sábado, 10 de fevereiro de 2018

Fonte: http://www.infobibos.com/Artigos/2010_3/HorticulturaSustentavel1/index.htm

Autores:   
                                                                                                   
Paulo Espíndola Trani , mestre em Solos e Nutrição de Plantas pela Universidade de São Paulo (1980) e doutorado em Agronomia pela Universidade de São Paulo (1995) . Atualmente é Pesquisador Científico do Instituto Agronômico de Campinas. Contato: petrani@iac.sp.gov.br

Sebastião Wilson Tivelli possui graduação em Engenharia Agronômica pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (1986), mestrado em Fitotecnia pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (1994), mestrado em Master Of Business Administration - Butler University (2002) e doutorado em Horticultura pela Faculdade de Ciências Agronômicas (1999). Atualmente é Pesquisador Científico do Instituto Agronômico de Campinas.. 
Contato:
 tivelli@iac.sp.gov.br

Francisco Antonio Passos possui graduação em Engenharia Agronômica (1973), mestrado em Genética e Melhoramento de Plantas (1983) e doutorado em Fitotecnia (1997), pela Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”, Universidade de São Paulo. É Pesquisador Científico do Centro de Horticultura, do Instituto Agronômico de Campinas..
Contato:
 fapassos@iac.sp.gov.br


Introdução

         A horticultura convencional adota tecnologias calcadas no imediatismo que embora proporcionem lucros ao produtor rural a curto prazo, poderão acarretar danos ao meio ambiente e às gerações futuras no médio e longo prazos.
      As práticas adotadas convencionalmente para o manejo e produção de hortaliças no Estado de São Paulo utilizam de maneira intensiva e desequilibrada fertilizantes minerais e defensivos (agrotóxicos), muitas vezes sem os cuidados recomendados pelas próprias empresas produtoras dos insumos. Além disso, o preparo do solo anteriormente ao plantio através da aração e da gradagem, poderá sujeitá-lo à erosão, se não forem adotadas práticas conservacionistas. A captação e a distribuição de água para as lavouras também é outro motivo de preocupação pois muitas vezes são realizadas de maneira inadequada. Frequentemente se observa o uso da água de irrigação em quantidades excessivas acarretando a disseminação de doenças de solo tais como o mofo branco, cujo agente causal é o fungo Sclerotium, além de bacterioses e nematóides. É ainda frequente na horticultura convencional o sistema da monocultura com sucessivos plantios de hortaliças da mesma espécie em uma mesma área. Isso, embora seja comercialmente melhor para o produtor, tem causado desequilíbrios diversos para o solo e para as próprias espécies plantadas, pois as predispõe a incidência de pragas e doenças em maior escala.

Horticultura sustentável

A agricultura sustentável, incluindo a horticultura, consiste em um sistema integrado de práticas de cultivo e criação animal com aplicação local específica que, no longo prazo suprirá as necessidades humanas de alimentos e fibras, melhorará a qualidade do meio ambiente e a base dos recursos naturais da qual depende a economia agrícola, fará uso mais eficiente dos recursos não renováveis e integrará, quando apropriado, ciclos e controles biológicos naturais; sustentará ainda a viabilidade econômica  das explorações agrícolas e elevará a qualidade de vida dos agricultores e da sociedade como um todo. Esta definição clássica, da década de 90 (Programa LISA), mostra a importância em se procurar o equilíbrio entre a produção com lucro, a preservação do meio ambiente e a saúde humana,  tanto do produtor como do consumidor de hortaliças (entre outras culturas).

É interessante verificar a definição do que NÃO é agricultura sustentável segundo o USDA, 1990: a) Uma ruptura com a agricultura moderna; b) outro nome para a agricultura orgânica; c) apenas para as pequenas propriedades; d) apenas para as propriedades com criações de animais domésticos; e) um passo para o passado; f) uma panacéia para todos os problemas ambientais; g) uma solução para todos os problemas econômicos da produção agrícola.

Resumidamente pode-se definir horticultura sustentável como o conjunto de práticas  agrícolas que melhorem a produtividade e a qualidade das culturas garantindo ainda a preservação do  meio ambiente. Citam-se como práticas agrícolas e técnicas de cultivo no sistema de produção sustentável o seguinte: maior utilização de adubos orgânicos, compostos e organo-minerais, produção de mudas com qualidade, cultivo protegido, adoção de práticas conservacionistas, plantio direto, adubação verde, rotação de culturas, plantio na época adequada, manejo correto da água de irrigação, nutrição correta das culturas, controle alternativo (especialmente cultural e biológico) de pragas e doenças e manejo correto da colheita e da pós-colheita.

