domingo, 10 de abril de 2016


Cultivado no sistema convencional o morangueiro pode receber em média 45 pulverizações com agrotóxicos, motivo pelo qual já encontra-se na lista negra dos alimentos campeões de resíduos químicos. Entretanto, a prática de alguns produtores orgânicos tem mostrado que existe viabilidade técnica, econômica, social e ecológica da produção orgânica de morango, como veremos neste artigo baseado no relato de experiência de dois produtores do sul do Brasil.

O morangueiro (Fragaria x Ananassa) é uma cultura típica de climas mais amenos, não sendo muito tolerante a temperaturas elevadas. No Brasil o morango tem se adaptado melhor do sul de Minas Gerais até o Rio Grande do Sul, porém existem experiências até mesmo no cerrado.

Sendo botanicamente classificado como uma hortaliça da família das rosáceas, o morango ainda é mais conhecido como um delicioso frutinho rasteiro, tendo a vantagem de ir para o mercado, na primavera, quando há poucas frutas à venda, alcançando bons preços. Ademais, na indústria é conhecido pelo uso freqüente em iogurtes e sorvetes.


Variedades: Seleção Deve Aliar Produtividade, Resistência e Sabor

A escolha da variedade deve levar em conta a produtividade, a precocidade, a conservação, o sabor e a resistência contra pragas e doenças. Outro ponto importante no sistema orgânico é a adaptação da planta às condições regionais. A experiência do produtor gaúcho Gilson Teixeira – que nos últimos 5 anos vem selecionando mudas de uma das primeiras variedades comerciais lançadas no país – a Campinas, confirma que no sistema orgânico é possível reduzir custos produzindo mudas próprias (Figura 1).

FIGURA 1 – Variedade de morango “Campinas”: boa adaptação ao sistema orgânico. Propriedade de Gilson Teixeira em Caçapava do Sul, RS.
Este procedimento possibilita maior controle sobre o planejamento de produção e melhor adaptação da cultura às condições locais. Apesar de as mudas importadas, basicamente do Chile, apresentarem ótima qualidade comercial, o custo inicial da lavoura aumenta demasiadamente, ficando o produtor altamente dependente de recursos externos ao sistema.

Uma boa opção é o plantio de duas variedades ao mesmo tempo – uma de maior produtividade e resistência e outra de produção mais precoce. Com a primeira obtém-se grande quantidade, com a segunda, bons preços.

Solo e Local de Plantio

O morangueiro é uma cultura especialmente exigente em condições físicas e nutricionais do solo. Produz melhor em solos areno-argilosos, bem drenados, ricos em matéria orgânica e de boa constituição física. A faixa de pH preferido fica entre 5,5 e 6,0. Em solos mais ácidos é recomendável uma calagem.

Sabe-se que a planta do morangueiro é muito delicada, especialmente em relação ao seu sistema radicular, exigindo canteiros muito bem preparados, visto que a maior parte das raízes concentra-se na camada superficial do leito de plantio.

Outro ponto importante é a nutrição do morangueiro. A adubação orgânica traz uma série de benefícios que resultam em melhoria de produtividade e resistência das plantas. Por isso, inicialmente pode-se proceder a adubação orgânica em toda área e, em seguida, realiza-se a preparação de canteiros. Após o levantamento de canteiros, ainda pode-se utilizar o húmus que pode ser espalhado homogeneamente e incorporado com enxada rotativa.

O plantio realizado de março a julho na região Sul, pode ser feito em canteiros com 15 a 20 cm de altura e 0,80 a 1,20 m de largura, num espaçamento entre plantas de 30 x 30 cm, preferentemente no final da tarde para facilitar o pegamento. Outra sugestão interessante é plantar as mudas em “ziguezague”, semelhante aos cultivos da Califórnia, fator que proporciona melhor aproveitamento do espaço útil. Isso permite maior vigor do sistema radicular o que favorece a nutrição e autodefesa das plantas.

Mudas: Multiplicação Própria Diminui Custos

As mudas orgânicas podem ser produzidas na própria propriedade, a partir dos morangueiros que produziram no ano anterior. Este método vem sendo empregado nos últimos 5 anos com excelentes resultados pelo produtor gaúcho Gilson Teixeira que faz a preparação das mudas da variedade “Campinas” por meio do arrancamento dos morangueiros que produziram no ano anterior, fazendo uma seleção criteriosa. Após é realizado uma limpeza e preparação da muda, que consiste na retirada de parte das folhas e do excesso de raízes.

Adubação Orgânica: Conteúdo Ruminal e Húmus são Opções Complementares

Um dos materiais que vem sendo utilizado com sucesso como suprimento de matéria orgânica para o solo é o conteúdo ruminal descartado nas operações de frigorífico. Este subproduto já possui um determinado grau de decomposição e também serve de alimento para as minhocas, possibilitando produção de húmus na própria propriedade.

Além disso, como adubação foliar, os produtores orgânicos têm utilizado preparados a base de biofertilizantes como o supermagro, biogel, extratos de algas marinhas e microorganismos eficientes (EM) que servem para reforçar a resistência das plantas.

Tratos Culturais: Cobertura de Casca de Arroz é Boa Alternativa ao Plástico

O controle de invasoras é essencial, pois o morangueiro sofre muito com a concorrência. A primeira capina é realizada cerca de um mês depois do plantio quando as mudas já estão com brotação nova e bem enraizadas. Como a raiz do morangueiro nasce da parte superior, bem junto ao solo, deve se utilizar uma enxada de lâmina estreita para evitar danos às raízes. Posteriormente, após a colocação da cobertura morta é realizada mais uma ou duas operações de limpeza. Estas consistem no arrancamento das invasoras que persistiram ou que brotaram sobre a cobertura morta.

Como cobertura morta utiliza-se a casca de arroz em substituição ao plástico preto, espalhando-se uma camada de cerca de 3 a 5 centímetros sobre a superfície do canteiro (Figura 2). Esse material, pela sua coloração espanta a maioria dos insetos praga, além de favorecer as condições ambientais locais. Entre os canteiros pode-se utilizar também acículas de pinus.

