. Isso se deve ao fato de a adubação verde com leguminosas constituir-se em recurso renovável produzido na própria unidade de produção, o que torna o agricultor mais independente em relação ao uso de insumos.

As bactérias com capacidade de assimilar nitrogênio do ar em associação com leguminosas já existem no solo ou é preciso adicioná-las às sementes de leguminosas?
     Normalmente, essas bactérias já se encontram no solo. Entretanto, é importante fazer a inoculação desses organismos nas sementes de leguminosas quando são plantadas pela primeira vez num determinado local. Os inoculantes fornecidos pelos laboratórios geralmente são específicos para cada espécie. O inoculante deve ser guardado em geladeira ou em local fresco até o momento do uso, pois o calor excessivo pode provocar a morte das bactérias antes da inoculação.

Onde é possível adquirir inoculantes para leguminosas?
     A Associação Nacional de Produtores e Importadores de Inoculantes (www.anpii.org.br) dispõe de uma relação de endereços de laboratórios que produzem esses insumos. Algumas Unidades de pesquisa da Embrapa também produzem, em menor escala, inoculantes para leguminosas. Dentre esses, podem ser mencionadas a Embrapa Agrobiologia (www.cnpab.embrapa.br) e a Embrapa Soja (www.cnpso.embrapa.br).

É possível usar soja e feijão-de-corda como adubo verde ?
     As sementes de algumas leguminosas, como a soja e o feijãode-corda, são mais facilmente encontradas do que outras espécies tradicionalmente recomendadas para adubação verde. Por causa de seu alto potencial de fixação biológica de nitrogênio e do crescimento vigoroso dessas espécies, associados à boa produção de massa vegetal em um período de tempo relativamente curto, a soja e o feijão-de-corda são boas alternativas para adubação verde, notadamente em sistemas orgânicos de cultivo. Cabe destacar que, por causa de sua alta sensibilidade ao fotoperíodo, a soja deve ser cultivada durante a estação de verão.

Como a adubação verde pode ser utilizada no cultivo de hortaliças?
     A prática da adubação verde pode ser feita em diferentes modalidades, de acordo com sua finalidade no sistema. Dentre essas, é possível destacar os manejos na forma de rotação ou de consórcio com as hortaliças. No cultivo em rotação, o adubo verde pode ser incorporado ao solo após a roçada para posterior plantio da hortaliça, ou mantido em cobertura sobre a superfície do terreno, fazendo-se o plantio direto da hortaliça na palhada. A manutenção da palhada na superfície retarda a germinação das sementes de plantas espontâneas, ao passo que a sua incorporação ao solo tende a fornecer os nutrientes mais rapidamente para a cultura em sucessão. No consórcio, o adubo verde pode ser semeado nas “ruas” ou nas próprias linhas de cultivo da hortaliça, ou formando aléias ou faixas intercalares com as hortaliças, quando as espécies de adubo verde apresentam porte arbustivo ou arbóreo.

Para que tipos de hortaliças a adubação verde é mais importante?
     Independentemente da espécie de hortaliça, a adubação verde é uma técnica que quase sempre proporciona algum tipo de benefício no manejo orgânico, seja diretamente para a cultura econômica ou, indiretamente, por meio da melhoria das condições do solo. O manejo rotacional da adubação verde é favorável para qualquer tipo de hortaliça, ao passo que no consorciado são favorecidas, principalmente, as hortaliças de frutos e as brássicas, como repolho e couve-flor.

Que hortaliças e adubos verdes podem ser consorciados?
     Em princípio, a maioria das hortaliças pode ser cultivada com adubos verdes. Para tanto, existem diferentes estratégias de consórcio que podem ser adotadas, sendo algumas já conhecidas, ao passo que outras estão sendo testadas experimentalmente. Mas todas precisam ser ajustadas na própria unidade de produção. Alguns exemplos podem ser mencionados:
• Hortaliças de frutos como tomate, quiabo, jiló, berinjela e pimentão consorciadas com espécies de hábito ereto como crotalárias, feijão-de-porco e guandu.
 • Brássicas, como repolho, couve, brócolis e couve-flor, consorciados com espécies de hábito ereto e porte baixo, como Crotalaria spectabilis, ou de porte prostrado menos agressivas como mucuna anã, ou rastejante perene como amendoim forrageiro.
• Hortaliças rizomatosas, como inhame, consorciadas com espécies de hábito ereto como crotalárias.
     Outra estratégia de adubação verde consiste no plantio do adubo verde quando o ciclo da cultura principal está se completando. Um exemplo consiste de hortaliças folhosas, como alface ou repolho, consorciadas com Crotalaria juncea semeada no terço final do ciclo dessas culturas.

