sexta-feira, 10 de março de 2017



Fonte: Livro da Embrapa Hortaliças – Brasília, DF. Interessados em adquirir o livro “PRODUÇÃO ORGÂNICA DE HORTALIÇAS – Coleção 500 Perguntas – 500 Respostas” devem entrar em contato através do email: vendas@sct.embrapa.br; Para ver o livro completo, acessar: http://mais500p500r.sct.embrapa.br/view/pdfs/90000021-ebook-pdf.pdf

     Com o objetivo de divulgar e aumentar o conhecimento sobre agricultura orgânica,  estamos transcrevendo  do livro, algumas perguntas e respostas que consideramos mais relevantes.

Capítulo7: Adubação Orgânica

Autores:  Ronessa B. de Souza e Flávia A. de Alcântara

O que são fertilizantes orgânicos?

     São fertilizantes (ou adubos) de natureza orgânica, ou seja, obtidos de matérias-primas de origem animal ou vegetal, sejam elas provenientes do meio rural, de áreas urbanas ou da agroindústria.
Os fertilizantes orgânicos podem ou não ser enriquecidos com nutrientes de origem mineral (não orgânica), podendo ser divididos em quatro tipos principais:
• Fertilizantes orgânicos simples.
• Fertilizantes orgânicos mistos.
• Fertilizantes orgânicos compostos.
• Fertilizantes organominerais.

O que é cada um desses tipos de fertilizante orgânico ?

• Fertilizantes orgânicos simples: fertilizante natural de origem animal ou vegetal. Exemplos: estercos animais, torta de mamona, borra de café.
• Fertilizantes orgânicos mistos: produto da mistura de dois ou mais fertilizantes orgânicos simples. Exemplo: cinzas (fonte principalmente de potássio (K)) + torta de mamona (fonte principalmente de nitrogênio (N))
• Fertilizantes orgânicos compostos: fertilizante não natural, ou seja, obtido por um processo químico, físico, físico-químico ou bioquímico, sempre a partir de matéria-prima orgânica, tanto vegetal como animal. Pode ser enriquecido com nutrientes de origem mineral. Exemplos: composto orgânico, vermicomposto (húmus de minhoca), lodo de esgoto.
• Fertilizantes organominerais: não passam por nenhum processo específico, são simplesmente o produto da mistura de fertilizantes orgânicos (simples ou compostos) com fertilizantes minerais.

Existem fertilizantes minerais de uso permitido na agricultura orgânica?

     Sim. Somente os fertilizantes minerais de origem natural e de baixa solubilidade são permitidos na agricultura orgânica, como os fosfatos naturais, os calcários e os pós de rocha. Em situações específicas, para uso restrito, uma vez constatada a necessidade de utilização do adubo e com autorização da certificadora, podem ser utilizados os termofosfatos, sulfato de potássio, sulfato duplo de potássio e magnésio de origem natural, sulfato de magnésio, micronutrientes e guano (fosfatos de origem orgânica – provenientes de excrementos de aves marinhas).


Pode-se fazer calagem no sistema orgânico?

     Sim. A calagem é permitida e a quantidade de calcário a ser utilizada deve ser calculada com base na análise química do solo.
Entretanto, a quantidade é geralmente limitada a 2 t/ha/ano.

Como saber que materiais são permitidos na adubação orgânica?

     Os padrões internacionais que regem a produção orgânica de alimentos estão agrupados na International Federation of Organic Agriculture Movements (Ifoam) e podem ser consultados pela internet no endereço <www.ifoam.org>. As normas brasileiras de produção orgânica constam da Instrução Normativa no 7, de 17/5/991, em que estão listados os materiais permitidos para uso na
adubação orgânica.

Existe algum problema em usar estercos frescos?

     Sim. Os estercos frescos podem conter microrganismos causadores de doenças no homem. Não devem ser utilizados no cultivo de hortaliças, pois podem contaminar as partes comestíveis das plantas. Esse problema pode ser resolvido pelo curtimento, ou envelhecimento do esterco em condições naturais, não controladas. Deve-se deixar o monte de esterco “envelhecer” em local coberto ou protegido com plástico ou lona contra chuvas, cujas águas lavam o esterco removendo os nutrientes. O tempo aproximado para ‘curtir’ é de 90 dias, dependendo das condições ambientais. O esterco curtido é uma massa escura com aspecto gorduroso, odor agradável de terra e sem nenhum mau cheiro.

O que é composto orgânico?

     Composto orgânico é o produto final da decomposição aeróbia (na presença de ar) de resíduos vegetais e animais. A compostagem permite a reciclagem desses resíduos e sua desinfecção contra pragas, doenças, plantas espontâneas e compostos indesejáveis. O composto orgânico atua como condicionador e melhorador das propriedades físicas, físico-químicas e biológicas do solo, fornece nutrientes, favorece o rápido enraizamento e aumenta a resistência das plantas.

Como é feito o composto orgânico?

     O composto orgânico é feito com resíduos vegetais, ricos em carbono (galhos, folhas, capim e outros), e resíduos animais, ricos em nitrogênio (esterco bovino, de aves e de outros animais, cama de aviário de matrizes, dentre outros). Quando se dispõe apenas de materiais pobres em N, como cascas de pínus, árvores velhas e capins, estes devem ser alternados com camadas de resíduos de leguminosas.
     A escolha da matéria-prima é importante para maior eficiência da compostagem. A relação  carbono/nitrogênio (C/N) inicial ótima (de 25–35:1) pode ser atingida com o uso de 75 % de restos vegetais variados e 25 % de esterco. Esses resíduos, vegetais e animais, são dispostos em camadas alternadas formando uma leira ou monte de dimensões e formatos variados.
     O formato mais usual é o de seção triangular, sendo a largura comandada pela altura da leira, a qual deve situar-se entre 1,5 m e 1,8 m. À medida que a pilha vai sendo formada, cada camada de material vai sendo umedecida com água, tomando-se o cuidado para que não haja escorrimento. A pilha deve ser revirada (parte de cima para baixo e parte de dentro para fora) aos 15, 30 e 45 dias. No momento das reviradas, o material deve ser umedecido para que a umidade fique em torno de 50 % a 60 % (na prática, atinge-se esse teor de umidade quando o material transmite a sensação de úmido ao ser tocado com as mãos, e, ao ser comprimido, não deixa escorrer água entre os dedos e forma um torrão que se desmancha com facilidade).
     Para manter a umidade ideal, a pilha deve ser coberta com palhas, folhas de bananeira ou lona de plástico. O local deve ser protegido do sol e da chuva (área coberta ou à sombra de uma árvore). Como exemplo, pode-se citar o composto produzido na Unidade de Produção de Hortaliças  orgânicas da Embrapa Hortaliças:

• 15 carrinhos-de-mão de capim braquiária roçado.
• 30 carrinhos de capim-napier.
• 20 carrinhos de cama de matriz de aviário.
• 13 kg de termofosfato.

     Formar camadas alternadas na seguinte ordem: braquiária, napier, cama de matriz e termofosfato, montando uma meda de 1 m x 10 m x 1,5 m (largura x comprimento x altura) para obtenção de 2.500 kg de composto orgânico após cerca de 90 dias.

Quais as vantagens do composto orgânico em relação ao esterco curtido?

     O composto orgânico é um produto estabilizado e mais equilibrado, em cujo processo de produção ocorreram todas as condições necessárias à eficiente fermentação aeróbica, dando-lhe qualidade superior à do esterco curtido como condicionador ou melhorador do solo. Além disso, é mais rico em nutrientes por constituir-se de resíduos vegetais e animais e por ser, muitas vezes, enriquecido com resíduos agroindustriais e adubos minerais.

Como saber quando o composto orgânico está pronto?

     O composto orgânico estará pronto para uso quando apresentar as seguintes características:
• Temperaturas normalmente inferiores a 35 oC.
• Redução do volume para 1/3 do volume inicial.
• Constituintes degradados fisicamente, não sendo possível identificá-los.
• Permite que seja moldado facilmente com as mãos.
• Cheiro de terra mofada, tolerável e até mesmo agradável para alguns.

Como enriquecer o composto orgânico?

     O enriquecimento do composto orgânico pode ser obtido com a adição, no momento de montagem da pilha, de fosfatos de reação ácida como fosfatos naturais (6 kg m-3), calcário (25 kg t-1 a 50 kg t-1), torta de cacau (40 kg m-3) ou de mamona (20 kg m-3 a 30 kg m-3), borra de café (50 kg m-3), cinzas, entre outros. O enriquecimento do composto orgânico deve ser feito de acordo com as exigências da cultura e a necessidade do solo. Geralmente, o enriquecimento com fósforo (P) só é recomendado nos 2 ou 3 anos iniciais de produção, e sua continuidade por mais tempo depende da disponibilidade de fósforo no solo.

O que é biofertilizante?

     É o material líquido resultante da fermentação de estercos, enriquecido ou não com outros resíduos orgânicos e nutrientes, em água. O processo de fermentação pode ser aeróbico (na presença de ar) ou anaeróbico (na ausência de ar). Os biofertilizantes podem ser aplicados via foliar, diluídos em água na proporção de 2 % a 5 %, ou no solo, via gotejamento. A forma como o biofertilizante atua nas plantas ainda não é completamente esclarecida e merece ser melhor estudada. Apresenta efeitos nutricionais (fornecimento de micronutrientes) e fitossanitários, atuando diretamente no controle de alguns fitoparasitas por meio de substâncias com ação fungicida, bactericida ou inseticida presentes em sua composição. Parece atuar equilibrando e tonificando o metabolismo da planta, tornando-a mais resistente ao ataque de pragas e doenças. Entre os biofertilizantes mais conhecidos destacam-se:

• Supermagro.
• Agrobio.
• Biofertilizante líquido (Vairo).