FIGURA 2 – Cobertura morta com casca de arroz: opção ambientalmente correta em substituição ao plástco preto.



Na época de plantio e em plena produção o morangueiro exige grande umidade do solo com irrigações freqüentes (duas a três vezes ao dia). Diferentemente da maioria dos produtores de morango que utilizam a irrigação por gotejamento, induzindo a planta a um enraizamento mais localizado, na propriedade de Gilson Teixeira a irrigação por aspersão tem mostrado bons resultados permitindo um desenvolvimento radicular mais expressivo.

Pragas e doenças: Prevenir é Fundamental

O ácaro e os pulgões são as principais pragas do morangueiro. A umidade e a temperatura elevadas facilitam o seu aparecimento. Se as pragas atingirem poucas plantas recomenda-se a eliminação das mesmas. O ácaro ataca a face inferior das folhas, causando amarelecimento, secamento ou uma tonalidade pardo-avermelhada. Um sinal típico da presença dos ácaros é um entrelaçamento de fios de seda, sobre o qual eles vivem. Para o controle existem alguns produtos de uso restrito que devem ser consultados junto às certificadoras. O controle dos pulgões é mais fácil, pode-se utilizar desde preparados a base de plantas e minerais até o controle biológico com joaninhas.

As doenças são mais acentuadas em climas quentes e úmidos. O mais grave e disseminado problema fitossanitário é a “mancha das folhas”, causada pelo fungo Mycosphaerella fragariae. O controle pode ser obtido seguindo alguns cuidados: plantio de variedades resistentes; escolha de um local bem arejado e sem excesso de umidade; além de uso de mudas sadias. Em caso de ataque a morangueiros deve-se descartar o material afetado. Se o ataque for às folhas sugere-se a retirada das atingidas.

Outro ponto importante para evitar problemas fitossanitários é a rotação de culturas, pois o morangueiro deve ser retirado do terreno após seu ciclo anual. Não se recomenda o replantio em seguida no mesmo local, nem o uso de plantas da família das solanáceas (tomate, batata, pimentão, berinjela) que podem transmitir viroses e fungos que atacam as raízes do morango. Neste caso, o ideal seria utilizar na rotação um adubo verde ou outra cultura comercial.

Colheita: Maior Parte é Comercializada “in natura”

Nas principais regiões produtoras do Sul do Brasil a colheita é realizada de agosto a dezembro (Figura 3). Após colheita e seleção os morangos são colocados em embalagens plásticas (PET) com capacidade variável dependendo do mercado (200 ou 350 gramas). Neste relato, os morangos orgânicos selecionados para consumo “in natura” representavam cerca de 70 % da quantidade colhida. Os frutos menores ou com pequenas imperfeições que não comprometam sua qualidade, são destinados a produção de polpa ou a venda para industrialização.

FIGURA 3 – Vista geral da cultura do morango orgânico em época  de colheita em  Caçapava do Sul, RS.
Segundo o produtor paranaense Anderson de Almeida, o morango orgânico é vendido em média a 33% acima do similar convencional. O mesmo produtor aponta algumas diferençasmarcantes em relação ao convencional: melhor aparência, maior durabilidade e resistência,melhor sabor e maior aproveitamento final. 

Em síntese, os produtores orgânicos têm obtido produções competitivas comparadas ao sistema convencional. No Paraná, a média de produtividade dos últimos anos tem ficado entre 300 a 500 gramas por planta. Nos Estados Unidos, estudos de GLIESSMAN et. al. (1996), mostraram uma superioridade de produção no sistema convencional. Entretanto, neste mesmo estudo os custos foram significativamente menores no sistema orgânico, fazendo com que o retorno econômico final fosse superior no orgânico, sem contar a melhoria das características biológicas do sistema. As experiências práticas não deixam dúvidas que o sistema de produção de morango orgânico tem sido competitivo em termos técnicos, econômicos e ecológicos, sendo uma alternativa viável para pequenas propriedades familiares.



Ferreira On 4/10/2016 01:16:00 PM Comentarios LEIA MAIS

quinta-feira, 10 de março de 2016

Autor: José Angelo Rebelo

Publicação:  O trabalho compõe a parte I – Recomendações gerais para produção sustentável de hortaliças -  do Boletim Didático nº 107  “Produção de hortaliças em Santa Catarina”, publicado pela Epagri. Interessados em adquirir a publicação completa e ilustrada com 156 páginas, devem entrar em contato através do site: www.epagri.sc.gov.br

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     As doenças podem ser causadas por microrganismos patogênicos e por má condição de cultivo e nutrientes, solo, temperatura e umidade inadequados para a planta. As más condições ambientais para as plantas, além de  favorecer as doenças, ainda incitam os microrganismos patogênicos à infectá-las.
     A existência de qualquer doença causada por microrganismo patogênico, ou não, depende, principalmente, de três condições:
- Se o microrganismo patogênico ou o agente da doença é capaz de infectar a planta;
- Se a planta é  susceptível à doença;
- Se as condições de cultivo são desfavoráveis às plantas.
     Com base nesta terceira condição, pode-se dizer que a incidência de doença é indicadora de mau manejo do cultivo.

