terça-feira, 5 de julho de 2011


   Para produção de hortaliças de boa qualidade, saudáveis, de forma diversificada, sem agrotóxicos e adubos químicos e, especialmente, sem colocar em risco a saúde do homem, do meio ambiente e das futuras gerações, deve-se seguir algumas recomendações. As recomendações específicas para o cultivo orgânico de batata, cebola, tomate, cenoura, alface, beterraba, repolho, couve-flor, couve, brócolis, batata-doce e planta medicinais estão em postagens mais antigas neste blog. Por isso, a seguir abordaremos as indicações gerais para o cultivo das diversas espécies de hortaliças.
. Correção e preparo do solo
   A acidez do solo influi na fertilidade, tornando os nutrientes essenciais indisponíveis às plantas. Para correção aplica-se calcário, de acordo com a análise do solo; em geral, para terrenos ácidos utiliza-se cerca de 0,5 a 1 kg de calcário por m², com antecedência mínima de três meses da semeadura/plantio. Caso seja utilizado o composto orgânico, a acidez do solo é corrigida naturalmente, sem necessidade de calagem.
    A adubação orgânica melhora a fertilidade do solo e as propriedades físicas dos solos muito argilosos (barrentos) ou arenosos. Para terrenos de baixa ferrtilidade, com baixa percentagem de matéria orgânica (menos de 2%), determinada pela análise do solo, recomenda-se a aplicação, preferencialmente, de composto orgânico (3 a 4kg/m2) ou esterco curtido de aves ou de gado, na quantidade máxima de 2 e 5 kg/m² por ano, respectivamente.
    O resíduo orgânico e/ou restos de culturas, também pode se tornar um adubo de ótima qualidade através da compostagem (ver matéria mais antiga postada neste blog).
Para pequenas hortas recomenda-se após aplicação do calcário, quando necessário, e do adubo orgânico, fazer o revolvimento do solo com enxadão ou pá, na profundidade mínima de 20 cm, com posterior destorroamento com enxada.
Figura 1. Revolvimento do solo com pá
. Preparo do canteiro
  Para algumas espécies cultivadas em espaçamentos maiores, basta revolver e destorroar o solo. Em seguida, deve-se abrir as covas, sulcos ou ainda fazer camalhões ou leiras, adubar e plantar, conforme o sistema de cada cultura.
Algumas hortaliças necessitam de preparo especial do terreno para confecção de canteiros que podem servir como sementeira para posterior transplante de mudas e para semeadura direta/plantio.
    Após o revolvimento do solo, os canteiros são levantados e destorroados com enxada. Deve-se evitar preparar o canteiro quando o solo estiver muito seco ou muito úmido.
Para preparo adequado do canteiro recomenda-se:
. Fazer dois sulcos paralelos de 15 a 20cm de profundidade, com 30 a 40 cm de largura, e distanciados de 1 a 1,2m, utilizando-se cordões ou bambu para alinhamento;
. Com auxílio de ancinho (rastelo) faz-se o nivelamento da terra e retira-se os torrões menores, raízes, pedras e outros materiais;
. Com a pá curva faz-se o acabamento, limpando-se a passagem entre os canteiros.
   Os canteiros depois de prontos ficarão com cerca de 1m de largura, 15 a 20cm de altura e separados por 30 a 40 cm entre si, para facilitar a passagem das pessoas que cuidarão da horta. Entre cada série de canteiros deve-se deixar um caminho (1m) para passagem do carrinho de mão, usado para transporte de adubos, estercos e produtos colhidos.

Em terrenos inclinados, os canteiros devem ficar atravessados em relação à declividade para evitar que as águas das chuvas os destruam.
Figura 2. Preparo de canteiro
Figura 3. Canteiro preparado para semeadura
   Sempre que possível recomenda-se canteiros fixos, feitos especialmente com tijolos ou pedras (maior durabilidade), madeira (Figura 4), bambú e com outros materiais, pois evita a erosão e facilita o preparo do mesmo para novos plantios.
Figura 4. Horta orgânica do CAPS – Centro de Atenção Psicossocial, em Urussanga, com canteiros construídos com madeira