No consórcio, como decidir o melhor intervalo de tempo entre o plantio da hortaliça e do adubo verde?
     A decisão depende da espécie de hortaliça em questão e da espécie de adubo verde que será utilizada. Esse aspecto é fundamental para o sucesso da técnica, quando empregada na forma de consórcio. Dependendo da combinação entre as espécies consorciadas, o adubo verde pode ser plantado antes, concomitantemente ou depois da cultura principal. A definição da época de plantio do adubo verde em relação à hortaliça depende do hábito de crescimento do adubo verde e da velocidade de crescimento de ambas as espécies.
     Por exemplo, se a hortaliça a ser consorciada apresenta porte baixo, como a couve, é desejável consorciá-la com adubos verdes de porte baixo e crescimento lento, como a mucuna anã e a Crotalaria spectabilis. Para hortaliças de porte mais alto, como o quiabo, o consórcio pode ser feito tanto com adubos verdes de porte alto e de crescimento rápido, como com os de porte baixo e crescimento lento.
     Um exemplo de leguminosa de porte alto e crescimento rápido é a Crotalaria juncea, quando cultivada no período de primavera– verão, cuja semeadura deve ser feita após a primeira capina do quiabeiro, realizando-se seu corte por ocasião do início da colheita.

No consórcio, como decidir pelo melhor espaçamento do plantio da hortaliça e do adubo verde?
     A escolha do melhor espaçamento entre as espécies consorciadas deve atenuar a competição originada pela presença do adubo verde em consórcio com a hortaliça e otimizar o benefício da adubação verde. De maneira geral, o adubo verde é semeado nas “ruas” da cultura principal, utilizando-se uma, duas ou três linhas de acordo com o espaçamento da hortaliça.
     No caso de hortaliças que proporcionam diversas colheitas, a semeadura do adubo verde pode ser realizada em “ruas” intercalares ou em todas as “ruas”, desde que o adubo verde seja roçado em uma delas quando se inicia o processo de colheita.

No consórcio, pode existir competição entre o adubo verde e a hortaliça por água, luz e nutrientes?
     Sim. Por essa razão, devem-se tomar alguns cuidados de modo a minimizar os efeitos da competição. Em relação à água, a competição não é tão marcante porque a maioria das hortaliças é cultivada em regime de irrigação.
     Caso contrário, há de se levar em consideração as condições locais, pois a falta de água em determinado período de cultivo pode restringir o bom desempenho da hortaliça, inviabilizando o manejo consorciado do adubo verde. Caso o adubo verde já tenha sido implantado e ocorra falta de água para a cultura, é aconselhável roçá-lo imediatamente, mesmo que não tenha atingido o ponto ideal de corte.
     Em relação à competição por nutrientes, especialmente o nitrogênio, quando são utilizadas espécies que não são leguminosas, a competição pode ser marcante, prejudicando o desempenho da hortaliça, podendo-se amenizar esse problema com o uso de leguminosas, pois esse grupo de plantas não depende da disponibilidade de nitrogênio do solo para alcançar bom desenvolvimento.
     No que diz respeito à competição por luz, essa pode ser minimizada por meio de estratégias de manejo mais adequadas para cada cultura, destacando-se a escolha da espécie de adubo verde com porte e hábito de crescimento compatíveis com a cultura principal, a época de plantio e o espaçamento adotados, a fim de favorecer a sincronização no crescimento do adubo verde e da hortaliça e a época de realização da roçada ou da poda, que nem sempre coincide com o momento de maior acúmulo de nutrientes no adubo verde.

