sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Horta Orgânica Comunitária do bairro da Estação, em   Urussanga:                            Exemplo a ser seguido
     A horta comunitária tem uma longa história, mas agora ela surge como uma alternativa viável. Conforme a finalidade, as hortas são denominadas de doméstica ou domiciliar, escolar, comunitária ou coletiva e comercial (finalidade lucrativa). As três primeiras tem como finalidade, produzir alimentos saudáveis em quantidades suficientes para consumo próprio e, o mais importante, sem riscos ao meio ambiente. A horta comunitária contribui na ocupação benéfica de terrenos baldios, ociosos, em áreas urbanas que muitas vezes são utilizados como depósito de entulhos e lixo (focos de contaminação e transmissão de doenças). Ao proteger e conservar os terrenos e, o mais importante, produzir alimentos para inúmeras famílias, sem agredir o meio ambiente, a horta comunitária tem uma função fundamental na beleza da cidade e, o mais importante, na melhoria da qualidade de vida das pessoas envolvidas.
     Em Urussanga, graças à sensibilidade do casal Lia e Jurandir Piovezan, do bairro da Estação, temos a primeira horta comunitária (Figura 1) que servirá, com certeza, de inspiração para outras pessoas de outros bairros. A área foi cercada e construídos vários canteiros, com água disponível para irrigação e 3 composteiras, com a finalidade de transformar restos de cultivos e lixo orgânico produzido pelos participantes, em adubo orgânico. Cada família é responsável pelo cultivo das espécies que desejar no seu canteiro.



Figura 1.  Horta orgânica comunitária do bairro da Estação, em Urussanga, SC


1. OBJETIVO GERAL: Produzir, de forma solidária, alimentos frescos, saudáveis, mais nutritivos e mais baratos, promovendo o acesso e disponibilidade dos mesmos e, o mais importante, sem riscos ao meio ambiente e à saúde das pessoas.
2. OBJETIVOS ESPECÍFICOS: Aproveitamento das áreas ociosas; Fortalecer o convívio comunitário, exercitando a cooperação e o trabalho em equipe; Contribuir na complementação da alimentação e na produção de chás, a partir de plantas medicinais; Desenvolver práticas sustentáveis e hábitos alimentares saudáveis; Incentivar outros moradores do bairro e da cidade no cultivo de uma horta orgânica em suas residências; Qualidade de vida e respeito ao meio ambiente; Promoção da saúde da população como um todo, através de ações educativas, trabalhando de forma prazerosa os aspectos ambientais e sociais; Elevação da autoestima, pois com o trabalho diário dedicado na produção de seu próprio alimento, ajuda as pessoas envolvidas de todas as faixas de idade, viverem mais e melhor; A horta, quando conduzida com prazer, torna-se uma terapia eficiente para problemas como estresse, depressão e outros, resgatando deste modo a alegria de se viver e se sentir incluído na sociedade como um todo; Proporcionar salutar exercício ao ar livre, ao preparar o solo, semear, capinar, irrigar, observar o crescimento, colher e consumir hortaliças frescas, saudáveis e sem agrotóxicos, é uma  atividade importante para prevenção de doenças.

Cultive uma horta orgânica e colha saúde, qualidade de vida e paz com a natureza !



10 passos para  implantar e conduzir uma horta orgânica comunitária*

Fonte:    Adaptado da fonte

     A horta comunitária contribui na ocupação benéfica de terrenos baldios ociosos em áreas urbanas que muitas vezes são utilizados como depósito de entulhos e lixo (focos de contaminação e transmissão de doenças). Ao proteger e conservar os terrenos e, o mais importante, produzir alimentos frescos, saudáveis, mais nutritivos e, mais baratos, para inúmeras famílias, sem agredir o meio ambiente, a horta comunitária tem uma função fundamental na melhoria de qualidade de vida das pessoas, além de unir as pessoas envolvidas.  Ao iniciar uma horta, é importante visitar a horta comunitária do bairro da Estação (defronte à igreja Nossa Senhora Aparecida), em Urussanga, belo  exemplo a ser seguido. A seguir,  algumas dicas para o sucesso da horta comunitária:
1.Comece a falar sobre a horta comunitária: Antes de semear a semente ou plantar a muda, plante a ideia. Converse com pessoas de sua comunidade e fale sobre os benefícios e todas as vantagens que uma horta comunitária pode trazer para os envolvidos.

2. Encontre o espaço ideal: Em grandes cidades as áreas livres estão cada vez mais escassas. O terreno ideal deve ser plano e ensolarado e cercado, para evitar a entrada de animais domésticos. É importante que seja feito a análise do solo para conhecimento da acidez do solo e do teor de matéria orgânica de nutrientes, para posterior interpretação e recomendação do técnico do município.

3. Pesquise algum tipo de subsídio na sua região: Algumas prefeituras disponibilizam sementes, ferramentas e até instrutores para ensinarem as primeiras técnicas. Existem também ONGs e técnicos aposentados que podem ajudar às pessoas de menor conhecimento e prática.

4.  Construa canteiros individuais, que podem ser, preferencialmente, de tijolos, mas também pode ser com materiais recicláveis (garrafas pet, pneus descartados, madeira e outros): Dessa forma, cada família ou pessoa é responsável pelo cultivo das espécies que mais aprecia.

5. Inicie um sistema de compostagem, para fazer o próprio adubo orgânico no local: Um sistema simples é a composteira caseira ou minhocário. Ela pode ser feita pelos próprios participantes, aproveitando os restos de cultivos e lixo orgânico das família participantes. O adubo orgânico produzido é usado na plantação, substituindo os fertilizantes químicos. 

6. Dê liberdade aos participantes: Cada pessoa deve escolher o que plantar no seu espaço. É importante incentivar os participantes para multiplicarem suas próprias sementes e mudas e, com isso fazendo troca  uns com os outros e, dessa forma, aumentando o número de espécies (biodiversidade). Quanto maior a biodiversidade, princípio básico para produção de alimentos orgânicos, maior é o equilíbrio ecológico e,  menor os problemas com insetos-pragas. 

7. Tenha regras: O ideal é ter um planejamento. Escalas que determinam dias e horários dos responsáveis pela rega das plantas, por exemplo, é  importante, evitando-se que os canteiros recebam água de mais ou de menos. Mutirões de plantio e limpeza também são sempre bem-vindos. Uma liderança é importante para manter a horta sob controle e também para resolver atritos, receber sugestões e criar novas soluções para melhorar a qualidade da horta.

8. Convide pessoas experientes para conversar com a comunidade: Receber bons conselhos e trocar experiências é essencial para manter o grupo unido e melhorar as técnicas de plantio. Além disso, a participação de palestrantes voluntários é muito importante para compartilhar o conhecimento e  incentivar ainda mais a comunidade.

9. Torne o seu espaço atraente: Isso também inspira muito a comunidade e atrai novos participantes. Afinal, quem não gosta de estar  em um local agradável?

10. Compartilhar refeições comunitárias no jardim: Este é um jeito especial de comemorar a colheita, os árduos meses de trabalho. Além disso, é sempre gostoso dividir uma refeição com a família e os amigos.





Como tornar a Horta Comunitária Orgânica e Sustentável?
Parte I

      Atualmente a palavra “sustentabilidade” está em destaque e, tem sido cada vez mais uma preocupação mundial, felizmente. Não se trata de modismo, pois exemplos de sustentabilidade, são relatados em todos os setores de produção. Desenvolvimento sustentável tem sido definido como “modelo econômico capaz de satisfazer as necessidades das gerações atuais, levando em consideração as necessidades e interesses das futuras gerações”. É o desenvolvimento que não esgota os recursos para o futuro, conciliando crescimento econômico  e preservação da natureza.
Produção de adubo natural através do processo da compostagem: A horta para ser considerada sustentável, deve se utilizado o mínimo possível de insumos (adubos e outros produtos),  bem como a água (recurso natural escasso) para irrigação, vindos de fora. Por isso, especificamente em relação à adubação das plantas, fundamental para o sucesso da horta, deve-se produzir no local,  o composto orgânico, através da compostagem. A compostagem é um processo que resulta no composto orgânico, um adubo natural, de ótima qualidade e, o mais importante, não polui o meio ambiente, como os adubos químicos. É um processo controlado de fermentação de resíduos orgânicos para produção de adubo orgânico .Além de ser uma boa fonte de macronutrientes, possui micronutrientes essenciais para o desenvolvimento das plantas e, ainda reduz a acidez do solo, ao contrário dos adubos químicos e estercos de animais que podem salinizar  e acidificar o solo e contaminar o solo e os rios.  Além disso, devido a temperatura alta que alcança no processo da compostagem (até 65ºC), durante a fermentação, os microorganismos causadores de doenças das plantas e as sementes de plantas espontâneas (“mato”) não sobrevivem.
Como é feito o composto orgânico? Para isso, deve-se  reservar um espaço para construir, no mínimo, duas composteiras. O método mais prático e difundido, consiste em montar as pilhas alternando-se restos vegetais (folhas, capins, restos de cultivos e até as plantas espontâneas - “mato”,  bagaço de cana de açúcar, aparas de gramas) e/ou restos domésticos (restos de alimentos, com excessão de carne, borra de café e erva-mate, restos de frutas e hortaliças, casca de ovos)  com meios de fermentação (estrume fresco de animais), numa proporção aproximada de 3 a 5 partes de vegetais para 1 de esterco fresco. Quanto mais picado  os restos vegetais, tanto mais rápido é a transformação em adubo orgânico. Não havendo esterco de animais, pode-se utilizar terra para colocar após a camada de restos de vegetais e/ou domésticos.  Periodicamente, é feito o revolvimento do composto, umedecendo, quando necessário, pois os microorganismos necessitam de calor, umidade e ar para decompor e transformar o lixo orgânico em adubo natural.