Como surgiram os biofertilizantes Vairo, Supermagro e Agrobio?

     O biofertilizante Vairo é o efluente pastoso resultante da fermentação anaeróbia da matéria orgânica em biodigestor.  O biodigestor é uma invenção secular, originária da Ásia, cujo objetivo primário era o saneamento de dejetos humanos e animais, e o secundário, a produção de gás metano, fonte alternativa de energia de baixo custo no meio rural.
     No Brasil, o uso do efluente líquido de biodigestores como fertilizante teve início na década de 1980 por extensionistas da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Rio de Janeiro (Emater/Rio), principalmente pelo engenheiro agrônomo Antônio Carlos Vairo dos Santos. Esse biofertilizante é obtido a partir da fermentação, em sistema fechado (ausência de ar), do esterco fresco de gado ruminante, de preferência gado leiteiro.O Supermagro é uma variante do biofertilizante Vairo. Foi elaborado pelo Delvino Magro, fruticultor, técnico agrícola e secretário da Agricultura do Município de Ipê, Rio Grande do Sul. O Supermagro foi utilizado por ele por mais de 20 anos para o controle de doenças e pragas de fruteiras temperadas, especialmente maçã, no Sul do Brasil. É a formulação mais difundida atualmente, na qual são misturados ingredientes orgânicos e minerais, basicamente micronutrientes, todos submetidos à fermentação anaeróbica.
     Outra formulação bastante conhecida é o Agrobio, elaborado por pesquisadores da Estação  xperimental de Itaguaí, da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Estado do Rio de Janeiro (Pesagro), desde 1997, e de composição semelhante ao Supermagro. É constituído igualmente de uma mistura de materiais orgânicos e minerais fermentados  erobicamente por 8 semanas.

Como preparar um biofertilizante na propriedade?

     Não há uma fórmula padrão para a produção de biofertilizante. Apresenta-se, a seguir, uma receita básica de biofertilizante líquido, na qual podem ser feitas variações:
Em uma bombona de plástico, colocam-se volumes iguais de esterco fresco e água, deixando um espaço vazio de 15 cm a 20 cm. Essa bombona deve ser fechada hermeticamente, adaptando-se uma mangueira fina de plástico em sua tampa. Uma extremidade da mangueira fica no espaço vazio da bombona e a outra deve ser imersa em um recipiente com água para permitir a saída do gás metano e impedir a entrada de ar (oxigênio). O final do processo, que dura de 30 a 40 dias, coincide com a cessação do borbulhamento observado no recipiente d’água, quando a solução deve ter atingido pH próximo de 7,0.
     Para separação da parte ainda sólida, o material deve ser coado em peneira e filtrado em um pano ou tela bem fina. Geralmente é utilizado diluído em água em concentrações variáveis de acordo com os diferentes usos e aplicações. É recomendado em dosagens mais elevadas de até 30 % do que as do Supermagro ou do Agrobio. Esse biofertilizante tem múltiplas finalidades, desde o controle de determinados fitopatógenos até a promoção de florescimento e enraizamento de algumas plantas cultivadas.

O que são os compostos de farelos ou bokashis?

     São compostos orgânicos produzidos a partir da mistura de argilas com farelos de cereais (arroz, trigo), torta de oleaginosas (soja, mamona), farinha de osso, farinha de peixe e outros resíduos.
Essa mistura é inoculada com microrganismos e submetida à fermentação aeróbica ou anaeróbica. O inoculante microbiano pode ser terra de mata (bosque natural), soja fermentada, microrganismos capturados da natureza por meio de arroz cozido ou inoculantes comerciais como o EM® (microrganismos eficazes). Sua composição deve ser ajustada de acordo com os ingredientes disponíveis e as necessidades nutricionais das culturas. Por utilizar matérias-primas nobres, de uso freqüente na alimentação animal, o bokashi é um fertilizante relativamente caro e rico em nutrientes, especialmente N, P e K.
     Existem diferentes formulações com duração variável de 3 a 21 dias para obtenção do composto. Durante o processo fermentativo aeróbio, a umidade deve permanecer em torno de 50 % a 60 % e a temperatura em torno de 50 oC. Na maioria das formulações, a movimentação da mistura é feita diariamente, uma vez que a temperatura eleva-se com facilidade por causa das boas características físicas (partículas pequenas) e químicas (riqueza em nutrientes) da matéria-prima.
     O final do processo caracteriza-se pela queda de temperatura. O composto de farelos mais conhecido é o Nutri Bokashi, produzido pela Kórin, empresa criada em 1995 pela Fundação Mokiti Okada, que utiliza os microrganismos eficazes (EM®) como inoculante.

O que são EM®?

     São preparados microbianos denominados “microrganismos eficazes” que servem como inoculante. Sua composição não é fornecida pelo fabricante (Fundação Mokiti Okada) e é apresentado como um preparado líquido que contém diversos tipos de microrganismos selecionados para desempenhar funções desejáveis com eficácia nas mais diversas situações. Os EM® são utilizados na produção do composto de farelos, na composição de rações, na água de bebida dos animais e em outros processos.

Deve-se proceder à análise de solo para fazer adubação orgânica?

     Sim. A análise química periódica é a única maneira de se conhecer a fertilidade do solo, ou seja, de saber se o solo está ácido ou não, e se os teores de macro e micronutrientes e de matéria orgânica estão adequados. É a partir dos resultados da análise química que se pode saber se há ou não  necessidade de calagem, que nutrientes estão em falta e quanto se deve aplicar de fertilizantes para aquela determinada cultura.

Que tipo de análise deve ser solicitada ao laboratório?

     Deve-se solicitar a análise de rotina, que geralmente consiste das determinações de pH, cálcio (Ca), magnésio (Mg), potássio (K), fósforo (P), alumínio (Al), acidez potencial (H+Al) e matéria orgânica. Havendo interesse específico de acordo com a exigência nutricional da cultura e sendo  economicamente viável para o produtor, recomenda-se solicitar também a análise do enxofre (S) e de micronutrientes.
     A textura não é uma característica química do solo, mas deve ser determinada em laboratório na primeira vez que se amostra a área. Seu conhecimento ajuda a entender o comportamento de certos nutrientes no solo e a determinar com maior precisão a necessidade de fornecimento destes. Nas amostragens posteriores do solo da mesma área não é necessário repetir a análise de textura, por ser uma característica física do solo que praticamente não sofre modificações. Em geral, os laboratórios de fertilidade do solo também fazem a determinação de textura.

Como calcular a quantidade de adubos a ser utilizada?

     Esse assunto ainda precisa ser melhor estudado, pois em olericultura orgânica o enfoque das adubações deve basear-se não apenas no aspecto químico da fertilidade do solo, mas também nos
componentes físicos, físico-químicos e biológicos do solo, levando em consideração inclusive os efeitos de médio e longo prazos do manejo da matéria orgânica. O cálculo da adubação para o plantio deve basear-se na análise química do solo, na composição química do adubo e na exigência da cultura.
     Em geral, as recomendações de material orgânico situam-se entre 10 t ha-1 e 50 t ha-1 de composto orgânico ou esterco curtido. Essas doses devem ser ajustadas de acordo com a cultura, com a qualidade do material, com as características químicas do solo que se vai cultivar, com a cultura antecessora e com o histórico de manejo orgânico. Como o sistema de manejo intensivo utilizado na produção de hortaliças tende a favorecer a elevação dos teores de nutrientes no solo com o decorrer do tempo, é importante considerar o efeito residual da adubação orgânica a fim de evitar desequilíbrios nutricionais.

É possível ter um exemplo do cálculo da quantidade de adubos?

Como exemplo, considere-se o plantio de 1 ha de cebola pelos critérios de interpretação e recomendação da agricultura convencional, cuja análise de solo indicasse a necessidade de 120 kg de N, 180 kg de K2O, 300 kg de P2O5. Na propriedade em questão, tem-se disponível o esterco bovino, cinzas e fosfato natural, cujas características estão apresentadas na Tabela 1.

 Tabela 1. Teores de nitrogênio, fósforo e potássio (% na matéria seca – MS e fatores de conversão (fc) de alguns fertilizantes.


Fertilizante                          Nitrogênio                          Fósforo                              Potássio
                                          % MS       fc                      % MS     fc                        % MS        fc

Esterco bovino                      5           20                     2,5         40                          5             20
Fosfato natural                      -             -                        30         3,3                         -               -
Cinzas                                   -             -                       2,5         40                          10           10
fc= 100% MS
Fonte: Souza e Resende2

2  SOUZA, J. L.; RESENDE, P. Manual de Horticultura Orgânica. Viçosa, MG: Aprenda Fácil, 2003. 564 p.


     Nesse caso, como fonte de N tem-se apenas o esterco bovino. Assim, para suprir todo o N recomendado (120 kg de N), a quantidade de esterco necessária será:

N = quantidade de N recomendada pela análise de solo x fc para N = 120 x 20 = 2.400 kg ha-1 de esterco bovino que fornece também:
P = kg ha-1 de esterco bovino: fc para P = 2.400/40 = 60 kg ha-1;
K = kg ha-1 de esterco bovino: fc para K = 2.400/20 = 120 kg ha-1.
Para completar o K, usam-se cinzas como adubo:
K = (quantidade recomendada de K - K fornecido pelo esterco bovino) x fc para K = (180-120) x 10 = 600 kg ha-1 de cinzas que fornecem também:
P = kg ha-1 de cinzas : fc para P = 600/40 = 15 kg ha-1.
Para completar o P, usa-se o fosfato natural:
P = (quantidade recomendada de P - P fornecido pelo esterco bovino - P fornecido pelas cinzas) x fc para P = (300-60-15) x 3,3 = 742 kg ha-1 de fosfato natural.