Implantação da Horticultura sustentável

Dentre os fatores a serem levados em consideração no planejamento para implantação de um sistema sustentável de produção de hortaliças destaca-se o diagnóstico  do local a ser cultivado, devendo-se adotar os seguintes passos:
a) Identificação da vegetação anterior ou atual do local de cultivo. Por exemplo, plantas como barba de bode, indaiá, sapé e  samambaia indicam acidez do solo.
b) Identificação das culturas anteriores: caso o local já tenha sido explorado comercialmente obter o histórico do mesmo quanto às espécies cultivadas anteriormente e quais as produtividades obtidas. O mesmo se aplica para a criação animal.
c) Solo: realizar análise química e física do solo para determinação da sua fertilidade e o cálculo da calagem e adubação necessárias.
d) Clima: obter dados meteorológicos da região principalmente as temperaturas e pluviosidade (chuva) de todos os meses do ano. Levantar as médias climáticas, se possível dos últimos 10 a 20 anos. Isso contribuirá para a escolha das espécies e cultivares de hortaliças mais adaptadas ao clima local.
  e) Conservação do solo: verificar quais são as práticas conservacionistas adotadas pelo produtor (plantio em nível, terraceamento, canais escoadouros, etc.). Identificar problemas como erosão, compactação, drenagem deficiente, etc.
  f) Disponibilidade de água: verificar os sistemas utilizados pelo produtor na captação de água, sua qualidade e estimar a quantidade necessária para irrigação das hortaliças e outras culturas a serem instaladas na propriedade.
   g) Comercialização: identificar os possíveis compradores e os locais de venda, o que contribuirá para a decisão das espécies de hortaliças a serem produzidas. Realizar levantamentos de preços e quantidades comercializadas de hortaliças junto ao Instituto de Economia Agrícola, Centrais de Abastecimento e Varejões das grandes e médias cidades.


             Razões para a priorização do ensino, pesquisa e assistência técnica em horticultura sustentável

a) Demanda por alimentos saudáveis.
b) Aumento (em anos recentes) nos custos dos defensivos/agrotóxicos e fertilizantes convencionais.
c) Necessidade da preservação do meio ambiente, incluindo os recursos naturais renováveis
d) Crescente disponibilidade de técnicas e práticas em sistemas de produção sustentável.

Limitações atuais para a expansão do cultivo sustentável de hortaliças e outras culturas

a) Existe no comércio reduzida disponibilidade de inseticidas, fungicidas e bactericidas biológicos para controle de pragas e doenças das hortaliças.
b) As recentes legislações oficiais sobre agricultura orgânica, ecológica e sustentável ainda são pouco divulgadas.
c) As instituições oficiais de pesquisa possuem número reduzido de profissionais especialistas nas áreas de agricultura ecológica, agricultura orgânica e agricultura sustentável.


     Início dos problemas com a agricultura convencional em SP

A ocorrência de sérios problemas de erosão em regiões do oeste paulista nas décadas de 70 e 80, conforme as fotos a seguir, estão mostrando a necessidade da adoção de um novo sistema de manejo do solo, dentro dos princípios da agricultura sustentável.

Os problemas com erosão ainda ocorrem! 

Embora tenha ocorrido progresso no emprego de práticas conservacionistas em diversas regiões do Estado de São Paulo, ainda existe um longo caminho a percorrer quanto ao combate à erosão, especialmente nas estradas rurais municipais.

Literatura Consultada

BATISTA FILHO, A.; BARROS, B. de C.; COSTA, V.A.; PATRÍCIO, F.R.A.; OLIVEIRA, S.H.F. de; OLIVEIRA, C.M.G. de; RAGA, A.; RAMIRO, Z.A. Conceito e Técnicas do Manejo Integrado de Pragas e Doenças das Culturas.  São Paulo, Secretaria de Agricultura e Abastecimento, 1999. v.1, 40 p (Manual Técnico, Série Especial).
BETTIOL, W. Leite de vaca cru para o controle de oídio. Jaguariúna: Embrapa Meio Ambiente, março/2006. 4p. (Folder)
BUENO, C.J.; PATRICIO, F.R.A.; SINIGAGLIA, C. Solarização associada à matéria orgânica proporciona o controle de fitopatógenos termotolerantes habitantes do solo. 2008. Artigo em Hypertexto. Disponível em:
CAMARGO, L. S. As Hortaliças e seu Cultivo, 3 ed., rev. e atual. Campinas, Fundação Cargill, 1992. 252 p.
GHINI, R. Coletor solar para desinfestação de substratos para produção de mudas sadias. Jaguariúna: Embrapa Meio Ambiente, 2004. 5p. (Circular Técnica, 4). Artigo em Hypertexto. Disponívelem:<http://www.cnpma.embrapa.br/download/circular_4.pdf >. Acesso em: 25/10/2008 
MINAMI, K. ; GONÇALVES, A. L. Instruções práticas das principais hortaliças e condimentos. Piracicaba: Centro Acadêmico “Luiz de Queiróz”, 1986. 176 p.
NICHOLS, M.; CHRISTIE, B. Hacia la sustentabilidad agrícolaAgricultura de las Americas, p. 4-10, abril 2001.
PATRÍCIO, F.R.A.; SINIGAGLIA, C. É tempo de solarizar. 2008. Artigo em Hypertexto. Disponível em: <http://www.infobibos.com/Artigos/2008_1/solarização/index.htm>. Acesso em: 25/10/2008
SALES, H.B. Boas práticas para o melhor resultado do fertilizante. BUNGE, Divulgação Técnica, Jan. 2009, Ano XXVI, nº 179, 6p.
SOUZA, R.J. Mudas de hortaliças em bandejas-economia de sementes e defensivos. Campo & Negócios, junho 2008, p. 7-10.
TAKAZAKI, P.E.; DELLA VECCHIA, P.T. Problemas nutricionais e fisiológicos no cultivo de hortaliças em ambiente protegido. In: Anais do Simpósio sobre Nutrição e Adubação de Hortaliças, Jaboticabal,1990 (eds. Ferreira, M.E.; Castellane, P.D.; Cruz, M.C.P.), p. 481-487. Piracicaba, POTAFÓS, 1993.
TRANI, P.E.; CARRIJO, O.A. Fertirrigação em Hortaliças. Campinas: Instituto Agronômico, 2004, 53 p. (Boletim Técnico IAC, 196)
TRANI, P.E.; PASSOS, F.A.; MELO, A.M.T.; TIVELLI, S.W.; BOVI, O.A.; PIMENTEL, E.C. Hortaliças e Plantas Medicinais: Manual Prático. Campinas: Instituto Agronômico, 2010, 2 ed. 72 p. (Boletim Técnico IAC, 199).
WUTKE, E.B.; TRANI, P.E.; AMBROSANO, E.J.; DRUGOWICH, M.I. Adubação Verde no Estado de São Paulo. Campinas, Coordenadoria de Assistência Técnica Integral - CATI, 2009. 89 p. (Boletim Técnico 249).
ZAMBOLIN, L.; VALE, F.X.R.; COSTA, H. (Eds). Controle de doenças de plantas: hortaliças. Viçosa, UFV. 2000, p. 576-620.






