quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Fonte: Livro da Embrapa Hortaliças – Brasília, DF. Interessados em adquirir o livro “PRODUÇÃO ORGÂNICA DE HORTALIÇAS – Coleção 500 Perguntas – 500 Respostas” devem entrar em contato através do email: vendas@sct.embrapa.br; 
Para ver o livro completo, acessar: http://mais500p500r.sct.embrapa.br/view/pdfs/90000021-ebook-pdf.pdf

     Com o objetivo de divulgar e aumentar o conhecimento sobre agricultura orgânica,  estamos transcrevendo  do livro, algumas perguntas e respostas que consideramos mais relevantes.


Capítulo 5: Manejo do Solo

Autores:  Flávia A. de Alcântara e Nuno R. Madeira.

O que é manejo do solo?
     O solo é a “pele” do Planeta Terra, pois é o resultado da ação do clima, do relevo e dos organismos sobre as rochas expostas na superfície do planeta. Essas rochas vão sofrendo transformações com o tempo (muito tempo!) e o solo vai sendo formado aos poucos. Para se ter uma ideia, são necessários cerca de 400 anos para que 1 cm de solo seja formado. O processo de formação do solo ocorre de baixo para cima, ou seja, à medida que o material de origem vai sendo desintegrado e transformado, vão sendo depositadas camadas, que também vão se transformando com o tempo e dando origem a novas camadas. Já os solos localizados na parte mais baixa dos vales, nas margens dos rios e lagos , podem ser formados pela deposição de materiais , muitas vezes já transformados, que vêm das partes mais altas.
     Na atividade agrícola, trabalha-se com uma pequena porção do solo, a mais superficial, chamada de camada arável. O solo faz parte do meio ambiente e está ligado a todos os seus outros componentes, como a água, as plantas, os animais e o homem. Dessa forma, tudo que acontece com o solo tem algum reflexo, positivo ou negativo, no ambiente do qual ele faz parte.

O que é manejo do solo?
     Manejo do solo é o conjunto de todas as práticas aplicadas a determinado solo visando à produção agrícola. Inclui operações de cultivo, práticas culturais, práticas de correção e fertilização, entre outras. É a forma de cultivar e tratar o solo.

Como é feito o manejo do solo nos sistemas orgânicos de produção de hortaliças?
     De forma geral, práticas tradicionais de conservação do solo, como o plantio em curva de nível, a formação de faixas de retenção e cordões, são utilizadas também na agricultura orgânica. No entanto, a agricultura orgânica vê o solo como o centro de todo o processo produtivo, valorizando-o como recurso-chave. Por isso, o manejo orgânico prioriza práticas que proporcionem a manutenção e a melhoria da qualidade do solo, por meio do revolvimento mínimo e do aumento dos teores de matéria orgânica e da atividade biológica. Desse modo, o manejo orgânico recomenda a manutenção de cobertura vegetal sobre o solo, a adubação verde, o cultivo mínimo, o plantio direto, entre outras práticas conservacionistas. Além disso, o manejo do solo no sistema orgânico prioriza as fontes orgânicas de nutrientes e não utiliza fertilizantes químicos de alta solubilidade. Para finalizar, é uma forma de manejar o solo “pensando em longo prazo”, ou seja, objetivando a construção da qualidade do solo com o tempo.

Quais as principais diferenças entre o manejo do solo na produção orgânica de hortaliças e na convencional?
     No caso específico da produção de hortaliças, o manejo do solo costuma ser bastante intensivo no sistema convencional. Muitas vezes são utilizadas quantidades excessivas de fertilizantes, o que pode causar desequilíbrios químicos no solo e nutricionais na cultura. Além disso, as glebas são, em geral, utilizadas continuamente, ciclo após ciclo, e, em alguns casos, com revolvimento excessivo da camada arável.
     O sistema orgânico de produção de hortaliças, por sua vez, prioriza a adição e a manutenção da matéria orgânica, a cobertura do solo e o revolvimento mínimo. Mas a preocupação com a conservação do solo está crescendo na produção convencional e, por isso, a utilização de práticas conservacionistas, como a adubação verde e a cobertura vegetal, está ganhando cada vez mais espaço também no cultivo convencional.

O que é matéria orgânica do solo?
     De maneira bem simples e direta, pode-se dizer que a matéria orgânica é a parte do solo que já foi ou ainda é viva. A matéria orgânica é a parte do solo que já foi ou ainda é viva. A matéria orgânica é constituída de resíduos de origem vegetal ou animal como:
. Estercos.
. Restos de cultura que ficam no campo.
. Palhadas.
. Folhas, cascas e galhos de árvores.
. Raízes das plantas.
. Animais que vivem no solo, como cupins, formigas, besouros, fungos, bactérias e outros microrganismos.
     Esses componentes da matéria orgânica podem estar vivos (como os pequenos animais) ou já em decomposição (como os resíduos de plantas incorporados ao solo ou em cobertura). Como tudo que foi um dia vivo é constituído de carbono orgânico, muitas vezes encontra-se o termo “carbono orgânico” como sinônimo de matéria orgânica.
     Na realidade, o carbono é o principal constituinte da matéria orgânica, mas a ele estão ligados vários outros elementos importantes, como o nitrogênio. É a matéria orgânica que dá a cor escura aos solos e que garante que ele se mantenha “vivo”. Em solo muito claro, aparentemente sem vida, “fraco”, é bem provável que o teor de matéria orgânica seja muito baixo.

O que é decomposição e mineralização da matéria orgânica?
     A decomposição é o processo de quebra da matéria orgânica em partes menores, feita por microrganismos decompositores presentes no solo. Esses microrganismos utilizam a matéria orgânica como alimento para sua sobrevivência e, para isso, precisam quebrá-la em pequenas partes.
     A mineralização é o resultado do processo de decomposição microbiana. Durante a decomposição,  elementos químicos que antes se encontravam na forma orgânica são convertidos para a forma mineral. Os nutrientes, elementos químicos essenciais ao crescimento e desenvolvimento das culturas, só são absorvidos pelas raízes das plantas quando se encontram na forma mineral. Dos processos de decomposição e mineralização é que surgem jos principais efeitos benéficos da matéria orgânica sobre a fertilidade do solo.

Quais os benefícios da matéria orgânica para o solo?
     São vários. A matéria orgânica atua tanto na fertilidade do solo quanto em seu condicionamento físico, além de manter a vida no solo. Assim, pode-se dividir os benefícios da matéria orgânica em três categorias:
    a)    Benefícios para a fertilidade do solo (para os atributos químicos e físico-químicos do solo):
. Fornecimento de nutrientes para as cultuas (macro e micronutrientes): quando decomposta e mineralizada, a matéria orgânica torna-se fonte de nutrientes.
. Aumento da capacidade de troca de cátions (CTC) do solo: tem a capacidade de adsorver (reter) cátions (muitos nutrientes estão na forma de cátions) presentes no solo, que depois podem ser disponibilizados para as culturas.
. Aumento da superfície específica do solo: quanto maior a superfície específica, maior a capacidade de retenção de nutrientes.
. Aumento da disponibilidade de nutrientes para as culturas: por causa dos efeitos na capacidade de troca de cátions e na superfície específica.
. Complexação de substâncias tóxicas: a matéria orgânica em estágios avançados de decomposição tem a capacidade de controlar a toxidez causada por certos elementos presentes no solo em teores acima do normal e, por isso, tóxicos.
b    b)    Benefícios para o condicionamento físico do solo:
. Melhoria da estrutura do solo: tem a capacidade de agregar as partículas do solo, formando “grumos”. Esse efeito agregador desencadeia benefícios nas outras características físicas do   solo.
      . Densidade do solo: redução da densidade aparente do solo, tornando-o mais “leve” e solto.
      . Porosidade do solo: melhoria da circulação de ar e água nos poros (espaços vazios entre as partículas) do solo.
   . Capacidade de retenção e infiltração de água: aumento da capacidade de armazenamento da água do solo.
c      c)     Benefícios para a biota do solo:
. Atua como uma fonte de alimento para microrganismos decompositores, que a utilizam como substrato e são responsáveis pela decomposição e mineralização da matéria orgânica no solo.
      . Aumenta a população de minhocas, besouros, fungos, bactérias e outros organismos benéficos para a manutenção da vida no solo.