Como tornar a Horta Comunitária Orgânica e Sustentável?
Parte II

Na edição anterior do jornal Vanguarda, foi comentado que para uma horta ser considerada sustentável (desenvolvimento que não esgota os recursos para o futuro, conciliando crescimento econômico  e preservação da natureza), não deve depender de insumos vindos de fora do local e, por isso, mostrou-se que os adubos orgânicos podem ser produzidos no local, através da compostagem, utilizando-se restos de  vegetais, restos de alimentos (com exceção de carne) e  estrume de animais. Nesta edição, vamos mostrar que outros insumos como sementes e mudas e preparados de plantas para o manejo de doenças e pragas, também podem ser preparados no local.
Produção de mudas e sementes próprias: Na produção de uma horta sustentável, com base agroecológica, deve-se sempre que possível, tornar-se independente de insumos externos, priorizando, quando possível o resgate das variedades crioulas e/ou multiplicando as mudas e sementes de variedades comerciais que tenham se destacado. O uso e manutenção de variedades crioulas é muito importante na sustentabilidade da horta, pois são sementes com grande variabilidade genética,  rústicas e resistentes às doenças e pragas, melhoradas ao longo do tempo e, conservadas pelos agricultores, de geração para geração. Ao serem selecionadas as sementes vão se adaptando às mudanças climáticas com o tempo e, por isso, garantem maior estabilidade ou seja, mesmo em condições desfavoráveis, ainda assim haverá alguma produção. Com a “modernização” da agricultura as variedades crioulas foram sendo substituídas por variedades industriais e, especialmente híbridos e, mais recentemente, transgênicos, causando a dependência dos agricultores, a perda da agrobiodiversidade e, o que é pior, aumentando o risco para a saúde das atuais e futuras gerações (ex.: sementes transgênicas). Como exemplos de mudas e sementes que devem serem multiplicadas, podemos destacar a produção própria de ramas (mudas) de aipim e batata-doce e de sementes de alface (variedades crioulas), tomate cereja (perinha), tomate italiano, abobrinha, moranga, pepino e milho variedade.
Preparado de plantas e uso de plantas repelentes para o manejo de pragas e doenças: Em ambientes equilibrados e saudáveis, normalmente, não ocorre pragas e doenças. No entanto, especialmente na primavera, estação do ano de fertilidade e de grande atividade na natureza, poderão ocorrer algumas pragas que causam danos nas plantas, além de favorecerem o surgimento de doenças. Considerando que a proposta da horta é de ser sustentável e que os insumos químicos (agrotóxicos) prejudicam a vida do solo e do meio ambiente, além de aumentar o custo de produção, serão utilizados produtos alternativos produzidos  na horta, a partir de preparados de plantas medicinais, sempre e somente quando necessários. Como exemplo, citamos a sálvia e o boldo (plantas medicinais plantadas na horta), ótimos repelentes da borboleta que põe os ovos nas plantas, dando origem as lagartas que atacam severamente as couves, repolho, brócolis e couve-flor. Outro produto alternativo muito eficiente para o manejo de vaquinhas, pulgões, grilos, paquinhas e outros insetos é o preparado com pimenta, especialmente as mais ardidas, como a malagueta.



Como tornar a Horta Comunitária Orgânica e Sustentável?
Parte III - final

     Nas edições anteriores do jornal Vanguarda, comentou-se que para uma horta ser considerada sustentável (desenvolvimento que não esgota os recursos para o futuro, conciliando crescimento econômico  e preservação da natureza), não deve depender de insumos vindos de fora do local e, por isso, mostrou-se que os adubos orgânicos, sementes e mudas e, preparados de plantas e plantas repelentes, visando o manejo de pragas e doenças, podem ser produzidos e cultivados no local.. Nesta edição, vamos mostrar que através da biodiversidade, ou seja, o cultivo do maior número possível de espécies na horta, poderemos ter o equilíbrio ecológico, favorecendo o abrigo, reprodução e alimentos dos inimigos naturais das pragas que atacam os cultivos. Na irrigação, através de perfuração de poços ou então, coleta da água da chuva, podemos estar poupando água, recurso cada vez mais escasso.
Biodiversidade e o manejo de pragas com o auxílio dos inimigos naturais: Um dos princípios para termos uma agricultura mais sustentável é a preservação e ampliação da biodiversidade ou diversidade biológica. Para o sucesso da agricultura orgânica deve-se procurar imitar, dentro do possível, o que ocorre numa floresta, onde todos os seres vivos estão em perfeito equilíbrio. Todas as pragas das culturas tem seus inimigos naturais que as devoram, diminuindo e até eliminando o problema. Daí a importância de diversificar os cultivos o máximo possível (rotação e consorciação de cultivos), plantio de diferentes espécies de plantas e até preservar refúgios naturais como as matas, cercas vivas e capoeiras para manter a diversidade natural da fauna (ácaros predadores, aranhas, insetos, anfíbios, répteis, aves e mamíferos. Todos fazem parte do grande conjunto natural e cada um contribui para a manutenção do equilíbrio da natureza. Como exemplo, citamos as joaninhas que comem pulgões, praga que ataca especialmente a couve, repolho, brócolis e couve-flor
Irrigação: Embora dois terços do planeta terra  seja formado por  água, apenas  0,008 % do total é potável (própria para o consumo). E, o que é pior, grande parte das fontes desta água (rios, lagos e represas) está sendo contaminada, poluída e degradada pela ação predatória do homem. Esta situação é preocupante, pois poderá faltar, num futuro próximo, água para o consumo de grande parte da população mundial. Sendo a água de qualidade, um recurso natural cada vez mais escasso e, considerando que busca-se uma horta sustentável,  a instalação de cisterna para aproveitar a água da chuva, para irrigação. O cultivo de hortaliças sem complementação de água de boa qualidade, através da irrigação, é praticamente, impossível. As hortaliças, por terem ciclo curto, sofrem mais que outras espécies com pequenos períodos de estiagem. Além disso, a maioria das hortaliças são exigentes, pois apresentam em sua composição mais de 85% de água. A qualidade da água é muito importante, pois grande parte das hortaliças são consumidas cruas.



Ferreira On 2/10/2017 01:02:00 AM Comentarios LEIA MAIS

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Fonte: Livro da Embrapa Hortaliças – Brasília, DF. Interessados em adquirir o livro “PRODUÇÃO ORGÂNICA DE HORTALIÇAS – Coleção 500 Perguntas – 500 Respostas” devem entrar em contato através do email: vendas@sct.embrapa.br; Para ver o livro completo, acessar: http://mais500p500r.sct.embrapa.br/view/pdfs/90000021-ebook-pdf.pdf

     Com o objetivo de divulgar e aumentar o conhecimento sobre agricultura orgânica,  estamos transcrevendo  do livro, algumas perguntas e respostas que consideramos mais relevantes.

Capítulo 6: Adubação Verde
Autores:  Dejair Lopes de Almeida, José Guilherme Marinho Guerra e José Antonio Azevedo Espindola

O que é adubação verde?
     Adubação verde é uma técnica de manejo agrícola que consiste no cultivo de espécies de plantas com elevado potencial de produção de massa vegetal, semeadas em rotação, sucessão ou em consórcio com culturas de interesse econômico. Essas espécies têm ciclo anual ou perene, isto é, cobrem o terreno por determinado período de tempo ou durante o ano todo. Depois de roçadas ou tombadas, podem ser incorporadas ao solo ou mantidas em cobertura sobre a superfície do solo.

Adubos verdes, plantas recicladoras e plantas condicionadoras de solo são sinônimos?
     O termo “adubos verdes” é bem antigo e seu uso se deve ao fato de que essas plantas atuam como fornecedoras de nutrientes. Mais recentemente, diferentes termos têm sido empregados para caracterizar o efeito de algumas espécies utilizadas como adubo verde e que também funcionam como condicionadoras de solo ou recicladoras de nutrientes. De forma geral, a maioria das espécies utilizadas na adubação verde atua na ciclagem de nutrientes por causa de seu sistema radicular profundo (por isso, o termo plantas recicladoras). Ao adicionarem material orgânico, atuam como condicionadoras do solo, promovendo melhorias em seus atributos químicos, físicos e biológicos e reduzindo os riscos de erosão (por isso, o termo plantas condicionadoras). 