Ferreira On 2/10/2018 05:54:00 AM Comentarios LEIA MAIS

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018


Fonte: Revista Verde de Agroecologia e Desenvolvimento Sustentável  -  Revista Verde (Pombal - PB - Brasil), v 9. , n. 4, p. 05 - 07, out-dez, 2014. Disponivel em: http://www.gvaa.com.br/revista/index.php/RVADS

Autores: Thiago Pereira de Sousa1 , Eduardo Pereira de Sousa Neto2 , Luana Raposo de Sá Silveira3 , Elias Francisco dos Santos Filho2 e Patricio Borges Maracajá4 .

RESUMO - As maiores perdas da agricultura são causadas em grande parte por pragas e doenças. A modernização da agricultura, após a segunda guerra, acrescentou, ao processo de produção de alimentos, a utilização de máquinas e equipamentos agrícolas, além de fertilizantes e pesticidas químicos, tornando o sistema altamente dependente de recursos (insumos agrícolas) externos às propriedades rurais. O uso freqüente e indiscriminado de produtos químicos, para o controle de insetos-praga, muitas vezes acarreta a presença de altos níveis de resíduos tóxicos nos alimentos, desequilíbrio biológico, contaminações ambientais, intoxicações de seres humanos e outros animais, ressurgência de pragas, surtos de pragas secundárias e linhagens de insetos resistentes, uma alternativa atenuar esses problemas é a utilização de substancias naturais extraídas de plantas. Os extratos vegetais com atividade inseticida representam uma alternativa importante de controle de insetos-praga em pequenas áreas de cultivo, como as hortas, situação na qual a produção de extratos torna-se viável.

 Palavras-chave: Inseticidas, doenças, desequilíbrio biológico.

1Mestrando em Fitotecnia pela Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA), Mossoró-RN, Brasil, E-mail: tiagojd2009@hotmail.com
 2Graduando em Agronomia pela Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), Pombal-PB, Brasil, E-mail: gogaeduardo@hotmail.com
3Graduanda em Ciências Agrárias pela Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), Catolé do Rocha-PB, Brasil, E-mail: luana.156@hotmail.com
 4 Professor D. Sc. UFCG - Mestrado em Sistema Agroindustriais, UAGRA, Pombal-PB, Brasil, E-mail: patriciomaracaja@gmail.com


ABSTRACT - The greatest losses from agriculture are largely caused by pests and diseases. The modernization of agriculture, after WWII, he added, the food production process, highly dependent on the use of agricultural machinery and equipment, and chemical fertilizers and pesticides, making the system resources (agricultural inputs) external to rural properties. The frequent and indiscriminate use of chemicals to control insect pests often requires the presence of high levels of toxic residues in food, biological imbalance, environmental contamination, poisoning of humans and other animals, resurgence of pest outbreaks secondary pests and resistant strains of insects, an alternative mitigate these problems is the use of natural substances extracted from plants. The plant extracts with insecticidal activity represent an important alternative for controlling insect pests in small growing areas, such as gardens, in which case the production of extracts becomes feasible.

Keywords: Insecticides, diseases, biological imbalance.


INTRODUÇÃO

As maiores perdas da agricultura são causadas em grande parte por pragas e doenças, o uso de cultivares resistentes não é a solução para todos os problemas, mas deve ser incluído como opção em programa amplo e racional de controle integrado; é possível observar diferentes níveis de respostas de cultivares ao ataque de determinado inseto, de modo que diferentes graus de resistência podem ser atribuídos como imunidade, alta resistência, resistência moderada, suscetibilidade e alta suscetibilidade (CHRISPIM & RAMOS, 2007). A modernização da agricultura, após a Segunda Guerra, acrescentou, ao processo de produção de alimentos, a utilização de máquinas e equipamentos agrícolas, além de fertilizantes e pesticidas químicos, tornando o sistema altamente dependente de recursos (insumos agrícolas) externos às propriedades rurais; a aplicação dessa tecnologia acarreta o aumento dos custos de produção com consequente aumento dos preços dos alimentos para os consumidores, inviabilizando frequentemente as produções agrícolas (ROEL, 2001). Nos últimos anos, inúmeras técnicas e conhecimentos novos têm sido experimentados, no que toca ao combate das pragas e doenças agrícolas. A cada ano e a cada experiência sempre há algo de novo a ser aprendido, num processo dinâmico que nos obriga a evoluir. Para Corrêa & Salgado (2011), na natureza, onde não há a interferência do homem, os diversos organismos vivem em equilíbrio; dentro da natureza, as pragas são insetos comuns, que como milhares de outros, alimentam-se das planta, é só quando intervém o fator homem e a agricultura, que muitos destes insetos passam a ser considerados pragas. O emprego de substâncias extraídas de plantas silvestres, na qualidade de inseticidas, tem inúmeras vantagens quando comparado ao emprego de sintéticos: os inseticidas naturais são obtidos de recursos renováveis e são rapidamente degradáveis; o desenvolvimento da resistência dos insetos a essas substâncias, compostas da associação de vários princípios ativos é um processo lento; esses pesticidas são de fácil acesso e obtenção por agricultores e não deixam resíduos em alimentos; além de apresentarem baixo custo de produção (ROEL, 2001). Dequech et al., (2008), dizem que os extratos vegetais com atividade inseticida representam uma alternativa importante de controle de insetos-praga em pequenas áreas de cultivo, como as hortas, situação na qual a produção de extratos torna-se viável. Dessa forma, objetivou-se com este estudo, a realização de uma revisão bibliográfica acerca da utilização de plantas como repelentes e inseticidas naturais como alternativas de produção sustentável na agricultura familiar.