     Portanto, para atender as recomendações indicadas pela análise de solo para o plantio de 1 ha de cebola deve-se aplicar 2.400 kg de esterco bovino, 600 kg de cinzas e 742 kg de fosfato natural.
     Esses cálculos levam em consideração apenas a constituição química dos adubos, porém os aspectos físico e biológico do solo e o efeito residual das adubações, muito importantes nos sistemas de produção orgânicos, não são considerados. Portanto, as quantidades recomendadas no exemplo devem ser ajustadas de acordo com a situação específica (características climáticas, de solo e  histórico de manejo de cada local) do sistema de produção.

O que fazer para corrigir uma eventual deficiência no meio do ciclo da cultura?

     Sistemas orgânicos efetivamente equilibrados e sustentáveis não devem apresentar deficiências minerais. Contudo, falhas na escolha das culturas, no manejo ou na própria concepção do sistema, especialmente na fase de transição para o sistema orgânico, podem propiciar o aparecimento de deficiências. Nesse caso, a correção pode ser feita por meio de aplicações de biofertilizantes, cuja formulação pode ser ajustada de acordo com a necessidade das culturas. Pode-se preparar diferentes formulações de biofertilizantes enriquecidos com os diversos macro e micronutrientes.

O que fazer para corrigir a toxidez?

     Situações de toxidez são raras em sistemas orgânicos. Em solos de baixa fertilidade, como os latossolos da região do Cerrado, no(s) primeiro(s) ano(s) de cultivo, é possível ocorrer toxidez de magnésio (Mn) e/ou de ferro (Fe). Nesse caso, a correção se faz com a calagem calculada de acordo com a análise de solo e na quantidade permitida para sistemas orgânicos. Por causa de seu alto poder tampão, a adição de matéria orgânica ao solo ajuda a corrigir problemas de excessos e deficiências de nutrientes, especialmente de micronutrientes, com muitos dos quais forma quelatos, regulando a disponibilidade para as plantas.

Quais as principais fontes de nitrogênio permitidas na produção orgânica?

     Estercos puros de animais diversos, cama e urina de animais, espécies leguminosas de adubos verdes (mucunas, crotalárias, guandu, feijão-de-porco, feijão-bravo-do-ceará, etc.), resíduos agroindustriais como torta de oleaginosas (mamona, algodão, soja) e de cacau, palhadas e resíduos de culturas leguminosas como soja e feijão, farinha de sangue, farinha de peixe, composto orgânico,
biofertilizantes, bokashis, entre outros.

Quais as principais fontes de potássio, fósforo e micronutrientes permitidas para uso na produção orgânica?

     As principais fontes são:
• Para potássio: cinzas, cascas de café, pós de rochas silicatadas com altos teores de potássio, talos de banana, entre outros.
• Para fósforo: fosfatos naturais e farinha de ossos.
• Para micronutrientes: alguns pós de rocha, estercos, fontes minerais permitidas (óxido de cobre e outros utilizados nos biofertilizantes).

     De acordo com a Instrução Normativa no 7, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, podem ser utilizados sulfato de potássio e sulfato duplo de potássio e magnésio (de origem mineral natural), termofosfatos, sulfato de magnésio, ácido bórico (quando não utilizado diretamente sobre as plantas e o solo) e carbonatos (como fonte de micronutrientes). Entretanto, esses produtos só podem ser empregados se a necessidade de utilização for indicada pela análise e se esses fertilizantes  estiverem livres de substâncias tóxicas. Além disso, a permissão para utilização depende também das normas da certificadora.


Ferreira On 3/10/2017 09:56:00 AM Comentarios LEIA MAIS

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Horta Orgânica Comunitária do bairro da Estação, em   Urussanga:                            Exemplo a ser seguido
     A horta comunitária tem uma longa história, mas agora ela surge como uma alternativa viável. Conforme a finalidade, as hortas são denominadas de doméstica ou domiciliar, escolar, comunitária ou coletiva e comercial (finalidade lucrativa). As três primeiras tem como finalidade, produzir alimentos saudáveis em quantidades suficientes para consumo próprio e, o mais importante, sem riscos ao meio ambiente. A horta comunitária contribui na ocupação benéfica de terrenos baldios, ociosos, em áreas urbanas que muitas vezes são utilizados como depósito de entulhos e lixo (focos de contaminação e transmissão de doenças). Ao proteger e conservar os terrenos e, o mais importante, produzir alimentos para inúmeras famílias, sem agredir o meio ambiente, a horta comunitária tem uma função fundamental na beleza da cidade e, o mais importante, na melhoria da qualidade de vida das pessoas envolvidas.
     Em Urussanga, graças à sensibilidade do casal Lia e Jurandir Piovezan, do bairro da Estação, temos a primeira horta comunitária (Figura 1) que servirá, com certeza, de inspiração para outras pessoas de outros bairros. A área foi cercada e construídos vários canteiros, com água disponível para irrigação e 3 composteiras, com a finalidade de transformar restos de cultivos e lixo orgânico produzido pelos participantes, em adubo orgânico. Cada família é responsável pelo cultivo das espécies que desejar no seu canteiro.



Figura 1.  Horta orgânica comunitária do bairro da Estação, em Urussanga, SC


1. OBJETIVO GERAL: Produzir, de forma solidária, alimentos frescos, saudáveis, mais nutritivos e mais baratos, promovendo o acesso e disponibilidade dos mesmos e, o mais importante, sem riscos ao meio ambiente e à saúde das pessoas.
2. OBJETIVOS ESPECÍFICOS: Aproveitamento das áreas ociosas; Fortalecer o convívio comunitário, exercitando a cooperação e o trabalho em equipe; Contribuir na complementação da alimentação e na produção de chás, a partir de plantas medicinais; Desenvolver práticas sustentáveis e hábitos alimentares saudáveis; Incentivar outros moradores do bairro e da cidade no cultivo de uma horta orgânica em suas residências; Qualidade de vida e respeito ao meio ambiente; Promoção da saúde da população como um todo, através de ações educativas, trabalhando de forma prazerosa os aspectos ambientais e sociais; Elevação da autoestima, pois com o trabalho diário dedicado na produção de seu próprio alimento, ajuda as pessoas envolvidas de todas as faixas de idade, viverem mais e melhor; A horta, quando conduzida com prazer, torna-se uma terapia eficiente para problemas como estresse, depressão e outros, resgatando deste modo a alegria de se viver e se sentir incluído na sociedade como um todo; Proporcionar salutar exercício ao ar livre, ao preparar o solo, semear, capinar, irrigar, observar o crescimento, colher e consumir hortaliças frescas, saudáveis e sem agrotóxicos, é uma  atividade importante para prevenção de doenças.

Cultive uma horta orgânica e colha saúde, qualidade de vida e paz com a natureza !



10 passos para  implantar e conduzir uma horta orgânica comunitária*

Fonte:    Adaptado da fonte

     A horta comunitária contribui na ocupação benéfica de terrenos baldios ociosos em áreas urbanas que muitas vezes são utilizados como depósito de entulhos e lixo (focos de contaminação e transmissão de doenças). Ao proteger e conservar os terrenos e, o mais importante, produzir alimentos frescos, saudáveis, mais nutritivos e, mais baratos, para inúmeras famílias, sem agredir o meio ambiente, a horta comunitária tem uma função fundamental na melhoria de qualidade de vida das pessoas, além de unir as pessoas envolvidas.  Ao iniciar uma horta, é importante visitar a horta comunitária do bairro da Estação (defronte à igreja Nossa Senhora Aparecida), em Urussanga, belo  exemplo a ser seguido. A seguir,  algumas dicas para o sucesso da horta comunitária:
1.Comece a falar sobre a horta comunitária: Antes de semear a semente ou plantar a muda, plante a ideia. Converse com pessoas de sua comunidade e fale sobre os benefícios e todas as vantagens que uma horta comunitária pode trazer para os envolvidos.

2. Encontre o espaço ideal: Em grandes cidades as áreas livres estão cada vez mais escassas. O terreno ideal deve ser plano e ensolarado e cercado, para evitar a entrada de animais domésticos. É importante que seja feito a análise do solo para conhecimento da acidez do solo e do teor de matéria orgânica de nutrientes, para posterior interpretação e recomendação do técnico do município.

3. Pesquise algum tipo de subsídio na sua região: Algumas prefeituras disponibilizam sementes, ferramentas e até instrutores para ensinarem as primeiras técnicas. Existem também ONGs e técnicos aposentados que podem ajudar às pessoas de menor conhecimento e prática.

4.  Construa canteiros individuais, que podem ser, preferencialmente, de tijolos, mas também pode ser com materiais recicláveis (garrafas pet, pneus descartados, madeira e outros): Dessa forma, cada família ou pessoa é responsável pelo cultivo das espécies que mais aprecia.

5. Inicie um sistema de compostagem, para fazer o próprio adubo orgânico no local: Um sistema simples é a composteira caseira ou minhocário. Ela pode ser feita pelos próprios participantes, aproveitando os restos de cultivos e lixo orgânico das família participantes. O adubo orgânico produzido é usado na plantação, substituindo os fertilizantes químicos. 

6. Dê liberdade aos participantes: Cada pessoa deve escolher o que plantar no seu espaço. É importante incentivar os participantes para multiplicarem suas próprias sementes e mudas e, com isso fazendo troca  uns com os outros e, dessa forma, aumentando o número de espécies (biodiversidade). Quanto maior a biodiversidade, princípio básico para produção de alimentos orgânicos, maior é o equilíbrio ecológico e,  menor os problemas com insetos-pragas. 

7. Tenha regras: O ideal é ter um planejamento. Escalas que determinam dias e horários dos responsáveis pela rega das plantas, por exemplo, é  importante, evitando-se que os canteiros recebam água de mais ou de menos. Mutirões de plantio e limpeza também são sempre bem-vindos. Uma liderança é importante para manter a horta sob controle e também para resolver atritos, receber sugestões e criar novas soluções para melhorar a qualidade da horta.