O que é adubação verde em aléias ou faixas intercalares?
     Nesse sistema de manejo da adubação verde as espécies econômicas são cultivadas em aléias ou faixas entre espécies de adubo verde herbáceos, arbustivos ou arbóreos. Os adubos verdes são plantados formando faixas com uma, duas ou mais linhas, dependendo das caraterísticas da espécie, sendo variável o espaçamento entre as faixas.
     Os adubos verdes herbáceos e arbustivos podem ser roçados, ou manejados com ou sem poda, ao passo que as espécies arbóreas podem ser podadas ou não. O material vegetal proveniente da poda deve ser distribuído na área ocupada pela cultura principal.

Qual o melhor momento para podar ou roçar os adubos verdes?
     Os adubos verdes cultivados em rotação com hortaliças podem ser roçados no momento de seu máximo desenvolvimento, quando normalmente ocorre alta acumulação de nutrientes na massa vegetal. Assim, quando o objetivo da adubação verde é fornecer nutrientes para a cultura seguinte, a roçada pode ser feita na ocasião do florescimento, no caso de leguminosas, por causa das elevadas quantidades de nitrogênio que as plantas acumulam nessa fase. No caso de a espécie de adubo verde ser uma gramínea, a roçada deve ser feita na fase de grão leitoso. Quando a adubação verde é utilizada em consórcio com hortaliças, é importante que a roçada ou a poda sejam feitas no momento em que o adubo verde tenha criado condições desfavoráveis ao bom desenvolvimento da cultura econômica, em decorrência da competição por água e luz. 

Que adubos verdes podem ser utilizados para formar aléias ou faixas intercalares?
     As espécies empregadas como adubos verdes nesse sistema de cultivo devem apresentar as seguintes características:
• Fácil estabelecimento no campo.
• Crescimento rápido.
 • Tolerância ao corte.
• Alta capacidade de rebrota.
 • Alta produção de biomassa.
 • Potencial de fixação biológica do N atmosférico.
     Em condições de clima tropical, são utilizadas com maior freqüência nesse sistema de manejo as seguintes espécies:
• Capim-elefante.
• Girassol mexicano.
 • Crotalárias.
• Guandu.
• Tefrósia.
 • Leucena.
• Gliricídia.
 • Caliandra.
 • Flemíngea.
 As hortaliças, em princípio, não oferecem dificuldades quanto às espécies de adubo verde, desde que os renques obedeçam a um espaçamento e sejam manejados de forma que o adubo verde não concorra por água, nutrientes e luz com a cultura econômica.

É fácil encontrar sementes de adubos verdes no comércio?
     Sementes de alguns adubos verdes, principalmente de algumas leguminosas, não são encontradas com facilidade no comércio. Normalmente, a oferta é sazonal e, muitas vezes, a espécie que se deseja utilizar não está disponível ou tem preço elevado. Por sua vez, a grande maioria das espécies pode ser cultivada para a obtenção de sementes na própria unidade de produção, o que é desejável porque torna o agricultor independente em relação ao uso da adubação verde.

O que é “coquetel” de adubos verdes?
     O “coquetel” consiste no cultivo consorciado de diferentes espécies de adubos verdes que, de maneira geral, apresentam portes e hábitos de crescimento distintos e são cultivados em rotação com as culturas econômicas. A combinação de mais de uma espécie de adubo verde pode trazer benefícios para o cultivo orgânico de hortaliças, como:
• Exploração de camadas diferenciadas do solo pelas raízes, acarretando melhoria da estrutura do solo.
 • Acúmulo também diferenciado de nutrientes, ampliando qualitativa e quantitativamente sua oferta.
 • Velocidade distinta de decomposição dos resíduos com impacto na proteção do solo, controle de ervas espontâneas e liberação de nutrientes.
• Aumento da diversidade biológica, que acarreta impacto sobre a população de insetos benéficos pela oferta variada de abrigo, de néctar e de pólen.