MÉTODOLOGIA

Para o desenvolvimento deste trabalho foi realizada uma revisão de literatura, onde foram utilizados os seguintes materiais: dados bibliográficos (incluindo consultas à Internet, livros e publicações referentes ao assunto e à área em estudo, destacando aspectos regionais e temáticos), suporte computacional e material fotográfico.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

 O uso frequente e indiscriminado de produtos químicos, para o controle de insetos-praga, muitas vezes acarreta a presença de altos níveis de resíduos tóxicos nos alimentos, desequilíbrio biológico, contaminações ambientais, intoxicações de seres humanos e outros animais, ressurgência de pragas, surtos de pragas secundárias e linhagens de insetos resistentes, uma alternativa atenuar esses problemas é a utilização de substancias naturais extraídas de plantas (DEQUECH et al., 2008). Controle químico de pragas Segundo Jesus et al., (2011), Inseticidas são substâncias químicas utilizadas para matar, atrair e repelir insetos, sendo sua descoberta, isolamento, síntese, avaliação toxicológica e de impacto ambiental um vasto tópico de pesquisas no mundo inteiro e que tem se desenvolvido bastante nas últimas décadas. Dentro da classificação de inseticidas, são incluídas substâncias que repelem e que atraem insetos; os inseticidas podem ser classificados segundo três pontos de vista: finalidade, modo de ação e origem (ROEL, 2001). Para Brechelt (2004), A contínua utilização do controle químico com agrotóxicos não seletivos, sem a rotação de produtos, pode causar desequilíbrios mediante a eliminação de insetos benéficos, explosões populacionais de pragas e, principalmente, a perda de eficácia de inseticidas mediante a seleção natural de linhagens de insetos resistentes a esses compostos químicos. Alternativas naturais para o controle de pragas São considerados para uso como alternativo, todos os produtos químicos, biológicos, orgânicos ou naturais, que possuam as seguintes características: Praticamente não tóxicos, baixa a nenhuma agressividade ao homem e à natureza, eficientes no combate e repelente aos insetos e microrganismos nocivos, não favoreçam a ocorrência de formas de resistência, de pragas e microrganismos, custo reduzido para aquisição e emprego, simplicidade quando ao manejo e aplicação, e alta disponibilidade para aquisição (PEREIRA, 2012). De acordo com Brechelt (2004), a natureza tem criado durante séculos várias substâncias ativas que, quando corretamente aplicadas, podem controlar insetos pragas de maneira eficiente; a substituição dos inseticidas sintéticos por substâncias vegetais representa uma alternativa viável, mas não significa que estes extratos de plantas possam restabelecer por si mesmos o equilíbrio ecológico de um sistema agroecológico estável. Para Pereira (2012), as vantagens das substâncias botânicas são óbvias: a maioria é de baixo custo; estão ao alcance do agricultor; algumas são muito tóxicas, mas não têm efeito residual prolongado e se descompõem rapidamente; em sua maioria não são venenosas para os mamíferos. Os extratos vegetais com atividade inseticida representam uma alternativa importante de controle de insetos-praga em pequenas áreas de cultivo, como as hortas, situação na qual a produção de extratos torna-se viável (DEQUECH et al., 2008).

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Dentro da natureza, as pragas são insetos comuns, que como milhares de outros, alimentam-se das plantas; é só quando intervém o fator homem e a agricultura, que muitos destes insetos passam a ser considerados como pragas. No processo de modernização e industrialização, a agricultura se tornou dependente de insumos produzidos fora do setor agrícola, como máquinas, equipamentos, fertilizantes e pesticidas, insumos que encarecem a produção e diminuem a margem de lucro dos produtores de alimentos e fibras. A retomada dos estudos sobre a utilização de produtos de origem vegetal na agricultura não só é um resgate das práticas realizadas por nossos ancestrais, como se enquadra nos programas de desenvolvimento local e de sustentabilidade de propriedades rurais. Em termos de pequenas propriedades rurais, as plantas que podem ser utilizadas como inseticidas devem ser plantadas no próprio local, com o objetivo de facilitar a coleta dos materiais vegetais e sua manipulação. A utilização de inseticidas botânicos como uma estratégia dentro do manejo de pragas é promissora, todavia, devem ser ampliadas as pesquisas com o uso de extratos e óleos essenciais, ensaios em condições de campo e estudos de controle de qualidade para viabilizar uma maior adoção desses produtos naturais pelos técnicos e agricultores.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 BRECHELT, A. Manejo Ecológico de Pragas e Doenças. Centro de Apoio ao Pequeno Agricultor (CAPA), Cartilha, Santa Cruz do Sul, RS. 33p. 2004.