Quando é preciso adicionar ou repor matéria orgânica?
     Existe uma pequena fração da matéria orgânica, já bem decomposta, que pode durar muito tempo no solo (até mais de 1.000 anos). Isso ocorre porque os microrganismos decompõem primeiro as moléculas menores, ou seja, a parte mais fácil de ser quebrada e, nesse processo, a parte mais “ura”, mais difícil de decompor, vai “sobrando” no solo. Porém, a maior parte da matéria orgânica adicionada ao solo é decomposta de forma relativamente rápida (de alguns meses até alguns anos), principalmente em regiões onde a temperatura e a precipitação pluvial são altas. O preparo intensivo do solo por meio do revolvimento também acelera a decomposição da matéria orgânica, pois favorece a ruptura dos agregados do solo, expondo-os mais ao ataque dos microrganismos.
     É muito mais fácil e rápido “perder” matéria orgânica do que “ganhar”. Portanto, para se manter o solo produtivo ao longo do tempo é necessário que se adicione ou reponha a matéria orgânica com certa frequência. O ideal é que a cada cultivo se adicione matéria orgânica ao solo. No entanto, a frequência da adição ou da reposição depende do ciclo da cultura em questão e do sistema de cultivo. Mas, como existem várias maneiras de se manter e aumentar o teor de matéria orgânica do solo, uma delas, com certeza, será adequada para cada caso.

Quais as maneiras de se repor ou adicionar matéria orgânica ao solo?
     Uma das maneiras de se repor ou adicionar matéria orgânica ao solo é a utilização de estercos animais. Na produção de hortaliças, são utilizados estercos de aves, de bovinos, equinos e caprinos. É preciso lembrar que não se deve utilizar esterco de suínos na produção de hortaliças, pois algumas doenças que acometem os porcos podem ser transmitidas ao homem pela ingestão de alimentos contaminados.
     Os estercos animais são material orgânico de fácil decomposição e, por isso, são decompostos rapidamente, principalmente o esterco de aves. Assim, seu principal benefício é o suprimento de nutrientes ás culturas, pois, como não “duram” muito, não são bons condicionadores físicos do solo.
     Outros materiais, provenientes da própria fazenda ou de agroindústrias, também podem ser boas fontes de matéria orgânica, sendo utilizados puros ou junto com os estercos em compostagem.
     Dentre esses materiais podem-se citar alguns exemplos como:
. Palhas de milho, de aveia, arroz, feijão e café.
. Capim-gordura, capim-guiné, capim-meloso, entre outros capins.
. Serragem de madeira.
. Bagaço de cana.
. Tortas de algodão e de mamona.
     É importante ressaltar que o produto deve priorizar resíduos produzidos na propriedade ou resíduos agroindustriais da região, a fim de facilitar e baratear custos. Uma alternativa prática e eficaz para se adicionar matéria orgânica ao solo é a adubação verde que proporciona ao produtor a produção de matéria orgânica diretamente na área de cultivo.




Ferreira On 11/10/2016 02:09:00 PM Comentarios LEIA MAIS

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Fonte: Livro da Embrapa Hortaliças – Brasília, DF. Interessados em adquirir o livro “PRODUÇÃO ORGÂNICA DE HORTALIÇAS – Coleção 500 Perguntas – 500 Respostas” devem entrar em contato através do email: vendas@sct.embrapa.br;
Para ver o livro completo, acessar: http://mais500p500r.sct.embrapa.br/view/pdfs/90000021-ebook-pdf.pdf
    
     Com o objetivo de divulgar e aumentar o conhecimento sobre agricultura orgânica,  estamos transcrevendo  do livro, algumas perguntas e respostas que consideramos mais relevantes.

Capítulo 3: Organização da Propriedade

Autores: Francisco Vilela Resende e Mariane Carvalho Vidal.

Por que o sistema orgânico de produção se contrapõe à monocultura?
     O uso crescente dos adubos químicos e agrotóxicos possibilitou a simplificação dos sistemas agrícolas, de forma que apenas uma cultura pudesse ser cultivada em determinada região para atender as necessidades locais ou as exigências de mercado. Esse modelo permitiu o aparecimento de pragas, doenças, plantas invasoras especializadas e uma série de outros problemas peculiares para essas culturas. A manutenção da fertilidade do solo e a sanidade dos cultivos depende de rotações de culturas, da reciclagem de biomassa e, principalmente, da diversidade biológica. Essa diversidade é o principal pilar da agricultura orgânica a contribuir para a manutenção do equilíbrio do sistema e, consequentemente, do solo e da cultura. Portanto, o equilíbrio biológico e ambiental, bem como a fertilidade do solo, não podem ser mantidos com monoculturas.
     Nos cultivos especializados, onde prevalece apenas uma cultura de interesse econômico, deve-se estabelecer algum grau de diversificação, que é conseguido com a inserção de áreas de refúgio e/ou cordões de contorno com espécies variadas, consórcios com adubos verdes e/ou plantas repelentes/atrativas e com o manejo das plantas espontâneas.

Como é feita diversificação do sistema?
     O produtor orgânico deve se preocupar prioritariamente com a diversificação da paisagem geral de sua propriedade de forma a restabelecer o equilíbrio entre todos os seres vivos da cadeia alimentar, desde microrganismos até pequenos animais, pássaros e outros predadores. A introdução de espécies vegetais com múltiplas funções no sistema produtivo é a base do estabelecimento do equilíbrio da propriedade. Nesse contexto, incluem-se espécies de interesse econômico, arbóreas, atrativas e ornamentais. Deve-se atentar também para o papel fundamental das espécies espontâneas no processo de diversificação. Dessa forma, procura-se atingir a sustentabilidade da unidade produtiva no tempo e no espaço pela incorporação de características de ecossistemas naturais, como:
- Reciclagem de nutrientes.
- Uso de fontes renováveis de energia.
- Manutenção das relações biológicas que ocorrem naturalmente.
- Uso de materiais de origem natural, evitando os oriundos de fora do sistema.
- Estabelecimento de padrões de cultivos apropriados com espécies de plantas agrícolas e animais adaptados às condições ecológicas da propriedade.
- Ênfase na conservação do solo, água, energia e recursos biológicos.

Como deve ser dividida a área de cultivo em um sistema orgânico de produção de hortaliças?
     A produção orgânica de hortaliças exige a reformulação da organização da propriedade, que diverge bastante da disposição adotada no sistema convencional. O aspecto mais importante é a subdivisão da propriedade em talhões que, preferencialmente, não ultrapassem 1.000 m2 , com elementos que promovam o condicionamento climático das culturas e a preservação da biodiversidade.
O uso intensivo das áreas associado a ciclos sucessivos de cultivo exige maior atenção dos produtores de hortaliças na construção e proteção dos talhões. O talhão possui papel fundamental na administração da propriedade e gerenciamento das atividades de produção. A disposição dos talhões e da infra-estrutura na propriedade deve reduzir as necessidades de transporte e de mão-de-obra para execução dos trabalhos, pois na produção de hortaliças há grande movimentação de mão-de-obra e insumos, o que exige eficiência no funcionamento do sistema, visando facilitar a administração e reduzir os custos da atividade.
A delimitação dos espaços físicos da horta é feita por carreadores principais e secundários. O dimensionamento dos carreadores deve ser realizado de forma a perder o mínimo possível de área produtiva. Os caminhos secundários devem apresentar dimensões de 30 cm de largura, no máximo, para permitir apenas o trânsito de pessoas e carrinhos de mão. Os carreadores principais devem ser dimensionados com 1,5 m a 2 m, permitindo a entrada de máquinas e equipamentos para transporte de insumos e escoamento da produção.