Que espécies podem ser utilizadas no coquetel?
     Várias combinações podem ser feitas de acordo com a disponibilidade de sementes e as condições climáticas locais. As espécies mais difundidas nos coquetéis para as regiões de clima tropical são:
 • Milho.
 • Milheto.
• Sorgo.
• Painço.
• Feijão-de-porco.
• Feijão-bravo-do-ceará.
• Feijão-de-corda.
• Mucunas.
 • Lab-lab.
 • Calopogônio.
• Crotalárias.
• Guandu.
• Tefrósia.
 • Leucena.
 • Girassol.
• Mamona.





sábado, 10 de dezembro de 2016

PERGUNTAS E RESPOSTAS SOBRE PRODUÇÃO ORGÂNICA DE HORTALIÇAS - Capítulo 5: Manejo do Solo

Autores:  Flávia A. de Alcântara e Nuno R. Madeira.

De que modo a compostagem ajuda a manter ou repor a matéria orgânica?
     A compostagem é uma maneira mais eficiente de se utilizar os estercos e o material volumoso (capins, resíduos vegetais). É um processo de decomposição “forçada” da matéria orgânica em ambiente aeróbico (na presença de ar). O material é empilhado, geralmente na proporção de três pilhas de volumoso para uma pilha de esterco, e é revirado de 15 em 15 dias, quando é também umedecido. Como resultado, obtém-se, após um período aproximado de 90 dias, um produto parcialmente mineralizado, ou seja, mais eficiente como fonte de nutrientes para as culturas e, além disso, higienizado. O composto também apresenta outra vantagem em relação ao esterco não compostado: por ter um volumoso em sua formação, geralmente palhada e capim, permanece mais tempo no solo, funcionando também como um condicionador físico e melhorando sua estrutura.

De que modo a adubação verde ajuda a manter ou repor a matéria orgânica?
     A adubação verde é uma prática excelente em quantidade e qualidade de matéria orgânica. Em quantidade, porque os adubos verdes produzem muita massa vegetal e, em qualidade, porque essa massa é muito rica em nutrientes. Além disso, como se decompõe mais lentamente no solo, em comparação com os estercos e composto, a matéria orgânica proveniente dos adubos verdes é um ótimo condicionador físico de solo.
     Os adubos verdes podem ser utilizados em esquemas de rotação, sucessão ou consórcio com as hortaliças. Muitos produtores não utilizam essa prática porque não querem ou não podem deixar a área “parada” por um tempo (enquanto os adubos verdes crescem e chegam ao ponto ideal de corte). O consórcio, porém, é uma boa alternativa para esses casos. Algumas hortaliças podem ser consorciadas sem problema com os adubos verdes, mas é preciso saber qual a melhor época de plantio do adubo verde em relação à da cultura, para não haver competição.

Como é feito o manejo dos adubos verdes?
     O manejo dos adubos verdes depende do objetivo de sua utilização. Sua massa vegetal pode ser tanto incorporada ao solo quanto mantida na superfície. No primeiro caso, os processos de decomposição e mineralização acontecem mais rápido e, conseqüentemente, os efeitos positivos na melhoria da fertilidade e no condicionamento do solo aparecem mais cedo. Essa é a melhor alternativa de manejo dos adubos verdes quando se objetiva o fornecimento de nutrientes para a cultura sucessora. No segundo caso, a massa vegetal fica disposta sobre o solo após seu corte e, por isso, se decompõe mais devagar. Essa é uma boa alternativa quando o objetivo principal é proteger o solo contra a erosão e contra o surgimento de plantas espontâneas problemáticas. Nesse caso, os adubos verdes são utilizados como cobertura vegetal. Se essa cobertura vegetal for realizada visando à produção de palhada para o sistema de plantio direto ou para o cultivo mínimo, dará origem ao que se chama de cobertura morta.

Qual a situação ideal para manter ou repor a matéria orgânica num sistema orgânico de produção de hortaliças?
     Uma situação ideal seria aquela em que o produtor orgânico pudesse aliar um esterco curtido e de boa qualidade, ou um composto bem produzido, com a prática da adubação verde ou da cobertura vegetal. Assim, consegue-se manter os teores de matéria orgânica e propiciar a manutenção, e mesmo a melhoria, da qualidade do solo ao longo do tempo. Além disso, deve-se adotar o preparo conservacionista do terreno, evitando-se o revolvimento excessivo.