Quais os benefícios da adubação verde para o solo? 
     As plantas usadas como adubo verde conferem benefícios às características físicas, químicas e biológicas do solo, promovendo a melhoria da fertilidade entendida de forma mais ampla. Os efeitos estão inicialmente associados à capacidade de cobertura do terreno e à adição de matéria orgânica, sendo os seguintes os principais benefícios:
• Proteção contra a erosão.
• Melhoria da estrutura, com aumento na infiltração e retenção de água no solo.
• Ciclagem de nutrientes.
• Contribuição para o equilíbrio biológico do solo, podendo favorecer a população de organismos benéficos e reduzir problemas ligados a patógenos do solo, entre outros.

Quando se utiliza adubação verde, ainda é preciso utilizar outros adubos orgânicos?
     Sim. Na maioria das vezes, a adubação verde deve ser complementada pela adubação orgânica, feita com estercos ou compostos ou com fontes de adubos minerais permitidos na agricultura orgânica, pois os adubos verdes não substituem integralmente outros tipos de adubos. A adubação verde com espécies leguminosas garante o fornecimento de um nutriente essencial, o nitrogênio oriundo do ar, ao passo que os demais elementos já se encontram no solo e são aproveitados pelo adubo verde, retornando para o solo após a operação de roçada e decomposição. A adubação verde com espécies não-leguminosas, entretanto, não garante a adição de nenhum nutriente, mas apenas o processo de aproveitamento dos nutrientes presentes no solo. É importante ter em mente que as culturas exportam nutrientes por meio dos produtos das colheitas, sendo essencial repor essa exportação por meio da adubação. Sem isso, ocorrerá um processo gradual de empobrecimento do solo.

Que características a planta precisa ter para ser utilizada como adubo verde? 
     Antes de mais nada, as espécies a serem escolhidas devem adaptar-se às condições de clima e solo do local, e ter as seguintes características:
• Rusticidade.
• Crescimento inicial rápido, de modo a cobrir o solo e dificultar o desenvolvimento de ervas espontâneas.
• Sistema radicular bem desenvolvido.
• Elevada produção de massa vegetal.
• Baixa suscetibilidade ao ataque de pragas e doenças.
     No caso do uso de leguminosas, é importante selecionar uma espécie que apresente boa capacidade de fornecimento de nitrogênio. Cabe ressaltar que a importância de cada uma dessas características depende do sistema de cultivo a ser adotado (rotação de culturas, consórcio, etc.) e da cultura de interesse econômico.

A adubação verde também minimiza o surgimento de pragas e doenças?
     Sim, pois favorece a quebra do ciclo de proliferação de pragas e doenças, principalmente quando utilizada em rotação de culturas. Por exemplo, no controle de nematóides formadores de galhas, as espécies de adubos verdes mais utilizadas em condições de clima quente são as crotalárias, as mucunas e o guandu. Nas condições de clima subtropical, são indicadas as gramíneas aveia, centeio, azevém e cevada, e as leguminosas alfafa e serradela. É importante lembrar que algumas espécies de adubo verde, como o feijãomungo, podem provocar efeito inverso, ou seja, aumentar a população de algumas espécies de nematóides no solo, devendo ser evitadas em áreas infestadas com esse patógeno.

Plantas usadas na adubação verde também podem atrair insetos polinizadores?
     Algumas espécies usadas como adubo verde têm grande produção de néctar e pólen, que podem ser aproveitados por abelhas e outros insetos polinizadores e beneficiar a produção vegetal. Dentre as espécies mais indicadas para as condições de clima quente destacam-se o girassol, o guandu e as crotalárias, ao passo que para as condições de clima subtropical recomendam-se nabo forrageiro, cornichão, alfafa, tremoço, ervilhaca e trevos.

O que diferencia as espécies da família das leguminosas das demais plantas utilizadas como adubo verde ?
     Além de apresentarem os mesmos benefícios trazidos por espécies de outras famílias botânicas utilizadas como adubo verde, as leguminosas têm massa vegetal rica em nitrogênio em decorrência de sua capacidade de fixar biologicamente esse nutriente. Após a roçagem e incorporação das leguminosas, o nitrogênio é liberado para o solo, tornando-se disponível para as culturas.

O que é fixação biológica de nitrogênio?
     A fixação biológica de nitrogênio consiste no processo pelo qual algumas bactérias do solo, conhecidas genericamente como rizóbios, se associam simbioticamente às raízes de leguminosas. As bactérias possuem a capacidade de assimilar o nitrogênio do ar, transferindo-o para a planta, ao passo que esta fornece para as bactérias substâncias químicas formadas durante o processo de fotossíntese, que servem de alimento para esses microrganismos.

Qual a importância da adubação verde com leguminosas na produção orgânica de hortaliças?
     A legislação relativa à produção orgânica de alimentos no Brasil proíbe o uso de fertilizantes nitrogenados sintéticos, como uréia e sulfato de amônio. Assim, o fornecimento de nitrogênio para as espécies cultivadas nesses sistemas de produção fica restrito ao uso de fontes orgânicas. Nessas condições, a prática da adubação verde com leguminosas é uma alternativa interessante de fornecimento de matéria orgânica e de nitrogênio para o solo, contribuindo para a sustentação dos sistemas orgânicos de produção. Isso se deve ao fato de a adubação verde com leguminosas constituir-se em recurso renovável produzido na própria unidade de produção, o que torna o agricultor mais independente em relação ao uso de insumos.

As bactérias com capacidade de assimilar nitrogênio do ar em associação com leguminosas já existem no solo ou é preciso adicioná-las às sementes de leguminosas?
     Normalmente, essas bactérias já se encontram no solo. Entretanto, é importante fazer a inoculação desses organismos nas sementes de leguminosas quando são plantadas pela primeira vez num determinado local. Os inoculantes fornecidos pelos laboratórios geralmente são específicos para cada espécie. O inoculante deve ser guardado em geladeira ou em local fresco até o momento do uso, pois o calor excessivo pode provocar a morte das bactérias antes da inoculação.

Onde é possível adquirir inoculantes para leguminosas?
     A Associação Nacional de Produtores e Importadores de Inoculantes (www.anpii.org.br) dispõe de uma relação de endereços de laboratórios que produzem esses insumos. Algumas Unidades de pesquisa da Embrapa também produzem, em menor escala, inoculantes para leguminosas. Dentre esses, podem ser mencionadas a Embrapa Agrobiologia (www.cnpab.embrapa.br) e a Embrapa Soja (www.cnpso.embrapa.br).

É possível usar soja e feijão-de-corda como adubo verde ?
     As sementes de algumas leguminosas, como a soja e o feijãode-corda, são mais facilmente encontradas do que outras espécies tradicionalmente recomendadas para adubação verde. Por causa de seu alto potencial de fixação biológica de nitrogênio e do crescimento vigoroso dessas espécies, associados à boa produção de massa vegetal em um período de tempo relativamente curto, a soja e o feijão-de-corda são boas alternativas para adubação verde, notadamente em sistemas orgânicos de cultivo. Cabe destacar que, por causa de sua alta sensibilidade ao fotoperíodo, a soja deve ser cultivada durante a estação de verão.

Como a adubação verde pode ser utilizada no cultivo de hortaliças?
     A prática da adubação verde pode ser feita em diferentes modalidades, de acordo com sua finalidade no sistema. Dentre essas, é possível destacar os manejos na forma de rotação ou de consórcio com as hortaliças. No cultivo em rotação, o adubo verde pode ser incorporado ao solo após a roçada para posterior plantio da hortaliça, ou mantido em cobertura sobre a superfície do terreno, fazendo-se o plantio direto da hortaliça na palhada. A manutenção da palhada na superfície retarda a germinação das sementes de plantas espontâneas, ao passo que a sua incorporação ao solo tende a fornecer os nutrientes mais rapidamente para a cultura em sucessão. No consórcio, o adubo verde pode ser semeado nas “ruas” ou nas próprias linhas de cultivo da hortaliça, ou formando aléias ou faixas intercalares com as hortaliças, quando as espécies de adubo verde apresentam porte arbustivo ou arbóreo.

Para que tipos de hortaliças a adubação verde é mais importante?
     Independentemente da espécie de hortaliça, a adubação verde é uma técnica que quase sempre proporciona algum tipo de benefício no manejo orgânico, seja diretamente para a cultura econômica ou, indiretamente, por meio da melhoria das condições do solo. O manejo rotacional da adubação verde é favorável para qualquer tipo de hortaliça, ao passo que no consorciado são favorecidas, principalmente, as hortaliças de frutos e as brássicas, como repolho e couve-flor.