O que são cordões de contorno?
     São faixas de vegetação que circundam a propriedade, permitindo isolamento das áreas de cultivo convencional circunvizinhas, e utilizados também para divisão dos talhões de cultivo. É um componente fundamental na organização de uma propriedade orgânica voltada para a produção de hortaliças. Apresentam múltiplas finalidades como o funcionamento como barreiras fitossanitárias, dificultando a livre circulação de pragas e doenças entre propriedades vizinhas e entre os talhões de cultivo; a criação de microclimas mais propícios ao cultivo de hortaliças; a formação de áreas de refúgio e abrigo para inimigos naturais de pragas e outros pequenos animais úteis. Resumindo, a instalação dessas faixas de vegetação permite a criação de condições climáticas favoráveis à redução do estresse sofrido pelas plantas e é fundamental para o manejo fitossanitário da propriedade orgânica.

Como são formados e que espécies podem ser usadas nos cordões de contorno?
     Essas faixas podem ser formadas por uma ou várias espécies, incluindo a própria vegetação natural. Espécies que podem servir como fontes de biomassa e nutrientes, como capins, leucena, hibiscos, flor do mel (girassol mexicano), espécies fixadoras de nitrogênio, como os adubos verdes, espécies atrativas para insetos e pequenos animais, e plantas de interesse econômico, visando à complementação de renda da atividade principal também podem ser utilizadas. É importante preocupar-se com a diversidade dos cordões de contorno para garantir que se tornem abrigos de biodiversidade, procurando combinar espécies que atendam aos requisitos descritos.

Podem-se usar espécies de interesse econômico nos cordões de contorno?
     Alguns produtores orgânicos não aceitam ou não podem dispor dentro da propriedade de áreas de cultivo com espécies que não tenham interesse econômico. Dessa forma, aproveitam as áreas dos cordões para a introdução de espécies que, além de formarem cordões, possam prover-lhes algum retorno econômico e não causem prejuízos à cultura ou às culturas principais. Podem-se destacar, como exemplo, a banana, o café, o mamão, outras espécies frutíferas, plantas melíferas, condimentares, medicinais e ornamentais ou uma combinação dessas espécies.

O que são áreas de refúgio?
     São áreas de vegetação para preservação e atração de inimigos naturais de pragas e pequenos predadores que auxiliam no controle de pragas. Essas áreas servem de refúgio para diversos insetos benéficos que se alimentam de fungos ou para organismos que, sem seus inimigos naturais, poderiam aniquilar a plantação. Esses nichos são formados pelas reservas de vegetação nativa, pelas faixas de cercas vivas ou cordões de contorno que circundam as áreas de cultivos e as comunidades de plantas invasoras ou espontâneas. As áreas de refúgio garantem a preservação da fauna silvestre e a diversidade é essencial para o equilíbrio de várias espécies, contribuindo muito para o equilíbrio do sistema como um todo.

O que são áreas de pousio?
     Como o próprio nome sugere, são áreas que garantem o descanso do solo, após cultivo intensivo, para reconstituir e conservar suas propriedades químicas, físicas e biológicas. As áreas em pousio devem permanecer cobertas com alguma vegetação, que pode ser adubos verdes ou a vegetação natural da área. Essas áreas são muito importantes para garantir a manutenção da vida no solo. O agricultor deve prever esse período no planejamento da horta, pois para produção de hortaliças, que utiliza intensamente os recursos do solo, essa prática é fundamental.

Qual a importância da rotação de culturas para sistemas orgânicos de produção de hortaliças?
     Um dos aspectos mais importantes do manejo em sistemas orgânicos de produção é a exploração equilibrada do solo, por meio do emprego de práticas como a alternância de culturas e a sucessão vegetal, levando ã prática da rotação de culturas nas diversas unidades de solo de uma propriedade agrícola.
  Deve-se estabelecer uma escala de exigência em adubação e manter o terreno permanentemente coberto. Essas práticas conjugadas permitem explorar os nutrientes do solo de maneira mais racional, evitando seu esgotamento. Deve-se alternar culturas mais exigentes com culturas menos exigentes em nutrientes (rústicas), que exploram profundidades diferentes do solo pela diferença na estrutura radicular.
     Outro aspecto igualmente importante da rotação, e também do consórcio de hortaliças, é evitar a proliferação e acúmulo de doenças e pragas, que em um sistema intensivo de cultivo pode ocorrer de forma bastante acelerada. Portanto, a rotação de culturas é uma necessidade para a economia de nutrientes da horta e o controle de pragas e doenças.

Como deve ser o manejo das rotações dentro dos talhões ou das áreas de produção de hortaliças?
     A divisão dos talhões em faixas de cultivo auxilia na implantação de esquemas de rotação. Nessas faixas, alterna-se o cultivo de adubos verdes com diferentes famílias de hortaliças. Nesse esquema, é importante evitar o plantio de espécies da mesma família em sucessão ou nas faixas adjacentes. No caso das hortaliças que se adaptam melhor aos cultivos de inverno, época em que o olericultor obtém maiores rendimentos, deve-se evitar a prática de rotação com adubos verdes, permitindo que a área fique integralmente ocupada pelas culturas de interesse econômico. No verão, reserva-se uma área maior para o plantio de espécies de adubo verde que se adaptam bem ao cultivo nessa estação. Dessa frma, pratica-se a recuperação anual das áreas de produção.
Outra estratégia importante de manejo é evitar o acúmulo de inóculos de organismos patogênicos, uma vez que as sucessões provocam uma quebra do ciclo biológico desses organismos pela alternância de espécies. Exemplificando, o plantio sucessivo de espécies de solanáceas (tomate, batata, pimentão, etc.) na mesma área pode elevar a incidência de patógenos foliares e de solo nessas culturas.

Qual a regra geral para a boa rotação de culturas?
     Na rotação, o produtor pode utilizar um esquema seguindo as diferentes características de cada grupo de hortaliças: folhosas, raízes/tubérculos e flores/frutos. Como cada espécie se desenvolve de uma forma e tem um sistema radicular próprio e diferenciado, também explora o solo e retira os nutrientes de forma diferenciada. Logo após o preparo e a adubação inicial do solo, deve-se cultivar hortaliças mais exigentes, seguindo-se com espécies cada vez menos exigentes. Assim, o produtor pode planejar o plantio utilizando o esquema de alternar entre esses grupos e deixando sempre um intervalo entre um ciclo para descanso e recuperação do solo (pousio). Durante o pousio, o produtor pode explorar a utilização dos adubos verdes para recomposição e manutenção do solo.

O que é consorciação/associação de culturas?
     O sistema de consórcio caracteriza-se pelo plantio simultâneo de duas ou mais culturas na mesma área. É uma das práticas mais importantes para o cultivo de hortaliças no sistema orgânico, pois abrange aspectos tanto ambientais quanto econômicos.
     A consorciação permite otimizar a produção pelo melhor aproveitamento da área explorando a combinação de espécies eficientes na utilização dos recursos de produção como espaço, nutrientes, água e luz. O consórcio entre espécies de hortaliças está sendo adotado amplamente em áreas de cultivo orgânico em todo o país, principalmente por pequenos agricultores orgânicos que buscam nessa técnica uma forma de otimizar o aproveitamento de seus escassos recursos de produção. Assim procuram maximizar seus lucros, aproveitando melhor a área, os insumos e a mão-de-obra.