Como é feito o preparo do solo no cultivo orgânico de hortaliças?
     O preparo do solo no cultivo orgânico de hortaliças procura ser conservacionista, priorizando a movimentação mínima do terreno. Recomenda-se fazer as operações de aração e gradagem apenas no primeiro ano e utilizar, nos anos seguintes, mecanização reduzida, mantendo o solo coberto, e fazer o novo plantio sem fazer novo preparo.

Pode-se utilizar o sistema de plantio direto no cultivo orgânico de hortaliças?
     Sim. Esse é um sistema de plantio conservacionista que pode ser utilizado no cultivo orgânico de hortaliças. Entretanto, o que ocorre é que muitas pessoas acreditam que o plantio direto está necessariamente vinculado ao uso de herbicidas, o que não é verdade. Da mesma forma que se faz capinas manuais ou com enxadas em sistemas orgânicos com revolvimento de solo, também se faz o mesmo em sistemas orgânicos com plantio direto. É importante que a área apresente baixa ocorrência de plantas espontâneas problemáticas, como tiririca, losna ou trapoeraba. Outro ponto importante é o entendimento de que é essencial trabalhar para a construção da fertilidade, utilizando rotação de culturas adequada, pensando em longo prazo e não somente na safra corrente.

Qual a definição de sistema de plantio direto e qual a diferença entre plantio direto e cultivo mínimo?
     No meio técnico, ainda não há consenso em relação a conceitos e definições. Entretanto, a maioria dos profissionais concorda com a seguinte terminologia:

a)Plantio direto: é um sistema de plantio que visa maximizar a produção em longo prazo, considerando os custos indiretos advindos da atividade agrícola, baseado em três princípios básicos:       
• Revolvimento mínimo do solo, restrito à cova ou sulco de plantio.
• Rotação de culturas.
• Cobertura do solo.

b) Cultivo mínimo: é um sistema intermediário de plantio, entre o convencional e o direto, que visa maximizar a produção em longo prazo, considerando os custos indiretos advindos da atividade agrícola, mas que não atende a um dos três princípios básicos do plantio direto. Como exemplo de cultivo mínimo pode-se citar o cultivo de cebola em área cultivada com milho, passando-se a grade niveladora fechada sobre a palhada para homogeneizar a área e facilitar o plantio ou transplantio da cebola, mantendo a palhada em cobertura e revolvendo o solo em área total apenas superficialmente. É importante mencionar que o plantio diretamente no local definitivo após o preparo de solo em vez da tradicional formação de mudas, como ocorre no plantio de cebola e beterraba, é chamado por vezes de plantio direto, no setor de hortaliças. Entretanto, tratase, na verdade, de um método de cultivo – o de semeadura direta – distinto do sistema de plantio direto.

Que hortaliças podem ser cultivadas no sistema de plantio direto e no cultivo mínimo?
     Há diversas espécies que se adaptam facilmente ao sistema de plantio direto, como couve, repolho, couve-flor, brócolis, berinjela, jiló, abobrinha, abóboras, tomate, pimentão, entre outras. Basicamente, podem ser cultivadas nesse sistema todas as espécies plantadas em espaçamento relativamente aberto, o suficiente para permitir fáceis capinas depois do transplantio. Culturas como cebola, beterraba, alho, alface, entre outras, apresentam dificuldades em relação à manutenção da população de plantas espontâneas em níveis abaixo do competitivo com a cultura. Entretanto, para pequenas áreas e quando se dispõe de mão-de-obra, é possível seu plantio, especialmente em cultivo mínimo, desde que se tenha mais cuidado na fase de formação de palhada.
     Algumas culturas apresentam verdadeira limitação ao cultivo em sistemas de plantio direto, como cenoura, mandioquinha-salsa, batata-doce e batata. A cenoura necessita de solo extremamente solto em virtude da frágil dominância apical de suas raízes, o que leva à formação de raízes tortuosas ou bifurcadas em caso de qualquer impedimento físico, por mínimo que seja. A mandioquinha-salsa e a batata-doce necessitam de leiras para a formação de raízes e para evitar o acúmulo de água no pé das plantas, no caso da mandioquinha-salsa. A batata necessita de amontoa para a formação dos tubérculos, e o aspargo, para a formação dos brotos. Entretanto, há casos de cultivo mínimo de batata em que o plantio é feito em sulcos sobre a palhada, quebrando-se o sistema por ocasião da amontoa, de 25 a 30 dias após o plantio.