Que hortaliças e adubos verdes podem ser consorciados?
     Em princípio, a maioria das hortaliças pode ser cultivada com adubos verdes. Para tanto, existem diferentes estratégias de consórcio que podem ser adotadas, sendo algumas já conhecidas, ao passo que outras estão sendo testadas experimentalmente. Mas todas precisam ser ajustadas na própria unidade de produção. Alguns exemplos podem ser mencionados:
• Hortaliças de frutos como tomate, quiabo, jiló, berinjela e pimentão consorciadas com espécies de hábito ereto como crotalárias, feijão-de-porco e guandu.
 • Brássicas, como repolho, couve, brócolis e couve-flor, consorciados com espécies de hábito ereto e porte baixo, como Crotalaria spectabilis, ou de porte prostrado menos agressivas como mucuna anã, ou rastejante perene como amendoim forrageiro.
• Hortaliças rizomatosas, como inhame, consorciadas com espécies de hábito ereto como crotalárias.
     Outra estratégia de adubação verde consiste no plantio do adubo verde quando o ciclo da cultura principal está se completando. Um exemplo consiste de hortaliças folhosas, como alface ou repolho, consorciadas com Crotalaria juncea semeada no terço final do ciclo dessas culturas.

No consórcio, como decidir o melhor intervalo de tempo entre o plantio da hortaliça e do adubo verde?
     A decisão depende da espécie de hortaliça em questão e da espécie de adubo verde que será utilizada. Esse aspecto é fundamental para o sucesso da técnica, quando empregada na forma de consórcio. Dependendo da combinação entre as espécies consorciadas, o adubo verde pode ser plantado antes, concomitantemente ou depois da cultura principal. A definição da época de plantio do adubo verde em relação à hortaliça depende do hábito de crescimento do adubo verde e da velocidade de crescimento de ambas as espécies.
     Por exemplo, se a hortaliça a ser consorciada apresenta porte baixo, como a couve, é desejável consorciá-la com adubos verdes de porte baixo e crescimento lento, como a mucuna anã e a Crotalaria spectabilis. Para hortaliças de porte mais alto, como o quiabo, o consórcio pode ser feito tanto com adubos verdes de porte alto e de crescimento rápido, como com os de porte baixo e crescimento lento.
     Um exemplo de leguminosa de porte alto e crescimento rápido é a Crotalaria juncea, quando cultivada no período de primavera– verão, cuja semeadura deve ser feita após a primeira capina do quiabeiro, realizando-se seu corte por ocasião do início da colheita.

No consórcio, como decidir pelo melhor espaçamento do plantio da hortaliça e do adubo verde?
     A escolha do melhor espaçamento entre as espécies consorciadas deve atenuar a competição originada pela presença do adubo verde em consórcio com a hortaliça e otimizar o benefício da adubação verde. De maneira geral, o adubo verde é semeado nas “ruas” da cultura principal, utilizando-se uma, duas ou três linhas de acordo com o espaçamento da hortaliça.
     No caso de hortaliças que proporcionam diversas colheitas, a semeadura do adubo verde pode ser realizada em “ruas” intercalares ou em todas as “ruas”, desde que o adubo verde seja roçado em uma delas quando se inicia o processo de colheita.

No consórcio, pode existir competição entre o adubo verde e a hortaliça por água, luz e nutrientes?
     Sim. Por essa razão, devem-se tomar alguns cuidados de modo a minimizar os efeitos da competição. Em relação à água, a competição não é tão marcante porque a maioria das hortaliças é cultivada em regime de irrigação.
     Caso contrário, há de se levar em consideração as condições locais, pois a falta de água em determinado período de cultivo pode restringir o bom desempenho da hortaliça, inviabilizando o manejo consorciado do adubo verde. Caso o adubo verde já tenha sido implantado e ocorra falta de água para a cultura, é aconselhável roçá-lo imediatamente, mesmo que não tenha atingido o ponto ideal de corte.
     Em relação à competição por nutrientes, especialmente o nitrogênio, quando são utilizadas espécies que não são leguminosas, a competição pode ser marcante, prejudicando o desempenho da hortaliça, podendo-se amenizar esse problema com o uso de leguminosas, pois esse grupo de plantas não depende da disponibilidade de nitrogênio do solo para alcançar bom desenvolvimento.
     No que diz respeito à competição por luz, essa pode ser minimizada por meio de estratégias de manejo mais adequadas para cada cultura, destacando-se a escolha da espécie de adubo verde com porte e hábito de crescimento compatíveis com a cultura principal, a época de plantio e o espaçamento adotados, a fim de favorecer a sincronização no crescimento do adubo verde e da hortaliça e a época de realização da roçada ou da poda, que nem sempre coincide com o momento de maior acúmulo de nutrientes no adubo verde.

O que é adubação verde em aléias ou faixas intercalares?
     Nesse sistema de manejo da adubação verde as espécies econômicas são cultivadas em aléias ou faixas entre espécies de adubo verde herbáceos, arbustivos ou arbóreos. Os adubos verdes são plantados formando faixas com uma, duas ou mais linhas, dependendo das caraterísticas da espécie, sendo variável o espaçamento entre as faixas.
     Os adubos verdes herbáceos e arbustivos podem ser roçados, ou manejados com ou sem poda, ao passo que as espécies arbóreas podem ser podadas ou não. O material vegetal proveniente da poda deve ser distribuído na área ocupada pela cultura principal.

Qual o melhor momento para podar ou roçar os adubos verdes?
     Os adubos verdes cultivados em rotação com hortaliças podem ser roçados no momento de seu máximo desenvolvimento, quando normalmente ocorre alta acumulação de nutrientes na massa vegetal. Assim, quando o objetivo da adubação verde é fornecer nutrientes para a cultura seguinte, a roçada pode ser feita na ocasião do florescimento, no caso de leguminosas, por causa das elevadas quantidades de nitrogênio que as plantas acumulam nessa fase. No caso de a espécie de adubo verde ser uma gramínea, a roçada deve ser feita na fase de grão leitoso. Quando a adubação verde é utilizada em consórcio com hortaliças, é importante que a roçada ou a poda sejam feitas no momento em que o adubo verde tenha criado condições desfavoráveis ao bom desenvolvimento da cultura econômica, em decorrência da competição por água e luz. 

Que adubos verdes podem ser utilizados para formar aléias ou faixas intercalares?
     As espécies empregadas como adubos verdes nesse sistema de cultivo devem apresentar as seguintes características:
• Fácil estabelecimento no campo.
• Crescimento rápido.
 • Tolerância ao corte.
• Alta capacidade de rebrota.
 • Alta produção de biomassa.
 • Potencial de fixação biológica do N atmosférico.
     Em condições de clima tropical, são utilizadas com maior freqüência nesse sistema de manejo as seguintes espécies:
• Capim-elefante.
• Girassol mexicano.
 • Crotalárias.
• Guandu.
• Tefrósia.
 • Leucena.
• Gliricídia.
 • Caliandra.
 • Flemíngea.
 As hortaliças, em princípio, não oferecem dificuldades quanto às espécies de adubo verde, desde que os renques obedeçam a um espaçamento e sejam manejados de forma que o adubo verde não concorra por água, nutrientes e luz com a cultura econômica.

É fácil encontrar sementes de adubos verdes no comércio?
     Sementes de alguns adubos verdes, principalmente de algumas leguminosas, não são encontradas com facilidade no comércio. Normalmente, a oferta é sazonal e, muitas vezes, a espécie que se deseja utilizar não está disponível ou tem preço elevado. Por sua vez, a grande maioria das espécies pode ser cultivada para a obtenção de sementes na própria unidade de produção, o que é desejável porque torna o agricultor independente em relação ao uso da adubação verde.

O que é “coquetel” de adubos verdes?
     O “coquetel” consiste no cultivo consorciado de diferentes espécies de adubos verdes que, de maneira geral, apresentam portes e hábitos de crescimento distintos e são cultivados em rotação com as culturas econômicas. A combinação de mais de uma espécie de adubo verde pode trazer benefícios para o cultivo orgânico de hortaliças, como:
• Exploração de camadas diferenciadas do solo pelas raízes, acarretando melhoria da estrutura do solo.
 • Acúmulo também diferenciado de nutrientes, ampliando qualitativa e quantitativamente sua oferta.
 • Velocidade distinta de decomposição dos resíduos com impacto na proteção do solo, controle de ervas espontâneas e liberação de nutrientes.
• Aumento da diversidade biológica, que acarreta impacto sobre a população de insetos benéficos pela oferta variada de abrigo, de néctar e de pólen.

Que espécies podem ser utilizadas no coquetel?
     Várias combinações podem ser feitas de acordo com a disponibilidade de sementes e as condições climáticas locais. As espécies mais difundidas nos coquetéis para as regiões de clima tropical são:
 • Milho.
 • Milheto.
• Sorgo.
• Painço.
• Feijão-de-porco.
• Feijão-bravo-do-ceará.
• Feijão-de-corda.
• Mucunas.
 • Lab-lab.
 • Calopogônio.
• Crotalárias.
• Guandu.
• Tefrósia.
 • Leucena.
 • Girassol.
• Mamona.