Quais as vantagens da consorciação de culturas?
     A eficiência e as  vantagens de um sistema consorciado estão na complementariedade entre as culturas envolvidas. Essa complementariedade é maior à medida que se consegue minimizar os efeitos negativos de uma cultura sobre a outra. O consórcio, além de permitir o uso mais intensivo da área de plantio, confere maior diversidade biológica e produção por unidade de área, garante renda extra ao agricultor e proporciona menor impacto ambiental em relação à monocultura. Para evitar a manutenção de áreas com plantio de espécies que não tragam retorno econômico, os produtores podem utilizar o consórcio entre a cultura de interesse comercial e outra espécie que apresente funções importantes, como atração de inimigos naturais, repelente de insetos, adubos verdes, etc. Um exemplo clássico dessa associação ocorre entre milho e mucuna. O plantio sincronizado dessas espécies permite que a floração da leguminosa coincida com a seca da planta de milho, originando uma palhada bastante rica em nutrientes que pode ser utilizada no cultivo de várias hortaliças. O olericultor obtém ainda retorno econômico com a comercialização das espigas de milho ainda verdes.

Que tipos de consórcio podem ser utilizados para hortaliças?
     Embora existam muitas possibilidades de combinação de hortaliças em consórcio, são mais comuns os consórcios em faixas e em linhas.
     No consórcio em linha, são intercaladas linhas de cultivo de uma ou mais espécies com a cultura principal. Pode-se consorciar alface e cebolinha, couve e cebola, tomate e coentro, pimentão e feijão guandu anão, tomate e crotalária, entre outras.
     No consórcio em faixas, são intercaladas faixas de cultivo de uma ou mais espécies com a cultura principal. Em alguns casos, essas faixas podem se confundir com os próprios canteiros. Pode-se agrupar as hortaliças companheiras, como cenoura e tomate, batata e repolho, tomate e cebola, cebola e pepino, alface e rúcula, abóbora e chicória, repolho e arruda, entre outras.

Qual o objetivo de se associar plantas repelentes e/ou atrativas à cultura principal no sistema orgânico?
     As plantas com sabor e cheiro forte são chamadas atrativas ou repelentes, pois possuem substâncias que afastam ou inibem a ação de insetos. O cultivo dessas plantas junto com as culturas pode proteger contra o ataque de insetos. Como qualquer estratégia de manejo agroecológico, o uso de tais plantas não deve ser feito isoladamente, e sim, em conjunto com outras técnicas de controle, sempre buscando a promoção do equilíbrio ecológico em toda a propriedade agrícola.

Quais as plantas atrativas e repelentes mais comuns e para que servem?
     As plantas atrativas e repelentes mais comuns são:
. Cravo-de-defunto (Tagetes minuta) e/ou cravorana silvestre (Tagetes sp.) – Repelente de insetos e nematóides, principalmente no florescimento. Atua tanto por ação direta contra as pragas quanto por “disfarce”das culturas por seu forte odor.
. Cinamomo (Melia azedorach L.) – Ação inseticida. Os frutos devem ser moídos e seu pó pode ser usado na conservação de grãos armazenados.
. Saboneteira (Sapindus saponaria L.) – Ação inseticida. Para se ter uma ideia de seu poder de ação, apenas seis frutos bastam para preservar 60 kg de grãos armazenados.
. Quássia ou pau-amargo (Quassia amara) – Ação inseticida, especialmente contra moscas e mosquits, pelo alto teor de substâncias amargas na casca e na madeira.
. Mucuna (Mucuna spp.) e crotalária (Crotalaria spp.) – Ação nematicida.
. Coentro (Coriandrum sativum) – Ação repelente. Tem-se observado redução significativa de frutos de tomateiro perfurados por insetos quando seu plantio é associado ao de coentro.
. Arruda (Ruta graveolens) – Ação repelente. Evita a lagarta em folhosas, como o repolho.
. Manjericão (Oncimum basilicum) – Por causa do forte odor e compostos que exala, é um repelente de insetos.
Gergelim (Sesamum indicum) – Cordões de contorno com gergelim oferecem excelente proteção contra saúvas e outras formigas cortadeiras.
. Purungo ou cabaça (Lagenaria vulgaris) – Atrativo para o besourinho ou vaquinha-verde-amarela (Diabrotica speciosa). Pode ser plantado como cerca viva ou pode-se utilizar seus frutos cortados e espalhados na lavoura.
. Tajujá (Cayaponia tayuya) – Atrativa para as vaquinhas.
     Geralmente, plantas aromáticas, medicinais e condimentares são menos atacadas por pragas, constituindo, dessa forma, uma boa opção para compor  canteiros na horta, próximo às culturas. Outros exemplos dessas plantas são artemísia, alecrim, menta, tomilho, losna , funcho, hortelã, etc.

As plantas espontâneas podem contribuir para o manejo do sistema orgânico ou devem ser sempre eliminadas?
     As plantas que crescem junto com as espécies cultivadas são consideradas invasoras ou espontâneas e não plantas daninhas. Assim, como outros vegetais, as plantas invasoras contribuem para:
. Cobertura e proteção do solo.
. Reciclagem mais eficiente de nutrientes.
. Melhoria das condições físicas do solo pelo aumento dos teores de matéria orgânica.
. Rompimento de camadas compactadas.
. Diversificação do ambiente.
     Essas espécies devem ser manejadas adequadamente para que permitam o convívio sem prejuízos para a cultura de interesse econômico. Recomenda-se a capina em faixas, de forma a evitar a presença das ervas próximo à cultura de interesse comercial, deixando-se uma estreita faixa de vegetação nas entrelinhas de plantio. Em culturas omo berinjela, jiló, abóbora, quiabo e outras, deve-se fazer apenas o coroamento das plantas e roçadas leves no restante da área.
     No caso de hortaliças de canteiro, recomenda-se capinas nos momentos críticos apenas nos leitos de semeadura, preservando-se a vegetação dos careadores ou apenas roçando-a quando estiver dificultando os tratos culturais. O controle de invasoras tem sido feito com o emprego de práticas mecânicas, como aração, gradagem, cultivos, roçadas, amontoas e capinas manuais, conforme a necessidade de redução das invasoras e, ainda, com o uso de plantas com efeitos alelopáticos, adubação verde, cobertura morta, cobertura viva, rotação e a consorciação de culturas.

Existe alguma forma de se plantar hortaliças sem canteiros, evitando o revolvimento excessivo do solo?
     Para algumas hortaliças é possível evitar o uso de canteiros fazendo o plantio em covas ou sulcos e até mesmo o plantio direto sobre palhadas. Sabe-se que nos solos tropicais e subtropicais a decomposição da matéria orgânica pode ser acelerada com o excesso de revolvimento, reduzindo seu teor. Assim, o preparo do solo deve ser evitado ou minimizado sempre que possível. Recomenda-se o uso de canteiros semidefinitivos, restringindo ao máximo a entrada de máquinas nas áreas de cultivo. Dessa forma, seguindo os princípios já mencionados da rotação de culturas, após o preparo, e da adubação inicial do solo, cultiva-se uma sucessão de hortaliças progressivamente menos exigentes em nutrientes, sem que haja necessidade de refazer os canteiros. Quando necessário, pode-se complementar a adubação inicial com aplicações em cobertura, fazendo-se apenas uma leve incorporação superficial.