CORRÊA, J. C. R.; SALGADO, H. R. N. Atividade inseticida das plantas e aplicações: revisão. Revista Brasileira de Plantas Medicinais, Botucatu, v.13, n.4, p.500-506, 2011.

CHRISPIM, T. P.; RAMOS, J. M. Resistência de plantas a insetos. Revista Cientifica de Engenharia Florestal, v.10, n.6, p.01-10, 2007.

 DEQUECH, S. T. B.; SAUSEN, C. D. LIMA, C. G.; EGEWARTH, R. Efeito de extratos de plantas com atividade inseticida no controle de Microtheca ochroloma Stal (Col.: Chrysomelidae), em laboratório. Revista Biotemas, v.21, n.1, p.41-46, 2008.

JESUS, F. G.; PAIVA, L. A.; GONÇALVES, V. C.; MARQUES, M. A.; JUNIOR, A. L. B. Efeito de plantas inseticidas no comportamento e biologia de Plutella xylostella (lepidóptera: plutellidae). Arquivos do Instituto Biológico, São Paulo, v.78, n.2, p.279-285, 2011.

PEREIRA, W. H.; MOREIRA, L. F.; FRANÇA, F. C. T. Práticas alternativas para a produção agropecuária agroecologica. EMATER-MG, cartilha, 134p. 2012.


ROEL, A. R. Utilização de plantas com propriedades inseticidas: uma contribuição para o desenvolvimento rural sustentável. Revista Internacional de Desenvolvimento Local. v.1, n.2, p.43-50, 2001.
Ferreira On 1/10/2018 03:48:00 PM Comentarios LEIA MAIS

sábado, 10 de fevereiro de 2018

Horticultura Sustentável - Parte I

Fonte: http://www.infobibos.com/Artigos/2010_3/HorticulturaSustentavel1/index.htm

Autores:   
                                                                                                   
Paulo Espíndola Trani , mestre em Solos e Nutrição de Plantas pela Universidade de São Paulo (1980) e doutorado em Agronomia pela Universidade de São Paulo (1995) . Atualmente é Pesquisador Científico do Instituto Agronômico de Campinas. Contato: petrani@iac.sp.gov.br

Sebastião Wilson Tivelli possui graduação em Engenharia Agronômica pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (1986), mestrado em Fitotecnia pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (1994), mestrado em Master Of Business Administration - Butler University (2002) e doutorado em Horticultura pela Faculdade de Ciências Agronômicas (1999). Atualmente é Pesquisador Científico do Instituto Agronômico de Campinas.. 
Contato:
 tivelli@iac.sp.gov.br

Francisco Antonio Passos possui graduação em Engenharia Agronômica (1973), mestrado em Genética e Melhoramento de Plantas (1983) e doutorado em Fitotecnia (1997), pela Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”, Universidade de São Paulo. É Pesquisador Científico do Centro de Horticultura, do Instituto Agronômico de Campinas..
Contato:
 fapassos@iac.sp.gov.br


Introdução

         A horticultura convencional adota tecnologias calcadas no imediatismo que embora proporcionem lucros ao produtor rural a curto prazo, poderão acarretar danos ao meio ambiente e às gerações futuras no médio e longo prazos.
      As práticas adotadas convencionalmente para o manejo e produção de hortaliças no Estado de São Paulo utilizam de maneira intensiva e desequilibrada fertilizantes minerais e defensivos (agrotóxicos), muitas vezes sem os cuidados recomendados pelas próprias empresas produtoras dos insumos. Além disso, o preparo do solo anteriormente ao plantio através da aração e da gradagem, poderá sujeitá-lo à erosão, se não forem adotadas práticas conservacionistas. A captação e a distribuição de água para as lavouras também é outro motivo de preocupação pois muitas vezes são realizadas de maneira inadequada. Frequentemente se observa o uso da água de irrigação em quantidades excessivas acarretando a disseminação de doenças de solo tais como o mofo branco, cujo agente causal é o fungo Sclerotium, além de bacterioses e nematóides. É ainda frequente na horticultura convencional o sistema da monocultura com sucessivos plantios de hortaliças da mesma espécie em uma mesma área. Isso, embora seja comercialmente melhor para o produtor, tem causado desequilíbrios diversos para o solo e para as próprias espécies plantadas, pois as predispõe a incidência de pragas e doenças em maior escala.

Horticultura sustentável

A agricultura sustentável, incluindo a horticultura, consiste em um sistema integrado de práticas de cultivo e criação animal com aplicação local específica que, no longo prazo suprirá as necessidades humanas de alimentos e fibras, melhorará a qualidade do meio ambiente e a base dos recursos naturais da qual depende a economia agrícola, fará uso mais eficiente dos recursos não renováveis e integrará, quando apropriado, ciclos e controles biológicos naturais; sustentará ainda a viabilidade econômica  das explorações agrícolas e elevará a qualidade de vida dos agricultores e da sociedade como um todo. Esta definição clássica, da década de 90 (Programa LISA), mostra a importância em se procurar o equilíbrio entre a produção com lucro, a preservação do meio ambiente e a saúde humana,  tanto do produtor como do consumidor de hortaliças (entre outras culturas).