. Época de semeadura/plantio
    De um modo geral, as hortaliças encontram as melhores condições de desenvolvimento e produção quando o clima é ameno (18 a 22ºC), com chuvas leves e frequentes.
     As temperaturas elevadas (mais de 30ºC), de um modo geral, encurtam o ciclo das plantas e aceleram a maturação; as baixas temperaturas (menos de 10ºC) retardam o crescimento, a frutificação, a maturação e favorecem o florescimento indesejável.
    O fotoperíodo (número de horas com luz natural por dia) e a temperatura influem na formação e no desenvolvimento de bulbos (cebola e alho) e de tubérculos (batata).
Obs.: na matéria sobre planejamento de uma horta orgânica (parte I) foi postada uma tabela com informações de épocas de semeadura ou plantio para as principais hortaliças. O livro "Cultive uma horta e um pomar orgânicos...", disponível para venda na Epagri/Estação Experimental de Urussanga, também possui estas e muitas outras informações importantes.
. Produção de mudas
   O transplante de mudas sadias e vigorosas garante a produção de hortaliças de boa qualidade. Algumas lojas agropecuárias dispõem de mudas de hortaliças, em bandejas de isopor. As diversas formas de produção de mudas são descritas a seguir.
Sementeira
É o local onde são semeadas as sementes de algumas hortaliças para obter-se as mudas a serem transplantadas.
Figura 5. Sementeira de cebola
Os cuidados mais importantes para produção de mudas em sementeira são:
. Preparo cuidadoso do canteiro, incorporando com antecedência, esterco bem curtido e peneirado de aves e de gado, na quantidade de 2 ou 5 kg/m², respectivamente;
. Fazer sulcos com 1 a 2cm de profundidade, distanciados de 10 cm, utilizando o sacho ou marcador de sulcos;
. Semear o mais uniforme possível, cobrindo as sementes com terra. De maneira geral, deve-se enterrar a semente numa profundidade aproximadamente igual a cinco vezes o seu tamanho;
. Cobrir a sementeira com saco de aniagem, capim seco ou tela de sombrite para evitar a formação de crosta superficial do solo devido à irrigação ou à ocorrência de chuvas torrenciais, retirando a proteção quando as sementes iniciarem a emergência;
. Outra opção é a cobertura da sementeira com cerca de 1cm de espessura de casca de arroz ou serragem, após a semeadura. Neste caso, não há necessidade de se retirar a cobertura após a emergência;
. Em períodos sem chuvas, no verão, regar duas vezes ao dia (manhã e à tardinha) até à emergência, com regador de crivo fino para não enterrar demais as sementes;
. A utilização de cobertura de plástico no inverno, associado ao sombrite no verão são indicados;
. Eliminar as plantas espontâneas à medida que forem aparecendo;
. Desbaste do excesso de plantas, deixando as mais vigorosas.
Figura 6. Tipos de cobertura da sementeira: sombrite, casca de arroz e serragem  (Foto:Valmir José Vizzotto)
                             Figura 7. Produção de mudas no verão com o uso de plástico e sombrite
Caixas, copinhos, bandejas de isopor e outros recipientes
     Na produção de mudas para a horta pode ser utilizado diversos recipientes. A vantagem do uso de recipientes sobre a sementeira em canteiro é a facilidade de movimentação dos mesmos para locais protegidos, evitando-se o sol quente, chuvas torrenciais e o frio intenso.
A sementeira pode ser feita em caixas com 50 x 50cm de lado e 20 a 25cm de profundidade, fazendo-se alguns furos no fundo para escoamento do excesso de água.
Figura 8. Sementeira de alface em caixa
    A semeadura também pode ser feita, preferencialmente em copinhos de jornal (sem impressão colorida) ou de papel pardo, pois se degradam rapidamente e não oferecem riscos ao meio ambiente.
Confecção: corta-se uma folha de jornal em cinco tiras, no sentido horizontal da página, com cerca de 11,5 cm de largura cada uma; no caso de utilizar-se o papel pardo deve-se cortá-lo em tiras de 11,5 cm de largura por 38 cm de comprimento. Enrola-se as tiras em torno de um cano de PVC (50mm) com 7cm de comprimento. A extremidade do cilindro de papel é dobrada para dentro, de modo a formar o fundo do copinho. Finalmente, bate-se o fundo do cano de modo a comprimir as dobras do fundo do molde. Posteriormente, enche-se o cano com substrato e retira-se o mesmo para confecção de outros copinhos. Uma vez prontos, os copinhos apresentam as medidas de 7cm x 6cm e capacidade de aproximadamente 200cm3.
Figura 9. Material necessário para confecção dos copinhos de papel
 Figura 10. Confecção de copinho de jornal- início
 Figura 11. Confecção de copinho de jornal - final
Os copinhos plásticos, utilizados para refrigerantes e reutilizados na produção de mudas, fazendo-se alguns furos no fundo, é outra opção. No entanto, é importante ressaltar que o plástico leva muitos anos para se degradar, sendo por isso utilizado somente quando não houver outra alternativa.
Figura 12. Copinhos plásticos para refrigerantes reutilizados
   O sistema mais utilizado atualmente é o de bandeja de isopor, que manuseada com cuidado pode ser reutilizada várias vezes.
A vantagem da bandeja de isopor e dos copinhos sobre a sementeira em canteiro e em caixa, é que a muda não sofre nenhum dano ao ser transplantada.
  O substrato para encher os recipientes pode ser adquirido em lojas agropecuárias ou preparado em casa.
Preparo do substrato caseiro:
-3 partes de terra peneirada livre de plantas espontâneas;
-1 partes de cama de aviário curtida e peneirada;
-1 parte de areia fina de rio ou 2 partes de casca de arroz carbonizada.
Obs.: misturar bem as diferentes partes.
Figura 13. Enchimento da bandeja de isopor com substrato caseiro
Figura 14. Produção de mudas de hortaliças em bandejas de isopor