O que é cobertura morta?
     É a palhada disposta sobre o solo para a realização do plantio direto ou do cultivo mínimo. A obtenção da cobertura morta pode ser feita de duas maneiras: pela importação de palhada de outra área, como se faz tradicionalmente na cultura do alho comum, e pelo cultivo de plantas de cobertura, fornecedoras de palhada, e seu manejo (corte) no próprio local. Produzindo a palhada no próprio local, o agricultor está respeitando o princípio da sustentabilidade, preconizado pelos sistemas orgânicos de produção, reduzindo a importação de insumos.
     A busca de palhada em outro local garante a cobertura do solo, mas não o efeito de estruturação do solo promovido pela “aração biológica”, que consiste na decomposição do sistema radicular das culturas precedentes, tornando o solo leve, poroso, além de aumentar seu teor de matéria orgânica. Que materiais podem ser utilizados como cobertura morta? Há inúmeras espécies que podem ser utilizadas para produção de cobertura morta, tanto em cultivo “solteiro” como no consorciado. Espécies de adubos verdes, sejam leguminosas, gramíneas ou plantas de outras famílias, podem ser utilizadas como plantas de cobertura. Plantas de interesse econômico, como milho, especialmente milho verde, soja hortaliça, ervilha, etc., também podem ser utilizadas na produção de palhada. Para todas essas plantas de cobertura existe a possibilidade de produção de sementes na própria propriedade, sendo inclusive difícil encontrar fornecedores de sementes de algumas delas.

De que depende a escolha da planta de cobertura?
     A escolha da planta de cobertura depende de diversos fatores, como:
 • Clima.
 • Esquema de rotação de culturas, devendo-se considerar o tempo disponível para a formação de palhada.
• Capacidade das plantas de hospedarem pragas e patógenos.
• Características físicas do solo, como camadas compactadas.
• Características químicas do solo, como necessidade de reciclagem de nutrientes e velocidade na disponibilização de nutrientes pela cobertura morta.
• Utilidade comercial das plantas de cobertura.
     Como regra geral, se o desejado é a obtenção de cobertura morta duradoura, deve-se optar pelo plantio de gramíneas, de plantas com alta relação carbono/nitrogênio (C/N), como milho, milheto, sorgo, aveias, entre outras.
     Se, por sua vez, deseja-se obter cobertura morta de degradação mais rápida para liberação de nutrientes para a cultura sucessora, utilizam-se plantas de cobertura com relação C/N mais baixa, do grupo das brássicas, como nabo forrageiro, e das nabiças, das amarantáceas, como o amaranto, ou das leguminosas, como as mucunas, as crotalárias, o lab-lab, as sojas, o guandu, o feijão-de-porco, entre outras.

A vegetação espontânea pode ser utilizada como cobertura?
     Sim. O uso de vegetação espontânea pode ser viável. Normalmente, há predominância de gramíneas, especialmente no verão. Entretanto, é preciso observar se estão ocorrendo plantas espontâneas problemáticas, que podem competir por água e nutrientes durante o ciclo da cultura principal, inviabilizando-a.

Podem ser utilizados consórcios de plantas de cobertura?
     Sim. O uso de consórcios com plantas de diferentes famílias é muito interessante e recomendado. Um exemplo é o consórcio de milho (gramínea) e mucuna (leguminosa), tirando-se proveito do milho como fornecedor de palhada duradoura e da mucuna, como fornecedora de nutrientes, especialmente nitrogênio. Outro consórcio muito utilizado em regiões de clima ameno, e que merece destaque, é o de aveia-preta, nabo forrageiro e ervilhaca, em que a aveia-preta atua como fornecedora de palhada, a ervilhaca, como fornecedora de nutrientes, especialmente nitrogênio, e o nabo forrageiro, como descompactador. 131 132 93 É preciso lembrar que, em sistemas orgânicos de produção, deve-se optar por plantas com baixa capacidade de rebrota ou, preferencialmente, sem essa capacidade, levando em conta tanto a espécie quanto a época de corte.


