terça-feira, 17 de março de 2015





Consórcio de Milho e Mucuna Anã Visando ao Manejo Sustentável do Solo em Área de Agricultura Urbana

Autores:

Flávia A. de Alcântara, Eng.ª Agr.ª, Drª, Embrapa Hortaliças, C. Postal 218, 70359-970, Brasília-DF. E-mail: flavia@cnph.embrapa.br
Marina Castelo Branco,  Eng.ª Agr.ª, PhD, Embrapa Hortaliças, C. Postal 218, 70359-970, Brasília-DF. E-mail:marina@cnph.embrapa.br

Paulo Eduardo de Melo,  Eng. Agr., PhD, Embrapa Hortaliças, C. Postal 218, 70359-970, Brasília-DF. E-mail: paulo@cnph.embrapa.br


Rodrigo Costa dos Santos, Estudante de Biologia, Faculdade da Terra, Brasília-DF, bolsista do CNPq.




Consórcio de milho-verde e mucuna anã aos 90 dias após o plantio do milho e 75 dias após o plantio da mucuna




Resumo

Na agricultura urbana as áreas são geralmente pequenas e exploradas intensivamente, podendo gerar exaustão do solo e abandono da atividade. A adubação verde na forma de consórcio é uma prática promissora para hortas urbanas, pois apresenta baixo custo e promove a melhoria da capacidade produtiva do solo. Este trabalho objetivou introduzi-la em uma horta comunitária urbana no município de Santo Antônio do Descoberto - GO e avaliar as condições do solo antes e depois de sua utilização. Na horta, 18 famílias cultivavam cada uma um lote de 300m2. Destas, sete adotaram o consórcio. A mucuna anã foi semeada 15 dias após o plantio do milho, nas entrelinhas. O milho foi colhido aos 90 dias. Dez dias depois a fitomassa da mucuna foi cortada e mantida sobre o solo com a palhada do milho por mais dez dias, sendo incorporada uma semana depois. Fertilidade, densidade do solo e resistência à penetração foram avaliadas em análises anteriores e posteriores (uma semana) à incorporação. A semeadura da mucuna anã aos 15 dias após o plantio do milho apresentou-se viável tecnicamente, tanto para a produção de fitomassa da leguminosa, quanto para a produtividade da cultura principal. A adição ao solo do material vegetal proveniente do consórcio reduziu a  densidade do solo na camada de 0 a 5 cm, bem como a resistência à penetração nos primeiros 20 cm. A adubação verde na forma de consórcio promoveu aumento nos teores de Ca e Mg trocáveis, na soma de bases, na CTC efetiva e nos teores de S disponível.

Termos para indexação: adubação verde, horta urbana, leguminosa.

Obs.: para ver o trabalho na íntegra, acessar o seguinte endereço: http://www.cnph.embrapa.br/organica/pdf/boletim/consorcio_milho_mucuna.pdf









Efeito do consórcio cultural no manejo cultural de insetos no tomateiro

Autores

Maria Alice de Medeiros, Entomologista, Dra. Embrapa Hortaliças, C.P. 218 – 70.351-970, Brasília/DF – Email: maria.alice@embrapa.br

Francisco Vilela Resende, Fitotecnista, Dr. Embrapa Hortaliças, C.P. 218 – 70.351-970, Brasília/DF – Email:  fresend@cnph.embrapa.br

Pedro Henrique Brum Tognil, Biologo, M.Sc. Bolsista Embrapa Hortaliças, C.P. 218 – 70351-970, Brasília/DF – Email: pedrohbtogni@yahoo.com.br

Edison Ryoiti Sujii, Entomologista, Dr. Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, C.P. 2372 – 70849-970, Brasília/DF – Email: sujii@cenargen.embrapa.br





Consórcio tomate x coentro

Resumo
O cultivo do tomateiro em todos os tipos de sistemas de produção é desafiador, considerando que a planta é severamente atacada por insetos e doenças. As cultivares atuais de tomateiro são resultantes de um intenso processo de melhoramento genético, que proporcionaram grande aumento de produtividade, mas tornaram as cultivares altamente susceptíveis às pragas. A cultura é dependente de um pacote tecnológico sujeito a intenso uso de agrotóxicos, adubos químicos e outros produtos sintéticos. Os problemas mais sérios são causados pela mosca-branca e pela traça-do-tomateiro. O controle dessas pragas por meio de aplicações freqüentes de inseticidas químicos de largo espectro, pode prejudicar espécies benéficas como polinizadores, predadores e parasitóides. O objetivo desta publicação é apresentar uma estratégia experimental de manejo ecológico de insetos que foi realizada na Embrapa Hortaliças, visando à redução dos danos causados pelas principais pragas: a traça-do-tomateiro e a mosca-branca em sistemas orgânicos de produção. A associação tomate/coentro foi introduzida após uma sucessão de cultivos de cenoura e pimentão, intercaladas com coquetéis de adubos verdes (crotalária+sorgo). O coentro foi escolhido para constituir um consórcio com o tomateiro, porque apresenta crescimento rápido e ação de atração e repelência tanto na fase vegetativa quanto reprodutiva. A floração é intensa e de fácil acesso (flores abertas), ou seja, são muito procuradas pelos inimigos naturais parasitóides e predadores) e o odor acentuado que exala também pode ter efeito sobre a colonização desses insetos. Os resultados indicaram: 1. As parcelas com consórcio tomate-coentro em sistema orgânico apresentaram redução significativa na densidade das formas jovens (ninfas) de mosca-branca. Isso significa que esse tipo de consórcio pode diminuir a densidade de futuros adultos no sistema e, consequentemente, reduzir os danos causados ao tomateiro por este inseto;  2. A abundância de inimigos naturais (predadores e parasitóides) da mosca-branca foi próxima ao dobro no sistema de produção orgânico em comparação ao sistema convencional, onde houve aplicação de inseticidas.; 3. A densidade populacional de ovos, lagartas e adultos da traça-do-tomateiro foi bem menor no consórcio tomate-coentro. O papel do coentro pode ter diversas funções, como por exemplo, pode tornar o tomate menos visível e/ou o odor pode ser repelente para a traça-do-tomateiro; 4. O consórcio tomate-coentro produziu um incremento em inimigos naturais tanto em quantidade quanto em número de espécies, especialmente aranhas, formigas e joaninhas, entre outros predadores. Os resultados permitiram concluir que o consórcio tomate-coentro é uma boa alternativa para viabilizar a produção de tomates no sistema orgânico. O coentro é importante porque ajuda a diminuir a colonização da traça-do-tomateiro, atrai inimigos naturais e apresenta características fitotécnicas adequadas como, por exemplo, cresce rapidamente e apresenta flores de fácil acesso para predadores e parasitóides.