8. Convide pessoas experientes para conversar com a comunidade: Receber bons conselhos e trocar experiências é essencial para manter o grupo unido e melhorar as técnicas de plantio. Além disso, a participação de palestrantes voluntários é muito importante para compartilhar o conhecimento e  incentivar ainda mais a comunidade.

9. Torne o seu espaço atraente: Isso também inspira muito a comunidade e atrai novos participantes. Afinal, quem não gosta de estar  em um local agradável?

10. Compartilhar refeições comunitárias no jardim: Este é um jeito especial de comemorar a colheita, os árduos meses de trabalho. Além disso, é sempre gostoso dividir uma refeição com a família e os amigos.





Como tornar a Horta Comunitária Orgânica e Sustentável?
Parte I

      Atualmente a palavra “sustentabilidade” está em destaque e, tem sido cada vez mais uma preocupação mundial, felizmente. Não se trata de modismo, pois exemplos de sustentabilidade, são relatados em todos os setores de produção. Desenvolvimento sustentável tem sido definido como “modelo econômico capaz de satisfazer as necessidades das gerações atuais, levando em consideração as necessidades e interesses das futuras gerações”. É o desenvolvimento que não esgota os recursos para o futuro, conciliando crescimento econômico  e preservação da natureza.
Produção de adubo natural através do processo da compostagem: A horta para ser considerada sustentável, deve se utilizado o mínimo possível de insumos (adubos e outros produtos),  bem como a água (recurso natural escasso) para irrigação, vindos de fora. Por isso, especificamente em relação à adubação das plantas, fundamental para o sucesso da horta, deve-se produzir no local,  o composto orgânico, através da compostagem. A compostagem é um processo que resulta no composto orgânico, um adubo natural, de ótima qualidade e, o mais importante, não polui o meio ambiente, como os adubos químicos. É um processo controlado de fermentação de resíduos orgânicos para produção de adubo orgânico .Além de ser uma boa fonte de macronutrientes, possui micronutrientes essenciais para o desenvolvimento das plantas e, ainda reduz a acidez do solo, ao contrário dos adubos químicos e estercos de animais que podem salinizar  e acidificar o solo e contaminar o solo e os rios.  Além disso, devido a temperatura alta que alcança no processo da compostagem (até 65ºC), durante a fermentação, os microorganismos causadores de doenças das plantas e as sementes de plantas espontâneas (“mato”) não sobrevivem.
Como é feito o composto orgânico? Para isso, deve-se  reservar um espaço para construir, no mínimo, duas composteiras. O método mais prático e difundido, consiste em montar as pilhas alternando-se restos vegetais (folhas, capins, restos de cultivos e até as plantas espontâneas - “mato”,  bagaço de cana de açúcar, aparas de gramas) e/ou restos domésticos (restos de alimentos, com excessão de carne, borra de café e erva-mate, restos de frutas e hortaliças, casca de ovos)  com meios de fermentação (estrume fresco de animais), numa proporção aproximada de 3 a 5 partes de vegetais para 1 de esterco fresco. Quanto mais picado  os restos vegetais, tanto mais rápido é a transformação em adubo orgânico. Não havendo esterco de animais, pode-se utilizar terra para colocar após a camada de restos de vegetais e/ou domésticos.  Periodicamente, é feito o revolvimento do composto, umedecendo, quando necessário, pois os microorganismos necessitam de calor, umidade e ar para decompor e transformar o lixo orgânico em adubo natural.




Como tornar a Horta Comunitária Orgânica e Sustentável?
Parte II

Na edição anterior do jornal Vanguarda, foi comentado que para uma horta ser considerada sustentável (desenvolvimento que não esgota os recursos para o futuro, conciliando crescimento econômico  e preservação da natureza), não deve depender de insumos vindos de fora do local e, por isso, mostrou-se que os adubos orgânicos podem ser produzidos no local, através da compostagem, utilizando-se restos de  vegetais, restos de alimentos (com exceção de carne) e  estrume de animais. Nesta edição, vamos mostrar que outros insumos como sementes e mudas e preparados de plantas para o manejo de doenças e pragas, também podem ser preparados no local.
Produção de mudas e sementes próprias: Na produção de uma horta sustentável, com base agroecológica, deve-se sempre que possível, tornar-se independente de insumos externos, priorizando, quando possível o resgate das variedades crioulas e/ou multiplicando as mudas e sementes de variedades comerciais que tenham se destacado. O uso e manutenção de variedades crioulas é muito importante na sustentabilidade da horta, pois são sementes com grande variabilidade genética,  rústicas e resistentes às doenças e pragas, melhoradas ao longo do tempo e, conservadas pelos agricultores, de geração para geração. Ao serem selecionadas as sementes vão se adaptando às mudanças climáticas com o tempo e, por isso, garantem maior estabilidade ou seja, mesmo em condições desfavoráveis, ainda assim haverá alguma produção. Com a “modernização” da agricultura as variedades crioulas foram sendo substituídas por variedades industriais e, especialmente híbridos e, mais recentemente, transgênicos, causando a dependência dos agricultores, a perda da agrobiodiversidade e, o que é pior, aumentando o risco para a saúde das atuais e futuras gerações (ex.: sementes transgênicas). Como exemplos de mudas e sementes que devem serem multiplicadas, podemos destacar a produção própria de ramas (mudas) de aipim e batata-doce e de sementes de alface (variedades crioulas), tomate cereja (perinha), tomate italiano, abobrinha, moranga, pepino e milho variedade.
Preparado de plantas e uso de plantas repelentes para o manejo de pragas e doenças: Em ambientes equilibrados e saudáveis, normalmente, não ocorre pragas e doenças. No entanto, especialmente na primavera, estação do ano de fertilidade e de grande atividade na natureza, poderão ocorrer algumas pragas que causam danos nas plantas, além de favorecerem o surgimento de doenças. Considerando que a proposta da horta é de ser sustentável e que os insumos químicos (agrotóxicos) prejudicam a vida do solo e do meio ambiente, além de aumentar o custo de produção, serão utilizados produtos alternativos produzidos  na horta, a partir de preparados de plantas medicinais, sempre e somente quando necessários. Como exemplo, citamos a sálvia e o boldo (plantas medicinais plantadas na horta), ótimos repelentes da borboleta que põe os ovos nas plantas, dando origem as lagartas que atacam severamente as couves, repolho, brócolis e couve-flor. Outro produto alternativo muito eficiente para o manejo de vaquinhas, pulgões, grilos, paquinhas e outros insetos é o preparado com pimenta, especialmente as mais ardidas, como a malagueta.



Como tornar a Horta Comunitária Orgânica e Sustentável?
Parte III - final

     Nas edições anteriores do jornal Vanguarda, comentou-se que para uma horta ser considerada sustentável (desenvolvimento que não esgota os recursos para o futuro, conciliando crescimento econômico  e preservação da natureza), não deve depender de insumos vindos de fora do local e, por isso, mostrou-se que os adubos orgânicos, sementes e mudas e, preparados de plantas e plantas repelentes, visando o manejo de pragas e doenças, podem ser produzidos e cultivados no local.. Nesta edição, vamos mostrar que através da biodiversidade, ou seja, o cultivo do maior número possível de espécies na horta, poderemos ter o equilíbrio ecológico, favorecendo o abrigo, reprodução e alimentos dos inimigos naturais das pragas que atacam os cultivos. Na irrigação, através de perfuração de poços ou então, coleta da água da chuva, podemos estar poupando água, recurso cada vez mais escasso.
Biodiversidade e o manejo de pragas com o auxílio dos inimigos naturais: Um dos princípios para termos uma agricultura mais sustentável é a preservação e ampliação da biodiversidade ou diversidade biológica. Para o sucesso da agricultura orgânica deve-se procurar imitar, dentro do possível, o que ocorre numa floresta, onde todos os seres vivos estão em perfeito equilíbrio. Todas as pragas das culturas tem seus inimigos naturais que as devoram, diminuindo e até eliminando o problema. Daí a importância de diversificar os cultivos o máximo possível (rotação e consorciação de cultivos), plantio de diferentes espécies de plantas e até preservar refúgios naturais como as matas, cercas vivas e capoeiras para manter a diversidade natural da fauna (ácaros predadores, aranhas, insetos, anfíbios, répteis, aves e mamíferos. Todos fazem parte do grande conjunto natural e cada um contribui para a manutenção do equilíbrio da natureza. Como exemplo, citamos as joaninhas que comem pulgões, praga que ataca especialmente a couve, repolho, brócolis e couve-flor
Irrigação: Embora dois terços do planeta terra  seja formado por  água, apenas  0,008 % do total é potável (própria para o consumo). E, o que é pior, grande parte das fontes desta água (rios, lagos e represas) está sendo contaminada, poluída e degradada pela ação predatória do homem. Esta situação é preocupante, pois poderá faltar, num futuro próximo, água para o consumo de grande parte da população mundial. Sendo a água de qualidade, um recurso natural cada vez mais escasso e, considerando que busca-se uma horta sustentável,  a instalação de cisterna para aproveitar a água da chuva, para irrigação. O cultivo de hortaliças sem complementação de água de boa qualidade, através da irrigação, é praticamente, impossível. As hortaliças, por terem ciclo curto, sofrem mais que outras espécies com pequenos períodos de estiagem. Além disso, a maioria das hortaliças são exigentes, pois apresentam em sua composição mais de 85% de água. A qualidade da água é muito importante, pois grande parte das hortaliças são consumidas cruas.