Ferreira On 10/10/2016 01:27:00 PM Comentarios LEIA MAIS

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

PERGUNTAS E RESPOSTAS SOBRE PRODUÇÃO ORGÂNICA DE HORTALIÇAS - Capítulo 5: Manejo do Solo

Fonte: Livro da Embrapa Hortaliças – Brasília, DF. Interessados em adquirir o livro “PRODUÇÃO ORGÂNICA DE HORTALIÇAS – Coleção 500 Perguntas – 500 Respostas” devem entrar em contato através do email: vendas@sct.embrapa.br; 
Para ver o livro completo, acessar: http://mais500p500r.sct.embrapa.br/view/pdfs/90000021-ebook-pdf.pdf

     Com o objetivo de divulgar e aumentar o conhecimento sobre agricultura orgânica,  estamos transcrevendo  do livro, algumas perguntas e respostas que consideramos mais relevantes.


Capítulo 5: Manejo do Solo

Autores:  Flávia A. de Alcântara e Nuno R. Madeira.

O que é manejo do solo?
     O solo é a “pele” do Planeta Terra, pois é o resultado da ação do clima, do relevo e dos organismos sobre as rochas expostas na superfície do planeta. Essas rochas vão sofrendo transformações com o tempo (muito tempo!) e o solo vai sendo formado aos poucos. Para se ter uma ideia, são necessários cerca de 400 anos para que 1 cm de solo seja formado. O processo de formação do solo ocorre de baixo para cima, ou seja, à medida que o material de origem vai sendo desintegrado e transformado, vão sendo depositadas camadas, que também vão se transformando com o tempo e dando origem a novas camadas. Já os solos localizados na parte mais baixa dos vales, nas margens dos rios e lagos , podem ser formados pela deposição de materiais , muitas vezes já transformados, que vêm das partes mais altas.
     Na atividade agrícola, trabalha-se com uma pequena porção do solo, a mais superficial, chamada de camada arável. O solo faz parte do meio ambiente e está ligado a todos os seus outros componentes, como a água, as plantas, os animais e o homem. Dessa forma, tudo que acontece com o solo tem algum reflexo, positivo ou negativo, no ambiente do qual ele faz parte.

O que é manejo do solo?
     Manejo do solo é o conjunto de todas as práticas aplicadas a determinado solo visando à produção agrícola. Inclui operações de cultivo, práticas culturais, práticas de correção e fertilização, entre outras. É a forma de cultivar e tratar o solo.

Como é feito o manejo do solo nos sistemas orgânicos de produção de hortaliças?
     De forma geral, práticas tradicionais de conservação do solo, como o plantio em curva de nível, a formação de faixas de retenção e cordões, são utilizadas também na agricultura orgânica. No entanto, a agricultura orgânica vê o solo como o centro de todo o processo produtivo, valorizando-o como recurso-chave. Por isso, o manejo orgânico prioriza práticas que proporcionem a manutenção e a melhoria da qualidade do solo, por meio do revolvimento mínimo e do aumento dos teores de matéria orgânica e da atividade biológica. Desse modo, o manejo orgânico recomenda a manutenção de cobertura vegetal sobre o solo, a adubação verde, o cultivo mínimo, o plantio direto, entre outras práticas conservacionistas. Além disso, o manejo do solo no sistema orgânico prioriza as fontes orgânicas de nutrientes e não utiliza fertilizantes químicos de alta solubilidade. Para finalizar, é uma forma de manejar o solo “pensando em longo prazo”, ou seja, objetivando a construção da qualidade do solo com o tempo.

Quais as principais diferenças entre o manejo do solo na produção orgânica de hortaliças e na convencional?
     No caso específico da produção de hortaliças, o manejo do solo costuma ser bastante intensivo no sistema convencional. Muitas vezes são utilizadas quantidades excessivas de fertilizantes, o que pode causar desequilíbrios químicos no solo e nutricionais na cultura. Além disso, as glebas são, em geral, utilizadas continuamente, ciclo após ciclo, e, em alguns casos, com revolvimento excessivo da camada arável.
     O sistema orgânico de produção de hortaliças, por sua vez, prioriza a adição e a manutenção da matéria orgânica, a cobertura do solo e o revolvimento mínimo. Mas a preocupação com a conservação do solo está crescendo na produção convencional e, por isso, a utilização de práticas conservacionistas, como a adubação verde e a cobertura vegetal, está ganhando cada vez mais espaço também no cultivo convencional.

O que é matéria orgânica do solo?
     De maneira bem simples e direta, pode-se dizer que a matéria orgânica é a parte do solo que já foi ou ainda é viva. A matéria orgânica é a parte do solo que já foi ou ainda é viva. A matéria orgânica é constituída de resíduos de origem vegetal ou animal como:
. Estercos.
. Restos de cultura que ficam no campo.
. Palhadas.
. Folhas, cascas e galhos de árvores.
. Raízes das plantas.
. Animais que vivem no solo, como cupins, formigas, besouros, fungos, bactérias e outros microrganismos.
     Esses componentes da matéria orgânica podem estar vivos (como os pequenos animais) ou já em decomposição (como os resíduos de plantas incorporados ao solo ou em cobertura). Como tudo que foi um dia vivo é constituído de carbono orgânico, muitas vezes encontra-se o termo “carbono orgânico” como sinônimo de matéria orgânica.
     Na realidade, o carbono é o principal constituinte da matéria orgânica, mas a ele estão ligados vários outros elementos importantes, como o nitrogênio. É a matéria orgânica que dá a cor escura aos solos e que garante que ele se mantenha “vivo”. Em solo muito claro, aparentemente sem vida, “fraco”, é bem provável que o teor de matéria orgânica seja muito baixo.

O que é decomposição e mineralização da matéria orgânica?
     A decomposição é o processo de quebra da matéria orgânica em partes menores, feita por microrganismos decompositores presentes no solo. Esses microrganismos utilizam a matéria orgânica como alimento para sua sobrevivência e, para isso, precisam quebrá-la em pequenas partes.
     A mineralização é o resultado do processo de decomposição microbiana. Durante a decomposição,  elementos químicos que antes se encontravam na forma orgânica são convertidos para a forma mineral. Os nutrientes, elementos químicos essenciais ao crescimento e desenvolvimento das culturas, só são absorvidos pelas raízes das plantas quando se encontram na forma mineral. Dos processos de decomposição e mineralização é que surgem jos principais efeitos benéficos da matéria orgânica sobre a fertilidade do solo.

Quais os benefícios da matéria orgânica para o solo?
     São vários. A matéria orgânica atua tanto na fertilidade do solo quanto em seu condicionamento físico, além de manter a vida no solo. Assim, pode-se dividir os benefícios da matéria orgânica em três categorias:
    a)    Benefícios para a fertilidade do solo (para os atributos químicos e físico-químicos do solo):
. Fornecimento de nutrientes para as cultuas (macro e micronutrientes): quando decomposta e mineralizada, a matéria orgânica torna-se fonte de nutrientes.
. Aumento da capacidade de troca de cátions (CTC) do solo: tem a capacidade de adsorver (reter) cátions (muitos nutrientes estão na forma de cátions) presentes no solo, que depois podem ser disponibilizados para as culturas.
. Aumento da superfície específica do solo: quanto maior a superfície específica, maior a capacidade de retenção de nutrientes.
. Aumento da disponibilidade de nutrientes para as culturas: por causa dos efeitos na capacidade de troca de cátions e na superfície específica.
. Complexação de substâncias tóxicas: a matéria orgânica em estágios avançados de decomposição tem a capacidade de controlar a toxidez causada por certos elementos presentes no solo em teores acima do normal e, por isso, tóxicos.
b    b)    Benefícios para o condicionamento físico do solo:
. Melhoria da estrutura do solo: tem a capacidade de agregar as partículas do solo, formando “grumos”. Esse efeito agregador desencadeia benefícios nas outras características físicas do   solo.
      . Densidade do solo: redução da densidade aparente do solo, tornando-o mais “leve” e solto.
      . Porosidade do solo: melhoria da circulação de ar e água nos poros (espaços vazios entre as partículas) do solo.
   . Capacidade de retenção e infiltração de água: aumento da capacidade de armazenamento da água do solo.
c      c)     Benefícios para a biota do solo:
. Atua como uma fonte de alimento para microrganismos decompositores, que a utilizam como substrato e são responsáveis pela decomposição e mineralização da matéria orgânica no solo.
      . Aumenta a população de minhocas, besouros, fungos, bactérias e outros organismos benéficos para a manutenção da vida no solo.