Obs.: para ver o trabalho na íntegra, acessar o seguinte endereço: http://www.cnph.embrapa.br/organica/pdf/boletim/efeito_consorcio.pdf








Viabilidade agronômica de consórcios entre cebola e alface no sistema orgânico de produção

Autores:
Patrícia D de PaulaI; José Guilherme M GuerraII; Raul de LD RibeiroI; Marcius Nei Z CesarIII; Rejane E GuedesI; José Carlos PolidoroI
IUFRRJ, BR-465, km 07, 23890-000 Seropédica-RJ.
IIEmbrapa Agrobiologia, C. Postal 74505, 23890-000 Seropédica-RJ.
IIIIDATERRAMS, Rodovia MS 080, km 10, 79114-000, Campo Grande-MS; patdiniz2000@yahoo.com.br

RESUMO 

Foram comparados três consórcios de cebola (cv. Alfa Tropical) e alface (cv. Regina 2000), variando o intervalo de tempo entre transplantios de cada espécie para o campo. O experimento, no delineamento de blocos casualizados, constou dos tratamentos monocultivos de cebola e de alface e três consórcios entre as olerícolas, em seis repetições, mantendo-se o espaçamento da cebola e transplantando- se a alface no mesmo dia, 15 dias e 30 dias depois da cebola. A alface ocupou as entrelinhas alternadas da cebola, representando, em todos os consórcios, metade da densidade populacional do respectivo monocultivo. Com exceção do último tratamento (alface 30 dias após a cebola), os consórcios mostraram-se vantajosos em termos de elevação de renda por unidade de área cultivada. A introdução da alface não reduziu a produtividade da cebola, em bulbos de padrão comercial e o crescimento da folhosa foi comparável ao do seu monocultivo. Os índices de equivalência de área confirmaram a viabilidade do cultivo consorciado, o qual, a par do adequado desempenho agronômico, possibilita um melhor aproveitamento de insumos e serviços no manejo orgânico adotado.
Palavras-chave: Allium cepa, Lactuca sativa, agricultura orgânica.

Obs.:   Para maiores informações sobre consultoria, acessar o seguinte endereço:




Consórcio couve-coentro em cultivo orgânico e sua influência nas populações de joaninhas

Autores:
André Luis S ResendeI,*; Abraão José da S VianaII; Rafael J OliveiraII; Elen de L Aguiar-MenezesIII; Raul de LD RibeiroIV; Marta dos SF RicciIII; José Guilherme M GuerraIII

IUFRRJ, Pós-graduação em Fitotecnia, Rod. BR 465, km 07, 23890-000 Seropédica-RJ
IIUFRRJ-Instituto de Agronomia
IIIEmbrapa Agrobiologia, C. Postal 74505, 23890-000 Seropédica-RJ
IVUFRRJ-Instituto de Agronomia, Deptº Fitotecnia.

RESUMO
O consórcio de culturas é comumente praticado na produção de hortaliças devido a diversos benefícios econômicos. Em alguns casos, podem reduzir infestações de pragas por favorecer a conservação dos inimigos naturais nos agroecossistemas. Avaliou-se a viabilidade agronômica do consórcio de couve e coentro, sob manejo orgânico, com base em parâmetros fitotécnicos, além de sua influência sobre populações de joaninhas (Coleoptera: Coccinellidae), na comparação com os respectivos cultivos solteiros. O coentro, representando a cultura secundária, foi utilizado com a finalidade de fornecer recursos para as joaninhas. O estudo foi realizado em área do Sistema Integrado de Produção Agroecológica em Seropédica-RJ. O experimento consistiu dos consórcios: 1) couve consorciada com coentro, cujas quatro linhas de plantas foram colhidas na fase vegetativa (consórcio I), e 2) couve consorciada com coentro, cujas plantas das duas linhas internas (próximas à linha da couve) foram colhidas na fase vegetativa e as duas linhas externas foram cortadas após floração (consórcio II). Em ambos consórcios foram avaliados os parâmetros fitotécnicos da couve e do coentro na fase vegetativa (padrão comercial), enquanto que no consórcio II, também se avaliou as populações de joaninhas, por meio de coletas semanais de adultos, em comparação com a couve em cultivo solteiro. O delineamento experimental foi em blocos ao acaso com quatro repetições. O coentro não interferiu na produtividade da couve consorciada e sua introdução contribuiu positivamente para a abundância e diversidade de espécies de joaninhas. O índice de equivalência de área para o consórcio I, com referência aos rendimentos de biomassa aérea fresca, foi superior em 92% em relação ao cultivo solteiro. Este resultado demonstra a viabilidade do consórcio I, no manejo orgânico adotado, para plantios de outono nas condições edafoclimáticas da Baixada Fluminense.
Palavras-chave: Brassica oleracea var. acephala, Coriandrum sativum, agricultura orgânica, eficiência agronômica, controle biológico.