Ferreira On 2/10/2017 01:02:00 AM Comentarios LEIA MAIS

sexta-feira, 10 de março de 2017

PERGUNTAS E RESPOSTAS SOBRE PRODUÇÃO ORGÂNICA DE HORTALIÇAS - Capítulo7: Adubação Orgânica



Fonte: Livro da Embrapa Hortaliças – Brasília, DF. Interessados em adquirir o livro “PRODUÇÃO ORGÂNICA DE HORTALIÇAS – Coleção 500 Perguntas – 500 Respostas” devem entrar em contato através do email: vendas@sct.embrapa.br; Para ver o livro completo, acessar: http://mais500p500r.sct.embrapa.br/view/pdfs/90000021-ebook-pdf.pdf

     Com o objetivo de divulgar e aumentar o conhecimento sobre agricultura orgânica,  estamos transcrevendo  do livro, algumas perguntas e respostas que consideramos mais relevantes.

Capítulo7: Adubação Orgânica

Autores:  Ronessa B. de Souza e Flávia A. de Alcântara

O que são fertilizantes orgânicos?

     São fertilizantes (ou adubos) de natureza orgânica, ou seja, obtidos de matérias-primas de origem animal ou vegetal, sejam elas provenientes do meio rural, de áreas urbanas ou da agroindústria.
Os fertilizantes orgânicos podem ou não ser enriquecidos com nutrientes de origem mineral (não orgânica), podendo ser divididos em quatro tipos principais:
• Fertilizantes orgânicos simples.
• Fertilizantes orgânicos mistos.
• Fertilizantes orgânicos compostos.
• Fertilizantes organominerais.

O que é cada um desses tipos de fertilizante orgânico ?

• Fertilizantes orgânicos simples: fertilizante natural de origem animal ou vegetal. Exemplos: estercos animais, torta de mamona, borra de café.
• Fertilizantes orgânicos mistos: produto da mistura de dois ou mais fertilizantes orgânicos simples. Exemplo: cinzas (fonte principalmente de potássio (K)) + torta de mamona (fonte principalmente de nitrogênio (N))
• Fertilizantes orgânicos compostos: fertilizante não natural, ou seja, obtido por um processo químico, físico, físico-químico ou bioquímico, sempre a partir de matéria-prima orgânica, tanto vegetal como animal. Pode ser enriquecido com nutrientes de origem mineral. Exemplos: composto orgânico, vermicomposto (húmus de minhoca), lodo de esgoto.
• Fertilizantes organominerais: não passam por nenhum processo específico, são simplesmente o produto da mistura de fertilizantes orgânicos (simples ou compostos) com fertilizantes minerais.

Existem fertilizantes minerais de uso permitido na agricultura orgânica?

     Sim. Somente os fertilizantes minerais de origem natural e de baixa solubilidade são permitidos na agricultura orgânica, como os fosfatos naturais, os calcários e os pós de rocha. Em situações específicas, para uso restrito, uma vez constatada a necessidade de utilização do adubo e com autorização da certificadora, podem ser utilizados os termofosfatos, sulfato de potássio, sulfato duplo de potássio e magnésio de origem natural, sulfato de magnésio, micronutrientes e guano (fosfatos de origem orgânica – provenientes de excrementos de aves marinhas).


Pode-se fazer calagem no sistema orgânico?

     Sim. A calagem é permitida e a quantidade de calcário a ser utilizada deve ser calculada com base na análise química do solo.
Entretanto, a quantidade é geralmente limitada a 2 t/ha/ano.

Como saber que materiais são permitidos na adubação orgânica?

     Os padrões internacionais que regem a produção orgânica de alimentos estão agrupados na International Federation of Organic Agriculture Movements (Ifoam) e podem ser consultados pela internet no endereço <www.ifoam.org>. As normas brasileiras de produção orgânica constam da Instrução Normativa no 7, de 17/5/991, em que estão listados os materiais permitidos para uso na
adubação orgânica.

Existe algum problema em usar estercos frescos?

     Sim. Os estercos frescos podem conter microrganismos causadores de doenças no homem. Não devem ser utilizados no cultivo de hortaliças, pois podem contaminar as partes comestíveis das plantas. Esse problema pode ser resolvido pelo curtimento, ou envelhecimento do esterco em condições naturais, não controladas. Deve-se deixar o monte de esterco “envelhecer” em local coberto ou protegido com plástico ou lona contra chuvas, cujas águas lavam o esterco removendo os nutrientes. O tempo aproximado para ‘curtir’ é de 90 dias, dependendo das condições ambientais. O esterco curtido é uma massa escura com aspecto gorduroso, odor agradável de terra e sem nenhum mau cheiro.

O que é composto orgânico?

     Composto orgânico é o produto final da decomposição aeróbia (na presença de ar) de resíduos vegetais e animais. A compostagem permite a reciclagem desses resíduos e sua desinfecção contra pragas, doenças, plantas espontâneas e compostos indesejáveis. O composto orgânico atua como condicionador e melhorador das propriedades físicas, físico-químicas e biológicas do solo, fornece nutrientes, favorece o rápido enraizamento e aumenta a resistência das plantas.

Como é feito o composto orgânico?

     O composto orgânico é feito com resíduos vegetais, ricos em carbono (galhos, folhas, capim e outros), e resíduos animais, ricos em nitrogênio (esterco bovino, de aves e de outros animais, cama de aviário de matrizes, dentre outros). Quando se dispõe apenas de materiais pobres em N, como cascas de pínus, árvores velhas e capins, estes devem ser alternados com camadas de resíduos de leguminosas.
     A escolha da matéria-prima é importante para maior eficiência da compostagem. A relação  carbono/nitrogênio (C/N) inicial ótima (de 25–35:1) pode ser atingida com o uso de 75 % de restos vegetais variados e 25 % de esterco. Esses resíduos, vegetais e animais, são dispostos em camadas alternadas formando uma leira ou monte de dimensões e formatos variados.
     O formato mais usual é o de seção triangular, sendo a largura comandada pela altura da leira, a qual deve situar-se entre 1,5 m e 1,8 m. À medida que a pilha vai sendo formada, cada camada de material vai sendo umedecida com água, tomando-se o cuidado para que não haja escorrimento. A pilha deve ser revirada (parte de cima para baixo e parte de dentro para fora) aos 15, 30 e 45 dias. No momento das reviradas, o material deve ser umedecido para que a umidade fique em torno de 50 % a 60 % (na prática, atinge-se esse teor de umidade quando o material transmite a sensação de úmido ao ser tocado com as mãos, e, ao ser comprimido, não deixa escorrer água entre os dedos e forma um torrão que se desmancha com facilidade).
     Para manter a umidade ideal, a pilha deve ser coberta com palhas, folhas de bananeira ou lona de plástico. O local deve ser protegido do sol e da chuva (área coberta ou à sombra de uma árvore). Como exemplo, pode-se citar o composto produzido na Unidade de Produção de Hortaliças  orgânicas da Embrapa Hortaliças:

• 15 carrinhos-de-mão de capim braquiária roçado.
• 30 carrinhos de capim-napier.
• 20 carrinhos de cama de matriz de aviário.
• 13 kg de termofosfato.

     Formar camadas alternadas na seguinte ordem: braquiária, napier, cama de matriz e termofosfato, montando uma meda de 1 m x 10 m x 1,5 m (largura x comprimento x altura) para obtenção de 2.500 kg de composto orgânico após cerca de 90 dias.

Quais as vantagens do composto orgânico em relação ao esterco curtido?

     O composto orgânico é um produto estabilizado e mais equilibrado, em cujo processo de produção ocorreram todas as condições necessárias à eficiente fermentação aeróbica, dando-lhe qualidade superior à do esterco curtido como condicionador ou melhorador do solo. Além disso, é mais rico em nutrientes por constituir-se de resíduos vegetais e animais e por ser, muitas vezes, enriquecido com resíduos agroindustriais e adubos minerais.

Como saber quando o composto orgânico está pronto?

     O composto orgânico estará pronto para uso quando apresentar as seguintes características:
• Temperaturas normalmente inferiores a 35 oC.
• Redução do volume para 1/3 do volume inicial.
• Constituintes degradados fisicamente, não sendo possível identificá-los.
• Permite que seja moldado facilmente com as mãos.
• Cheiro de terra mofada, tolerável e até mesmo agradável para alguns.

Como enriquecer o composto orgânico?

     O enriquecimento do composto orgânico pode ser obtido com a adição, no momento de montagem da pilha, de fosfatos de reação ácida como fosfatos naturais (6 kg m-3), calcário (25 kg t-1 a 50 kg t-1), torta de cacau (40 kg m-3) ou de mamona (20 kg m-3 a 30 kg m-3), borra de café (50 kg m-3), cinzas, entre outros. O enriquecimento do composto orgânico deve ser feito de acordo com as exigências da cultura e a necessidade do solo. Geralmente, o enriquecimento com fósforo (P) só é recomendado nos 2 ou 3 anos iniciais de produção, e sua continuidade por mais tempo depende da disponibilidade de fósforo no solo.

O que é biofertilizante?

     É o material líquido resultante da fermentação de estercos, enriquecido ou não com outros resíduos orgânicos e nutrientes, em água. O processo de fermentação pode ser aeróbico (na presença de ar) ou anaeróbico (na ausência de ar). Os biofertilizantes podem ser aplicados via foliar, diluídos em água na proporção de 2 % a 5 %, ou no solo, via gotejamento. A forma como o biofertilizante atua nas plantas ainda não é completamente esclarecida e merece ser melhor estudada. Apresenta efeitos nutricionais (fornecimento de micronutrientes) e fitossanitários, atuando diretamente no controle de alguns fitoparasitas por meio de substâncias com ação fungicida, bactericida ou inseticida presentes em sua composição. Parece atuar equilibrando e tonificando o metabolismo da planta, tornando-a mais resistente ao ataque de pragas e doenças. Entre os biofertilizantes mais conhecidos destacam-se:

• Supermagro.
• Agrobio.
• Biofertilizante líquido (Vairo).