O que fazer para impedir ou reduzir o prejuízo por doenças?
- Usar cultivares resistentes, quando houver;
- Evitar áreas onde a doença ocorre normalmente.
     Para que a incidência da doença não seja corriqueira, a exploração da planta mais suscetível deve ser alternada por cultivos de plantas resistentes ou imunes à doença incidente.
     As condições de cultivo se tornam mais favoráveis às plantas quando, entre outros cuidados, nas seguintes situações:
-  Houver escolha correta da área, ou seja, bem ventilada e onde o sol incida sobre as plantas durante todo o dia, evitando-se locais sujeitos à neblinas;
 - O solo é apropriado (sem muito barro ou sem muita areia, areno-argiloso, enxuto, fértil e bem ventilado por dentro) e preparado adequadamente; o uso de máquinas pesadas e, especialmente o emprego excessivo de rotativa, deve ser evitado, pois além de provocar a erosão, especialmente nos terrenos declivosos, favorece a compactação do solo, deixando-o  sem  ventilação;
- Ao utilizar adubação orgânica, de preferência composto orgânico. Os estercos de animais devem ser curtidos e na quantidade recomendada pela análise do solo;
- A adubação das plantas (química ou orgânica) e correção do solo é feita de  forma equilibrada e baseada na análise do solo (química e física). Ao ser utilizada a adubação orgânica, deve ser feita análise do adubo orgânico empregado;   
- A fertilidade do solo  for mantida com matéria orgânica, uso de  adubo verde e plantas recicladoras de nutrientes que protegem o solo contra a sua degradação por chuvas e sol diretos:;
- O plantio de mudas de boa qualidade for feito na época recomendada e, sempre que possível, oriundas de cultivares resistentes às pragas e doenças;
- For utilizado o espaçamento entre as filas e plantas, condução e os tratos culturais mais indicados para cada espécie;
- A irrigação, quando necessária, for  feita de forma adequada (sistema, época e quantidade correta) utilizando-se água de boa qualidade;
- A  prática da rotação de culturas for adotada para todas as espécies cultivadas;
- A lavoura tenha sido periodicamente visitada durante o ciclo da cultura para retirar as plantas doentes, bem como os restos culturais da lavoura anterior que podem ser compostados;
- Agrotóxicos ou outros produtos alternativos tenham sido utilizados somente quando for necessário e, de acordo com a recomendação de um técnico da área;

Como se viu, a saúde das plantas não depende de agrotóxicos e outros produtos alternativos, mas, entre outras coisas, de:
- Bons tratos culturais;
- Boa nutrição;
- Adequado ambiente de cultivo.
     A boa nutrição é dependente do grau de acidez do solo, que deve estar de acordo com o que a planta exige, para que ela possa aproveitar bem a adubação. Por exemplo: o cálcio e o magnésio estão ligados com a absorção do potássio e este é um grande protetor contra doenças causadas por microrganismos patogênicos, assim como o cálcio. O enxofre está ligado com a absorção do nitrogênio; o boro com a absorção do cálcio e potássio, o zinco com a absorção do fósforo.

Causas e efeitos
     Para qualquer efeito ou consequência há uma causa. Se algo acontece é porque alguém ou alguma coisa fez acontecer. Como exemplo, pode-se lembrar da dor de cabeça. A dor de cabeça pode ser causada por um mal de estômago, por fome, etc. Como se vê, a dor de cabeça é uma consequência ou o efeito de algo que está por trás deste incômodo. Para sarar de vez é preciso tratar a causa. Se for fome, deve-se alimentar; se for mal do estômago, deve-se tratá-lo. Tomar remédio para a dor de cabeça só traz sensação de alívio momentâneo, mas não  cura, pois não se ataca a causa. Com a doença de planta também é assim. A doença é o efeito ou a consequência de uma causa. Enquanto não se descobre a causa da doença, só se gasta dinheiro à toa ao tentar curar a planta.

Veja o seguinte exemplo: uma planta fica murcha. Algo causou a murcha, logo, a murcha é o efeito de uma causa. A murcha pode ocorrer por uma bactéria de solo, por diferentes fungos de solo, por nematoides de solo, por calor excessivo, por inseto que machucou o caule, por brocas, por muita umidade e calor, por dano causado por enxadas, por herbicidas, por falta de água, por excesso de sal no solo oriundo de exagerada adubação, etc. Enquanto não se descobre a causa e trata-se somente o efeito, gasta-se muito dinheiro inutilmente e o efeito da causa desconhecida, acaba se repetindo. A murcha é apenas um sintoma. Não se trata sintomas. Muitas doenças apresentam o mesmo sintoma. Para fazer a coisa certa,  deve-se responder duas perguntas importantes:
- Qual é a doença?
- Por que ela está ocorrendo?
     Descoberta a causa da ocorrência pode-se tomar cuidados para que a doença não se repita ou cause pouco ou nenhum prejuízo.
     Em uma olericultura sustentável, tratam-se as causas para que os resultados sejam os mais duradouros e equilibrados possíveis.

Aplicação de agrotóxicos
     Por ser difícil, ou até impossível oferecer todas as boas condições para que as plantas não adoeçam, às vezes precisamos de agrotóxicos, que podem ser desde uma calda bordalesa, calda sulfocálcica e caldas de produtos diversos para curá-las ou para ajudar na prevenção do mal.
     Além de todos os cuidados no manuseio de agrotóxicos, alguns itens merecem atenção especial:
- certifique-se da necessidade do uso de agrotóxico e se o produto é apropriado ao que deseja fazer e se é permitido pelo ministério da agricultura (Vide Agrofit: http://extranet.agricultura.gov.br/agrofit_cons/principal_agrofit_cons);
- não faça mistura de produtos sem saber se é permitido ou recomendável;
- antes de preparar a calda, os produtos em pó devem ser transformados em pasta e depois dissolvê-la no volume de água recomendado;
- prepare somente a quantidade necessária para aplicar no mesmo dia;
- respeite as doses recomendadas;
- aplique os produtos somente quando as condições climáticas forem adequadas, sem vento, sem orvalho e quando as temperaturas estiverem mais baixas;
- mantenha a calda sempre agitada durante a aplicação;
- em culturas que dependem de polinização por insetos, a aplicação de agrotóxicos deve ser feita fora de período de maior atuação dos polinizadores;
- cobrir bem a planta com a calda. Para isto observe o tamanho das gotas que é resultado da pressão e pelo diâmetro do bico do pulverizador;
- quando preciso, use espalhante adesivo e na dose certa;
- respeite o período de carência dos produtos. Período de carência é o tempo que se tem de esperar para colher depois que se aplicou um agrotóxico. É muito importante na produção de alimentos respeitar o período de carência do produto aplicado, especialmente quando se trata de hortaliças, pois várias delas são consumidas  ainda cruas e por crianças e convalescentes.
- só  adquira produtos com receituário agronômico.