Como manejar as plantas de cobertura no sistema orgânico?
     A formação de palhada deve ser feita com roçadeira ou rolofaca. No cultivo mínimo, pode-se usar grade niveladora que, aliás, só deve ser usada em casos de grande massa vegetal, e fechada, a fim de não aprofundar no solo e não incorporar a cobertura morta, que deve ficar na superfície. O corte deve ser feito antes da formação de sementes viáveis.
     O plantio em linha de espécies de cobertura para formação de palhada com alguma capacidade de rebrota pode facilitar as capinas posteriormente, fazendo-se o semeio ou o transplantio de mudas da cultura principal nas entrelinhas das plantas de cobertura.

Quais as vantagens do sistema de plantio direto?
     Alguns dos principais benefícios da adoção do plantio direto são:
• Minimização da erosão, pelo amortecimento do impacto das gotas da chuva, e minimização dos efeitos das pesadas enxurradas, tanto pela palhada quanto pela integridade da estrutura do solo, não submetido a revolvimento, mas apenas à “aração biológica”, do que resulta significativo aumento da infiltração de água e da capacidade de retenção de água no solo.
• Aumento da eficiência de uso de água e energia, pela maior infiltração da água no solo, menor escorrimento superficial e menor e vaporação, resultando em redução de até 20 % na necessidade de irrigação.
• Redução da mecanização, superior a 50 % em relação a sistemas convencionais de produção. • Elevação dos teores de matéria orgânica do solo, pela reduzida movimentação e pelo aporte de resíduos.
• Redução da infestação por plantas espontâneas, tanto por ação física, que atua como barreira, quanto por ação química, a exemplo do efeito alelopático de algumas espécies como sorgo, mucunas e outras.
• Aumento da diversidade da biota do solo, em virtude da elevação dos teores de matéria orgânica. • Redução da dispersão de doenças de solo, em conseqüência da diminuição dos respingos de água da chuva e do escorrimento superficial.
• Regulação térmica do solo, observando-se amenização da temperatura nas horas mais quentes do dia com redução de até 9 o C na palhada de superfície do solo, próximo ao coleto da planta, em relação ao solo desprotegido, e retenção do calor residual nas horas mais frias do dia.

Quais as desvantagens do sistema de plantio direto?
Os principais problemas que podem ocorrer no sistema de plantio direto são:
• Em regiões muito úmidas, o plantio direto pode favorecer o desenvolvimento de alguns fungos fitopatogênicos que sobrevivem na palhada, aumentando o inóculo inicial de doenças, mas a dispersão das doenças é mais lenta.
• Aumento da população de “corós”, de besouros consumidores de matéria orgânica que, em elevadas populações, podem atacar as raízes das plantas para alimentar-se – fenômeno já relatado em áreas de plantio direto de grãos.
• Aumento da população de cupins, consumidores de celulose, que podem atacar as raízes em caso de desequilíbrio na população e se a disponibilidade de palhada 135 95 for insuficiente em alguns períodos do ano.
• Compactação do solo, caso não ocorra o pleno estabelecimento das plantas de cobertura, em geral, em decorrência da escolha inadequada da rotação de culturas ou de seu manejo inadequado, a exemplo do excesso de pisoteio ou de trânsito de máquinas na área.
• Indisponibilização da área pelo cultivo de plantas de cobertura que muitas vezes não tem valor comercial direto. Quanto a este último item cabe citar a importância de se entender que o solo deve ser tratado e não somente explorado. Hoje, deve-se pensar em “adubar o solo” e não em adubar a planta, e a obtenção de produções satisfatórias é conseqüência do equilíbrio do solo.