Quando é preciso adicionar ou repor matéria orgânica?
     Existe uma pequena fração da matéria orgânica, já bem decomposta, que pode durar muito tempo no solo (até mais de 1.000 anos). Isso ocorre porque os microrganismos decompõem primeiro as moléculas menores, ou seja, a parte mais fácil de ser quebrada e, nesse processo, a parte mais “ura”, mais difícil de decompor, vai “sobrando” no solo. Porém, a maior parte da matéria orgânica adicionada ao solo é decomposta de forma relativamente rápida (de alguns meses até alguns anos), principalmente em regiões onde a temperatura e a precipitação pluvial são altas. O preparo intensivo do solo por meio do revolvimento também acelera a decomposição da matéria orgânica, pois favorece a ruptura dos agregados do solo, expondo-os mais ao ataque dos microrganismos.
     É muito mais fácil e rápido “perder” matéria orgânica do que “ganhar”. Portanto, para se manter o solo produtivo ao longo do tempo é necessário que se adicione ou reponha a matéria orgânica com certa frequência. O ideal é que a cada cultivo se adicione matéria orgânica ao solo. No entanto, a frequência da adição ou da reposição depende do ciclo da cultura em questão e do sistema de cultivo. Mas, como existem várias maneiras de se manter e aumentar o teor de matéria orgânica do solo, uma delas, com certeza, será adequada para cada caso.

Quais as maneiras de se repor ou adicionar matéria orgânica ao solo?
     Uma das maneiras de se repor ou adicionar matéria orgânica ao solo é a utilização de estercos animais. Na produção de hortaliças, são utilizados estercos de aves, de bovinos, equinos e caprinos. É preciso lembrar que não se deve utilizar esterco de suínos na produção de hortaliças, pois algumas doenças que acometem os porcos podem ser transmitidas ao homem pela ingestão de alimentos contaminados.
     Os estercos animais são material orgânico de fácil decomposição e, por isso, são decompostos rapidamente, principalmente o esterco de aves. Assim, seu principal benefício é o suprimento de nutrientes ás culturas, pois, como não “duram” muito, não são bons condicionadores físicos do solo.
     Outros materiais, provenientes da própria fazenda ou de agroindústrias, também podem ser boas fontes de matéria orgânica, sendo utilizados puros ou junto com os estercos em compostagem.
     Dentre esses materiais podem-se citar alguns exemplos como:
. Palhas de milho, de aveia, arroz, feijão e café.
. Capim-gordura, capim-guiné, capim-meloso, entre outros capins.
. Serragem de madeira.
. Bagaço de cana.
. Tortas de algodão e de mamona.
     É importante ressaltar que o produto deve priorizar resíduos produzidos na propriedade ou resíduos agroindustriais da região, a fim de facilitar e baratear custos. Uma alternativa prática e eficaz para se adicionar matéria orgânica ao solo é a adubação verde que proporciona ao produtor a produção de matéria orgânica diretamente na área de cultivo.




segunda-feira, 10 de outubro de 2016

PERGUNTAS E RESPOSTAS SOBRE PRODUÇÃO ORGÂNICA DE HORTALIÇAS - Capítulo 3: Organização da Propriedade

Fonte: Livro da Embrapa Hortaliças – Brasília, DF. Interessados em adquirir o livro “PRODUÇÃO ORGÂNICA DE HORTALIÇAS – Coleção 500 Perguntas – 500 Respostas” devem entrar em contato através do email: vendas@sct.embrapa.br;
Para ver o livro completo, acessar: http://mais500p500r.sct.embrapa.br/view/pdfs/90000021-ebook-pdf.pdf
    
     Com o objetivo de divulgar e aumentar o conhecimento sobre agricultura orgânica,  estamos transcrevendo  do livro, algumas perguntas e respostas que consideramos mais relevantes.

Capítulo 3: Organização da Propriedade

Autores: Francisco Vilela Resende e Mariane Carvalho Vidal.

Por que o sistema orgânico de produção se contrapõe à monocultura?
     O uso crescente dos adubos químicos e agrotóxicos possibilitou a simplificação dos sistemas agrícolas, de forma que apenas uma cultura pudesse ser cultivada em determinada região para atender as necessidades locais ou as exigências de mercado. Esse modelo permitiu o aparecimento de pragas, doenças, plantas invasoras especializadas e uma série de outros problemas peculiares para essas culturas. A manutenção da fertilidade do solo e a sanidade dos cultivos depende de rotações de culturas, da reciclagem de biomassa e, principalmente, da diversidade biológica. Essa diversidade é o principal pilar da agricultura orgânica a contribuir para a manutenção do equilíbrio do sistema e, consequentemente, do solo e da cultura. Portanto, o equilíbrio biológico e ambiental, bem como a fertilidade do solo, não podem ser mantidos com monoculturas.
     Nos cultivos especializados, onde prevalece apenas uma cultura de interesse econômico, deve-se estabelecer algum grau de diversificação, que é conseguido com a inserção de áreas de refúgio e/ou cordões de contorno com espécies variadas, consórcios com adubos verdes e/ou plantas repelentes/atrativas e com o manejo das plantas espontâneas.

Como é feita diversificação do sistema?
     O produtor orgânico deve se preocupar prioritariamente com a diversificação da paisagem geral de sua propriedade de forma a restabelecer o equilíbrio entre todos os seres vivos da cadeia alimentar, desde microrganismos até pequenos animais, pássaros e outros predadores. A introdução de espécies vegetais com múltiplas funções no sistema produtivo é a base do estabelecimento do equilíbrio da propriedade. Nesse contexto, incluem-se espécies de interesse econômico, arbóreas, atrativas e ornamentais. Deve-se atentar também para o papel fundamental das espécies espontâneas no processo de diversificação. Dessa forma, procura-se atingir a sustentabilidade da unidade produtiva no tempo e no espaço pela incorporação de características de ecossistemas naturais, como:
- Reciclagem de nutrientes.
- Uso de fontes renováveis de energia.
- Manutenção das relações biológicas que ocorrem naturalmente.
- Uso de materiais de origem natural, evitando os oriundos de fora do sistema.
- Estabelecimento de padrões de cultivos apropriados com espécies de plantas agrícolas e animais adaptados às condições ecológicas da propriedade.
- Ênfase na conservação do solo, água, energia e recursos biológicos.

Como deve ser dividida a área de cultivo em um sistema orgânico de produção de hortaliças?
     A produção orgânica de hortaliças exige a reformulação da organização da propriedade, que diverge bastante da disposição adotada no sistema convencional. O aspecto mais importante é a subdivisão da propriedade em talhões que, preferencialmente, não ultrapassem 1.000 m2 , com elementos que promovam o condicionamento climático das culturas e a preservação da biodiversidade.
O uso intensivo das áreas associado a ciclos sucessivos de cultivo exige maior atenção dos produtores de hortaliças na construção e proteção dos talhões. O talhão possui papel fundamental na administração da propriedade e gerenciamento das atividades de produção. A disposição dos talhões e da infra-estrutura na propriedade deve reduzir as necessidades de transporte e de mão-de-obra para execução dos trabalhos, pois na produção de hortaliças há grande movimentação de mão-de-obra e insumos, o que exige eficiência no funcionamento do sistema, visando facilitar a administração e reduzir os custos da atividade.
A delimitação dos espaços físicos da horta é feita por carreadores principais e secundários. O dimensionamento dos carreadores deve ser realizado de forma a perder o mínimo possível de área produtiva. Os caminhos secundários devem apresentar dimensões de 30 cm de largura, no máximo, para permitir apenas o trânsito de pessoas e carrinhos de mão. Os carreadores principais devem ser dimensionados com 1,5 m a 2 m, permitindo a entrada de máquinas e equipamentos para transporte de insumos e escoamento da produção.