Lembrete 1
- as plantas adoecem em solos mal tratados, ruins e sem fertilidade;
- não é boa a saúde das pessoas que se alimentam de plantas destes solos;
- a fertilidade de nosso solo de amanhã depende do que  se faz com ele hoje;
- da fertilidade do solo depende a qualidade dos alimentos que se produz;
- a saúde e a qualidade de nossa vida dependem da qualidade dos alimentos que elas consumem;
- cerca de 80% de todos os cânceres estão relacionados com  nossa alimentação.

Lembrete 2
- os abrigos de cultivo são ferramentas indispensáveis, quando corretamente manejados, no controle de doenças das hortaliças.

Algumas doenças, como evitá-las ou como torná-las menos prejudiciais

Podridões    

Alface
     As podridões em alface podem ocorrer, secundariamente, por falta de cálcio. Falta de cálcio pode ocorrer por acidez alta, por falta de água, por calor (evapotranspiração), por excesso de umidade no solo e por desequilíbrio entre os nutrientes, como excesso de potássio e de magnésio.
      A falta de potássio na planta favorece o fungo (Sclerotinia sclerotiorum) causador de podridão. A falta de potássio ocorre em solos com muito nitrogênio, fósforo, cálcio e  magnésio. O fungo ainda é favorecido pela falta de rotação de culturas e em plantios ricos em nitrogênio, em solos muito úmidos, em canteiros mal ventilados, durante épocas mais frias. O fungo pode permanecer por muito tempo no solo, principalmente naqueles pobres de matéria orgânica.

Brócolis, repolho e couve-flor (coração oco)
      As podridões nessas plantas podem ser causadas por falta de boro. A falta de boro ocorre em solo com pH acima de 6,5 e em solos arenosos e em época de seca. O excesso de potássio no solo dificulta a assimilação do boro pelas plantas.
     A falta de boro leva à morte a medula (miolo) do caule por onde entram bactérias causadoras de podridões. Não se deixam restos culturais de brócolis repolho ou couve-flor na lavoura, para que a bactéria da podridão não sobreviva na área de plantio. Ao colher a parte comercial dessas plantas, não se deve deixar o resto do caule na lavoura.

Salsa
     A salsa, quando plantada em épocas quentes, fica muito sujeita a podridões. Essas podridões são oportunizadas pela dificuldade que a planta tem de se nutrir adequadamente em condição de calor e de irrigação desfavoráveis. Em épocas quentes deve-se preferir locais de plantios mais frescos, pouco ensolarados após o meio-dia e usar sombras para atenuar o calor sobre as plantas.
     Os fungos que se aproveitam de condições inadequadas para a salsa são Rhizoctonia solani, Pythium spp., Fusarium spp. e Sclerotinia sclerotiorum. A falta de rotação de culturas com plantas não suscetíveis é um fator muito favorável a podridões da salsa, principalmente em solos e ambientes impróprios ao cultivo. A salsa requer nitrogênio, mas o excesso desse nutriente causa deficiência de potássio, deixando as plantas suscetíveis a doenças.

Vermelhão

Beterraba
      A beterraba produz pigmentos vermelhos, um chamado de antocianina, muito favorável à saúde humana, e outro conheconhecido como betalaína. Sob condição desfavorável de cultivo, como calor, falta de água e boro, a planta se desequilibra e produz excessivamente o pigmento antocianina (Figura 1), o que a prejudica. A falta de boro ocorre em solos pobres em matéria orgânica e em solos com pH maior que 6,5.

FIGURA 1. Produção de antocianina, à direita, por mudas de beterraba, desnutridas.



Viroses

     Viroses, como a que ocorre em pepineiros também afetam a beterraba. A proximidade destes dois cultivos não é recomendável. A beterraba também é muito exigente em potássio, que a protege de doenças.

Seca de baraço

Batata-doce
     Há um fungo, Plenodomus destruens que, em condições de cultivo desfavorável, pode apodrecer plantas de batata-doce. As condições mais desfavoráveis para esta planta são cultivo em solo pesados, duro, sombreado e que acumula água da chuva entre as filas de plantio. A adubação deve prever a aplicação de matéria orgânica e de acordo com a análise do solo. A batata-doce é exigente em potássio que a protege de doenças. Para ajudar no controle destas doenças, além das medidas acima, evita-se colher baraços de lavouras que apresentaram a doença. Antes do plantio, os baraços devem murchar por um a dois dias de modo a cicatrizar a ferida do corte. Além desses cuidados, é importante que se faça a rotação de culturas  na área utilizada.

Murchadeira 

Batata, tomate, pimentão, pimenta e muitas outras hortaliças
     A doença conhecida por murchadeira é causada por uma bactéria que habita o solo, onde pode viver muitos anos, mesmo que não tenha plantas para infectar. No entanto, se houver plantas e boas condições ambientais para este agente ele pode ser um problema sério para a agricultura. Assim, é preciso manter baixa a infestação e não dar condições para que infecte as plantas. Essa bactéria prefere solo úmido, com pouca matéria orgânica e pH alto (onde se colocou calcário demais). Não se deve plantar em locais infestado e onde a doença incide corriqueiramente.
     Cuidados: drenar o solo; aplicar matéria orgânica e calcário conforme análise de solo; fazer rotação de cultura com milho, aveia, leguminosas de inverno, por pelo menos três anos nas áreas onde a doença ocorreu. Cuidar para que no meio desses cultivos em rotação não cresçam plantas suscetíveis a essa bactéria.
     A solarização do solo, principalmente em abrigos de cultivo, é capaz de reduzir a pressão desse patógeno, de nematoides e fusário sobre as plantas a eles suscetíveis.