Para mais informações sobre consorciação de cultivos de hortaliças com outras espécies, acessar os seguintes endereços: 



Ferreira On 3/17/2015 11:50:00 AM Comentarios LEIA MAIS

sábado, 14 de fevereiro de 2015



Pesquisa revela benefícios de cobertura vegetal para plantio
Método apresenta vantagens, entre as quais a redução da erosão do solo

Fonte: Jornal da Unicamp - Campinas, 1º a 14 de dezembro de 2008 – ANO XXIII – Nº 418

Se os agricultores utilizassem o sistema de plantio direto, protegendo a superfície do solo contra o impacto direto da chuva com uma cobertura morta, teríamos uma redução de cerca de 80% na erosão, que é um dos principais processos de degradação ambiental. A estimativa é de que o Brasil perde anualmente cerca de 500 milhões de toneladas de terra pela erosão hídrica. Estes dados são apresentados pelo professor Zigomar Menezes de Souza, da Faculdade de Engenharia Agrícola (Feagri) da Unicamp, que acaba de orientar pesquisa de mestrado envolvendo a aplicação de cobertura de resíduos de milho em cultura de feijão irrigado.
“Por meio do arraste das partículas do solo, há o transporte de nutrientes, matéria orgânica, água, sementes, fertilizantes e outros compostos, causando queda na produtividade das culturas e reduzindo a capacidade de armazenamento dos reservatórios de água, em conseqüência da sedimentação e assoreando de córregos. Além de proteger o solo, a cobertura vegetal induz a um maior armazenamento de água e melhoria dos atributos físicos, químicos e biológicos do solo”, explica o docente.



 Segundo Zigomar de Souza, o sistema de plantio direto segue três princípios básicos: manter o solo sempre coberto por resíduos vegetais, não mais revolver o solo (apenas nos sulcos de semeadura) e empregar herbicidas para o controle de plantas daninhas. “Nossa pesquisa focou somente uma das etapas do sistema de plantio direto, avaliando aplicação de resíduos de milho como cobertura do solo. Um dos motivos porque o sistema não é mais praticado no Estado de São Paulo é que ainda não temos uma planta de cobertura adaptada para a região”.
O professor esclarece que as condições climáticas do Sudeste são bem diferentes, por exemplo, do que as do Sul, onde a técnica de plantio direto está disseminada por quase toda a região e já existem várias plantas de cobertura adaptadas. “Aqui temos mais chuva e mais calor, que aceleram a degradação da cobertura residual para proteção da superfície do solo. Optamos por testar o milho por que seu cultivo é bem difundido no Estado de São Paulo e os resíduos estão disponíveis ao agricultor”. 

A pesquisa
Para sua dissertação, a mestranda Carolina Maria Sánchez Sáenz cultivou feijão irrigado no campo experimental da Feagri, organizando tratamentos com diferentes quantidades de cobertura (equivalentes a zero, 4, 6 e 10 toneladas por hectare). Um dos objetivos foi monitorar a decomposição dos resíduos de milho, os teores de matéria orgânica e de água, e a temperatura do solo ao longo do ciclo da cultura. A pesquisadora também avaliou atributos físico-hídricos do solo, como densidade, porosidade e retenção de água, além do nível de produção de feijão.
Carolina Sáenz constatou que nos tratamentos com cobertura vegetal, independentemente das quantidades, houve maior manutenção do teor de água no solo, em comparação com o tratamento onde a superfície foi deixada descoberta (tratamento testemunha). Entretanto, com a dose maior de cobertura (10 toneladas), registrou-se menor resistência do solo à penetração das raízes, teor de água mais elevado e melhor equilíbrio da temperatura ao longo do ciclo da cultura.
A taxa de decomposição dos resíduos foi semelhante em todos os tratamentos estudados, mantendo-se baixa e garantindo boa cobertura até a época da colheita, sem sofrer influência da aplicação de nitrogênio – um adubo essencial em qualquer cultura, mas que poderia acelerar a degradação da palha. A utilização de maiores quantidades de adubo nitrogenado e de resíduos de milho proporcionou um aumento na produção de feijão. Outra constatação foi a elevação do teor de matéria orgânica nos primeiros 2/3 do ciclo da cultura.
Na opinião de Zigomar de Souza, a pesquisa de Carolina Sáenz, além de comprovar as vantagens desta técnica de plantio, mostrou que as dosagens de resíduos de milhos não implicam em diferenças importantes em relação aos atributos físico-hídricos do solo. “Podemos dizer que, a partir de quatro toneladas por hectare, a cobertura vegetal já estará proporcionando benefícios ao agricultor. Estes resultados podem ser transportados para todas as regiões do Estado de São Paulo, já que o clima é praticamente homogêneo e a cultura do milho é praticada em todo o território”.
 





 Prós e contras
O professor da Feagri deixa claro que o maior benefício do sistema de plantio direto está no meio ambiente, com a redução significativa de 80% da perda de solo e de água em comparação com o sistema convencional. Contudo, a literatura também registra vantagens em relação às culturas, como maior produtividade em anos de estiagem e necessidade de menor volume de chuvas para o início do plantio, com a semeadura na época adequada, devido ao solo estar sempre úmido.
O agricultor se beneficiaria ainda com o aumento da atividade biológica do solo, graças à matéria orgânica produzida pela cobertura vegetal, que também assegura condições térmicas mais adequadas. Havendo menor evaporação e maior armazenamento de água no solo, a germinação e a emergência das plantas ocorrem de modo mais uniforme. “No aspecto econômico, temos uma diminuição de 70% no consumo de diesel, já que o trator não é tão utilizado”.
Zigomar de Souza ressalva, porém, que o sistema de plantio direto apresenta exigências, como maior custo de implantação e necessidade de melhor gerenciamento e de mão-de-obra especializada. Outra dificuldade está no uso de herbicidas para o controle de plantas daninhas, que é mais complexo do que no sistema convencional. “Na agricultura tradicional, joga-se o corretivo na superfície e simplesmente revolve-se o solo. No plantio direto, uma aplicação como a de calcário (para corrigir a acidez do solo) é feita em cima dos resíduos, o que requer conhecimento técnico”.

Rotação
Outra grande vantagem do sistema apontada pelo docente da Feagri é a exigência de rotação de culturas, como por exemplo, alternando gramíneas e leguminosas a cada ano, eliminando o monocultivo. Entretanto, Zigomar de Souza adverte que o agricultor não deve esperar que todos os benefícios ocorram já nos primeiros anos. “A cobertura vegetal constante e os restos de culturas anteriores elevam o teor de matéria orgânica, aumentando a atividade biológica do solo. São ganhos significativos, mas que levam tempo. Já a redução da erosão diminui sensivelmente já nas culturas iniciais, o que justifica a implantação do sistema”.