Como surgiram os biofertilizantes Vairo, Supermagro e Agrobio?

     O biofertilizante Vairo é o efluente pastoso resultante da fermentação anaeróbia da matéria orgânica em biodigestor.  O biodigestor é uma invenção secular, originária da Ásia, cujo objetivo primário era o saneamento de dejetos humanos e animais, e o secundário, a produção de gás metano, fonte alternativa de energia de baixo custo no meio rural.
     No Brasil, o uso do efluente líquido de biodigestores como fertilizante teve início na década de 1980 por extensionistas da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Rio de Janeiro (Emater/Rio), principalmente pelo engenheiro agrônomo Antônio Carlos Vairo dos Santos. Esse biofertilizante é obtido a partir da fermentação, em sistema fechado (ausência de ar), do esterco fresco de gado ruminante, de preferência gado leiteiro.O Supermagro é uma variante do biofertilizante Vairo. Foi elaborado pelo Delvino Magro, fruticultor, técnico agrícola e secretário da Agricultura do Município de Ipê, Rio Grande do Sul. O Supermagro foi utilizado por ele por mais de 20 anos para o controle de doenças e pragas de fruteiras temperadas, especialmente maçã, no Sul do Brasil. É a formulação mais difundida atualmente, na qual são misturados ingredientes orgânicos e minerais, basicamente micronutrientes, todos submetidos à fermentação anaeróbica.
     Outra formulação bastante conhecida é o Agrobio, elaborado por pesquisadores da Estação  xperimental de Itaguaí, da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Estado do Rio de Janeiro (Pesagro), desde 1997, e de composição semelhante ao Supermagro. É constituído igualmente de uma mistura de materiais orgânicos e minerais fermentados  erobicamente por 8 semanas.

Como preparar um biofertilizante na propriedade?

     Não há uma fórmula padrão para a produção de biofertilizante. Apresenta-se, a seguir, uma receita básica de biofertilizante líquido, na qual podem ser feitas variações:
Em uma bombona de plástico, colocam-se volumes iguais de esterco fresco e água, deixando um espaço vazio de 15 cm a 20 cm. Essa bombona deve ser fechada hermeticamente, adaptando-se uma mangueira fina de plástico em sua tampa. Uma extremidade da mangueira fica no espaço vazio da bombona e a outra deve ser imersa em um recipiente com água para permitir a saída do gás metano e impedir a entrada de ar (oxigênio). O final do processo, que dura de 30 a 40 dias, coincide com a cessação do borbulhamento observado no recipiente d’água, quando a solução deve ter atingido pH próximo de 7,0.
     Para separação da parte ainda sólida, o material deve ser coado em peneira e filtrado em um pano ou tela bem fina. Geralmente é utilizado diluído em água em concentrações variáveis de acordo com os diferentes usos e aplicações. É recomendado em dosagens mais elevadas de até 30 % do que as do Supermagro ou do Agrobio. Esse biofertilizante tem múltiplas finalidades, desde o controle de determinados fitopatógenos até a promoção de florescimento e enraizamento de algumas plantas cultivadas.

O que são os compostos de farelos ou bokashis?

     São compostos orgânicos produzidos a partir da mistura de argilas com farelos de cereais (arroz, trigo), torta de oleaginosas (soja, mamona), farinha de osso, farinha de peixe e outros resíduos.
Essa mistura é inoculada com microrganismos e submetida à fermentação aeróbica ou anaeróbica. O inoculante microbiano pode ser terra de mata (bosque natural), soja fermentada, microrganismos capturados da natureza por meio de arroz cozido ou inoculantes comerciais como o EM® (microrganismos eficazes). Sua composição deve ser ajustada de acordo com os ingredientes disponíveis e as necessidades nutricionais das culturas. Por utilizar matérias-primas nobres, de uso freqüente na alimentação animal, o bokashi é um fertilizante relativamente caro e rico em nutrientes, especialmente N, P e K.
     Existem diferentes formulações com duração variável de 3 a 21 dias para obtenção do composto. Durante o processo fermentativo aeróbio, a umidade deve permanecer em torno de 50 % a 60 % e a temperatura em torno de 50 oC. Na maioria das formulações, a movimentação da mistura é feita diariamente, uma vez que a temperatura eleva-se com facilidade por causa das boas características físicas (partículas pequenas) e químicas (riqueza em nutrientes) da matéria-prima.
     O final do processo caracteriza-se pela queda de temperatura. O composto de farelos mais conhecido é o Nutri Bokashi, produzido pela Kórin, empresa criada em 1995 pela Fundação Mokiti Okada, que utiliza os microrganismos eficazes (EM®) como inoculante.

O que são EM®?

     São preparados microbianos denominados “microrganismos eficazes” que servem como inoculante. Sua composição não é fornecida pelo fabricante (Fundação Mokiti Okada) e é apresentado como um preparado líquido que contém diversos tipos de microrganismos selecionados para desempenhar funções desejáveis com eficácia nas mais diversas situações. Os EM® são utilizados na produção do composto de farelos, na composição de rações, na água de bebida dos animais e em outros processos.

Deve-se proceder à análise de solo para fazer adubação orgânica?

     Sim. A análise química periódica é a única maneira de se conhecer a fertilidade do solo, ou seja, de saber se o solo está ácido ou não, e se os teores de macro e micronutrientes e de matéria orgânica estão adequados. É a partir dos resultados da análise química que se pode saber se há ou não  necessidade de calagem, que nutrientes estão em falta e quanto se deve aplicar de fertilizantes para aquela determinada cultura.

Que tipo de análise deve ser solicitada ao laboratório?

     Deve-se solicitar a análise de rotina, que geralmente consiste das determinações de pH, cálcio (Ca), magnésio (Mg), potássio (K), fósforo (P), alumínio (Al), acidez potencial (H+Al) e matéria orgânica. Havendo interesse específico de acordo com a exigência nutricional da cultura e sendo  economicamente viável para o produtor, recomenda-se solicitar também a análise do enxofre (S) e de micronutrientes.
     A textura não é uma característica química do solo, mas deve ser determinada em laboratório na primeira vez que se amostra a área. Seu conhecimento ajuda a entender o comportamento de certos nutrientes no solo e a determinar com maior precisão a necessidade de fornecimento destes. Nas amostragens posteriores do solo da mesma área não é necessário repetir a análise de textura, por ser uma característica física do solo que praticamente não sofre modificações. Em geral, os laboratórios de fertilidade do solo também fazem a determinação de textura.

Como calcular a quantidade de adubos a ser utilizada?

     Esse assunto ainda precisa ser melhor estudado, pois em olericultura orgânica o enfoque das adubações deve basear-se não apenas no aspecto químico da fertilidade do solo, mas também nos
componentes físicos, físico-químicos e biológicos do solo, levando em consideração inclusive os efeitos de médio e longo prazos do manejo da matéria orgânica. O cálculo da adubação para o plantio deve basear-se na análise química do solo, na composição química do adubo e na exigência da cultura.
     Em geral, as recomendações de material orgânico situam-se entre 10 t ha-1 e 50 t ha-1 de composto orgânico ou esterco curtido. Essas doses devem ser ajustadas de acordo com a cultura, com a qualidade do material, com as características químicas do solo que se vai cultivar, com a cultura antecessora e com o histórico de manejo orgânico. Como o sistema de manejo intensivo utilizado na produção de hortaliças tende a favorecer a elevação dos teores de nutrientes no solo com o decorrer do tempo, é importante considerar o efeito residual da adubação orgânica a fim de evitar desequilíbrios nutricionais.

É possível ter um exemplo do cálculo da quantidade de adubos?

Como exemplo, considere-se o plantio de 1 ha de cebola pelos critérios de interpretação e recomendação da agricultura convencional, cuja análise de solo indicasse a necessidade de 120 kg de N, 180 kg de K2O, 300 kg de P2O5. Na propriedade em questão, tem-se disponível o esterco bovino, cinzas e fosfato natural, cujas características estão apresentadas na Tabela 1.

 Tabela 1. Teores de nitrogênio, fósforo e potássio (% na matéria seca – MS e fatores de conversão (fc) de alguns fertilizantes.


Fertilizante                          Nitrogênio                          Fósforo                              Potássio
                                          % MS       fc                      % MS     fc                        % MS        fc

Esterco bovino                      5           20                     2,5         40                          5             20
Fosfato natural                      -             -                        30         3,3                         -               -
Cinzas                                   -             -                       2,5         40                          10           10
fc= 100% MS
Fonte: Souza e Resende2

2  SOUZA, J. L.; RESENDE, P. Manual de Horticultura Orgânica. Viçosa, MG: Aprenda Fácil, 2003. 564 p.


     Nesse caso, como fonte de N tem-se apenas o esterco bovino. Assim, para suprir todo o N recomendado (120 kg de N), a quantidade de esterco necessária será:

N = quantidade de N recomendada pela análise de solo x fc para N = 120 x 20 = 2.400 kg ha-1 de esterco bovino que fornece também:
P = kg ha-1 de esterco bovino: fc para P = 2.400/40 = 60 kg ha-1;
K = kg ha-1 de esterco bovino: fc para K = 2.400/20 = 120 kg ha-1.
Para completar o K, usam-se cinzas como adubo:
K = (quantidade recomendada de K - K fornecido pelo esterco bovino) x fc para K = (180-120) x 10 = 600 kg ha-1 de cinzas que fornecem também:
P = kg ha-1 de cinzas : fc para P = 600/40 = 15 kg ha-1.
Para completar o P, usa-se o fosfato natural:
P = (quantidade recomendada de P - P fornecido pelo esterco bovino - P fornecido pelas cinzas) x fc para P = (300-60-15) x 3,3 = 742 kg ha-1 de fosfato natural.