É interessante verificar a definição do que NÃO é agricultura sustentável segundo o USDA, 1990: a) Uma ruptura com a agricultura moderna; b) outro nome para a agricultura orgânica; c) apenas para as pequenas propriedades; d) apenas para as propriedades com criações de animais domésticos; e) um passo para o passado; f) uma panacéia para todos os problemas ambientais; g) uma solução para todos os problemas econômicos da produção agrícola.

Resumidamente pode-se definir horticultura sustentável como o conjunto de práticas  agrícolas que melhorem a produtividade e a qualidade das culturas garantindo ainda a preservação do  meio ambiente. Citam-se como práticas agrícolas e técnicas de cultivo no sistema de produção sustentável o seguinte: maior utilização de adubos orgânicos, compostos e organo-minerais, produção de mudas com qualidade, cultivo protegido, adoção de práticas conservacionistas, plantio direto, adubação verde, rotação de culturas, plantio na época adequada, manejo correto da água de irrigação, nutrição correta das culturas, controle alternativo (especialmente cultural e biológico) de pragas e doenças e manejo correto da colheita e da pós-colheita.

Implantação da Horticultura sustentável

Dentre os fatores a serem levados em consideração no planejamento para implantação de um sistema sustentável de produção de hortaliças destaca-se o diagnóstico  do local a ser cultivado, devendo-se adotar os seguintes passos:
a) Identificação da vegetação anterior ou atual do local de cultivo. Por exemplo, plantas como barba de bode, indaiá, sapé e  samambaia indicam acidez do solo.
b) Identificação das culturas anteriores: caso o local já tenha sido explorado comercialmente obter o histórico do mesmo quanto às espécies cultivadas anteriormente e quais as produtividades obtidas. O mesmo se aplica para a criação animal.
c) Solo: realizar análise química e física do solo para determinação da sua fertilidade e o cálculo da calagem e adubação necessárias.
d) Clima: obter dados meteorológicos da região principalmente as temperaturas e pluviosidade (chuva) de todos os meses do ano. Levantar as médias climáticas, se possível dos últimos 10 a 20 anos. Isso contribuirá para a escolha das espécies e cultivares de hortaliças mais adaptadas ao clima local.
  e) Conservação do solo: verificar quais são as práticas conservacionistas adotadas pelo produtor (plantio em nível, terraceamento, canais escoadouros, etc.). Identificar problemas como erosão, compactação, drenagem deficiente, etc.
  f) Disponibilidade de água: verificar os sistemas utilizados pelo produtor na captação de água, sua qualidade e estimar a quantidade necessária para irrigação das hortaliças e outras culturas a serem instaladas na propriedade.
   g) Comercialização: identificar os possíveis compradores e os locais de venda, o que contribuirá para a decisão das espécies de hortaliças a serem produzidas. Realizar levantamentos de preços e quantidades comercializadas de hortaliças junto ao Instituto de Economia Agrícola, Centrais de Abastecimento e Varejões das grandes e médias cidades.


             Razões para a priorização do ensino, pesquisa e assistência técnica em horticultura sustentável

a) Demanda por alimentos saudáveis.
b) Aumento (em anos recentes) nos custos dos defensivos/agrotóxicos e fertilizantes convencionais.
c) Necessidade da preservação do meio ambiente, incluindo os recursos naturais renováveis
d) Crescente disponibilidade de técnicas e práticas em sistemas de produção sustentável.

Limitações atuais para a expansão do cultivo sustentável de hortaliças e outras culturas

a) Existe no comércio reduzida disponibilidade de inseticidas, fungicidas e bactericidas biológicos para controle de pragas e doenças das hortaliças.
b) As recentes legislações oficiais sobre agricultura orgânica, ecológica e sustentável ainda são pouco divulgadas.
c) As instituições oficiais de pesquisa possuem número reduzido de profissionais especialistas nas áreas de agricultura ecológica, agricultura orgânica e agricultura sustentável.


     Início dos problemas com a agricultura convencional em SP

A ocorrência de sérios problemas de erosão em regiões do oeste paulista nas décadas de 70 e 80, conforme as fotos a seguir, estão mostrando a necessidade da adoção de um novo sistema de manejo do solo, dentro dos princípios da agricultura sustentável.

Os problemas com erosão ainda ocorrem! 

Embora tenha ocorrido progresso no emprego de práticas conservacionistas em diversas regiões do Estado de São Paulo, ainda existe um longo caminho a percorrer quanto ao combate à erosão, especialmente nas estradas rurais municipais.

Literatura Consultada

BATISTA FILHO, A.; BARROS, B. de C.; COSTA, V.A.; PATRÍCIO, F.R.A.; OLIVEIRA, S.H.F. de; OLIVEIRA, C.M.G. de; RAGA, A.; RAMIRO, Z.A. Conceito e Técnicas do Manejo Integrado de Pragas e Doenças das Culturas.  São Paulo, Secretaria de Agricultura e Abastecimento, 1999. v.1, 40 p (Manual Técnico, Série Especial).
BETTIOL, W. Leite de vaca cru para o controle de oídio. Jaguariúna: Embrapa Meio Ambiente, março/2006. 4p. (Folder)
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quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Utilização de plantas como repelentes e inseticidas naturais: Alternativa de produção orgânica e sustentável na agricultura familiar


Fonte: Revista Verde de Agroecologia e Desenvolvimento Sustentável  -  Revista Verde (Pombal - PB - Brasil), v 9. , n. 4, p. 05 - 07, out-dez, 2014. Disponivel em: http://www.gvaa.com.br/revista/index.php/RVADS

Autores: Thiago Pereira de Sousa1 , Eduardo Pereira de Sousa Neto2 , Luana Raposo de Sá Silveira3 , Elias Francisco dos Santos Filho2 e Patricio Borges Maracajá4 .