 Manejo conservacionista é estudado na cana-de-açúcar
O plantio direto foi introduzido no Brasil no início da década de 1970, como um sistema conservacionista com a finalidade específica de controlar a erosão do solo. Entretanto, pesquisas realizadas a partir dos anos 80 indicaram que não se tratava apenas de um método alternativo de manejo do solo, mas de um sistema complexo e totalmente novo de produção agrícola, com alterações substanciais nos atributos químicos, físicos e biológicos do solo e com grande impacto no rendimento das culturas.
O professor Zigomar Menezes de Souza explica que o plantio direto é considerado um sistema de manejo conservacionista, pois mantém a superfície do solo coberta por resíduos vegetais. “Até cerca de 20 anos atrás, o principal sistema de manejo no Brasil era o convencional, em que se pulveriza o solo revolvendo-o com arados e grades, no intuito de facilitar o plantio e a germinação da semente. Com qualquer chuva, perde-se grande quantidade de terra. Hoje, o sistema de plantio direto está presente em todo o país, mais disseminado no Sul e se expandindo pelo Centro-Oeste”.
Embora o sistema de cultivo direto tenha como premissa a rotação de culturas, em razão das inúmeras vantagens proporcionadas ao solo e às plantas, o docente da Feagri e outros pesquisadores já realizam estudos sobre o uso do mesmo sistema na monocultura da cana-de-açúcar. “Uma vantagem neste monocultivo, cada vez mais predominante no cenário rural do Estado de São Paulo, é que a cana já possui uma vegetação densa que protege o solo. E a iminente proibição da queimada no campo já fez surgir um boom para a co-geração de energia tendo a palha como fonte”.
Zigomar de Souza informa que já teve início uma pesquisa em parceria com a Unesp (campus de Jaboticabal), cujo objetivo é sugerir a quantidade de palha de cana a ser deixada para proteger e melhorar as condições do solo, e a outra destinada às caldeiras para geração e venda de energia. “A premissa é a mesma da pesquisa com resíduos de milho, mas ao invés de depositar a cobertura, vamos retirar a palha de cana em percentagens variadas, até chegar à ideal para proteger o solo, assegurando o restante para a indústria”.














Vegetação no solo

Fonte:  Site “Ache Tudo e Região”

http://www.achetudoeregiao.com.br/animais/vegetacao_no_solo.htm

O regime de chuvas, o relevo com encostas íngremes e o manto de intemperismo bem desenvolvido são os ingredientes para a ocorrência de erosão pronunciada e movimentos de massa de diversos tipos. Antes da ocupação humana isto não vinha acontecendo porque na evolução natural da paisagem a vegetação vinha atuando como um importante elemento estabilizador da paisagem.

A água é o principal fator de desestabilização de uma encosta e é por isto que no verão aumentam os acidentes ligados aos movimentos de massa. A água ao se infiltrar aumenta seu peso de uma forma proporcional ao grau de saturação e à porosidade do solo. Para se ter uma ideia, tomemos um solo com porosidade igual a 20%. Se estiver totalmente saturado seu peso estará aumentado em cerca de 9%. A água infiltrada desenvolve forças que rompem a coesão do solo; dissolve sais cimentantes, cria pressões internas, diminui a força de atrito entre as superfícies dos grãos, como diminui também o atrito entre o manto de intemperismo e o substrato rochoso.

 A cobertura vegetal aumenta a infiltração da água no solo, principalmente quando se tem chuva fina e prolongada. Apesar disto a cobertura vegetal apresenta qualidades de contenção e proteção que compensam o efeitos negativos provocados pelo aumento de peso e maior infiltração.

a) A cobertura vegetal protege a parte superficial do solo do impacto direto das gotas de chuva.

b) A vegetação atua na melhor distribuição da água pela superfície, não permitindo que as partículas argilosas colmatem os poros do solo, mantendo sua aeração.

c) A presença de húmus, bem como a sombra proporcionada pelas plantas, mantém a umidade do solo, evitando seu ressecamento e gretamento. Um solo gretado é mais facilmente ravinado pelas chuvas.

d) A cobertura vegetal atua na contenção mecânica do solo, devido ao extenso sistema radicular das plantas, principalmente as de grande porte. Este sistema radicular se constitui numa verdadeira rede viva, que une os grãos entre si e mantém a coesão do solo.

Obs.: Não confundir sistema radicular com raízes, que no senso comum são somente aquelas partes do sistema radicular de maior diâmetro e facilmente visíveis.

Um solo sem cobertura vegetal ou com cobertura vegetal insuficiente, estará submetido à erosão. A chuva ao cair iniciará um processo de erosão laminar. Com o passar do tempo pequenas ravinas vão se formando e a camada superficial do solo será perdida. Esta camada é importante porque tem propriedades mecânicas diferentes das camadas subjacentes ( é mais coesiva). Quando se inicia a formação de pequenas ravinas a água começa a se concentrar em filetes cada vez mais volumosos aumentando em muito sua capacidade de transportar as partículas do solo. Neste estágio o solo passa a ser agressivamente erodido por qualquer chuvinha.


A destruição da vegetação pode se dar através da remoção direta pelo homem (capina ou aração), remoção pela pecuária intensiva (muito animal para pouco pasto), remoção pelo fogo.

Os animais de grande porte além de removerem a vegetação criam com suas patas sulcos no terreno, que aceleram o processo erosivo A pastagem intensiva não permite que o solo recupere sua cobertura vegetal, empobrecendo-o em matéria orgânica e nutrientes minerais. Um pasto com uso intensivo pode ser reconhecido facilmente porque entre a vegetação rasteira pode-se ver partes avermelhadas do solo aparecendo.