 
PostadoFerreira On 7/05/2011 09:10:00 AM 15 comments

15 comentários:

  1. Muito boa matéria, bem que poderia estar em PDF para viabilizar a cópia para arquivo.

    ResponderExcluir
  2. Alexandre Jordão Chaúque21 de agosto de 2011 03:13

    Adorei por ter lido essas informações.

    ResponderExcluir
  3. ótimo material mim ajudou bastante.obrigado!!!

    ResponderExcluir
  4. esse tipo de implantacao e ema evolucao as mudinhas plantadas em copinhos e tranplantadas nas leiras faz com que elas se adptem melhor

    ResponderExcluir
  5. muito instrutivasas informações que pude obter gostaria de saber mais sobre mudas de hortaliças

    ResponderExcluir
  6. muito bom gostaria de obter mais informações sobre mudas

    ResponderExcluir
  7. sou academica de agronomia e estou desenvolvendo um projeto desse nivel e adorei o material ..um abraço
    sucesso

    ResponderExcluir
  8. Gostei muito das informações. Parabéns pelo blog

    ResponderExcluir
  9. Gostei muito das recomendações e ensinamentos, mas resalto que não é necessario o uso de tabuas para cercar os canteiros, elas são caras agridem a natureza e atrapalham a confeção dos canteiros, isso eu já experimentei. obrigado

    ResponderExcluir
  10. Fico satisfeito que a maioria dos leitores tenha gostado da matéria e, de alguma forma, ajudou.

    Gostaria de enfatizar que o uso de tábuas ou outro material, recomenda-se para hortas domésticas, sem fins comerciais, pois facilita, uma vez que o canteiro permanece intacto, sem erosão; neste caso, o preparo do solo (revolvimento) pode ser feito com pá de corte dentro do canteiro.

    Concordo que o uso de madeira não é uma prática sustentável. Para reduzir esta agressão à natureza, sugiro reutilizar madeiras usadas em construções. Para canteiros mais duradouros, vale a pena, em pequenas hortas, fazer os canteiros de tijolos ou pedras.

    ResponderExcluir
  11. Muito bom! O material tirou várias dúvidas minhas. Valeu!

    ResponderExcluir
  12. Outra coisa q da para levantar os canteiros e resto de eternite... fika mto bom.

    ResponderExcluir
  13. Nossa muiitoo bom , aprendii muita coisa :-) !!!!

    ResponderExcluir
  14. Muito bom....exelente já vou logo para minha horta um abraço.....

    ResponderExcluir
  15. Muito bom...aprendi bastante com vocês,já vou logo para minha horta um abraço...

    ResponderExcluir

  • RSS
  • Delicious
  • Digg
  • Facebook
  • Twitter
  • Linkedin
  • Youtube

Blogger templates