     Portanto, para atender as recomendações indicadas pela análise de solo para o plantio de 1 ha de cebola deve-se aplicar 2.400 kg de esterco bovino, 600 kg de cinzas e 742 kg de fosfato natural.
     Esses cálculos levam em consideração apenas a constituição química dos adubos, porém os aspectos físico e biológico do solo e o efeito residual das adubações, muito importantes nos sistemas de produção orgânicos, não são considerados. Portanto, as quantidades recomendadas no exemplo devem ser ajustadas de acordo com a situação específica (características climáticas, de solo e  histórico de manejo de cada local) do sistema de produção.

O que fazer para corrigir uma eventual deficiência no meio do ciclo da cultura?

     Sistemas orgânicos efetivamente equilibrados e sustentáveis não devem apresentar deficiências minerais. Contudo, falhas na escolha das culturas, no manejo ou na própria concepção do sistema, especialmente na fase de transição para o sistema orgânico, podem propiciar o aparecimento de deficiências. Nesse caso, a correção pode ser feita por meio de aplicações de biofertilizantes, cuja formulação pode ser ajustada de acordo com a necessidade das culturas. Pode-se preparar diferentes formulações de biofertilizantes enriquecidos com os diversos macro e micronutrientes.

O que fazer para corrigir a toxidez?

     Situações de toxidez são raras em sistemas orgânicos. Em solos de baixa fertilidade, como os latossolos da região do Cerrado, no(s) primeiro(s) ano(s) de cultivo, é possível ocorrer toxidez de magnésio (Mn) e/ou de ferro (Fe). Nesse caso, a correção se faz com a calagem calculada de acordo com a análise de solo e na quantidade permitida para sistemas orgânicos. Por causa de seu alto poder tampão, a adição de matéria orgânica ao solo ajuda a corrigir problemas de excessos e deficiências de nutrientes, especialmente de micronutrientes, com muitos dos quais forma quelatos, regulando a disponibilidade para as plantas.

Quais as principais fontes de nitrogênio permitidas na produção orgânica?

     Estercos puros de animais diversos, cama e urina de animais, espécies leguminosas de adubos verdes (mucunas, crotalárias, guandu, feijão-de-porco, feijão-bravo-do-ceará, etc.), resíduos agroindustriais como torta de oleaginosas (mamona, algodão, soja) e de cacau, palhadas e resíduos de culturas leguminosas como soja e feijão, farinha de sangue, farinha de peixe, composto orgânico,
biofertilizantes, bokashis, entre outros.

Quais as principais fontes de potássio, fósforo e micronutrientes permitidas para uso na produção orgânica?

     As principais fontes são:
• Para potássio: cinzas, cascas de café, pós de rochas silicatadas com altos teores de potássio, talos de banana, entre outros.
• Para fósforo: fosfatos naturais e farinha de ossos.
• Para micronutrientes: alguns pós de rocha, estercos, fontes minerais permitidas (óxido de cobre e outros utilizados nos biofertilizantes).

     De acordo com a Instrução Normativa no 7, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, podem ser utilizados sulfato de potássio e sulfato duplo de potássio e magnésio (de origem mineral natural), termofosfatos, sulfato de magnésio, ácido bórico (quando não utilizado diretamente sobre as plantas e o solo) e carbonatos (como fonte de micronutrientes). Entretanto, esses produtos só podem ser empregados se a necessidade de utilização for indicada pela análise e se esses fertilizantes  estiverem livres de substâncias tóxicas. Além disso, a permissão para utilização depende também das normas da certificadora.


sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Horta Orgânica Comunitária

Horta Orgânica Comunitária do bairro da Estação, em   Urussanga:                            Exemplo a ser seguido
     A horta comunitária tem uma longa história, mas agora ela surge como uma alternativa viável. Conforme a finalidade, as hortas são denominadas de doméstica ou domiciliar, escolar, comunitária ou coletiva e comercial (finalidade lucrativa). As três primeiras tem como finalidade, produzir alimentos saudáveis em quantidades suficientes para consumo próprio e, o mais importante, sem riscos ao meio ambiente. A horta comunitária contribui na ocupação benéfica de terrenos baldios, ociosos, em áreas urbanas que muitas vezes são utilizados como depósito de entulhos e lixo (focos de contaminação e transmissão de doenças). Ao proteger e conservar os terrenos e, o mais importante, produzir alimentos para inúmeras famílias, sem agredir o meio ambiente, a horta comunitária tem uma função fundamental na beleza da cidade e, o mais importante, na melhoria da qualidade de vida das pessoas envolvidas.
     Em Urussanga, graças à sensibilidade do casal Lia e Jurandir Piovezan, do bairro da Estação, temos a primeira horta comunitária (Figura 1) que servirá, com certeza, de inspiração para outras pessoas de outros bairros. A área foi cercada e construídos vários canteiros, com água disponível para irrigação e 3 composteiras, com a finalidade de transformar restos de cultivos e lixo orgânico produzido pelos participantes, em adubo orgânico. Cada família é responsável pelo cultivo das espécies que desejar no seu canteiro.



Figura 1.  Horta orgânica comunitária do bairro da Estação, em Urussanga, SC


1. OBJETIVO GERAL: Produzir, de forma solidária, alimentos frescos, saudáveis, mais nutritivos e mais baratos, promovendo o acesso e disponibilidade dos mesmos e, o mais importante, sem riscos ao meio ambiente e à saúde das pessoas.
2. OBJETIVOS ESPECÍFICOS: Aproveitamento das áreas ociosas; Fortalecer o convívio comunitário, exercitando a cooperação e o trabalho em equipe; Contribuir na complementação da alimentação e na produção de chás, a partir de plantas medicinais; Desenvolver práticas sustentáveis e hábitos alimentares saudáveis; Incentivar outros moradores do bairro e da cidade no cultivo de uma horta orgânica em suas residências; Qualidade de vida e respeito ao meio ambiente; Promoção da saúde da população como um todo, através de ações educativas, trabalhando de forma prazerosa os aspectos ambientais e sociais; Elevação da autoestima, pois com o trabalho diário dedicado na produção de seu próprio alimento, ajuda as pessoas envolvidas de todas as faixas de idade, viverem mais e melhor; A horta, quando conduzida com prazer, torna-se uma terapia eficiente para problemas como estresse, depressão e outros, resgatando deste modo a alegria de se viver e se sentir incluído na sociedade como um todo; Proporcionar salutar exercício ao ar livre, ao preparar o solo, semear, capinar, irrigar, observar o crescimento, colher e consumir hortaliças frescas, saudáveis e sem agrotóxicos, é uma  atividade importante para prevenção de doenças.

Cultive uma horta orgânica e colha saúde, qualidade de vida e paz com a natureza !



10 passos para  implantar e conduzir uma horta orgânica comunitária*

Fonte:    Adaptado da fonte

     A horta comunitária contribui na ocupação benéfica de terrenos baldios ociosos em áreas urbanas que muitas vezes são utilizados como depósito de entulhos e lixo (focos de contaminação e transmissão de doenças). Ao proteger e conservar os terrenos e, o mais importante, produzir alimentos frescos, saudáveis, mais nutritivos e, mais baratos, para inúmeras famílias, sem agredir o meio ambiente, a horta comunitária tem uma função fundamental na melhoria de qualidade de vida das pessoas, além de unir as pessoas envolvidas.  Ao iniciar uma horta, é importante visitar a horta comunitária do bairro da Estação (defronte à igreja Nossa Senhora Aparecida), em Urussanga, belo  exemplo a ser seguido. A seguir,  algumas dicas para o sucesso da horta comunitária:
1.Comece a falar sobre a horta comunitária: Antes de semear a semente ou plantar a muda, plante a ideia. Converse com pessoas de sua comunidade e fale sobre os benefícios e todas as vantagens que uma horta comunitária pode trazer para os envolvidos.

2. Encontre o espaço ideal: Em grandes cidades as áreas livres estão cada vez mais escassas. O terreno ideal deve ser plano e ensolarado e cercado, para evitar a entrada de animais domésticos. É importante que seja feito a análise do solo para conhecimento da acidez do solo e do teor de matéria orgânica de nutrientes, para posterior interpretação e recomendação do técnico do município.

3. Pesquise algum tipo de subsídio na sua região: Algumas prefeituras disponibilizam sementes, ferramentas e até instrutores para ensinarem as primeiras técnicas. Existem também ONGs e técnicos aposentados que podem ajudar às pessoas de menor conhecimento e prática.

4.  Construa canteiros individuais, que podem ser, preferencialmente, de tijolos, mas também pode ser com materiais recicláveis (garrafas pet, pneus descartados, madeira e outros): Dessa forma, cada família ou pessoa é responsável pelo cultivo das espécies que mais aprecia.

5. Inicie um sistema de compostagem, para fazer o próprio adubo orgânico no local: Um sistema simples é a composteira caseira ou minhocário. Ela pode ser feita pelos próprios participantes, aproveitando os restos de cultivos e lixo orgânico das família participantes. O adubo orgânico produzido é usado na plantação, substituindo os fertilizantes químicos. 

6. Dê liberdade aos participantes: Cada pessoa deve escolher o que plantar no seu espaço. É importante incentivar os participantes para multiplicarem suas próprias sementes e mudas e, com isso fazendo troca  uns com os outros e, dessa forma, aumentando o número de espécies (biodiversidade). Quanto maior a biodiversidade, princípio básico para produção de alimentos orgânicos, maior é o equilíbrio ecológico e,  menor os problemas com insetos-pragas. 