Ferreira On 2/14/2015 11:10:00 AM Comentarios LEIA MAIS

terça-feira, 17 de março de 2015

Consorciação entre os cultivos no sistema orgânico de produção de hortaliças





Consórcio de Milho e Mucuna Anã Visando ao Manejo Sustentável do Solo em Área de Agricultura Urbana

Autores:

Flávia A. de Alcântara, Eng.ª Agr.ª, Drª, Embrapa Hortaliças, C. Postal 218, 70359-970, Brasília-DF. E-mail: flavia@cnph.embrapa.br
Marina Castelo Branco,  Eng.ª Agr.ª, PhD, Embrapa Hortaliças, C. Postal 218, 70359-970, Brasília-DF. E-mail:marina@cnph.embrapa.br

Paulo Eduardo de Melo,  Eng. Agr., PhD, Embrapa Hortaliças, C. Postal 218, 70359-970, Brasília-DF. E-mail: paulo@cnph.embrapa.br


Rodrigo Costa dos Santos, Estudante de Biologia, Faculdade da Terra, Brasília-DF, bolsista do CNPq.




Consórcio de milho-verde e mucuna anã aos 90 dias após o plantio do milho e 75 dias após o plantio da mucuna




Resumo

Na agricultura urbana as áreas são geralmente pequenas e exploradas intensivamente, podendo gerar exaustão do solo e abandono da atividade. A adubação verde na forma de consórcio é uma prática promissora para hortas urbanas, pois apresenta baixo custo e promove a melhoria da capacidade produtiva do solo. Este trabalho objetivou introduzi-la em uma horta comunitária urbana no município de Santo Antônio do Descoberto - GO e avaliar as condições do solo antes e depois de sua utilização. Na horta, 18 famílias cultivavam cada uma um lote de 300m2. Destas, sete adotaram o consórcio. A mucuna anã foi semeada 15 dias após o plantio do milho, nas entrelinhas. O milho foi colhido aos 90 dias. Dez dias depois a fitomassa da mucuna foi cortada e mantida sobre o solo com a palhada do milho por mais dez dias, sendo incorporada uma semana depois. Fertilidade, densidade do solo e resistência à penetração foram avaliadas em análises anteriores e posteriores (uma semana) à incorporação. A semeadura da mucuna anã aos 15 dias após o plantio do milho apresentou-se viável tecnicamente, tanto para a produção de fitomassa da leguminosa, quanto para a produtividade da cultura principal. A adição ao solo do material vegetal proveniente do consórcio reduziu a  densidade do solo na camada de 0 a 5 cm, bem como a resistência à penetração nos primeiros 20 cm. A adubação verde na forma de consórcio promoveu aumento nos teores de Ca e Mg trocáveis, na soma de bases, na CTC efetiva e nos teores de S disponível.

Termos para indexação: adubação verde, horta urbana, leguminosa.

Obs.: para ver o trabalho na íntegra, acessar o seguinte endereço: http://www.cnph.embrapa.br/organica/pdf/boletim/consorcio_milho_mucuna.pdf









Efeito do consórcio cultural no manejo cultural de insetos no tomateiro

Autores

Maria Alice de Medeiros, Entomologista, Dra. Embrapa Hortaliças, C.P. 218 – 70.351-970, Brasília/DF – Email: maria.alice@embrapa.br

Francisco Vilela Resende, Fitotecnista, Dr. Embrapa Hortaliças, C.P. 218 – 70.351-970, Brasília/DF – Email:  fresend@cnph.embrapa.br

Pedro Henrique Brum Tognil, Biologo, M.Sc. Bolsista Embrapa Hortaliças, C.P. 218 – 70351-970, Brasília/DF – Email: pedrohbtogni@yahoo.com.br

Edison Ryoiti Sujii, Entomologista, Dr. Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, C.P. 2372 – 70849-970, Brasília/DF – Email: sujii@cenargen.embrapa.br





Consórcio tomate x coentro

Resumo
O cultivo do tomateiro em todos os tipos de sistemas de produção é desafiador, considerando que a planta é severamente atacada por insetos e doenças. As cultivares atuais de tomateiro são resultantes de um intenso processo de melhoramento genético, que proporcionaram grande aumento de produtividade, mas tornaram as cultivares altamente susceptíveis às pragas. A cultura é dependente de um pacote tecnológico sujeito a intenso uso de agrotóxicos, adubos químicos e outros produtos sintéticos. Os problemas mais sérios são causados pela mosca-branca e pela traça-do-tomateiro. O controle dessas pragas por meio de aplicações freqüentes de inseticidas químicos de largo espectro, pode prejudicar espécies benéficas como polinizadores, predadores e parasitóides. O objetivo desta publicação é apresentar uma estratégia experimental de manejo ecológico de insetos que foi realizada na Embrapa Hortaliças, visando à redução dos danos causados pelas principais pragas: a traça-do-tomateiro e a mosca-branca em sistemas orgânicos de produção. A associação tomate/coentro foi introduzida após uma sucessão de cultivos de cenoura e pimentão, intercaladas com coquetéis de adubos verdes (crotalária+sorgo). O coentro foi escolhido para constituir um consórcio com o tomateiro, porque apresenta crescimento rápido e ação de atração e repelência tanto na fase vegetativa quanto reprodutiva. A floração é intensa e de fácil acesso (flores abertas), ou seja, são muito procuradas pelos inimigos naturais parasitóides e predadores) e o odor acentuado que exala também pode ter efeito sobre a colonização desses insetos. Os resultados indicaram: 1. As parcelas com consórcio tomate-coentro em sistema orgânico apresentaram redução significativa na densidade das formas jovens (ninfas) de mosca-branca. Isso significa que esse tipo de consórcio pode diminuir a densidade de futuros adultos no sistema e, consequentemente, reduzir os danos causados ao tomateiro por este inseto;  2. A abundância de inimigos naturais (predadores e parasitóides) da mosca-branca foi próxima ao dobro no sistema de produção orgânico em comparação ao sistema convencional, onde houve aplicação de inseticidas.; 3. A densidade populacional de ovos, lagartas e adultos da traça-do-tomateiro foi bem menor no consórcio tomate-coentro. O papel do coentro pode ter diversas funções, como por exemplo, pode tornar o tomate menos visível e/ou o odor pode ser repelente para a traça-do-tomateiro; 4. O consórcio tomate-coentro produziu um incremento em inimigos naturais tanto em quantidade quanto em número de espécies, especialmente aranhas, formigas e joaninhas, entre outros predadores. Os resultados permitiram concluir que o consórcio tomate-coentro é uma boa alternativa para viabilizar a produção de tomates no sistema orgânico. O coentro é importante porque ajuda a diminuir a colonização da traça-do-tomateiro, atrai inimigos naturais e apresenta características fitotécnicas adequadas como, por exemplo, cresce rapidamente e apresenta flores de fácil acesso para predadores e parasitóides.