Ferreira On 3/10/2016 10:30:00 AM Comentarios LEIA MAIS

domingo, 10 de abril de 2016

Cultivo de morango orgânico


Cultivado no sistema convencional o morangueiro pode receber em média 45 pulverizações com agrotóxicos, motivo pelo qual já encontra-se na lista negra dos alimentos campeões de resíduos químicos. Entretanto, a prática de alguns produtores orgânicos tem mostrado que existe viabilidade técnica, econômica, social e ecológica da produção orgânica de morango, como veremos neste artigo baseado no relato de experiência de dois produtores do sul do Brasil.

O morangueiro (Fragaria x Ananassa) é uma cultura típica de climas mais amenos, não sendo muito tolerante a temperaturas elevadas. No Brasil o morango tem se adaptado melhor do sul de Minas Gerais até o Rio Grande do Sul, porém existem experiências até mesmo no cerrado.

Sendo botanicamente classificado como uma hortaliça da família das rosáceas, o morango ainda é mais conhecido como um delicioso frutinho rasteiro, tendo a vantagem de ir para o mercado, na primavera, quando há poucas frutas à venda, alcançando bons preços. Ademais, na indústria é conhecido pelo uso freqüente em iogurtes e sorvetes.


Variedades: Seleção Deve Aliar Produtividade, Resistência e Sabor

A escolha da variedade deve levar em conta a produtividade, a precocidade, a conservação, o sabor e a resistência contra pragas e doenças. Outro ponto importante no sistema orgânico é a adaptação da planta às condições regionais. A experiência do produtor gaúcho Gilson Teixeira – que nos últimos 5 anos vem selecionando mudas de uma das primeiras variedades comerciais lançadas no país – a Campinas, confirma que no sistema orgânico é possível reduzir custos produzindo mudas próprias (Figura 1).

FIGURA 1 – Variedade de morango “Campinas”: boa adaptação ao sistema orgânico. Propriedade de Gilson Teixeira em Caçapava do Sul, RS.
Este procedimento possibilita maior controle sobre o planejamento de produção e melhor adaptação da cultura às condições locais. Apesar de as mudas importadas, basicamente do Chile, apresentarem ótima qualidade comercial, o custo inicial da lavoura aumenta demasiadamente, ficando o produtor altamente dependente de recursos externos ao sistema.

Uma boa opção é o plantio de duas variedades ao mesmo tempo – uma de maior produtividade e resistência e outra de produção mais precoce. Com a primeira obtém-se grande quantidade, com a segunda, bons preços.

Solo e Local de Plantio

O morangueiro é uma cultura especialmente exigente em condições físicas e nutricionais do solo. Produz melhor em solos areno-argilosos, bem drenados, ricos em matéria orgânica e de boa constituição física. A faixa de pH preferido fica entre 5,5 e 6,0. Em solos mais ácidos é recomendável uma calagem.

Sabe-se que a planta do morangueiro é muito delicada, especialmente em relação ao seu sistema radicular, exigindo canteiros muito bem preparados, visto que a maior parte das raízes concentra-se na camada superficial do leito de plantio.

Outro ponto importante é a nutrição do morangueiro. A adubação orgânica traz uma série de benefícios que resultam em melhoria de produtividade e resistência das plantas. Por isso, inicialmente pode-se proceder a adubação orgânica em toda área e, em seguida, realiza-se a preparação de canteiros. Após o levantamento de canteiros, ainda pode-se utilizar o húmus que pode ser espalhado homogeneamente e incorporado com enxada rotativa.

O plantio realizado de março a julho na região Sul, pode ser feito em canteiros com 15 a 20 cm de altura e 0,80 a 1,20 m de largura, num espaçamento entre plantas de 30 x 30 cm, preferentemente no final da tarde para facilitar o pegamento. Outra sugestão interessante é plantar as mudas em “ziguezague”, semelhante aos cultivos da Califórnia, fator que proporciona melhor aproveitamento do espaço útil. Isso permite maior vigor do sistema radicular o que favorece a nutrição e autodefesa das plantas.

Mudas: Multiplicação Própria Diminui Custos

As mudas orgânicas podem ser produzidas na própria propriedade, a partir dos morangueiros que produziram no ano anterior. Este método vem sendo empregado nos últimos 5 anos com excelentes resultados pelo produtor gaúcho Gilson Teixeira que faz a preparação das mudas da variedade “Campinas” por meio do arrancamento dos morangueiros que produziram no ano anterior, fazendo uma seleção criteriosa. Após é realizado uma limpeza e preparação da muda, que consiste na retirada de parte das folhas e do excesso de raízes.

Adubação Orgânica: Conteúdo Ruminal e Húmus são Opções Complementares

Um dos materiais que vem sendo utilizado com sucesso como suprimento de matéria orgânica para o solo é o conteúdo ruminal descartado nas operações de frigorífico. Este subproduto já possui um determinado grau de decomposição e também serve de alimento para as minhocas, possibilitando produção de húmus na própria propriedade.

Além disso, como adubação foliar, os produtores orgânicos têm utilizado preparados a base de biofertilizantes como o supermagro, biogel, extratos de algas marinhas e microorganismos eficientes (EM) que servem para reforçar a resistência das plantas.

Tratos Culturais: Cobertura de Casca de Arroz é Boa Alternativa ao Plástico

O controle de invasoras é essencial, pois o morangueiro sofre muito com a concorrência. A primeira capina é realizada cerca de um mês depois do plantio quando as mudas já estão com brotação nova e bem enraizadas. Como a raiz do morangueiro nasce da parte superior, bem junto ao solo, deve se utilizar uma enxada de lâmina estreita para evitar danos às raízes. Posteriormente, após a colocação da cobertura morta é realizada mais uma ou duas operações de limpeza. Estas consistem no arrancamento das invasoras que persistiram ou que brotaram sobre a cobertura morta.