RESUMO - As maiores perdas da agricultura são causadas em grande parte por pragas e doenças. A modernização da agricultura, após a segunda guerra, acrescentou, ao processo de produção de alimentos, a utilização de máquinas e equipamentos agrícolas, além de fertilizantes e pesticidas químicos, tornando o sistema altamente dependente de recursos (insumos agrícolas) externos às propriedades rurais. O uso freqüente e indiscriminado de produtos químicos, para o controle de insetos-praga, muitas vezes acarreta a presença de altos níveis de resíduos tóxicos nos alimentos, desequilíbrio biológico, contaminações ambientais, intoxicações de seres humanos e outros animais, ressurgência de pragas, surtos de pragas secundárias e linhagens de insetos resistentes, uma alternativa atenuar esses problemas é a utilização de substancias naturais extraídas de plantas. Os extratos vegetais com atividade inseticida representam uma alternativa importante de controle de insetos-praga em pequenas áreas de cultivo, como as hortas, situação na qual a produção de extratos torna-se viável.

 Palavras-chave: Inseticidas, doenças, desequilíbrio biológico.

1Mestrando em Fitotecnia pela Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA), Mossoró-RN, Brasil, E-mail: tiagojd2009@hotmail.com
 2Graduando em Agronomia pela Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), Pombal-PB, Brasil, E-mail: gogaeduardo@hotmail.com
3Graduanda em Ciências Agrárias pela Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), Catolé do Rocha-PB, Brasil, E-mail: luana.156@hotmail.com
 4 Professor D. Sc. UFCG - Mestrado em Sistema Agroindustriais, UAGRA, Pombal-PB, Brasil, E-mail: patriciomaracaja@gmail.com


ABSTRACT - The greatest losses from agriculture are largely caused by pests and diseases. The modernization of agriculture, after WWII, he added, the food production process, highly dependent on the use of agricultural machinery and equipment, and chemical fertilizers and pesticides, making the system resources (agricultural inputs) external to rural properties. The frequent and indiscriminate use of chemicals to control insect pests often requires the presence of high levels of toxic residues in food, biological imbalance, environmental contamination, poisoning of humans and other animals, resurgence of pest outbreaks secondary pests and resistant strains of insects, an alternative mitigate these problems is the use of natural substances extracted from plants. The plant extracts with insecticidal activity represent an important alternative for controlling insect pests in small growing areas, such as gardens, in which case the production of extracts becomes feasible.

Keywords: Insecticides, diseases, biological imbalance.


INTRODUÇÃO

As maiores perdas da agricultura são causadas em grande parte por pragas e doenças, o uso de cultivares resistentes não é a solução para todos os problemas, mas deve ser incluído como opção em programa amplo e racional de controle integrado; é possível observar diferentes níveis de respostas de cultivares ao ataque de determinado inseto, de modo que diferentes graus de resistência podem ser atribuídos como imunidade, alta resistência, resistência moderada, suscetibilidade e alta suscetibilidade (CHRISPIM & RAMOS, 2007). A modernização da agricultura, após a Segunda Guerra, acrescentou, ao processo de produção de alimentos, a utilização de máquinas e equipamentos agrícolas, além de fertilizantes e pesticidas químicos, tornando o sistema altamente dependente de recursos (insumos agrícolas) externos às propriedades rurais; a aplicação dessa tecnologia acarreta o aumento dos custos de produção com consequente aumento dos preços dos alimentos para os consumidores, inviabilizando frequentemente as produções agrícolas (ROEL, 2001). Nos últimos anos, inúmeras técnicas e conhecimentos novos têm sido experimentados, no que toca ao combate das pragas e doenças agrícolas. A cada ano e a cada experiência sempre há algo de novo a ser aprendido, num processo dinâmico que nos obriga a evoluir. Para Corrêa & Salgado (2011), na natureza, onde não há a interferência do homem, os diversos organismos vivem em equilíbrio; dentro da natureza, as pragas são insetos comuns, que como milhares de outros, alimentam-se das planta, é só quando intervém o fator homem e a agricultura, que muitos destes insetos passam a ser considerados pragas. O emprego de substâncias extraídas de plantas silvestres, na qualidade de inseticidas, tem inúmeras vantagens quando comparado ao emprego de sintéticos: os inseticidas naturais são obtidos de recursos renováveis e são rapidamente degradáveis; o desenvolvimento da resistência dos insetos a essas substâncias, compostas da associação de vários princípios ativos é um processo lento; esses pesticidas são de fácil acesso e obtenção por agricultores e não deixam resíduos em alimentos; além de apresentarem baixo custo de produção (ROEL, 2001). Dequech et al., (2008), dizem que os extratos vegetais com atividade inseticida representam uma alternativa importante de controle de insetos-praga em pequenas áreas de cultivo, como as hortas, situação na qual a produção de extratos torna-se viável. Dessa forma, objetivou-se com este estudo, a realização de uma revisão bibliográfica acerca da utilização de plantas como repelentes e inseticidas naturais como alternativas de produção sustentável na agricultura familiar.