Ferreira On 1/10/2017 06:16:00 PM Comentarios LEIA MAIS

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Horta Orgânica Comunitária

Horta Orgânica Comunitária do bairro da Estação, em   Urussanga:                            Exemplo a ser seguido
     A horta comunitária tem uma longa história, mas agora ela surge como uma alternativa viável. Conforme a finalidade, as hortas são denominadas de doméstica ou domiciliar, escolar, comunitária ou coletiva e comercial (finalidade lucrativa). As três primeiras tem como finalidade, produzir alimentos saudáveis em quantidades suficientes para consumo próprio e, o mais importante, sem riscos ao meio ambiente. A horta comunitária contribui na ocupação benéfica de terrenos baldios, ociosos, em áreas urbanas que muitas vezes são utilizados como depósito de entulhos e lixo (focos de contaminação e transmissão de doenças). Ao proteger e conservar os terrenos e, o mais importante, produzir alimentos para inúmeras famílias, sem agredir o meio ambiente, a horta comunitária tem uma função fundamental na beleza da cidade e, o mais importante, na melhoria da qualidade de vida das pessoas envolvidas.
     Em Urussanga, graças à sensibilidade do casal Lia e Jurandir Piovezan, do bairro da Estação, temos a primeira horta comunitária (Figura 1) que servirá, com certeza, de inspiração para outras pessoas de outros bairros. A área foi cercada e construídos vários canteiros, com água disponível para irrigação e 3 composteiras, com a finalidade de transformar restos de cultivos e lixo orgânico produzido pelos participantes, em adubo orgânico. Cada família é responsável pelo cultivo das espécies que desejar no seu canteiro.



Figura 1.  Horta orgânica comunitária do bairro da Estação, em Urussanga, SC


1. OBJETIVO GERAL: Produzir, de forma solidária, alimentos frescos, saudáveis, mais nutritivos e mais baratos, promovendo o acesso e disponibilidade dos mesmos e, o mais importante, sem riscos ao meio ambiente e à saúde das pessoas.
2. OBJETIVOS ESPECÍFICOS: Aproveitamento das áreas ociosas; Fortalecer o convívio comunitário, exercitando a cooperação e o trabalho em equipe; Contribuir na complementação da alimentação e na produção de chás, a partir de plantas medicinais; Desenvolver práticas sustentáveis e hábitos alimentares saudáveis; Incentivar outros moradores do bairro e da cidade no cultivo de uma horta orgânica em suas residências; Qualidade de vida e respeito ao meio ambiente; Promoção da saúde da população como um todo, através de ações educativas, trabalhando de forma prazerosa os aspectos ambientais e sociais; Elevação da autoestima, pois com o trabalho diário dedicado na produção de seu próprio alimento, ajuda as pessoas envolvidas de todas as faixas de idade, viverem mais e melhor; A horta, quando conduzida com prazer, torna-se uma terapia eficiente para problemas como estresse, depressão e outros, resgatando deste modo a alegria de se viver e se sentir incluído na sociedade como um todo; Proporcionar salutar exercício ao ar livre, ao preparar o solo, semear, capinar, irrigar, observar o crescimento, colher e consumir hortaliças frescas, saudáveis e sem agrotóxicos, é uma  atividade importante para prevenção de doenças.

Cultive uma horta orgânica e colha saúde, qualidade de vida e paz com a natureza !



10 passos para  implantar e conduzir uma horta orgânica comunitária*

Fonte:    Adaptado da fonte

     A horta comunitária contribui na ocupação benéfica de terrenos baldios ociosos em áreas urbanas que muitas vezes são utilizados como depósito de entulhos e lixo (focos de contaminação e transmissão de doenças). Ao proteger e conservar os terrenos e, o mais importante, produzir alimentos frescos, saudáveis, mais nutritivos e, mais baratos, para inúmeras famílias, sem agredir o meio ambiente, a horta comunitária tem uma função fundamental na melhoria de qualidade de vida das pessoas, além de unir as pessoas envolvidas.  Ao iniciar uma horta, é importante visitar a horta comunitária do bairro da Estação (defronte à igreja Nossa Senhora Aparecida), em Urussanga, belo  exemplo a ser seguido. A seguir,  algumas dicas para o sucesso da horta comunitária:
1.Comece a falar sobre a horta comunitária: Antes de semear a semente ou plantar a muda, plante a ideia. Converse com pessoas de sua comunidade e fale sobre os benefícios e todas as vantagens que uma horta comunitária pode trazer para os envolvidos.

2. Encontre o espaço ideal: Em grandes cidades as áreas livres estão cada vez mais escassas. O terreno ideal deve ser plano e ensolarado e cercado, para evitar a entrada de animais domésticos. É importante que seja feito a análise do solo para conhecimento da acidez do solo e do teor de matéria orgânica de nutrientes, para posterior interpretação e recomendação do técnico do município.

3. Pesquise algum tipo de subsídio na sua região: Algumas prefeituras disponibilizam sementes, ferramentas e até instrutores para ensinarem as primeiras técnicas. Existem também ONGs e técnicos aposentados que podem ajudar às pessoas de menor conhecimento e prática.

4.  Construa canteiros individuais, que podem ser, preferencialmente, de tijolos, mas também pode ser com materiais recicláveis (garrafas pet, pneus descartados, madeira e outros): Dessa forma, cada família ou pessoa é responsável pelo cultivo das espécies que mais aprecia.

5. Inicie um sistema de compostagem, para fazer o próprio adubo orgânico no local: Um sistema simples é a composteira caseira ou minhocário. Ela pode ser feita pelos próprios participantes, aproveitando os restos de cultivos e lixo orgânico das família participantes. O adubo orgânico produzido é usado na plantação, substituindo os fertilizantes químicos. 

6. Dê liberdade aos participantes: Cada pessoa deve escolher o que plantar no seu espaço. É importante incentivar os participantes para multiplicarem suas próprias sementes e mudas e, com isso fazendo troca  uns com os outros e, dessa forma, aumentando o número de espécies (biodiversidade). Quanto maior a biodiversidade, princípio básico para produção de alimentos orgânicos, maior é o equilíbrio ecológico e,  menor os problemas com insetos-pragas. 

7. Tenha regras: O ideal é ter um planejamento. Escalas que determinam dias e horários dos responsáveis pela rega das plantas, por exemplo, é  importante, evitando-se que os canteiros recebam água de mais ou de menos. Mutirões de plantio e limpeza também são sempre bem-vindos. Uma liderança é importante para manter a horta sob controle e também para resolver atritos, receber sugestões e criar novas soluções para melhorar a qualidade da horta.

8. Convide pessoas experientes para conversar com a comunidade: Receber bons conselhos e trocar experiências é essencial para manter o grupo unido e melhorar as técnicas de plantio. Além disso, a participação de palestrantes voluntários é muito importante para compartilhar o conhecimento e  incentivar ainda mais a comunidade.

9. Torne o seu espaço atraente: Isso também inspira muito a comunidade e atrai novos participantes. Afinal, quem não gosta de estar  em um local agradável?

10. Compartilhar refeições comunitárias no jardim: Este é um jeito especial de comemorar a colheita, os árduos meses de trabalho. Além disso, é sempre gostoso dividir uma refeição com a família e os amigos.





Como tornar a Horta Comunitária Orgânica e Sustentável?
Parte I

      Atualmente a palavra “sustentabilidade” está em destaque e, tem sido cada vez mais uma preocupação mundial, felizmente. Não se trata de modismo, pois exemplos de sustentabilidade, são relatados em todos os setores de produção. Desenvolvimento sustentável tem sido definido como “modelo econômico capaz de satisfazer as necessidades das gerações atuais, levando em consideração as necessidades e interesses das futuras gerações”. É o desenvolvimento que não esgota os recursos para o futuro, conciliando crescimento econômico  e preservação da natureza.
Produção de adubo natural através do processo da compostagem: A horta para ser considerada sustentável, deve se utilizado o mínimo possível de insumos (adubos e outros produtos),  bem como a água (recurso natural escasso) para irrigação, vindos de fora. Por isso, especificamente em relação à adubação das plantas, fundamental para o sucesso da horta, deve-se produzir no local,  o composto orgânico, através da compostagem. A compostagem é um processo que resulta no composto orgânico, um adubo natural, de ótima qualidade e, o mais importante, não polui o meio ambiente, como os adubos químicos. É um processo controlado de fermentação de resíduos orgânicos para produção de adubo orgânico .Além de ser uma boa fonte de macronutrientes, possui micronutrientes essenciais para o desenvolvimento das plantas e, ainda reduz a acidez do solo, ao contrário dos adubos químicos e estercos de animais que podem salinizar  e acidificar o solo e contaminar o solo e os rios.  Além disso, devido a temperatura alta que alcança no processo da compostagem (até 65ºC), durante a fermentação, os microorganismos causadores de doenças das plantas e as sementes de plantas espontâneas (“mato”) não sobrevivem.
Como é feito o composto orgânico? Para isso, deve-se  reservar um espaço para construir, no mínimo, duas composteiras. O método mais prático e difundido, consiste em montar as pilhas alternando-se restos vegetais (folhas, capins, restos de cultivos e até as plantas espontâneas - “mato”,  bagaço de cana de açúcar, aparas de gramas) e/ou restos domésticos (restos de alimentos, com excessão de carne, borra de café e erva-mate, restos de frutas e hortaliças, casca de ovos)  com meios de fermentação (estrume fresco de animais), numa proporção aproximada de 3 a 5 partes de vegetais para 1 de esterco fresco. Quanto mais picado  os restos vegetais, tanto mais rápido é a transformação em adubo orgânico. Não havendo esterco de animais, pode-se utilizar terra para colocar após a camada de restos de vegetais e/ou domésticos.  Periodicamente, é feito o revolvimento do composto, umedecendo, quando necessário, pois os microorganismos necessitam de calor, umidade e ar para decompor e transformar o lixo orgânico em adubo natural.