Como cobertura morta utiliza-se a casca de arroz em substituição ao plástico preto, espalhando-se uma camada de cerca de 3 a 5 centímetros sobre a superfície do canteiro (Figura 2). Esse material, pela sua coloração espanta a maioria dos insetos praga, além de favorecer as condições ambientais locais. Entre os canteiros pode-se utilizar também acículas de pinus.

FIGURA 2 – Cobertura morta com casca de arroz: opção ambientalmente correta em substituição ao plástco preto.



Na época de plantio e em plena produção o morangueiro exige grande umidade do solo com irrigações freqüentes (duas a três vezes ao dia). Diferentemente da maioria dos produtores de morango que utilizam a irrigação por gotejamento, induzindo a planta a um enraizamento mais localizado, na propriedade de Gilson Teixeira a irrigação por aspersão tem mostrado bons resultados permitindo um desenvolvimento radicular mais expressivo.

Pragas e doenças: Prevenir é Fundamental

O ácaro e os pulgões são as principais pragas do morangueiro. A umidade e a temperatura elevadas facilitam o seu aparecimento. Se as pragas atingirem poucas plantas recomenda-se a eliminação das mesmas. O ácaro ataca a face inferior das folhas, causando amarelecimento, secamento ou uma tonalidade pardo-avermelhada. Um sinal típico da presença dos ácaros é um entrelaçamento de fios de seda, sobre o qual eles vivem. Para o controle existem alguns produtos de uso restrito que devem ser consultados junto às certificadoras. O controle dos pulgões é mais fácil, pode-se utilizar desde preparados a base de plantas e minerais até o controle biológico com joaninhas.

As doenças são mais acentuadas em climas quentes e úmidos. O mais grave e disseminado problema fitossanitário é a “mancha das folhas”, causada pelo fungo Mycosphaerella fragariae. O controle pode ser obtido seguindo alguns cuidados: plantio de variedades resistentes; escolha de um local bem arejado e sem excesso de umidade; além de uso de mudas sadias. Em caso de ataque a morangueiros deve-se descartar o material afetado. Se o ataque for às folhas sugere-se a retirada das atingidas.

Outro ponto importante para evitar problemas fitossanitários é a rotação de culturas, pois o morangueiro deve ser retirado do terreno após seu ciclo anual. Não se recomenda o replantio em seguida no mesmo local, nem o uso de plantas da família das solanáceas (tomate, batata, pimentão, berinjela) que podem transmitir viroses e fungos que atacam as raízes do morango. Neste caso, o ideal seria utilizar na rotação um adubo verde ou outra cultura comercial.

Colheita: Maior Parte é Comercializada “in natura”

Nas principais regiões produtoras do Sul do Brasil a colheita é realizada de agosto a dezembro (Figura 3). Após colheita e seleção os morangos são colocados em embalagens plásticas (PET) com capacidade variável dependendo do mercado (200 ou 350 gramas). Neste relato, os morangos orgânicos selecionados para consumo “in natura” representavam cerca de 70 % da quantidade colhida. Os frutos menores ou com pequenas imperfeições que não comprometam sua qualidade, são destinados a produção de polpa ou a venda para industrialização.

FIGURA 3 – Vista geral da cultura do morango orgânico em época  de colheita em  Caçapava do Sul, RS.
Segundo o produtor paranaense Anderson de Almeida, o morango orgânico é vendido em média a 33% acima do similar convencional. O mesmo produtor aponta algumas diferençasmarcantes em relação ao convencional: melhor aparência, maior durabilidade e resistência,melhor sabor e maior aproveitamento final. 

Em síntese, os produtores orgânicos têm obtido produções competitivas comparadas ao sistema convencional. No Paraná, a média de produtividade dos últimos anos tem ficado entre 300 a 500 gramas por planta. Nos Estados Unidos, estudos de GLIESSMAN et. al. (1996), mostraram uma superioridade de produção no sistema convencional. Entretanto, neste mesmo estudo os custos foram significativamente menores no sistema orgânico, fazendo com que o retorno econômico final fosse superior no orgânico, sem contar a melhoria das características biológicas do sistema. As experiências práticas não deixam dúvidas que o sistema de produção de morango orgânico tem sido competitivo em termos técnicos, econômicos e ecológicos, sendo uma alternativa viável para pequenas propriedades familiares.



quinta-feira, 10 de março de 2016

A saúde das plantas

Autor: José Angelo Rebelo

Publicação:  O trabalho compõe a parte I – Recomendações gerais para produção sustentável de hortaliças -  do Boletim Didático nº 107  “Produção de hortaliças em Santa Catarina”, publicado pela Epagri. Interessados em adquirir a publicação completa e ilustrada com 156 páginas, devem entrar em contato através do site: www.epagri.sc.gov.br

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     As doenças podem ser causadas por microrganismos patogênicos e por má condição de cultivo e nutrientes, solo, temperatura e umidade inadequados para a planta. As más condições ambientais para as plantas, além de  favorecer as doenças, ainda incitam os microrganismos patogênicos à infectá-las.
     A existência de qualquer doença causada por microrganismo patogênico, ou não, depende, principalmente, de três condições:
- Se o microrganismo patogênico ou o agente da doença é capaz de infectar a planta;
- Se a planta é  susceptível à doença;
- Se as condições de cultivo são desfavoráveis às plantas.
     Com base nesta terceira condição, pode-se dizer que a incidência de doença é indicadora de mau manejo do cultivo.