MÉTODOLOGIA

Para o desenvolvimento deste trabalho foi realizada uma revisão de literatura, onde foram utilizados os seguintes materiais: dados bibliográficos (incluindo consultas à Internet, livros e publicações referentes ao assunto e à área em estudo, destacando aspectos regionais e temáticos), suporte computacional e material fotográfico.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

 O uso frequente e indiscriminado de produtos químicos, para o controle de insetos-praga, muitas vezes acarreta a presença de altos níveis de resíduos tóxicos nos alimentos, desequilíbrio biológico, contaminações ambientais, intoxicações de seres humanos e outros animais, ressurgência de pragas, surtos de pragas secundárias e linhagens de insetos resistentes, uma alternativa atenuar esses problemas é a utilização de substancias naturais extraídas de plantas (DEQUECH et al., 2008). Controle químico de pragas Segundo Jesus et al., (2011), Inseticidas são substâncias químicas utilizadas para matar, atrair e repelir insetos, sendo sua descoberta, isolamento, síntese, avaliação toxicológica e de impacto ambiental um vasto tópico de pesquisas no mundo inteiro e que tem se desenvolvido bastante nas últimas décadas. Dentro da classificação de inseticidas, são incluídas substâncias que repelem e que atraem insetos; os inseticidas podem ser classificados segundo três pontos de vista: finalidade, modo de ação e origem (ROEL, 2001). Para Brechelt (2004), A contínua utilização do controle químico com agrotóxicos não seletivos, sem a rotação de produtos, pode causar desequilíbrios mediante a eliminação de insetos benéficos, explosões populacionais de pragas e, principalmente, a perda de eficácia de inseticidas mediante a seleção natural de linhagens de insetos resistentes a esses compostos químicos. Alternativas naturais para o controle de pragas São considerados para uso como alternativo, todos os produtos químicos, biológicos, orgânicos ou naturais, que possuam as seguintes características: Praticamente não tóxicos, baixa a nenhuma agressividade ao homem e à natureza, eficientes no combate e repelente aos insetos e microrganismos nocivos, não favoreçam a ocorrência de formas de resistência, de pragas e microrganismos, custo reduzido para aquisição e emprego, simplicidade quando ao manejo e aplicação, e alta disponibilidade para aquisição (PEREIRA, 2012). De acordo com Brechelt (2004), a natureza tem criado durante séculos várias substâncias ativas que, quando corretamente aplicadas, podem controlar insetos pragas de maneira eficiente; a substituição dos inseticidas sintéticos por substâncias vegetais representa uma alternativa viável, mas não significa que estes extratos de plantas possam restabelecer por si mesmos o equilíbrio ecológico de um sistema agroecológico estável. Para Pereira (2012), as vantagens das substâncias botânicas são óbvias: a maioria é de baixo custo; estão ao alcance do agricultor; algumas são muito tóxicas, mas não têm efeito residual prolongado e se descompõem rapidamente; em sua maioria não são venenosas para os mamíferos. Os extratos vegetais com atividade inseticida representam uma alternativa importante de controle de insetos-praga em pequenas áreas de cultivo, como as hortas, situação na qual a produção de extratos torna-se viável (DEQUECH et al., 2008).

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Dentro da natureza, as pragas são insetos comuns, que como milhares de outros, alimentam-se das plantas; é só quando intervém o fator homem e a agricultura, que muitos destes insetos passam a ser considerados como pragas. No processo de modernização e industrialização, a agricultura se tornou dependente de insumos produzidos fora do setor agrícola, como máquinas, equipamentos, fertilizantes e pesticidas, insumos que encarecem a produção e diminuem a margem de lucro dos produtores de alimentos e fibras. A retomada dos estudos sobre a utilização de produtos de origem vegetal na agricultura não só é um resgate das práticas realizadas por nossos ancestrais, como se enquadra nos programas de desenvolvimento local e de sustentabilidade de propriedades rurais. Em termos de pequenas propriedades rurais, as plantas que podem ser utilizadas como inseticidas devem ser plantadas no próprio local, com o objetivo de facilitar a coleta dos materiais vegetais e sua manipulação. A utilização de inseticidas botânicos como uma estratégia dentro do manejo de pragas é promissora, todavia, devem ser ampliadas as pesquisas com o uso de extratos e óleos essenciais, ensaios em condições de campo e estudos de controle de qualidade para viabilizar uma maior adoção desses produtos naturais pelos técnicos e agricultores.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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CORRÊA, J. C. R.; SALGADO, H. R. N. Atividade inseticida das plantas e aplicações: revisão. Revista Brasileira de Plantas Medicinais, Botucatu, v.13, n.4, p.500-506, 2011.

CHRISPIM, T. P.; RAMOS, J. M. Resistência de plantas a insetos. Revista Cientifica de Engenharia Florestal, v.10, n.6, p.01-10, 2007.

 DEQUECH, S. T. B.; SAUSEN, C. D. LIMA, C. G.; EGEWARTH, R. Efeito de extratos de plantas com atividade inseticida no controle de Microtheca ochroloma Stal (Col.: Chrysomelidae), em laboratório. Revista Biotemas, v.21, n.1, p.41-46, 2008.

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PEREIRA, W. H.; MOREIRA, L. F.; FRANÇA, F. C. T. Práticas alternativas para a produção agropecuária agroecologica. EMATER-MG, cartilha, 134p. 2012.


ROEL, A. R. Utilização de plantas com propriedades inseticidas: uma contribuição para o desenvolvimento rural sustentável. Revista Internacional de Desenvolvimento Local. v.1, n.2, p.43-50, 2001.
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