Como tornar a Horta Comunitária Orgânica e Sustentável?
Parte II

Na edição anterior do jornal Vanguarda, foi comentado que para uma horta ser considerada sustentável (desenvolvimento que não esgota os recursos para o futuro, conciliando crescimento econômico  e preservação da natureza), não deve depender de insumos vindos de fora do local e, por isso, mostrou-se que os adubos orgânicos podem ser produzidos no local, através da compostagem, utilizando-se restos de  vegetais, restos de alimentos (com exceção de carne) e  estrume de animais. Nesta edição, vamos mostrar que outros insumos como sementes e mudas e preparados de plantas para o manejo de doenças e pragas, também podem ser preparados no local.
Produção de mudas e sementes próprias: Na produção de uma horta sustentável, com base agroecológica, deve-se sempre que possível, tornar-se independente de insumos externos, priorizando, quando possível o resgate das variedades crioulas e/ou multiplicando as mudas e sementes de variedades comerciais que tenham se destacado. O uso e manutenção de variedades crioulas é muito importante na sustentabilidade da horta, pois são sementes com grande variabilidade genética,  rústicas e resistentes às doenças e pragas, melhoradas ao longo do tempo e, conservadas pelos agricultores, de geração para geração. Ao serem selecionadas as sementes vão se adaptando às mudanças climáticas com o tempo e, por isso, garantem maior estabilidade ou seja, mesmo em condições desfavoráveis, ainda assim haverá alguma produção. Com a “modernização” da agricultura as variedades crioulas foram sendo substituídas por variedades industriais e, especialmente híbridos e, mais recentemente, transgênicos, causando a dependência dos agricultores, a perda da agrobiodiversidade e, o que é pior, aumentando o risco para a saúde das atuais e futuras gerações (ex.: sementes transgênicas). Como exemplos de mudas e sementes que devem serem multiplicadas, podemos destacar a produção própria de ramas (mudas) de aipim e batata-doce e de sementes de alface (variedades crioulas), tomate cereja (perinha), tomate italiano, abobrinha, moranga, pepino e milho variedade.
Preparado de plantas e uso de plantas repelentes para o manejo de pragas e doenças: Em ambientes equilibrados e saudáveis, normalmente, não ocorre pragas e doenças. No entanto, especialmente na primavera, estação do ano de fertilidade e de grande atividade na natureza, poderão ocorrer algumas pragas que causam danos nas plantas, além de favorecerem o surgimento de doenças. Considerando que a proposta da horta é de ser sustentável e que os insumos químicos (agrotóxicos) prejudicam a vida do solo e do meio ambiente, além de aumentar o custo de produção, serão utilizados produtos alternativos produzidos  na horta, a partir de preparados de plantas medicinais, sempre e somente quando necessários. Como exemplo, citamos a sálvia e o boldo (plantas medicinais plantadas na horta), ótimos repelentes da borboleta que põe os ovos nas plantas, dando origem as lagartas que atacam severamente as couves, repolho, brócolis e couve-flor. Outro produto alternativo muito eficiente para o manejo de vaquinhas, pulgões, grilos, paquinhas e outros insetos é o preparado com pimenta, especialmente as mais ardidas, como a malagueta.



Como tornar a Horta Comunitária Orgânica e Sustentável?
Parte III - final

     Nas edições anteriores do jornal Vanguarda, comentou-se que para uma horta ser considerada sustentável (desenvolvimento que não esgota os recursos para o futuro, conciliando crescimento econômico  e preservação da natureza), não deve depender de insumos vindos de fora do local e, por isso, mostrou-se que os adubos orgânicos, sementes e mudas e, preparados de plantas e plantas repelentes, visando o manejo de pragas e doenças, podem ser produzidos e cultivados no local.. Nesta edição, vamos mostrar que através da biodiversidade, ou seja, o cultivo do maior número possível de espécies na horta, poderemos ter o equilíbrio ecológico, favorecendo o abrigo, reprodução e alimentos dos inimigos naturais das pragas que atacam os cultivos. Na irrigação, através de perfuração de poços ou então, coleta da água da chuva, podemos estar poupando água, recurso cada vez mais escasso.
Biodiversidade e o manejo de pragas com o auxílio dos inimigos naturais: Um dos princípios para termos uma agricultura mais sustentável é a preservação e ampliação da biodiversidade ou diversidade biológica. Para o sucesso da agricultura orgânica deve-se procurar imitar, dentro do possível, o que ocorre numa floresta, onde todos os seres vivos estão em perfeito equilíbrio. Todas as pragas das culturas tem seus inimigos naturais que as devoram, diminuindo e até eliminando o problema. Daí a importância de diversificar os cultivos o máximo possível (rotação e consorciação de cultivos), plantio de diferentes espécies de plantas e até preservar refúgios naturais como as matas, cercas vivas e capoeiras para manter a diversidade natural da fauna (ácaros predadores, aranhas, insetos, anfíbios, répteis, aves e mamíferos. Todos fazem parte do grande conjunto natural e cada um contribui para a manutenção do equilíbrio da natureza. Como exemplo, citamos as joaninhas que comem pulgões, praga que ataca especialmente a couve, repolho, brócolis e couve-flor
Irrigação: Embora dois terços do planeta terra  seja formado por  água, apenas  0,008 % do total é potável (própria para o consumo). E, o que é pior, grande parte das fontes desta água (rios, lagos e represas) está sendo contaminada, poluída e degradada pela ação predatória do homem. Esta situação é preocupante, pois poderá faltar, num futuro próximo, água para o consumo de grande parte da população mundial. Sendo a água de qualidade, um recurso natural cada vez mais escasso e, considerando que busca-se uma horta sustentável,  a instalação de cisterna para aproveitar a água da chuva, para irrigação. O cultivo de hortaliças sem complementação de água de boa qualidade, através da irrigação, é praticamente, impossível. As hortaliças, por terem ciclo curto, sofrem mais que outras espécies com pequenos períodos de estiagem. Além disso, a maioria das hortaliças são exigentes, pois apresentam em sua composição mais de 85% de água. A qualidade da água é muito importante, pois grande parte das hortaliças são consumidas cruas.



terça-feira, 10 de janeiro de 2017

PERGUNTAS E RESPOSTAS SOBRE PRODUÇÃO ORGÂNICA DE HORTALIÇAS - Capítulo 6 :Adubação Verde

Fonte: Livro da Embrapa Hortaliças – Brasília, DF. Interessados em adquirir o livro “PRODUÇÃO ORGÂNICA DE HORTALIÇAS – Coleção 500 Perguntas – 500 Respostas” devem entrar em contato através do email: vendas@sct.embrapa.br; Para ver o livro completo, acessar: http://mais500p500r.sct.embrapa.br/view/pdfs/90000021-ebook-pdf.pdf

     Com o objetivo de divulgar e aumentar o conhecimento sobre agricultura orgânica,  estamos transcrevendo  do livro, algumas perguntas e respostas que consideramos mais relevantes.

Capítulo 6: Adubação Verde
Autores:  Dejair Lopes de Almeida, José Guilherme Marinho Guerra e José Antonio Azevedo Espindola

O que é adubação verde?
     Adubação verde é uma técnica de manejo agrícola que consiste no cultivo de espécies de plantas com elevado potencial de produção de massa vegetal, semeadas em rotação, sucessão ou em consórcio com culturas de interesse econômico. Essas espécies têm ciclo anual ou perene, isto é, cobrem o terreno por determinado período de tempo ou durante o ano todo. Depois de roçadas ou tombadas, podem ser incorporadas ao solo ou mantidas em cobertura sobre a superfície do solo.

Adubos verdes, plantas recicladoras e plantas condicionadoras de solo são sinônimos?
     O termo “adubos verdes” é bem antigo e seu uso se deve ao fato de que essas plantas atuam como fornecedoras de nutrientes. Mais recentemente, diferentes termos têm sido empregados para caracterizar o efeito de algumas espécies utilizadas como adubo verde e que também funcionam como condicionadoras de solo ou recicladoras de nutrientes. De forma geral, a maioria das espécies utilizadas na adubação verde atua na ciclagem de nutrientes por causa de seu sistema radicular profundo (por isso, o termo plantas recicladoras). Ao adicionarem material orgânico, atuam como condicionadoras do solo, promovendo melhorias em seus atributos químicos, físicos e biológicos e reduzindo os riscos de erosão (por isso, o termo plantas condicionadoras). 