O que fazer para impedir ou reduzir o prejuízo por doenças?
- Usar cultivares resistentes, quando houver;
- Evitar áreas onde a doença ocorre normalmente.
     Para que a incidência da doença não seja corriqueira, a exploração da planta mais suscetível deve ser alternada por cultivos de plantas resistentes ou imunes à doença incidente.
     As condições de cultivo se tornam mais favoráveis às plantas quando, entre outros cuidados, nas seguintes situações:
-  Houver escolha correta da área, ou seja, bem ventilada e onde o sol incida sobre as plantas durante todo o dia, evitando-se locais sujeitos à neblinas;
 - O solo é apropriado (sem muito barro ou sem muita areia, areno-argiloso, enxuto, fértil e bem ventilado por dentro) e preparado adequadamente; o uso de máquinas pesadas e, especialmente o emprego excessivo de rotativa, deve ser evitado, pois além de provocar a erosão, especialmente nos terrenos declivosos, favorece a compactação do solo, deixando-o  sem  ventilação;
- Ao utilizar adubação orgânica, de preferência composto orgânico. Os estercos de animais devem ser curtidos e na quantidade recomendada pela análise do solo;
- A adubação das plantas (química ou orgânica) e correção do solo é feita de  forma equilibrada e baseada na análise do solo (química e física). Ao ser utilizada a adubação orgânica, deve ser feita análise do adubo orgânico empregado;   
- A fertilidade do solo  for mantida com matéria orgânica, uso de  adubo verde e plantas recicladoras de nutrientes que protegem o solo contra a sua degradação por chuvas e sol diretos:;
- O plantio de mudas de boa qualidade for feito na época recomendada e, sempre que possível, oriundas de cultivares resistentes às pragas e doenças;
- For utilizado o espaçamento entre as filas e plantas, condução e os tratos culturais mais indicados para cada espécie;
- A irrigação, quando necessária, for  feita de forma adequada (sistema, época e quantidade correta) utilizando-se água de boa qualidade;
- A  prática da rotação de culturas for adotada para todas as espécies cultivadas;
- A lavoura tenha sido periodicamente visitada durante o ciclo da cultura para retirar as plantas doentes, bem como os restos culturais da lavoura anterior que podem ser compostados;
- Agrotóxicos ou outros produtos alternativos tenham sido utilizados somente quando for necessário e, de acordo com a recomendação de um técnico da área;

Como se viu, a saúde das plantas não depende de agrotóxicos e outros produtos alternativos, mas, entre outras coisas, de:
- Bons tratos culturais;
- Boa nutrição;
- Adequado ambiente de cultivo.
     A boa nutrição é dependente do grau de acidez do solo, que deve estar de acordo com o que a planta exige, para que ela possa aproveitar bem a adubação. Por exemplo: o cálcio e o magnésio estão ligados com a absorção do potássio e este é um grande protetor contra doenças causadas por microrganismos patogênicos, assim como o cálcio. O enxofre está ligado com a absorção do nitrogênio; o boro com a absorção do cálcio e potássio, o zinco com a absorção do fósforo.

Causas e efeitos
     Para qualquer efeito ou consequência há uma causa. Se algo acontece é porque alguém ou alguma coisa fez acontecer. Como exemplo, pode-se lembrar da dor de cabeça. A dor de cabeça pode ser causada por um mal de estômago, por fome, etc. Como se vê, a dor de cabeça é uma consequência ou o efeito de algo que está por trás deste incômodo. Para sarar de vez é preciso tratar a causa. Se for fome, deve-se alimentar; se for mal do estômago, deve-se tratá-lo. Tomar remédio para a dor de cabeça só traz sensação de alívio momentâneo, mas não  cura, pois não se ataca a causa. Com a doença de planta também é assim. A doença é o efeito ou a consequência de uma causa. Enquanto não se descobre a causa da doença, só se gasta dinheiro à toa ao tentar curar a planta.

Veja o seguinte exemplo: uma planta fica murcha. Algo causou a murcha, logo, a murcha é o efeito de uma causa. A murcha pode ocorrer por uma bactéria de solo, por diferentes fungos de solo, por nematoides de solo, por calor excessivo, por inseto que machucou o caule, por brocas, por muita umidade e calor, por dano causado por enxadas, por herbicidas, por falta de água, por excesso de sal no solo oriundo de exagerada adubação, etc. Enquanto não se descobre a causa e trata-se somente o efeito, gasta-se muito dinheiro inutilmente e o efeito da causa desconhecida, acaba se repetindo. A murcha é apenas um sintoma. Não se trata sintomas. Muitas doenças apresentam o mesmo sintoma. Para fazer a coisa certa,  deve-se responder duas perguntas importantes:
- Qual é a doença?
- Por que ela está ocorrendo?
     Descoberta a causa da ocorrência pode-se tomar cuidados para que a doença não se repita ou cause pouco ou nenhum prejuízo.
     Em uma olericultura sustentável, tratam-se as causas para que os resultados sejam os mais duradouros e equilibrados possíveis.

Aplicação de agrotóxicos
     Por ser difícil, ou até impossível oferecer todas as boas condições para que as plantas não adoeçam, às vezes precisamos de agrotóxicos, que podem ser desde uma calda bordalesa, calda sulfocálcica e caldas de produtos diversos para curá-las ou para ajudar na prevenção do mal.
     Além de todos os cuidados no manuseio de agrotóxicos, alguns itens merecem atenção especial:
- certifique-se da necessidade do uso de agrotóxico e se o produto é apropriado ao que deseja fazer e se é permitido pelo ministério da agricultura (Vide Agrofit: http://extranet.agricultura.gov.br/agrofit_cons/principal_agrofit_cons);
- não faça mistura de produtos sem saber se é permitido ou recomendável;
- antes de preparar a calda, os produtos em pó devem ser transformados em pasta e depois dissolvê-la no volume de água recomendado;
- prepare somente a quantidade necessária para aplicar no mesmo dia;
- respeite as doses recomendadas;
- aplique os produtos somente quando as condições climáticas forem adequadas, sem vento, sem orvalho e quando as temperaturas estiverem mais baixas;
- mantenha a calda sempre agitada durante a aplicação;
- em culturas que dependem de polinização por insetos, a aplicação de agrotóxicos deve ser feita fora de período de maior atuação dos polinizadores;
- cobrir bem a planta com a calda. Para isto observe o tamanho das gotas que é resultado da pressão e pelo diâmetro do bico do pulverizador;
- quando preciso, use espalhante adesivo e na dose certa;
- respeite o período de carência dos produtos. Período de carência é o tempo que se tem de esperar para colher depois que se aplicou um agrotóxico. É muito importante na produção de alimentos respeitar o período de carência do produto aplicado, especialmente quando se trata de hortaliças, pois várias delas são consumidas  ainda cruas e por crianças e convalescentes.
- só  adquira produtos com receituário agronômico.