Obs.: para ver o trabalho na íntegra, acessar o seguinte endereço: http://www.cnph.embrapa.br/organica/pdf/boletim/efeito_consorcio.pdf








Viabilidade agronômica de consórcios entre cebola e alface no sistema orgânico de produção

Autores:
Patrícia D de PaulaI; José Guilherme M GuerraII; Raul de LD RibeiroI; Marcius Nei Z CesarIII; Rejane E GuedesI; José Carlos PolidoroI
IUFRRJ, BR-465, km 07, 23890-000 Seropédica-RJ.
IIEmbrapa Agrobiologia, C. Postal 74505, 23890-000 Seropédica-RJ.
IIIIDATERRAMS, Rodovia MS 080, km 10, 79114-000, Campo Grande-MS; patdiniz2000@yahoo.com.br

RESUMO 

Foram comparados três consórcios de cebola (cv. Alfa Tropical) e alface (cv. Regina 2000), variando o intervalo de tempo entre transplantios de cada espécie para o campo. O experimento, no delineamento de blocos casualizados, constou dos tratamentos monocultivos de cebola e de alface e três consórcios entre as olerícolas, em seis repetições, mantendo-se o espaçamento da cebola e transplantando- se a alface no mesmo dia, 15 dias e 30 dias depois da cebola. A alface ocupou as entrelinhas alternadas da cebola, representando, em todos os consórcios, metade da densidade populacional do respectivo monocultivo. Com exceção do último tratamento (alface 30 dias após a cebola), os consórcios mostraram-se vantajosos em termos de elevação de renda por unidade de área cultivada. A introdução da alface não reduziu a produtividade da cebola, em bulbos de padrão comercial e o crescimento da folhosa foi comparável ao do seu monocultivo. Os índices de equivalência de área confirmaram a viabilidade do cultivo consorciado, o qual, a par do adequado desempenho agronômico, possibilita um melhor aproveitamento de insumos e serviços no manejo orgânico adotado.
Palavras-chave: Allium cepa, Lactuca sativa, agricultura orgânica.

Obs.:   Para maiores informações sobre consultoria, acessar o seguinte endereço:




Consórcio couve-coentro em cultivo orgânico e sua influência nas populações de joaninhas

Autores:
André Luis S ResendeI,*; Abraão José da S VianaII; Rafael J OliveiraII; Elen de L Aguiar-MenezesIII; Raul de LD RibeiroIV; Marta dos SF RicciIII; José Guilherme M GuerraIII

IUFRRJ, Pós-graduação em Fitotecnia, Rod. BR 465, km 07, 23890-000 Seropédica-RJ
IIUFRRJ-Instituto de Agronomia
IIIEmbrapa Agrobiologia, C. Postal 74505, 23890-000 Seropédica-RJ
IVUFRRJ-Instituto de Agronomia, Deptº Fitotecnia.

RESUMO
O consórcio de culturas é comumente praticado na produção de hortaliças devido a diversos benefícios econômicos. Em alguns casos, podem reduzir infestações de pragas por favorecer a conservação dos inimigos naturais nos agroecossistemas. Avaliou-se a viabilidade agronômica do consórcio de couve e coentro, sob manejo orgânico, com base em parâmetros fitotécnicos, além de sua influência sobre populações de joaninhas (Coleoptera: Coccinellidae), na comparação com os respectivos cultivos solteiros. O coentro, representando a cultura secundária, foi utilizado com a finalidade de fornecer recursos para as joaninhas. O estudo foi realizado em área do Sistema Integrado de Produção Agroecológica em Seropédica-RJ. O experimento consistiu dos consórcios: 1) couve consorciada com coentro, cujas quatro linhas de plantas foram colhidas na fase vegetativa (consórcio I), e 2) couve consorciada com coentro, cujas plantas das duas linhas internas (próximas à linha da couve) foram colhidas na fase vegetativa e as duas linhas externas foram cortadas após floração (consórcio II). Em ambos consórcios foram avaliados os parâmetros fitotécnicos da couve e do coentro na fase vegetativa (padrão comercial), enquanto que no consórcio II, também se avaliou as populações de joaninhas, por meio de coletas semanais de adultos, em comparação com a couve em cultivo solteiro. O delineamento experimental foi em blocos ao acaso com quatro repetições. O coentro não interferiu na produtividade da couve consorciada e sua introdução contribuiu positivamente para a abundância e diversidade de espécies de joaninhas. O índice de equivalência de área para o consórcio I, com referência aos rendimentos de biomassa aérea fresca, foi superior em 92% em relação ao cultivo solteiro. Este resultado demonstra a viabilidade do consórcio I, no manejo orgânico adotado, para plantios de outono nas condições edafoclimáticas da Baixada Fluminense.
Palavras-chave: Brassica oleracea var. acephala, Coriandrum sativum, agricultura orgânica, eficiência agronômica, controle biológico.