Quais os benefícios da adubação verde para o solo? 
     As plantas usadas como adubo verde conferem benefícios às características físicas, químicas e biológicas do solo, promovendo a melhoria da fertilidade entendida de forma mais ampla. Os efeitos estão inicialmente associados à capacidade de cobertura do terreno e à adição de matéria orgânica, sendo os seguintes os principais benefícios:
• Proteção contra a erosão.
• Melhoria da estrutura, com aumento na infiltração e retenção de água no solo.
• Ciclagem de nutrientes.
• Contribuição para o equilíbrio biológico do solo, podendo favorecer a população de organismos benéficos e reduzir problemas ligados a patógenos do solo, entre outros.

Quando se utiliza adubação verde, ainda é preciso utilizar outros adubos orgânicos?
     Sim. Na maioria das vezes, a adubação verde deve ser complementada pela adubação orgânica, feita com estercos ou compostos ou com fontes de adubos minerais permitidos na agricultura orgânica, pois os adubos verdes não substituem integralmente outros tipos de adubos. A adubação verde com espécies leguminosas garante o fornecimento de um nutriente essencial, o nitrogênio oriundo do ar, ao passo que os demais elementos já se encontram no solo e são aproveitados pelo adubo verde, retornando para o solo após a operação de roçada e decomposição. A adubação verde com espécies não-leguminosas, entretanto, não garante a adição de nenhum nutriente, mas apenas o processo de aproveitamento dos nutrientes presentes no solo. É importante ter em mente que as culturas exportam nutrientes por meio dos produtos das colheitas, sendo essencial repor essa exportação por meio da adubação. Sem isso, ocorrerá um processo gradual de empobrecimento do solo.

Que características a planta precisa ter para ser utilizada como adubo verde? 
     Antes de mais nada, as espécies a serem escolhidas devem adaptar-se às condições de clima e solo do local, e ter as seguintes características:
• Rusticidade.
• Crescimento inicial rápido, de modo a cobrir o solo e dificultar o desenvolvimento de ervas espontâneas.
• Sistema radicular bem desenvolvido.
• Elevada produção de massa vegetal.
• Baixa suscetibilidade ao ataque de pragas e doenças.
     No caso do uso de leguminosas, é importante selecionar uma espécie que apresente boa capacidade de fornecimento de nitrogênio. Cabe ressaltar que a importância de cada uma dessas características depende do sistema de cultivo a ser adotado (rotação de culturas, consórcio, etc.) e da cultura de interesse econômico.

A adubação verde também minimiza o surgimento de pragas e doenças?
     Sim, pois favorece a quebra do ciclo de proliferação de pragas e doenças, principalmente quando utilizada em rotação de culturas. Por exemplo, no controle de nematóides formadores de galhas, as espécies de adubos verdes mais utilizadas em condições de clima quente são as crotalárias, as mucunas e o guandu. Nas condições de clima subtropical, são indicadas as gramíneas aveia, centeio, azevém e cevada, e as leguminosas alfafa e serradela. É importante lembrar que algumas espécies de adubo verde, como o feijãomungo, podem provocar efeito inverso, ou seja, aumentar a população de algumas espécies de nematóides no solo, devendo ser evitadas em áreas infestadas com esse patógeno.

Plantas usadas na adubação verde também podem atrair insetos polinizadores?
     Algumas espécies usadas como adubo verde têm grande produção de néctar e pólen, que podem ser aproveitados por abelhas e outros insetos polinizadores e beneficiar a produção vegetal. Dentre as espécies mais indicadas para as condições de clima quente destacam-se o girassol, o guandu e as crotalárias, ao passo que para as condições de clima subtropical recomendam-se nabo forrageiro, cornichão, alfafa, tremoço, ervilhaca e trevos.

O que diferencia as espécies da família das leguminosas das demais plantas utilizadas como adubo verde ?
     Além de apresentarem os mesmos benefícios trazidos por espécies de outras famílias botânicas utilizadas como adubo verde, as leguminosas têm massa vegetal rica em nitrogênio em decorrência de sua capacidade de fixar biologicamente esse nutriente. Após a roçagem e incorporação das leguminosas, o nitrogênio é liberado para o solo, tornando-se disponível para as culturas.

O que é fixação biológica de nitrogênio?
     A fixação biológica de nitrogênio consiste no processo pelo qual algumas bactérias do solo, conhecidas genericamente como rizóbios, se associam simbioticamente às raízes de leguminosas. As bactérias possuem a capacidade de assimilar o nitrogênio do ar, transferindo-o para a planta, ao passo que esta fornece para as bactérias substâncias químicas formadas durante o processo de fotossíntese, que servem de alimento para esses microrganismos.

Qual a importância da adubação verde com leguminosas na produção orgânica de hortaliças?
     A legislação relativa à produção orgânica de alimentos no Brasil proíbe o uso de fertilizantes nitrogenados sintéticos, como uréia e sulfato de amônio. Assim, o fornecimento de nitrogênio para as espécies cultivadas nesses sistemas de produção fica restrito ao uso de fontes orgânicas. Nessas condições, a prática da adubação verde com leguminosas é uma alternativa interessante de fornecimento de matéria orgânica e de nitrogênio para o solo, contribuindo para a sustentação dos sistemas orgânicos de produção. Isso se deve ao fato de a adubação verde com leguminosas constituir-se em recurso renovável produzido na própria unidade de produção, o que torna o agricultor mais independente em relação ao uso de insumos.

As bactérias com capacidade de assimilar nitrogênio do ar em associação com leguminosas já existem no solo ou é preciso adicioná-las às sementes de leguminosas?
     Normalmente, essas bactérias já se encontram no solo. Entretanto, é importante fazer a inoculação desses organismos nas sementes de leguminosas quando são plantadas pela primeira vez num determinado local. Os inoculantes fornecidos pelos laboratórios geralmente são específicos para cada espécie. O inoculante deve ser guardado em geladeira ou em local fresco até o momento do uso, pois o calor excessivo pode provocar a morte das bactérias antes da inoculação.

Onde é possível adquirir inoculantes para leguminosas?
     A Associação Nacional de Produtores e Importadores de Inoculantes (www.anpii.org.br) dispõe de uma relação de endereços de laboratórios que produzem esses insumos. Algumas Unidades de pesquisa da Embrapa também produzem, em menor escala, inoculantes para leguminosas. Dentre esses, podem ser mencionadas a Embrapa Agrobiologia (www.cnpab.embrapa.br) e a Embrapa Soja (www.cnpso.embrapa.br).

É possível usar soja e feijão-de-corda como adubo verde ?
     As sementes de algumas leguminosas, como a soja e o feijãode-corda, são mais facilmente encontradas do que outras espécies tradicionalmente recomendadas para adubação verde. Por causa de seu alto potencial de fixação biológica de nitrogênio e do crescimento vigoroso dessas espécies, associados à boa produção de massa vegetal em um período de tempo relativamente curto, a soja e o feijão-de-corda são boas alternativas para adubação verde, notadamente em sistemas orgânicos de cultivo. Cabe destacar que, por causa de sua alta sensibilidade ao fotoperíodo, a soja deve ser cultivada durante a estação de verão.

Como a adubação verde pode ser utilizada no cultivo de hortaliças?
     A prática da adubação verde pode ser feita em diferentes modalidades, de acordo com sua finalidade no sistema. Dentre essas, é possível destacar os manejos na forma de rotação ou de consórcio com as hortaliças. No cultivo em rotação, o adubo verde pode ser incorporado ao solo após a roçada para posterior plantio da hortaliça, ou mantido em cobertura sobre a superfície do terreno, fazendo-se o plantio direto da hortaliça na palhada. A manutenção da palhada na superfície retarda a germinação das sementes de plantas espontâneas, ao passo que a sua incorporação ao solo tende a fornecer os nutrientes mais rapidamente para a cultura em sucessão. No consórcio, o adubo verde pode ser semeado nas “ruas” ou nas próprias linhas de cultivo da hortaliça, ou formando aléias ou faixas intercalares com as hortaliças, quando as espécies de adubo verde apresentam porte arbustivo ou arbóreo.

Para que tipos de hortaliças a adubação verde é mais importante?
     Independentemente da espécie de hortaliça, a adubação verde é uma técnica que quase sempre proporciona algum tipo de benefício no manejo orgânico, seja diretamente para a cultura econômica ou, indiretamente, por meio da melhoria das condições do solo. O manejo rotacional da adubação verde é favorável para qualquer tipo de hortaliça, ao passo que no consorciado são favorecidas, principalmente, as hortaliças de frutos e as brássicas, como repolho e couve-flor.