Quais as conseqüências do manejo inadequado do solo?
     O manejo inadequado do solo, no sistema orgânico de produção ou no convencional, pode levar a graves conseqüências. Problemas freqüentes estão relacionados com a fertilidade do solo. Se a fertilidade do solo não for acompanhada com análises periódicas, corre-se o risco de errar na fertilização tanto para menos como para mais.
     Quando se erra para menos, ocorre deficiência, ou a falta de um, ou mais, dos nutrientes da planta. Mesmo a falta de apenas um nutriente prejudica o desenvolvimento da cultura e a produção é comprometida.
     Quando se erra para mais, ocorre toxidez, além de maior gasto com adubo. O uso de fertilizantes em doses maiores que as necessárias para a cultura pode levar ao excesso de um ou mais nutrientes, o que também acarreta desequilíbrio nutricional e redução da produção.
     A deficiência é relativamente mais fácil de resolver. Dependendo do nutriente e do estágio da cultura, é possível aplicar um fertilizante e reverter o quadro de deficiência. Para o excesso, 136 96 porém, não há solução em curto prazo.
     O revolvimento excessivo provoca a destruição dos agregados do solo, acelerando a decomposição e a perda da matéria orgânica. Além disso, pode levar ao endurecimento da camada superior do solo, que fica então compactada e difícil de trabalhar. A desagregação do solo, provocada pelo revolvimento excessivo, também pode ocorrer quando o solo está desprotegido, isto é, sujeito à ação do vento e da água das chuvas, que são os principais causadores da erosão.
     Uma prática inadequada ainda utilizada por alguns produtores de hortaliças é a formação de canteiros “morro abaixo”, ou seja, no sentido da declividade do terreno. Essa prática é uma porta aberta para a erosão, pois facilita grandemente a formação de sulcos no terreno causados pelo escorrimento da enxurrada.

O que é compactação?
     A compactação não é um fenômeno natural. Isso significa que é um processo exclusivamente causado pelo manejo incorreto do solo. Ocorre quando o solo é comprimido, ou seja, quando sofre compressão por máquinas ou pelo pisoteio animal ou humano. A compressão causa o adensamento do solo, o que dificulta o desenvolvimento das raízes das plantas e reduz o número de poros do solo, por onde circulam água e ar, levando à redução do movimento de água no perfil.

O que é erosão?
     Erosão é o processo de transporte do solo para outro local pela ação de agentes erosivos como a água e o vento. Pode ocorrer naturalmente, sem a ação do homem. No entanto, em áreas agrícolas é causada principalmente pela  falta de proteção do terreno, pois o solo desprotegido fica vulnerável à ação da água da chuva e do vento.
     No Brasil, o principal agente erosivo é a chuva. Quando as gotas batem sobre o solo desprotegido, a força do impacto provoca o desagregamento das partículas do solo que são arrastadas pela água da chuva. Com a perda do solo, perdem-se também nutrientes e matéria orgânica. Com o passar do tempo, o processo vai se tornando mais intenso e perigoso, a erosão vai formando sulcos no terreno e pode evoluir para grandes voçorocas. Além disso, a terra vai parar nos cursos d’água, provocando o assoreamento de rios e lagos, tornando a água suja e de má qualidade.
     Para se ter uma idéia, em solos com declividade mediana cultivados convencionalmente e sem práticas conservacionistas, é comum a perda de 20 t/ha de solo a cada ano. Esse material é proveniente justamente da camada arável, ou seja, da fração mais fértil do solo e mais rica em matéria orgânica.

Como o manejo “orgânico” contribui para a qualidade do solo?
      O manejo do solo no sistema orgânico de cultivo contribui para sua qualidade na medida em que prioriza seu uso sustentável. Na agricultura orgânica, o solo é valorizado como um recurso-chave e assim é desde seu surgimento, nos anos 1920. O revolvimento mínimo e a adição/reposição da matéria orgânica, priorizados pelo sistema orgânico, muito contribuem para a manutenção e melhoria das características químicas, físicas e biológicas do solo, e, conseqüentemente, para sua qualidade. Além disso, como o manejo “orgânico” preconiza o preparo conservacionista, as possibilidades de compactação e erosão são muito reduzidas.

O manejo do solo no sistema orgânico garante seu uso sustentável?
     Não se pode fazer essa afirmação porque o manejo do solo tanto no sistema orgânico como no convencional precisa ser bem feito. O que se pode dizer é que o manejo do solo no sistema orgânico tem maiores chances de ser bem-sucedido e garantir o uso sustentável desse recurso porque a preocupação com a qualidade do solo é maior. Entretanto, é preciso considerar que o manejo do solo envolve todas as práticas relacionadas com o solo, desde o preparo do solo até a adubação, sendo necessário que o produtor, orgânico ou convencional, cuide de todos os aspectos da operação ‘manejo’.


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