Para mais informações sobre consorciação de cultivos de hortaliças com outras espécies, acessar os seguintes endereços: 



sábado, 14 de fevereiro de 2015

A COBERTURA DO SOLO É MUITO IMPORTANTE PARA AS PLANTAS CULTIVADAS, ESPECIALMENTE NO VERÀO Parte III (final)



Pesquisa revela benefícios de cobertura vegetal para plantio
Método apresenta vantagens, entre as quais a redução da erosão do solo

Fonte: Jornal da Unicamp - Campinas, 1º a 14 de dezembro de 2008 – ANO XXIII – Nº 418

Se os agricultores utilizassem o sistema de plantio direto, protegendo a superfície do solo contra o impacto direto da chuva com uma cobertura morta, teríamos uma redução de cerca de 80% na erosão, que é um dos principais processos de degradação ambiental. A estimativa é de que o Brasil perde anualmente cerca de 500 milhões de toneladas de terra pela erosão hídrica. Estes dados são apresentados pelo professor Zigomar Menezes de Souza, da Faculdade de Engenharia Agrícola (Feagri) da Unicamp, que acaba de orientar pesquisa de mestrado envolvendo a aplicação de cobertura de resíduos de milho em cultura de feijão irrigado.
“Por meio do arraste das partículas do solo, há o transporte de nutrientes, matéria orgânica, água, sementes, fertilizantes e outros compostos, causando queda na produtividade das culturas e reduzindo a capacidade de armazenamento dos reservatórios de água, em conseqüência da sedimentação e assoreando de córregos. Além de proteger o solo, a cobertura vegetal induz a um maior armazenamento de água e melhoria dos atributos físicos, químicos e biológicos do solo”, explica o docente.



 Segundo Zigomar de Souza, o sistema de plantio direto segue três princípios básicos: manter o solo sempre coberto por resíduos vegetais, não mais revolver o solo (apenas nos sulcos de semeadura) e empregar herbicidas para o controle de plantas daninhas. “Nossa pesquisa focou somente uma das etapas do sistema de plantio direto, avaliando aplicação de resíduos de milho como cobertura do solo. Um dos motivos porque o sistema não é mais praticado no Estado de São Paulo é que ainda não temos uma planta de cobertura adaptada para a região”.
O professor esclarece que as condições climáticas do Sudeste são bem diferentes, por exemplo, do que as do Sul, onde a técnica de plantio direto está disseminada por quase toda a região e já existem várias plantas de cobertura adaptadas. “Aqui temos mais chuva e mais calor, que aceleram a degradação da cobertura residual para proteção da superfície do solo. Optamos por testar o milho por que seu cultivo é bem difundido no Estado de São Paulo e os resíduos estão disponíveis ao agricultor”. 

A pesquisa
Para sua dissertação, a mestranda Carolina Maria Sánchez Sáenz cultivou feijão irrigado no campo experimental da Feagri, organizando tratamentos com diferentes quantidades de cobertura (equivalentes a zero, 4, 6 e 10 toneladas por hectare). Um dos objetivos foi monitorar a decomposição dos resíduos de milho, os teores de matéria orgânica e de água, e a temperatura do solo ao longo do ciclo da cultura. A pesquisadora também avaliou atributos físico-hídricos do solo, como densidade, porosidade e retenção de água, além do nível de produção de feijão.
Carolina Sáenz constatou que nos tratamentos com cobertura vegetal, independentemente das quantidades, houve maior manutenção do teor de água no solo, em comparação com o tratamento onde a superfície foi deixada descoberta (tratamento testemunha). Entretanto, com a dose maior de cobertura (10 toneladas), registrou-se menor resistência do solo à penetração das raízes, teor de água mais elevado e melhor equilíbrio da temperatura ao longo do ciclo da cultura.
A taxa de decomposição dos resíduos foi semelhante em todos os tratamentos estudados, mantendo-se baixa e garantindo boa cobertura até a época da colheita, sem sofrer influência da aplicação de nitrogênio – um adubo essencial em qualquer cultura, mas que poderia acelerar a degradação da palha. A utilização de maiores quantidades de adubo nitrogenado e de resíduos de milho proporcionou um aumento na produção de feijão. Outra constatação foi a elevação do teor de matéria orgânica nos primeiros 2/3 do ciclo da cultura.
Na opinião de Zigomar de Souza, a pesquisa de Carolina Sáenz, além de comprovar as vantagens desta técnica de plantio, mostrou que as dosagens de resíduos de milhos não implicam em diferenças importantes em relação aos atributos físico-hídricos do solo. “Podemos dizer que, a partir de quatro toneladas por hectare, a cobertura vegetal já estará proporcionando benefícios ao agricultor. Estes resultados podem ser transportados para todas as regiões do Estado de São Paulo, já que o clima é praticamente homogêneo e a cultura do milho é praticada em todo o território”.
 





 Prós e contras
O professor da Feagri deixa claro que o maior benefício do sistema de plantio direto está no meio ambiente, com a redução significativa de 80% da perda de solo e de água em comparação com o sistema convencional. Contudo, a literatura também registra vantagens em relação às culturas, como maior produtividade em anos de estiagem e necessidade de menor volume de chuvas para o início do plantio, com a semeadura na época adequada, devido ao solo estar sempre úmido.
O agricultor se beneficiaria ainda com o aumento da atividade biológica do solo, graças à matéria orgânica produzida pela cobertura vegetal, que também assegura condições térmicas mais adequadas. Havendo menor evaporação e maior armazenamento de água no solo, a germinação e a emergência das plantas ocorrem de modo mais uniforme. “No aspecto econômico, temos uma diminuição de 70% no consumo de diesel, já que o trator não é tão utilizado”.
Zigomar de Souza ressalva, porém, que o sistema de plantio direto apresenta exigências, como maior custo de implantação e necessidade de melhor gerenciamento e de mão-de-obra especializada. Outra dificuldade está no uso de herbicidas para o controle de plantas daninhas, que é mais complexo do que no sistema convencional. “Na agricultura tradicional, joga-se o corretivo na superfície e simplesmente revolve-se o solo. No plantio direto, uma aplicação como a de calcário (para corrigir a acidez do solo) é feita em cima dos resíduos, o que requer conhecimento técnico”.