Que hortaliças e adubos verdes podem ser consorciados?
     Em princípio, a maioria das hortaliças pode ser cultivada com adubos verdes. Para tanto, existem diferentes estratégias de consórcio que podem ser adotadas, sendo algumas já conhecidas, ao passo que outras estão sendo testadas experimentalmente. Mas todas precisam ser ajustadas na própria unidade de produção. Alguns exemplos podem ser mencionados:
• Hortaliças de frutos como tomate, quiabo, jiló, berinjela e pimentão consorciadas com espécies de hábito ereto como crotalárias, feijão-de-porco e guandu.
 • Brássicas, como repolho, couve, brócolis e couve-flor, consorciados com espécies de hábito ereto e porte baixo, como Crotalaria spectabilis, ou de porte prostrado menos agressivas como mucuna anã, ou rastejante perene como amendoim forrageiro.
• Hortaliças rizomatosas, como inhame, consorciadas com espécies de hábito ereto como crotalárias.
     Outra estratégia de adubação verde consiste no plantio do adubo verde quando o ciclo da cultura principal está se completando. Um exemplo consiste de hortaliças folhosas, como alface ou repolho, consorciadas com Crotalaria juncea semeada no terço final do ciclo dessas culturas.

No consórcio, como decidir o melhor intervalo de tempo entre o plantio da hortaliça e do adubo verde?
     A decisão depende da espécie de hortaliça em questão e da espécie de adubo verde que será utilizada. Esse aspecto é fundamental para o sucesso da técnica, quando empregada na forma de consórcio. Dependendo da combinação entre as espécies consorciadas, o adubo verde pode ser plantado antes, concomitantemente ou depois da cultura principal. A definição da época de plantio do adubo verde em relação à hortaliça depende do hábito de crescimento do adubo verde e da velocidade de crescimento de ambas as espécies.
     Por exemplo, se a hortaliça a ser consorciada apresenta porte baixo, como a couve, é desejável consorciá-la com adubos verdes de porte baixo e crescimento lento, como a mucuna anã e a Crotalaria spectabilis. Para hortaliças de porte mais alto, como o quiabo, o consórcio pode ser feito tanto com adubos verdes de porte alto e de crescimento rápido, como com os de porte baixo e crescimento lento.
     Um exemplo de leguminosa de porte alto e crescimento rápido é a Crotalaria juncea, quando cultivada no período de primavera– verão, cuja semeadura deve ser feita após a primeira capina do quiabeiro, realizando-se seu corte por ocasião do início da colheita.

No consórcio, como decidir pelo melhor espaçamento do plantio da hortaliça e do adubo verde?
     A escolha do melhor espaçamento entre as espécies consorciadas deve atenuar a competição originada pela presença do adubo verde em consórcio com a hortaliça e otimizar o benefício da adubação verde. De maneira geral, o adubo verde é semeado nas “ruas” da cultura principal, utilizando-se uma, duas ou três linhas de acordo com o espaçamento da hortaliça.
     No caso de hortaliças que proporcionam diversas colheitas, a semeadura do adubo verde pode ser realizada em “ruas” intercalares ou em todas as “ruas”, desde que o adubo verde seja roçado em uma delas quando se inicia o processo de colheita.

No consórcio, pode existir competição entre o adubo verde e a hortaliça por água, luz e nutrientes?
     Sim. Por essa razão, devem-se tomar alguns cuidados de modo a minimizar os efeitos da competição. Em relação à água, a competição não é tão marcante porque a maioria das hortaliças é cultivada em regime de irrigação.
     Caso contrário, há de se levar em consideração as condições locais, pois a falta de água em determinado período de cultivo pode restringir o bom desempenho da hortaliça, inviabilizando o manejo consorciado do adubo verde. Caso o adubo verde já tenha sido implantado e ocorra falta de água para a cultura, é aconselhável roçá-lo imediatamente, mesmo que não tenha atingido o ponto ideal de corte.
     Em relação à competição por nutrientes, especialmente o nitrogênio, quando são utilizadas espécies que não são leguminosas, a competição pode ser marcante, prejudicando o desempenho da hortaliça, podendo-se amenizar esse problema com o uso de leguminosas, pois esse grupo de plantas não depende da disponibilidade de nitrogênio do solo para alcançar bom desenvolvimento.
     No que diz respeito à competição por luz, essa pode ser minimizada por meio de estratégias de manejo mais adequadas para cada cultura, destacando-se a escolha da espécie de adubo verde com porte e hábito de crescimento compatíveis com a cultura principal, a época de plantio e o espaçamento adotados, a fim de favorecer a sincronização no crescimento do adubo verde e da hortaliça e a época de realização da roçada ou da poda, que nem sempre coincide com o momento de maior acúmulo de nutrientes no adubo verde.

O que é adubação verde em aléias ou faixas intercalares?
     Nesse sistema de manejo da adubação verde as espécies econômicas são cultivadas em aléias ou faixas entre espécies de adubo verde herbáceos, arbustivos ou arbóreos. Os adubos verdes são plantados formando faixas com uma, duas ou mais linhas, dependendo das caraterísticas da espécie, sendo variável o espaçamento entre as faixas.
     Os adubos verdes herbáceos e arbustivos podem ser roçados, ou manejados com ou sem poda, ao passo que as espécies arbóreas podem ser podadas ou não. O material vegetal proveniente da poda deve ser distribuído na área ocupada pela cultura principal.

Qual o melhor momento para podar ou roçar os adubos verdes?
     Os adubos verdes cultivados em rotação com hortaliças podem ser roçados no momento de seu máximo desenvolvimento, quando normalmente ocorre alta acumulação de nutrientes na massa vegetal. Assim, quando o objetivo da adubação verde é fornecer nutrientes para a cultura seguinte, a roçada pode ser feita na ocasião do florescimento, no caso de leguminosas, por causa das elevadas quantidades de nitrogênio que as plantas acumulam nessa fase. No caso de a espécie de adubo verde ser uma gramínea, a roçada deve ser feita na fase de grão leitoso. Quando a adubação verde é utilizada em consórcio com hortaliças, é importante que a roçada ou a poda sejam feitas no momento em que o adubo verde tenha criado condições desfavoráveis ao bom desenvolvimento da cultura econômica, em decorrência da competição por água e luz. 

Que adubos verdes podem ser utilizados para formar aléias ou faixas intercalares?
     As espécies empregadas como adubos verdes nesse sistema de cultivo devem apresentar as seguintes características:
• Fácil estabelecimento no campo.
• Crescimento rápido.
 • Tolerância ao corte.
• Alta capacidade de rebrota.
 • Alta produção de biomassa.
 • Potencial de fixação biológica do N atmosférico.
     Em condições de clima tropical, são utilizadas com maior freqüência nesse sistema de manejo as seguintes espécies:
• Capim-elefante.
• Girassol mexicano.
 • Crotalárias.
• Guandu.
• Tefrósia.
 • Leucena.
• Gliricídia.
 • Caliandra.
 • Flemíngea.
 As hortaliças, em princípio, não oferecem dificuldades quanto às espécies de adubo verde, desde que os renques obedeçam a um espaçamento e sejam manejados de forma que o adubo verde não concorra por água, nutrientes e luz com a cultura econômica.

É fácil encontrar sementes de adubos verdes no comércio?
     Sementes de alguns adubos verdes, principalmente de algumas leguminosas, não são encontradas com facilidade no comércio. Normalmente, a oferta é sazonal e, muitas vezes, a espécie que se deseja utilizar não está disponível ou tem preço elevado. Por sua vez, a grande maioria das espécies pode ser cultivada para a obtenção de sementes na própria unidade de produção, o que é desejável porque torna o agricultor independente em relação ao uso da adubação verde.

O que é “coquetel” de adubos verdes?
     O “coquetel” consiste no cultivo consorciado de diferentes espécies de adubos verdes que, de maneira geral, apresentam portes e hábitos de crescimento distintos e são cultivados em rotação com as culturas econômicas. A combinação de mais de uma espécie de adubo verde pode trazer benefícios para o cultivo orgânico de hortaliças, como:
• Exploração de camadas diferenciadas do solo pelas raízes, acarretando melhoria da estrutura do solo.
 • Acúmulo também diferenciado de nutrientes, ampliando qualitativa e quantitativamente sua oferta.
 • Velocidade distinta de decomposição dos resíduos com impacto na proteção do solo, controle de ervas espontâneas e liberação de nutrientes.
• Aumento da diversidade biológica, que acarreta impacto sobre a população de insetos benéficos pela oferta variada de abrigo, de néctar e de pólen.

Que espécies podem ser utilizadas no coquetel?
     Várias combinações podem ser feitas de acordo com a disponibilidade de sementes e as condições climáticas locais. As espécies mais difundidas nos coquetéis para as regiões de clima tropical são:
 • Milho.
 • Milheto.
• Sorgo.
• Painço.
• Feijão-de-porco.
• Feijão-bravo-do-ceará.
• Feijão-de-corda.
• Mucunas.
 • Lab-lab.
 • Calopogônio.
• Crotalárias.
• Guandu.
• Tefrósia.
 • Leucena.
 • Girassol.
• Mamona.





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