O que são cordões de contorno?
     São faixas de vegetação que circundam a propriedade, permitindo isolamento das áreas de cultivo convencional circunvizinhas, e utilizados também para divisão dos talhões de cultivo. É um componente fundamental na organização de uma propriedade orgânica voltada para a produção de hortaliças. Apresentam múltiplas finalidades como o funcionamento como barreiras fitossanitárias, dificultando a livre circulação de pragas e doenças entre propriedades vizinhas e entre os talhões de cultivo; a criação de microclimas mais propícios ao cultivo de hortaliças; a formação de áreas de refúgio e abrigo para inimigos naturais de pragas e outros pequenos animais úteis. Resumindo, a instalação dessas faixas de vegetação permite a criação de condições climáticas favoráveis à redução do estresse sofrido pelas plantas e é fundamental para o manejo fitossanitário da propriedade orgânica.

Como são formados e que espécies podem ser usadas nos cordões de contorno?
     Essas faixas podem ser formadas por uma ou várias espécies, incluindo a própria vegetação natural. Espécies que podem servir como fontes de biomassa e nutrientes, como capins, leucena, hibiscos, flor do mel (girassol mexicano), espécies fixadoras de nitrogênio, como os adubos verdes, espécies atrativas para insetos e pequenos animais, e plantas de interesse econômico, visando à complementação de renda da atividade principal também podem ser utilizadas. É importante preocupar-se com a diversidade dos cordões de contorno para garantir que se tornem abrigos de biodiversidade, procurando combinar espécies que atendam aos requisitos descritos.

Podem-se usar espécies de interesse econômico nos cordões de contorno?
     Alguns produtores orgânicos não aceitam ou não podem dispor dentro da propriedade de áreas de cultivo com espécies que não tenham interesse econômico. Dessa forma, aproveitam as áreas dos cordões para a introdução de espécies que, além de formarem cordões, possam prover-lhes algum retorno econômico e não causem prejuízos à cultura ou às culturas principais. Podem-se destacar, como exemplo, a banana, o café, o mamão, outras espécies frutíferas, plantas melíferas, condimentares, medicinais e ornamentais ou uma combinação dessas espécies.

O que são áreas de refúgio?
     São áreas de vegetação para preservação e atração de inimigos naturais de pragas e pequenos predadores que auxiliam no controle de pragas. Essas áreas servem de refúgio para diversos insetos benéficos que se alimentam de fungos ou para organismos que, sem seus inimigos naturais, poderiam aniquilar a plantação. Esses nichos são formados pelas reservas de vegetação nativa, pelas faixas de cercas vivas ou cordões de contorno que circundam as áreas de cultivos e as comunidades de plantas invasoras ou espontâneas. As áreas de refúgio garantem a preservação da fauna silvestre e a diversidade é essencial para o equilíbrio de várias espécies, contribuindo muito para o equilíbrio do sistema como um todo.

O que são áreas de pousio?
     Como o próprio nome sugere, são áreas que garantem o descanso do solo, após cultivo intensivo, para reconstituir e conservar suas propriedades químicas, físicas e biológicas. As áreas em pousio devem permanecer cobertas com alguma vegetação, que pode ser adubos verdes ou a vegetação natural da área. Essas áreas são muito importantes para garantir a manutenção da vida no solo. O agricultor deve prever esse período no planejamento da horta, pois para produção de hortaliças, que utiliza intensamente os recursos do solo, essa prática é fundamental.

Qual a importância da rotação de culturas para sistemas orgânicos de produção de hortaliças?
     Um dos aspectos mais importantes do manejo em sistemas orgânicos de produção é a exploração equilibrada do solo, por meio do emprego de práticas como a alternância de culturas e a sucessão vegetal, levando ã prática da rotação de culturas nas diversas unidades de solo de uma propriedade agrícola.
  Deve-se estabelecer uma escala de exigência em adubação e manter o terreno permanentemente coberto. Essas práticas conjugadas permitem explorar os nutrientes do solo de maneira mais racional, evitando seu esgotamento. Deve-se alternar culturas mais exigentes com culturas menos exigentes em nutrientes (rústicas), que exploram profundidades diferentes do solo pela diferença na estrutura radicular.
     Outro aspecto igualmente importante da rotação, e também do consórcio de hortaliças, é evitar a proliferação e acúmulo de doenças e pragas, que em um sistema intensivo de cultivo pode ocorrer de forma bastante acelerada. Portanto, a rotação de culturas é uma necessidade para a economia de nutrientes da horta e o controle de pragas e doenças.

Como deve ser o manejo das rotações dentro dos talhões ou das áreas de produção de hortaliças?
     A divisão dos talhões em faixas de cultivo auxilia na implantação de esquemas de rotação. Nessas faixas, alterna-se o cultivo de adubos verdes com diferentes famílias de hortaliças. Nesse esquema, é importante evitar o plantio de espécies da mesma família em sucessão ou nas faixas adjacentes. No caso das hortaliças que se adaptam melhor aos cultivos de inverno, época em que o olericultor obtém maiores rendimentos, deve-se evitar a prática de rotação com adubos verdes, permitindo que a área fique integralmente ocupada pelas culturas de interesse econômico. No verão, reserva-se uma área maior para o plantio de espécies de adubo verde que se adaptam bem ao cultivo nessa estação. Dessa frma, pratica-se a recuperação anual das áreas de produção.
Outra estratégia importante de manejo é evitar o acúmulo de inóculos de organismos patogênicos, uma vez que as sucessões provocam uma quebra do ciclo biológico desses organismos pela alternância de espécies. Exemplificando, o plantio sucessivo de espécies de solanáceas (tomate, batata, pimentão, etc.) na mesma área pode elevar a incidência de patógenos foliares e de solo nessas culturas.

Qual a regra geral para a boa rotação de culturas?
     Na rotação, o produtor pode utilizar um esquema seguindo as diferentes características de cada grupo de hortaliças: folhosas, raízes/tubérculos e flores/frutos. Como cada espécie se desenvolve de uma forma e tem um sistema radicular próprio e diferenciado, também explora o solo e retira os nutrientes de forma diferenciada. Logo após o preparo e a adubação inicial do solo, deve-se cultivar hortaliças mais exigentes, seguindo-se com espécies cada vez menos exigentes. Assim, o produtor pode planejar o plantio utilizando o esquema de alternar entre esses grupos e deixando sempre um intervalo entre um ciclo para descanso e recuperação do solo (pousio). Durante o pousio, o produtor pode explorar a utilização dos adubos verdes para recomposição e manutenção do solo.

O que é consorciação/associação de culturas?
     O sistema de consórcio caracteriza-se pelo plantio simultâneo de duas ou mais culturas na mesma área. É uma das práticas mais importantes para o cultivo de hortaliças no sistema orgânico, pois abrange aspectos tanto ambientais quanto econômicos.
     A consorciação permite otimizar a produção pelo melhor aproveitamento da área explorando a combinação de espécies eficientes na utilização dos recursos de produção como espaço, nutrientes, água e luz. O consórcio entre espécies de hortaliças está sendo adotado amplamente em áreas de cultivo orgânico em todo o país, principalmente por pequenos agricultores orgânicos que buscam nessa técnica uma forma de otimizar o aproveitamento de seus escassos recursos de produção. Assim procuram maximizar seus lucros, aproveitando melhor a área, os insumos e a mão-de-obra.