Rotação
Outra grande vantagem do sistema apontada pelo docente da Feagri é a exigência de rotação de culturas, como por exemplo, alternando gramíneas e leguminosas a cada ano, eliminando o monocultivo. Entretanto, Zigomar de Souza adverte que o agricultor não deve esperar que todos os benefícios ocorram já nos primeiros anos. “A cobertura vegetal constante e os restos de culturas anteriores elevam o teor de matéria orgânica, aumentando a atividade biológica do solo. São ganhos significativos, mas que levam tempo. Já a redução da erosão diminui sensivelmente já nas culturas iniciais, o que justifica a implantação do sistema”.

 Manejo conservacionista é estudado na cana-de-açúcar
O plantio direto foi introduzido no Brasil no início da década de 1970, como um sistema conservacionista com a finalidade específica de controlar a erosão do solo. Entretanto, pesquisas realizadas a partir dos anos 80 indicaram que não se tratava apenas de um método alternativo de manejo do solo, mas de um sistema complexo e totalmente novo de produção agrícola, com alterações substanciais nos atributos químicos, físicos e biológicos do solo e com grande impacto no rendimento das culturas.
O professor Zigomar Menezes de Souza explica que o plantio direto é considerado um sistema de manejo conservacionista, pois mantém a superfície do solo coberta por resíduos vegetais. “Até cerca de 20 anos atrás, o principal sistema de manejo no Brasil era o convencional, em que se pulveriza o solo revolvendo-o com arados e grades, no intuito de facilitar o plantio e a germinação da semente. Com qualquer chuva, perde-se grande quantidade de terra. Hoje, o sistema de plantio direto está presente em todo o país, mais disseminado no Sul e se expandindo pelo Centro-Oeste”.
Embora o sistema de cultivo direto tenha como premissa a rotação de culturas, em razão das inúmeras vantagens proporcionadas ao solo e às plantas, o docente da Feagri e outros pesquisadores já realizam estudos sobre o uso do mesmo sistema na monocultura da cana-de-açúcar. “Uma vantagem neste monocultivo, cada vez mais predominante no cenário rural do Estado de São Paulo, é que a cana já possui uma vegetação densa que protege o solo. E a iminente proibição da queimada no campo já fez surgir um boom para a co-geração de energia tendo a palha como fonte”.
Zigomar de Souza informa que já teve início uma pesquisa em parceria com a Unesp (campus de Jaboticabal), cujo objetivo é sugerir a quantidade de palha de cana a ser deixada para proteger e melhorar as condições do solo, e a outra destinada às caldeiras para geração e venda de energia. “A premissa é a mesma da pesquisa com resíduos de milho, mas ao invés de depositar a cobertura, vamos retirar a palha de cana em percentagens variadas, até chegar à ideal para proteger o solo, assegurando o restante para a indústria”.














Vegetação no solo

Fonte:  Site “Ache Tudo e Região”

http://www.achetudoeregiao.com.br/animais/vegetacao_no_solo.htm

O regime de chuvas, o relevo com encostas íngremes e o manto de intemperismo bem desenvolvido são os ingredientes para a ocorrência de erosão pronunciada e movimentos de massa de diversos tipos. Antes da ocupação humana isto não vinha acontecendo porque na evolução natural da paisagem a vegetação vinha atuando como um importante elemento estabilizador da paisagem.

A água é o principal fator de desestabilização de uma encosta e é por isto que no verão aumentam os acidentes ligados aos movimentos de massa. A água ao se infiltrar aumenta seu peso de uma forma proporcional ao grau de saturação e à porosidade do solo. Para se ter uma ideia, tomemos um solo com porosidade igual a 20%. Se estiver totalmente saturado seu peso estará aumentado em cerca de 9%. A água infiltrada desenvolve forças que rompem a coesão do solo; dissolve sais cimentantes, cria pressões internas, diminui a força de atrito entre as superfícies dos grãos, como diminui também o atrito entre o manto de intemperismo e o substrato rochoso.

 A cobertura vegetal aumenta a infiltração da água no solo, principalmente quando se tem chuva fina e prolongada. Apesar disto a cobertura vegetal apresenta qualidades de contenção e proteção que compensam o efeitos negativos provocados pelo aumento de peso e maior infiltração.

a) A cobertura vegetal protege a parte superficial do solo do impacto direto das gotas de chuva.

b) A vegetação atua na melhor distribuição da água pela superfície, não permitindo que as partículas argilosas colmatem os poros do solo, mantendo sua aeração.

c) A presença de húmus, bem como a sombra proporcionada pelas plantas, mantém a umidade do solo, evitando seu ressecamento e gretamento. Um solo gretado é mais facilmente ravinado pelas chuvas.

d) A cobertura vegetal atua na contenção mecânica do solo, devido ao extenso sistema radicular das plantas, principalmente as de grande porte. Este sistema radicular se constitui numa verdadeira rede viva, que une os grãos entre si e mantém a coesão do solo.

Obs.: Não confundir sistema radicular com raízes, que no senso comum são somente aquelas partes do sistema radicular de maior diâmetro e facilmente visíveis.

Um solo sem cobertura vegetal ou com cobertura vegetal insuficiente, estará submetido à erosão. A chuva ao cair iniciará um processo de erosão laminar. Com o passar do tempo pequenas ravinas vão se formando e a camada superficial do solo será perdida. Esta camada é importante porque tem propriedades mecânicas diferentes das camadas subjacentes ( é mais coesiva). Quando se inicia a formação de pequenas ravinas a água começa a se concentrar em filetes cada vez mais volumosos aumentando em muito sua capacidade de transportar as partículas do solo. Neste estágio o solo passa a ser agressivamente erodido por qualquer chuvinha.


A destruição da vegetação pode se dar através da remoção direta pelo homem (capina ou aração), remoção pela pecuária intensiva (muito animal para pouco pasto), remoção pelo fogo.

Os animais de grande porte além de removerem a vegetação criam com suas patas sulcos no terreno, que aceleram o processo erosivo A pastagem intensiva não permite que o solo recupere sua cobertura vegetal, empobrecendo-o em matéria orgânica e nutrientes minerais. Um pasto com uso intensivo pode ser reconhecido facilmente porque entre a vegetação rasteira pode-se ver partes avermelhadas do solo aparecendo.





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