Lembrete 1
- as plantas adoecem em solos mal tratados, ruins e sem fertilidade;
- não é boa a saúde das pessoas que se alimentam de plantas destes solos;
- a fertilidade de nosso solo de amanhã depende do que  se faz com ele hoje;
- da fertilidade do solo depende a qualidade dos alimentos que se produz;
- a saúde e a qualidade de nossa vida dependem da qualidade dos alimentos que elas consumem;
- cerca de 80% de todos os cânceres estão relacionados com  nossa alimentação.

Lembrete 2
- os abrigos de cultivo são ferramentas indispensáveis, quando corretamente manejados, no controle de doenças das hortaliças.

Algumas doenças, como evitá-las ou como torná-las menos prejudiciais

Podridões    

Alface
     As podridões em alface podem ocorrer, secundariamente, por falta de cálcio. Falta de cálcio pode ocorrer por acidez alta, por falta de água, por calor (evapotranspiração), por excesso de umidade no solo e por desequilíbrio entre os nutrientes, como excesso de potássio e de magnésio.
      A falta de potássio na planta favorece o fungo (Sclerotinia sclerotiorum) causador de podridão. A falta de potássio ocorre em solos com muito nitrogênio, fósforo, cálcio e  magnésio. O fungo ainda é favorecido pela falta de rotação de culturas e em plantios ricos em nitrogênio, em solos muito úmidos, em canteiros mal ventilados, durante épocas mais frias. O fungo pode permanecer por muito tempo no solo, principalmente naqueles pobres de matéria orgânica.

Brócolis, repolho e couve-flor (coração oco)
      As podridões nessas plantas podem ser causadas por falta de boro. A falta de boro ocorre em solo com pH acima de 6,5 e em solos arenosos e em época de seca. O excesso de potássio no solo dificulta a assimilação do boro pelas plantas.
     A falta de boro leva à morte a medula (miolo) do caule por onde entram bactérias causadoras de podridões. Não se deixam restos culturais de brócolis repolho ou couve-flor na lavoura, para que a bactéria da podridão não sobreviva na área de plantio. Ao colher a parte comercial dessas plantas, não se deve deixar o resto do caule na lavoura.

Salsa
     A salsa, quando plantada em épocas quentes, fica muito sujeita a podridões. Essas podridões são oportunizadas pela dificuldade que a planta tem de se nutrir adequadamente em condição de calor e de irrigação desfavoráveis. Em épocas quentes deve-se preferir locais de plantios mais frescos, pouco ensolarados após o meio-dia e usar sombras para atenuar o calor sobre as plantas.
     Os fungos que se aproveitam de condições inadequadas para a salsa são Rhizoctonia solani, Pythium spp., Fusarium spp. e Sclerotinia sclerotiorum. A falta de rotação de culturas com plantas não suscetíveis é um fator muito favorável a podridões da salsa, principalmente em solos e ambientes impróprios ao cultivo. A salsa requer nitrogênio, mas o excesso desse nutriente causa deficiência de potássio, deixando as plantas suscetíveis a doenças.

Vermelhão

Beterraba
      A beterraba produz pigmentos vermelhos, um chamado de antocianina, muito favorável à saúde humana, e outro conheconhecido como betalaína. Sob condição desfavorável de cultivo, como calor, falta de água e boro, a planta se desequilibra e produz excessivamente o pigmento antocianina (Figura 1), o que a prejudica. A falta de boro ocorre em solos pobres em matéria orgânica e em solos com pH maior que 6,5.

FIGURA 1. Produção de antocianina, à direita, por mudas de beterraba, desnutridas.



Viroses

     Viroses, como a que ocorre em pepineiros também afetam a beterraba. A proximidade destes dois cultivos não é recomendável. A beterraba também é muito exigente em potássio, que a protege de doenças.

Seca de baraço

Batata-doce
     Há um fungo, Plenodomus destruens que, em condições de cultivo desfavorável, pode apodrecer plantas de batata-doce. As condições mais desfavoráveis para esta planta são cultivo em solo pesados, duro, sombreado e que acumula água da chuva entre as filas de plantio. A adubação deve prever a aplicação de matéria orgânica e de acordo com a análise do solo. A batata-doce é exigente em potássio que a protege de doenças. Para ajudar no controle destas doenças, além das medidas acima, evita-se colher baraços de lavouras que apresentaram a doença. Antes do plantio, os baraços devem murchar por um a dois dias de modo a cicatrizar a ferida do corte. Além desses cuidados, é importante que se faça a rotação de culturas  na área utilizada.

Murchadeira 

Batata, tomate, pimentão, pimenta e muitas outras hortaliças
     A doença conhecida por murchadeira é causada por uma bactéria que habita o solo, onde pode viver muitos anos, mesmo que não tenha plantas para infectar. No entanto, se houver plantas e boas condições ambientais para este agente ele pode ser um problema sério para a agricultura. Assim, é preciso manter baixa a infestação e não dar condições para que infecte as plantas. Essa bactéria prefere solo úmido, com pouca matéria orgânica e pH alto (onde se colocou calcário demais). Não se deve plantar em locais infestado e onde a doença incide corriqueiramente.
     Cuidados: drenar o solo; aplicar matéria orgânica e calcário conforme análise de solo; fazer rotação de cultura com milho, aveia, leguminosas de inverno, por pelo menos três anos nas áreas onde a doença ocorreu. Cuidar para que no meio desses cultivos em rotação não cresçam plantas suscetíveis a essa bactéria.
     A solarização do solo, principalmente em abrigos de cultivo, é capaz de reduzir a pressão desse patógeno, de nematoides e fusário sobre as plantas a eles suscetíveis.








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