Quais as vantagens da consorciação de culturas?
     A eficiência e as  vantagens de um sistema consorciado estão na complementariedade entre as culturas envolvidas. Essa complementariedade é maior à medida que se consegue minimizar os efeitos negativos de uma cultura sobre a outra. O consórcio, além de permitir o uso mais intensivo da área de plantio, confere maior diversidade biológica e produção por unidade de área, garante renda extra ao agricultor e proporciona menor impacto ambiental em relação à monocultura. Para evitar a manutenção de áreas com plantio de espécies que não tragam retorno econômico, os produtores podem utilizar o consórcio entre a cultura de interesse comercial e outra espécie que apresente funções importantes, como atração de inimigos naturais, repelente de insetos, adubos verdes, etc. Um exemplo clássico dessa associação ocorre entre milho e mucuna. O plantio sincronizado dessas espécies permite que a floração da leguminosa coincida com a seca da planta de milho, originando uma palhada bastante rica em nutrientes que pode ser utilizada no cultivo de várias hortaliças. O olericultor obtém ainda retorno econômico com a comercialização das espigas de milho ainda verdes.

Que tipos de consórcio podem ser utilizados para hortaliças?
     Embora existam muitas possibilidades de combinação de hortaliças em consórcio, são mais comuns os consórcios em faixas e em linhas.
     No consórcio em linha, são intercaladas linhas de cultivo de uma ou mais espécies com a cultura principal. Pode-se consorciar alface e cebolinha, couve e cebola, tomate e coentro, pimentão e feijão guandu anão, tomate e crotalária, entre outras.
     No consórcio em faixas, são intercaladas faixas de cultivo de uma ou mais espécies com a cultura principal. Em alguns casos, essas faixas podem se confundir com os próprios canteiros. Pode-se agrupar as hortaliças companheiras, como cenoura e tomate, batata e repolho, tomate e cebola, cebola e pepino, alface e rúcula, abóbora e chicória, repolho e arruda, entre outras.

Qual o objetivo de se associar plantas repelentes e/ou atrativas à cultura principal no sistema orgânico?
     As plantas com sabor e cheiro forte são chamadas atrativas ou repelentes, pois possuem substâncias que afastam ou inibem a ação de insetos. O cultivo dessas plantas junto com as culturas pode proteger contra o ataque de insetos. Como qualquer estratégia de manejo agroecológico, o uso de tais plantas não deve ser feito isoladamente, e sim, em conjunto com outras técnicas de controle, sempre buscando a promoção do equilíbrio ecológico em toda a propriedade agrícola.

Quais as plantas atrativas e repelentes mais comuns e para que servem?
     As plantas atrativas e repelentes mais comuns são:
. Cravo-de-defunto (Tagetes minuta) e/ou cravorana silvestre (Tagetes sp.) – Repelente de insetos e nematóides, principalmente no florescimento. Atua tanto por ação direta contra as pragas quanto por “disfarce”das culturas por seu forte odor.
. Cinamomo (Melia azedorach L.) – Ação inseticida. Os frutos devem ser moídos e seu pó pode ser usado na conservação de grãos armazenados.
. Saboneteira (Sapindus saponaria L.) – Ação inseticida. Para se ter uma ideia de seu poder de ação, apenas seis frutos bastam para preservar 60 kg de grãos armazenados.
. Quássia ou pau-amargo (Quassia amara) – Ação inseticida, especialmente contra moscas e mosquits, pelo alto teor de substâncias amargas na casca e na madeira.
. Mucuna (Mucuna spp.) e crotalária (Crotalaria spp.) – Ação nematicida.
. Coentro (Coriandrum sativum) – Ação repelente. Tem-se observado redução significativa de frutos de tomateiro perfurados por insetos quando seu plantio é associado ao de coentro.
. Arruda (Ruta graveolens) – Ação repelente. Evita a lagarta em folhosas, como o repolho.
. Manjericão (Oncimum basilicum) – Por causa do forte odor e compostos que exala, é um repelente de insetos.
Gergelim (Sesamum indicum) – Cordões de contorno com gergelim oferecem excelente proteção contra saúvas e outras formigas cortadeiras.
. Purungo ou cabaça (Lagenaria vulgaris) – Atrativo para o besourinho ou vaquinha-verde-amarela (Diabrotica speciosa). Pode ser plantado como cerca viva ou pode-se utilizar seus frutos cortados e espalhados na lavoura.
. Tajujá (Cayaponia tayuya) – Atrativa para as vaquinhas.
     Geralmente, plantas aromáticas, medicinais e condimentares são menos atacadas por pragas, constituindo, dessa forma, uma boa opção para compor  canteiros na horta, próximo às culturas. Outros exemplos dessas plantas são artemísia, alecrim, menta, tomilho, losna , funcho, hortelã, etc.

As plantas espontâneas podem contribuir para o manejo do sistema orgânico ou devem ser sempre eliminadas?
     As plantas que crescem junto com as espécies cultivadas são consideradas invasoras ou espontâneas e não plantas daninhas. Assim, como outros vegetais, as plantas invasoras contribuem para:
. Cobertura e proteção do solo.
. Reciclagem mais eficiente de nutrientes.
. Melhoria das condições físicas do solo pelo aumento dos teores de matéria orgânica.
. Rompimento de camadas compactadas.
. Diversificação do ambiente.
     Essas espécies devem ser manejadas adequadamente para que permitam o convívio sem prejuízos para a cultura de interesse econômico. Recomenda-se a capina em faixas, de forma a evitar a presença das ervas próximo à cultura de interesse comercial, deixando-se uma estreita faixa de vegetação nas entrelinhas de plantio. Em culturas omo berinjela, jiló, abóbora, quiabo e outras, deve-se fazer apenas o coroamento das plantas e roçadas leves no restante da área.
     No caso de hortaliças de canteiro, recomenda-se capinas nos momentos críticos apenas nos leitos de semeadura, preservando-se a vegetação dos careadores ou apenas roçando-a quando estiver dificultando os tratos culturais. O controle de invasoras tem sido feito com o emprego de práticas mecânicas, como aração, gradagem, cultivos, roçadas, amontoas e capinas manuais, conforme a necessidade de redução das invasoras e, ainda, com o uso de plantas com efeitos alelopáticos, adubação verde, cobertura morta, cobertura viva, rotação e a consorciação de culturas.

Existe alguma forma de se plantar hortaliças sem canteiros, evitando o revolvimento excessivo do solo?
     Para algumas hortaliças é possível evitar o uso de canteiros fazendo o plantio em covas ou sulcos e até mesmo o plantio direto sobre palhadas. Sabe-se que nos solos tropicais e subtropicais a decomposição da matéria orgânica pode ser acelerada com o excesso de revolvimento, reduzindo seu teor. Assim, o preparo do solo deve ser evitado ou minimizado sempre que possível. Recomenda-se o uso de canteiros semidefinitivos, restringindo ao máximo a entrada de máquinas nas áreas de cultivo. Dessa forma, seguindo os princípios já mencionados da rotação de culturas, após o preparo, e da adubação inicial do solo, cultiva-se uma sucessão de hortaliças progressivamente menos exigentes em nutrientes, sem que haja necessidade de refazer os canteiros. Quando necessário, pode-se complementar a adubação inicial com aplicações em cobertura, fazendo-se apenas uma leve incorporação superficial.




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