7. Tenha regras: O ideal é ter um planejamento. Escalas que determinam dias e horários dos responsáveis pela rega das plantas, por exemplo, é  importante, evitando-se que os canteiros recebam água de mais ou de menos. Mutirões de plantio e limpeza também são sempre bem-vindos. Uma liderança é importante para manter a horta sob controle e também para resolver atritos, receber sugestões e criar novas soluções para melhorar a qualidade da horta.

8. Convide pessoas experientes para conversar com a comunidade: Receber bons conselhos e trocar experiências é essencial para manter o grupo unido e melhorar as técnicas de plantio. Além disso, a participação de palestrantes voluntários é muito importante para compartilhar o conhecimento e  incentivar ainda mais a comunidade.

9. Torne o seu espaço atraente: Isso também inspira muito a comunidade e atrai novos participantes. Afinal, quem não gosta de estar  em um local agradável?

10. Compartilhar refeições comunitárias no jardim: Este é um jeito especial de comemorar a colheita, os árduos meses de trabalho. Além disso, é sempre gostoso dividir uma refeição com a família e os amigos.





Como tornar a Horta Comunitária Orgânica e Sustentável?
Parte I

      Atualmente a palavra “sustentabilidade” está em destaque e, tem sido cada vez mais uma preocupação mundial, felizmente. Não se trata de modismo, pois exemplos de sustentabilidade, são relatados em todos os setores de produção. Desenvolvimento sustentável tem sido definido como “modelo econômico capaz de satisfazer as necessidades das gerações atuais, levando em consideração as necessidades e interesses das futuras gerações”. É o desenvolvimento que não esgota os recursos para o futuro, conciliando crescimento econômico  e preservação da natureza.
Produção de adubo natural através do processo da compostagem: A horta para ser considerada sustentável, deve se utilizado o mínimo possível de insumos (adubos e outros produtos),  bem como a água (recurso natural escasso) para irrigação, vindos de fora. Por isso, especificamente em relação à adubação das plantas, fundamental para o sucesso da horta, deve-se produzir no local,  o composto orgânico, através da compostagem. A compostagem é um processo que resulta no composto orgânico, um adubo natural, de ótima qualidade e, o mais importante, não polui o meio ambiente, como os adubos químicos. É um processo controlado de fermentação de resíduos orgânicos para produção de adubo orgânico .Além de ser uma boa fonte de macronutrientes, possui micronutrientes essenciais para o desenvolvimento das plantas e, ainda reduz a acidez do solo, ao contrário dos adubos químicos e estercos de animais que podem salinizar  e acidificar o solo e contaminar o solo e os rios.  Além disso, devido a temperatura alta que alcança no processo da compostagem (até 65ºC), durante a fermentação, os microorganismos causadores de doenças das plantas e as sementes de plantas espontâneas (“mato”) não sobrevivem.
Como é feito o composto orgânico? Para isso, deve-se  reservar um espaço para construir, no mínimo, duas composteiras. O método mais prático e difundido, consiste em montar as pilhas alternando-se restos vegetais (folhas, capins, restos de cultivos e até as plantas espontâneas - “mato”,  bagaço de cana de açúcar, aparas de gramas) e/ou restos domésticos (restos de alimentos, com excessão de carne, borra de café e erva-mate, restos de frutas e hortaliças, casca de ovos)  com meios de fermentação (estrume fresco de animais), numa proporção aproximada de 3 a 5 partes de vegetais para 1 de esterco fresco. Quanto mais picado  os restos vegetais, tanto mais rápido é a transformação em adubo orgânico. Não havendo esterco de animais, pode-se utilizar terra para colocar após a camada de restos de vegetais e/ou domésticos.  Periodicamente, é feito o revolvimento do composto, umedecendo, quando necessário, pois os microorganismos necessitam de calor, umidade e ar para decompor e transformar o lixo orgânico em adubo natural.




Como tornar a Horta Comunitária Orgânica e Sustentável?
Parte II

Na edição anterior do jornal Vanguarda, foi comentado que para uma horta ser considerada sustentável (desenvolvimento que não esgota os recursos para o futuro, conciliando crescimento econômico  e preservação da natureza), não deve depender de insumos vindos de fora do local e, por isso, mostrou-se que os adubos orgânicos podem ser produzidos no local, através da compostagem, utilizando-se restos de  vegetais, restos de alimentos (com exceção de carne) e  estrume de animais. Nesta edição, vamos mostrar que outros insumos como sementes e mudas e preparados de plantas para o manejo de doenças e pragas, também podem ser preparados no local.
Produção de mudas e sementes próprias: Na produção de uma horta sustentável, com base agroecológica, deve-se sempre que possível, tornar-se independente de insumos externos, priorizando, quando possível o resgate das variedades crioulas e/ou multiplicando as mudas e sementes de variedades comerciais que tenham se destacado. O uso e manutenção de variedades crioulas é muito importante na sustentabilidade da horta, pois são sementes com grande variabilidade genética,  rústicas e resistentes às doenças e pragas, melhoradas ao longo do tempo e, conservadas pelos agricultores, de geração para geração. Ao serem selecionadas as sementes vão se adaptando às mudanças climáticas com o tempo e, por isso, garantem maior estabilidade ou seja, mesmo em condições desfavoráveis, ainda assim haverá alguma produção. Com a “modernização” da agricultura as variedades crioulas foram sendo substituídas por variedades industriais e, especialmente híbridos e, mais recentemente, transgênicos, causando a dependência dos agricultores, a perda da agrobiodiversidade e, o que é pior, aumentando o risco para a saúde das atuais e futuras gerações (ex.: sementes transgênicas). Como exemplos de mudas e sementes que devem serem multiplicadas, podemos destacar a produção própria de ramas (mudas) de aipim e batata-doce e de sementes de alface (variedades crioulas), tomate cereja (perinha), tomate italiano, abobrinha, moranga, pepino e milho variedade.
Preparado de plantas e uso de plantas repelentes para o manejo de pragas e doenças: Em ambientes equilibrados e saudáveis, normalmente, não ocorre pragas e doenças. No entanto, especialmente na primavera, estação do ano de fertilidade e de grande atividade na natureza, poderão ocorrer algumas pragas que causam danos nas plantas, além de favorecerem o surgimento de doenças. Considerando que a proposta da horta é de ser sustentável e que os insumos químicos (agrotóxicos) prejudicam a vida do solo e do meio ambiente, além de aumentar o custo de produção, serão utilizados produtos alternativos produzidos  na horta, a partir de preparados de plantas medicinais, sempre e somente quando necessários. Como exemplo, citamos a sálvia e o boldo (plantas medicinais plantadas na horta), ótimos repelentes da borboleta que põe os ovos nas plantas, dando origem as lagartas que atacam severamente as couves, repolho, brócolis e couve-flor. Outro produto alternativo muito eficiente para o manejo de vaquinhas, pulgões, grilos, paquinhas e outros insetos é o preparado com pimenta, especialmente as mais ardidas, como a malagueta.



Como tornar a Horta Comunitária Orgânica e Sustentável?
Parte III - final

     Nas edições anteriores do jornal Vanguarda, comentou-se que para uma horta ser considerada sustentável (desenvolvimento que não esgota os recursos para o futuro, conciliando crescimento econômico  e preservação da natureza), não deve depender de insumos vindos de fora do local e, por isso, mostrou-se que os adubos orgânicos, sementes e mudas e, preparados de plantas e plantas repelentes, visando o manejo de pragas e doenças, podem ser produzidos e cultivados no local.. Nesta edição, vamos mostrar que através da biodiversidade, ou seja, o cultivo do maior número possível de espécies na horta, poderemos ter o equilíbrio ecológico, favorecendo o abrigo, reprodução e alimentos dos inimigos naturais das pragas que atacam os cultivos. Na irrigação, através de perfuração de poços ou então, coleta da água da chuva, podemos estar poupando água, recurso cada vez mais escasso.
Biodiversidade e o manejo de pragas com o auxílio dos inimigos naturais: Um dos princípios para termos uma agricultura mais sustentável é a preservação e ampliação da biodiversidade ou diversidade biológica. Para o sucesso da agricultura orgânica deve-se procurar imitar, dentro do possível, o que ocorre numa floresta, onde todos os seres vivos estão em perfeito equilíbrio. Todas as pragas das culturas tem seus inimigos naturais que as devoram, diminuindo e até eliminando o problema. Daí a importância de diversificar os cultivos o máximo possível (rotação e consorciação de cultivos), plantio de diferentes espécies de plantas e até preservar refúgios naturais como as matas, cercas vivas e capoeiras para manter a diversidade natural da fauna (ácaros predadores, aranhas, insetos, anfíbios, répteis, aves e mamíferos. Todos fazem parte do grande conjunto natural e cada um contribui para a manutenção do equilíbrio da natureza. Como exemplo, citamos as joaninhas que comem pulgões, praga que ataca especialmente a couve, repolho, brócolis e couve-flor
Irrigação: Embora dois terços do planeta terra  seja formado por  água, apenas  0,008 % do total é potável (própria para o consumo). E, o que é pior, grande parte das fontes desta água (rios, lagos e represas) está sendo contaminada, poluída e degradada pela ação predatória do homem. Esta situação é preocupante, pois poderá faltar, num futuro próximo, água para o consumo de grande parte da população mundial. Sendo a água de qualidade, um recurso natural cada vez mais escasso e, considerando que busca-se uma horta sustentável,  a instalação de cisterna para aproveitar a água da chuva, para irrigação. O cultivo de hortaliças sem complementação de água de boa qualidade, através da irrigação, é praticamente, impossível. As hortaliças, por terem ciclo curto, sofrem mais que outras espécies com pequenos períodos de estiagem. Além disso, a maioria das hortaliças são exigentes, pois apresentam em sua composição mais de 85% de água. A qualidade da água é muito importante, pois grande parte das hortaliças são consumidas cruas.



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